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Axia Energia (AXIA3) lucra R$ 1,6 bilhão no 2T26 com avanço da comercialização de energia

Margem das vendas no mercado livre e de curto prazo cresceu 52,2%; EBITDA ajustado atingiu R$ 6,3 bilhões, com alta anual de 22,5%

por Sandro Dias
06/08/2026 às 13h38
em Empresas
Axia Energia (Axia3) - Gazeta Mercantil

A Axia Energia (AXIA3) registrou lucro líquido ajustado de R$ 1,608 bilhão no segundo trimestre de 2026, crescimento de 9,5% em relação aos R$ 1,469 bilhão apurados no mesmo período do ano anterior. O desempenho foi impulsionado principalmente pela melhora da comercialização de energia, pela recuperação das participações societárias e pela redução das provisões operacionais.

O lucro contábil, sem os ajustes realizados pela administração para excluir efeitos considerados não recorrentes, foi de R$ 1,191 bilhão. Um ano antes, a companhia havia registrado prejuízo contábil de R$ 1,325 bilhão. A diferença entre os dois indicadores decorre de ajustes que somaram R$ 417 milhões no trimestre, relacionados principalmente a contingências, atualizações monetárias, alienações de ativos e despesas extraordinárias.

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A receita operacional líquida consolidada, pelo padrão contábil internacional IFRS, alcançou R$ 11,188 bilhões entre abril e junho, aumento de 8,5% na comparação anual. Na visão regulatória, que elimina determinados efeitos contábeis dos contratos de transmissão, a receita líquida ficou em R$ 10,007 bilhões, avanço de 3,1% sobre o resultado ajustado do segundo trimestre de 2025.

O EBITDA ajustado IFRS atingiu R$ 6,307 bilhões, alta de 22,5% em um ano. A margem EBITDA ajustada passou de 50% para 56,4%, mostrando que o resultado operacional cresceu em ritmo superior ao da receita. Na comparação com o primeiro trimestre, entretanto, o EBITDA ajustado recuou 26,1%, após um início de ano beneficiado por uma contribuição mais elevada das operações de geração.

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Venda de energia amplia margem da geração

O principal motor do resultado foi o segmento de geração e comercialização. A margem de contribuição dessa divisão somou R$ 3,653 bilhões no segundo trimestre, crescimento de 17,5% em relação aos R$ 3,109 bilhões registrados um ano antes.

A maior contribuição veio da energia vendida no Ambiente de Contratação Livre e liquidada no Mercado de Curto Prazo. A margem dessa operação aumentou 52,2%, de R$ 1,531 bilhão para R$ 2,329 bilhões.

A margem unitária da energia comercializada nesses ambientes passou de R$ 73 por megawatt-hora no segundo trimestre de 2025 para R$ 96 por megawatt-hora entre abril e junho deste ano. A elevação compensou a redução do volume vendido no mercado livre na comparação anual.

Segundo a Axia, a melhora foi sustentada pela maior quantidade de energia disponível para comercialização, pela liberação gradual de ativos anteriormente submetidos ao regime de cotas e pelo aumento do fator de ajuste do Mecanismo de Realocação de Energia, conhecido como GSF.

O GSF ficou em 99,2% no trimestre, ante 95,6% um ano antes. Quanto mais próximo de 100%, menor tende a ser a exposição financeira das geradoras hidrelétricas ao déficit de produção coletiva do sistema.

A companhia também foi beneficiada por preços de liquidação mais elevados nos submercados Norte, Nordeste e Sul e pela maior contribuição das operações de modulação, nas quais a empresa distribui a energia disponível entre diferentes horários para capturar as variações de preço ao longo do dia.

Preço médio no mercado livre sobe 24,4%

A geração líquida da Axia Energia alcançou 41,1 terawatts-hora no segundo trimestre, crescimento de 6,2% em relação aos 38,7 terawatts-hora produzidos no mesmo período de 2025.

Apesar da maior geração, o volume de energia vendido no Ambiente de Contratação Livre recuou 9,7%, para 15 terawatts-hora. A quantidade comercializada no mercado regulado caiu 13,9%, para 7,5 terawatts-hora, enquanto a energia vendida pelo regime de cotas diminuiu 47%, para 2,6 terawatts-hora.

A redução dos volumes contratados foi compensada pela melhora dos preços. O preço médio de venda no mercado livre avançou 24,4%, de R$ 153,67 por megawatt-hora para R$ 191,11 por megawatt-hora.

No ambiente regulado, o preço médio subiu 2,2%, para R$ 225,74 por megawatt-hora. O conjunto desses movimentos evidencia uma estratégia de comercialização voltada à preservação de energia disponível para mercados e horários com maior rentabilidade.

A companhia possui capacidade instalada de geração de 44.430 megawatts, praticamente estável em relação ao ano anterior. Sua garantia física, que representa o volume de energia que pode ser comercializado de maneira contratual, ficou em 21.548 megawatts médios.

A combinação entre geração mais alta, preços maiores e menor comprometimento antecipado do portfólio permitiu à empresa ampliar a margem mesmo com a queda do volume vendido em contratos de maior duração.

Participações societárias voltam ao campo positivo

Outro fator relevante para o crescimento do EBITDA foi a recuperação do resultado das participações societárias.

Na visão regulatória ajustada, essas participações produziram resultado positivo de R$ 296 milhões no trimestre. No segundo trimestre de 2025, haviam gerado resultado negativo de R$ 205 milhões. A diferença favorável foi de aproximadamente R$ 500 milhões.

A Axia atribuiu a melhora ao reconhecimento de resultados da Equatorial Maranhão, à recuperação da contribuição da ISA Energia e a alterações na classificação contábil da Eletronuclear e da Interligação Elétrica do Madeira.

A Eletronuclear passou a ser classificada como ativo mantido para venda no terceiro trimestre de 2025. A IE Madeira recebeu a mesma classificação no segundo trimestre deste ano, após a conclusão de uma reorganização de participações com a ISA Energia.

A companhia alienou sua participação de 49% na IE Madeira e adquiriu os 51% pertencentes à ISA Energia na IE Garanhuns. A operação resultou em recebimento líquido de R$ 1,167 bilhão para a Axia, que passou a consolidar integralmente a IE Garanhuns.

A empresa também concluiu a aquisição das participações dos demais acionistas da Juno Participações, controladora da Tijoá Energia. Com o pagamento de R$ 256 milhões, a Axia passou a consolidar 100% da Usina Hidrelétrica de Três Irmãos.

Provisões operacionais recuam 56%

As provisões operacionais ajustadas pelo padrão IFRS caíram de R$ 177 milhões no segundo trimestre de 2025 para R$ 78 milhões no mesmo intervalo deste ano, redução de 55,9%.

Na visão regulatória ajustada, a queda foi de 64%, de R$ 98 milhões para R$ 35 milhões. A redução contribuiu diretamente para o crescimento do EBITDA regulatório ajustado, que atingiu R$ 6,683 bilhões, alta anual de 21,5%.

A companhia também avançou na diminuição do estoque de provisões relacionadas ao empréstimo compulsório sobre o consumo de energia elétrica. O saldo encerrou junho em R$ 10,8 bilhões, redução de R$ 1,3 bilhão em relação ao segundo trimestre de 2025 e de R$ 278 milhões ante março.

O empréstimo compulsório foi cobrado de grandes consumidores industriais entre 1977 e 1993 para financiar a expansão do setor elétrico. Parte relevante do contencioso envolve divergências sobre os critérios de atualização monetária dos créditos acumulados no período.

Durante o trimestre, acordos celebrados e decisões favoráveis permitiram uma reversão líquida de R$ 98 milhões. A queda do estoque ocorreu mesmo após a atualização monetária das obrigações.

A Axia classificou como não recorrentes R$ 372 milhões de efeitos positivos no resultado financeiro, dos quais R$ 221 milhões corresponderam à atualização monetária de outros litígios e R$ 151 milhões à atualização de processos relacionados ao empréstimo compulsório.

Resultado financeiro limita expansão do lucro

Embora o EBITDA tenha crescido mais de 20%, o avanço do lucro líquido ajustado ficou restrito a 9,5% em razão da piora do resultado financeiro.

As despesas financeiras líquidas ajustadas somaram R$ 3,373 bilhões no segundo trimestre, ante R$ 2,377 bilhões no mesmo período de 2025. A deterioração foi de aproximadamente R$ 996 milhões, ou 41,9%.

O efeito reduziu parte dos ganhos obtidos com a comercialização de energia, as participações societárias e a queda das provisões.

O resultado antes de impostos ajustado ficou em R$ 1,702 bilhão, alta de 3,6% na comparação anual. As despesas ajustadas com Imposto de Renda e Contribuição Social caíram de R$ 173 milhões para R$ 94 milhões, contribuindo para que o lucro avançasse acima do resultado antes dos tributos.

No acumulado dos seis primeiros meses do ano, o lucro líquido ajustado atingiu R$ 5,315 bilhões, quase quatro vezes os R$ 1,389 bilhão registrados no primeiro semestre de 2025.

O EBITDA ajustado do semestre somou R$ 14,847 bilhões, crescimento de 55,2%, enquanto a receita operacional líquida ajustada avançou 15,3%, para R$ 23,9 bilhões.

Investimentos crescem 53% no trimestre

A Axia Energia investiu R$ 3,117 bilhões no segundo trimestre, alta de 52,6% em relação aos R$ 2,043 bilhões aplicados um ano antes.

Os investimentos em reforços, melhorias e projetos de transmissão de pequeno e grande porte somaram R$ 1,073 bilhão. Outros R$ 636 milhões foram destinados a projetos de transmissão originados em leilões, ante apenas R$ 85 milhões no segundo trimestre de 2025.

Os aportes em geração e outras atividades totalizaram aproximadamente R$ 1,4 bilhão.

No primeiro semestre, os investimentos chegaram a R$ 4,472 bilhões, expansão anual de 47,2%. Desse total, R$ 1,764 bilhão foi destinado a reforços e melhorias na rede, R$ 899 milhões a projetos provenientes de leilões e o restante a geração e outras operações.

A companhia informou que possui 288 empreendimentos de transmissão de grande porte em implantação. Os projetos deverão exigir R$ 15,5 bilhões em investimentos e adicionar aproximadamente R$ 2 bilhões à Receita Anual Permitida entre 2026 e 2030.

No leilão de transmissão realizado em 2026, a empresa arrematou os lotes 8, 9 e 10. Os empreendimentos têm investimentos estimados em R$ 668 milhões e devem acrescentar R$ 50,8 milhões à receita anual após a entrada em operação comercial.

Dívida líquida fica em R$ 45,5 bilhões

A dívida líquida ajustada encerrou junho em R$ 45,461 bilhões, queda de R$ 585 milhões em relação ao primeiro trimestre, mas aumento de R$ 5,336 bilhões na comparação anual.

A relação entre dívida líquida e EBITDA ajustado dos últimos 12 meses ficou em 1,8 vez. No segundo trimestre do ano passado, o indicador era de 1,5 vez, enquanto em março deste ano estava em 1,9 vez.

A dívida bruta ajustada alcançou R$ 72,829 bilhões, crescimento anual de 2,5%. O custo médio melhorou de CDI acrescido de 0,58% ao ano para CDI menos 0,02% ao ano.

A empresa pagou R$ 2,2 bilhões em debêntures em abril e captou R$ 500 milhões em maio. Em julho, após o encerramento do trimestre, concluiu três novas emissões de debêntures, que movimentaram R$ 3,5 bilhões.

A redução trimestral da dívida líquida, combinada à melhora do custo médio, dá suporte à execução do programa de investimentos. A expansão anual do endividamento, entretanto, permanece como ponto de acompanhamento diante do volume de projetos em transmissão e geração.

Conselho separa até R$ 3,7 bilhões para ações PNC

O conselho de administração aprovou a alocação de até R$ 3,7 bilhões do resultado do segundo trimestre para o mecanismo de resgate das ações preferenciais de classe C, negociadas sob o ticker AXIA7.

O valor se soma aos R$ 4 bilhões aprovados com base nos resultados do primeiro trimestre. Com isso, o capital potencialmente destinado aos acionistas no primeiro semestre chega a R$ 7,7 bilhões.

A aprovação do capital alocável não equivale, por si só, a um pagamento imediato. O resgate depende da execução do mecanismo societário, da definição da quantidade de ações envolvidas e da divulgação das condições aplicáveis a cada operação.

As ações PNC foram criadas como parte da distribuição de reservas de lucro e podem ser convertidas em ações ordinárias ou resgatadas integralmente até 2031. A companhia realizou no segundo trimestre uma primeira operação de resgate e conversão no valor de R$ 30 milhões para testar o funcionamento do mecanismo.

A estrutura de capital foi alterada após a migração da empresa para o Novo Mercado da B3, concluída em junho. A Axia passou a ter ações ordinárias AXIA3 e ações preferenciais de classe C AXIA7, além da ação especial detida pela União.

O montante reservado para o resgate reforça a estratégia de combinar investimentos, redução de riscos e retorno de capital aos acionistas, mas novos detalhes deverão ser divulgados antes de cada operação.

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