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Axia (AXIA3) busca Novo Mercado e redefine governança corporativa para acionistas

por Ana Luiza Farias
19/02/2026 às 14h52
em Negócios
Axia (Axia3) Busca Novo Mercado E Redefine Governança Corporativa Para Acionistas - Gazeta Mercantil

Axia (AXIA3) mira Novo Mercado: o que a antiga Eletrobras busca e como ficam os acionistas

A Axia Energia (AXIA3), ex-Eletrobras, deu um passo estratégico que pode redefinir sua governança corporativa e atratividade no mercado de capitais. A empresa convocou seus acionistas para deliberar sobre a migração ao Novo Mercado da B3, segmento destinado às companhias com os mais altos padrões de governança do país.

Se aprovada, a decisão consolidará a transformação iniciada com a privatização em junho de 2022, marcando um novo capítulo na história da companhia e reforçando sua reputação entre investidores institucionais e estrangeiros. A assembleia geral extraordinária (AGE) e as assembleias especiais que definirão a migração estão marcadas para 1º de abril de 2026.

Leia também: BNDES vende ações de Petrobras (PETR4) e Axia (AXIA3) e acelera saída de ativos maduros.

O ponto central da proposta é a conversão de todas as ações preferenciais de classe PNA1 e PNB1 — que hoje oferecem dividendos mais elevados — em ações ordinárias (ON), garantindo a regra básica do Novo Mercado: “uma ação, um voto”.


Por que a Axia busca o Novo Mercado

A migração ao Novo Mercado não é um movimento isolado. Para a Axia, trata-se de um desdobramento natural da desestatização, que transformou a empresa em uma corporation sem controlador definido e com capital pulverizado na bolsa. Desde a privatização, a companhia passou por uma profunda reestruturação, incluindo:

Leia também: Dólar hoje sobe com mercado atento à ata do Fed e ao payroll.

  • Revisão de custos operacionais;

  • Incorporação de Furnas à estrutura corporativa;

  • Venda de ativos não estratégicos, como a Eletronuclear;

  • Assinatura de acordos com o governo federal;

  • Alteração de nome e ticker na B3.

A empresa argumenta que, após essa reorganização, é o momento ideal para avançar na governança. “A administração entende que a AXIA se encontra diante de importante janela de oportunidade para deliberar sobre a Migração ao Novo Mercado, um passo natural e coerente com a trajetória de aprimoramento institucional da companhia, reconhecendo e reforçando esta evolução e trazendo perenidade a tais avanços”, afirmou a Axia na proposta enviada aos acionistas.

Além disso, a migração ao Novo Mercado visa aprimorar a estrutura de capital da Axia, fortalecer a política de dividendos e beneficiar de forma ampla sua base acionária. A expectativa da companhia é que o movimento atraia novos investidores, especialmente estrangeiros, aumente a liquidez das ações e melhore a percepção da empresa em critérios ESG (ambientais, sociais e de governança).


Estrutura acionária atual e mudanças propostas

Atualmente, a Axia possui uma estrutura acionária diversificada, com diferentes classes de papéis:

  • Ações ON: 69,5796% do capital, com direito a um voto por ação;

  • Ações PNA1: 0,0050% do capital, sem direito a voto, mas com dividendos ao menos 10% superiores aos das ON e prioridade de 8% ao ano;

  • Ações PNB1: 9,6021% do capital, sem direito a voto, com dividendos ao menos 10% superiores às ON e prioridade de 6% ao ano;

  • Ações PNC: 20,8133% do capital, com direito a voto, conversíveis em ON e resgatáveis até 2031;

  • Golden Share da União: ação preferencial especial, sem voto em assembleias gerais, mas com direito de veto.

Para ingressar no Novo Mercado, a Axia propõe a conversão das ações PNA1 e PNB1 em ações ordinárias na proporção de 1,1 ação ON para cada ação preferencial. Segundo a empresa, a relação de troca foi desenhada para equilibrar interesses econômicos e políticos, considerando que as preferenciais hoje oferecem prêmio de dividendos de pelo menos 10% em relação às ordinárias.


Cenários possíveis após a AGE

A companhia detalha dois cenários possíveis para a assembleia:

  1. Cenário ideal: todas as assembleias aprovam a conversão, resultando em uma estrutura alinhada ao Novo Mercado, com unificação das classes de ações relevantes;

  2. Cenário alternativo: a assembleia da PNA1 rejeita a conversão, mas a migração segue adiante com a concessão de voto adicional a esses papéis, conforme o waiver concedido pela B3.

Mesmo com a possibilidade de rejeição da assembleia das PNA1, a B3 autorizou tratamento excepcional, permitindo que a migração ocorra desde que os acionistas dessas ações tenham voto pleno por meio de alteração do estatuto. As ações PNC e a Golden Share da União estão autorizadas a manter suas características mesmo após a migração.


Direitos de dissidência e recesso acionário

A Axia prevê a possibilidade de dissidência. Acionistas preferenciais que não concordarem com a conversão poderão exercer o direito de recesso, solicitando o reembolso de suas ações com base no valor patrimonial por ação calculado a partir do balanço do quarto trimestre de 2025.

O direito de recesso, entretanto, é restrito aos investidores que já detinham os papéis na data do anúncio da proposta, 18 de fevereiro de 2026, e que permaneçam com eles até o efetivo exercício do recesso. Essa medida busca proteger acionistas que participaram da definição da proposta e assegurar equilíbrio na operação.


Impactos para acionistas e mercado

A migração da Axia ao Novo Mercado tende a fortalecer a governança, aumentar a transparência e tornar a companhia mais atraente para investidores institucionais e estrangeiros. Com todas as ações ordinárias com direito a voto, a empresa consolida a regra “uma ação, um voto”, padrão exigido pelo segmento de maior governança da B3.

Além disso, a mudança pode aumentar a liquidez das ações e ampliar a flexibilidade na alocação de capital. Com a estrutura simplificada, a empresa terá maior liberdade para recompras de ações e distribuição de dividendos de forma estratégica, sem comprometer os interesses de acionistas minoritários ou preferenciais.

Analistas do mercado destacam que a migração para o Novo Mercado tende a atrair investidores com foco em ESG, reforçando a reputação institucional da Axia e potencialmente refletindo em valorização das ações no médio e longo prazo.


Relevância histórica e estratégica da migração

A decisão de migrar para o Novo Mercado marca um passo histórico na trajetória da Axia. Desde a privatização em 2022, a companhia passou por mudanças profundas:

  • Transformação da estrutura corporativa;

  • Redução de custos e aumento da eficiência operacional;

  • Reposicionamento de ativos estratégicos;

  • Ajuste do portfólio para fortalecer presença em setores de energia e infraestrutura.

Com a migração, a empresa reforça a perenidade de suas práticas de governança, consolida direitos de acionistas e amplia o potencial de atração de investimentos. Trata-se de uma estratégia que alia crescimento, governança e fortalecimento da marca no mercado financeiro.


Perspectivas futuras da Axia no Novo Mercado

Se aprovada a migração, a Axia se posicionará entre as companhias com maior nível de governança do Brasil. Os próximos desafios incluem:

  • Reforçar a base de acionistas estratégicos e institucionais;

  • Melhorar a liquidez e atratividade das ações no mercado secundário;

  • Consolidar políticas de dividendos consistentes e previsíveis;

  • Integrar práticas ESG na operação e comunicação com investidores;

  • Expandir operações de forma sustentável, priorizando eficiência e rentabilidade.

A migração ao Novo Mercado não é apenas um requisito formal de governança: é uma estratégia de valorização de marca, reputação e governança, elementos fundamentais para empresas com capital pulverizado e atuação no mercado de energia.

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