quinta-feira, 17 de setembro de 2026
contato@gazetamercantil.com
GAZETA MERCANTIL
GAZETA MERCANTIL
GAZETA MERCANTIL
Home Economia

Banco Central corta Selic para 14,25%, mas inflação mais alta freia sinalização de novos cortes

Copom promove terceira redução consecutiva dos juros e eleva projeções para o IPCA, reforçando cautela sobre os próximos passos da política monetária.

por Camila Braga
17/06/2026 às 11h36
em Economia
Banco Central Corta Selic Para 14,25%, Mas Inflação Mais Alta Freia Sinalização De Novos Cortes-Gazeta Mercantil

O Banco Central reduziu nesta quarta-feira (17) a taxa Selic de 14,50% para 14,25% ao ano, em decisão unânime do Comitê de Política Monetária (Copom). O movimento representa o terceiro corte consecutivo de 0,25 ponto percentual no atual ciclo de flexibilização monetária, mas veio acompanhado de um comunicado mais cauteloso, sem qualquer indicação sobre novas reduções nas próximas reuniões.

A decisão ocorre em um ambiente de desaceleração gradual da atividade econômica, após um longo período de juros elevados, mas também em meio à deterioração das projeções para a inflação. O próprio Banco Central revisou para cima suas estimativas para os próximos anos e reforçou que a trajetória futura da Selic dependerá da evolução dos indicadores econômicos e dos riscos para o controle dos preços.

O encontro do Copom foi concluído após dois dias de reuniões em Brasília e marcou mais um passo na tentativa da autoridade monetária de calibrar a política monetária sem comprometer o processo de convergência da inflação para a meta oficial.

Segundo o comunicado divulgado após a decisão, a manutenção da taxa básica em nível restritivo durante os últimos trimestres permitiu observar efeitos mais claros da política monetária sobre a atividade econômica, abrindo espaço para uma redução moderada dos juros neste momento.

“O período prolongado de manutenção da taxa básica de juros em patamar contracionista propiciou evidências da transmissão da política monetária sobre a desaceleração da atividade econômica”, destacou o colegiado.

Inflação mais distante da meta aumenta cautela do Copom

Embora tenha realizado novo corte na Selic, o Banco Central reforçou preocupações relacionadas ao comportamento da inflação nos próximos anos.

O principal fator de atenção foi a revisão das projeções oficiais para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). A estimativa para a inflação passou de 4,6% para 5,2% no horizonte considerado mais relevante para a política monetária.

O número supera o limite superior do sistema de metas perseguido pela autoridade monetária. Atualmente, a meta contínua de inflação é de 3%, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo.

Também houve revisão para cima das projeções para períodos mais longos. Para o quarto trimestre de 2027, a estimativa avançou de 3,5% para 3,7%.

Segundo o Copom, além da deterioração das projeções, aumentou a incerteza em relação às variáveis utilizadas nos modelos econômicos que orientam as decisões de política monetária.

“O Comitê avalia que a incerteza acerca dessas projeções permanece mais elevada que o usual”, informou o comunicado.

O tom adotado pela autoridade monetária indica que a continuidade do ciclo de afrouxamento monetário dependerá da evolução dos indicadores de inflação, atividade econômica e expectativas de mercado até a próxima reunião, marcada para os dias 4 e 5 de agosto.

Terceiro corte consecutivo reduz juros do maior patamar em quase duas décadas

A nova redução faz parte de um processo gradual de retirada dos juros dos níveis mais elevados observados desde meados dos anos 2000.

O ciclo anterior de aperto monetário começou em setembro de 2024, quando a Selic estava em 10,50% ao ano. Ao longo dos meses seguintes, o Banco Central promoveu sucessivas altas para conter a aceleração inflacionária, levando a taxa para níveis que não eram observados há quase 20 anos.

Após um longo período de estabilidade em patamar elevado, o Copom iniciou o atual ciclo de cortes em março deste ano. Desde então, a taxa recuou de 14,75% para 14,50% e agora para 14,25% ao ano.

Apesar da redução acumulada, os juros permanecem em níveis historicamente altos e continuam exercendo papel relevante no controle da demanda e da inflação.

Analistas avaliam que a postura cautelosa adotada pelo Banco Central busca preservar a credibilidade do regime de metas em um momento de expectativas inflacionárias ainda desancoradas.

Efeitos da Selic atingem crédito, consumo e investimentos

A taxa Selic é considerada o principal instrumento utilizado pelo Banco Central para controlar a inflação.

Quando os juros sobem, o crédito tende a ficar mais caro para consumidores e empresas. Empréstimos pessoais, financiamentos imobiliários, crédito corporativo e operações para aquisição de veículos costumam registrar aumento dos custos financeiros.

O encarecimento do crédito reduz o ritmo de consumo e investimento, contribuindo para diminuir pressões inflacionárias.

Por outro lado, períodos prolongados de juros elevados costumam afetar negativamente a atividade econômica, reduzindo o ritmo de expansão do Produto Interno Bruto (PIB), limitando investimentos produtivos e impactando a geração de empregos.

No mercado financeiro, a manutenção da Selic em níveis elevados continua favorecendo aplicações de renda fixa indexadas à taxa básica.

Títulos públicos vinculados ao Tesouro Selic e diversos instrumentos bancários permanecem oferecendo retornos considerados atrativos em comparação com aplicações mais conservadoras, como a caderneta de poupança.

Para empresas, entretanto, o ambiente segue desafiador. O custo elevado de capital continua pressionando investimentos, expansão operacional e decisões relacionadas à tomada de crédito.

Cenário internacional segue no radar da política monetária

Além dos fatores domésticos, o Banco Central destacou a necessidade de acompanhar os desdobramentos do cenário internacional.

Uma das principais preocupações envolve os impactos das oscilações nos preços globais do petróleo. Embora a commodity tenha recuado recentemente após o anúncio de um acordo entre Estados Unidos e Irã para encerrar o conflito no Oriente Médio e reabrir o Estreito de Hormuz, a autoridade monetária entende que ainda existem riscos inflacionários associados ao comportamento dos combustíveis.

Segundo o Copom, parte das variações observadas no mercado internacional já foi transmitida para preços internos, mas ainda é necessário monitorar possíveis efeitos secundários sobre outros setores da economia.

O petróleo possui influência relevante sobre a inflação brasileira devido ao impacto nos custos de transporte, logística e produção industrial.

Qualquer nova elevação da commodity pode gerar pressões adicionais sobre os índices de preços e dificultar o processo de convergência da inflação para a meta.

Decisão do Fed reforça ambiente global de cautela

A reunião do Copom ocorreu no mesmo dia da decisão de política monetária do Federal Reserve (Fed), o banco central dos Estados Unidos, tradicionalmente acompanhada pelos mercados globais.

A autoridade monetária norte-americana manteve sua taxa de juros na faixa entre 3,5% e 3,75% ao ano, mas indicou preocupação crescente com os riscos inflacionários associados aos preços de energia.

As projeções divulgadas pelo Fed apontam possibilidade de manutenção de juros elevados por período mais prolongado caso a inflação continue resistente.

Para economias emergentes como o Brasil, decisões do banco central norte-americano possuem impacto relevante sobre fluxo de capitais, câmbio e custo de financiamento internacional.

Um ambiente global de juros mais altos tende a reduzir o espaço para cortes agressivos em países emergentes, especialmente quando as expectativas inflacionárias permanecem pressionadas.

Nesse contexto, a combinação entre inflação doméstica acima da meta e incertezas externas ajuda a explicar a postura mais conservadora adotada pelo Banco Central brasileiro.

Revisão das projeções amplia debate sobre ritmo dos próximos cortes

A ausência de sinalizações explícitas sobre as próximas decisões foi interpretada pelo mercado como um indicativo de maior dependência dos dados econômicos.

Ao afirmar que a magnitude total do ciclo de calibração será definida à luz de novas informações, o Copom deixou aberta a possibilidade tanto de continuidade dos cortes quanto de uma eventual interrupção do processo caso os indicadores não evoluam conforme o esperado.

O posicionamento ocorre em um momento em que as expectativas para a inflação continuam acima dos objetivos oficiais e os riscos associados ao cenário internacional permanecem elevados.

Com a Selic em 14,25% ao ano, o Banco Central busca equilibrar dois desafios simultâneos: estimular gradualmente a atividade econômica após um longo período de restrição monetária e garantir que a inflação retorne de forma sustentável ao centro da meta.

A divulgação da ata da reunião, prevista para a próxima semana, deverá fornecer sinais adicionais sobre o diagnóstico da autoridade monetária e sobre os fatores que poderão influenciar as próximas decisões do colegiado.

Enquanto isso, investidores, empresas e agentes econômicos permanecem atentos aos indicadores de inflação, atividade e expectativas, que deverão determinar o ritmo do ciclo monetário nos próximos meses.

LEIA MAIS

Governo Volta A Discutir Tributação De Lci E Lca E Reacende Alerta Sobre Custo Do Crédito Imobiliário-Gazeta Mercantil
Economia

Selic a 13,75%: veja quanto rendem CDI, IPCA+, CDB, LCI e LCA

A redução da Selic para 13,75% ao ano mudou pouco, por enquanto, a principal característica do mercado brasileiro de renda fixa: aplicações conservadoras continuam oferecendo retornos nominais elevados....

Leia MaisDetails
Copom Corta Selic Para 13,75% No Quinto Recuo Seguido Dos Juros - Gazeta Mercantil - Economia
Economia

Copom corta Selic para 13,75% no quinto recuo seguido dos juros

O Comitê de Política Monetária do Banco Central reduziu nesta quarta-feira, 16 de setembro, a taxa Selic de 14% para 13,75% ao ano, prolongando pelo quinto encontro consecutivo...

Leia MaisDetails
Há 4 Anos, Lula E Bolsonaro Iniciavam Campanhas Que Definiriam A Eleição De 2022 - Gazeta Mercantil
Ibovespa

Investimentos têm desempenhos diferentes nos governos Bolsonaro e Lula, aponta levantamento

A comparação entre os mercados financeiros nos governos de Jair Bolsonaro e Luiz Inácio Lula da Silva mostra resultados diferentes conforme o tipo de ativo e o período...

Leia MaisDetails
Redução Da Selic 2026: Governo Confia Em Corte De Juros Na Próxima Reunião Do Copom - Gazeta Mercantil
Política

Alckmin participa de encontro com empresários na Faria Lima nesta sexta-feira

O vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) participará na sexta-feira, 18 de setembro, de um encontro com empresários e clientes da Genial Investimentos na região da Faria Lima, em São...

Leia MaisDetails
Empresas Ampliam Venda De Dívidas Vencidas Enquanto Crédito Segue Caro-Gazeta Mercantil
Economia

Empresas ampliam venda de dívidas vencidas enquanto crédito segue caro

Empresas brasileiras estão recorrendo com mais frequência à venda de carteiras de crédito inadimplente para transformar recebíveis de difícil recuperação em liquidez imediata. O mercado movimentou R$ 17...

Leia MaisDetails

GAZETA MERCANTIL ENCERRADO

09:29:30
IBOV

IBOVESPA

B3
Consultando... buscando última cotação
$

DÓLAR

USD/BRL
Consultando... buscando última cotação
€

EURO

EUR/BRL
Consultando... buscando última cotação
₿

BITCOIN

BRL
Consultando... buscando última cotação
Gazeta Mercantil · dados de mercado
Sênior Sistemas Sênior Sistemas Sênior Sistemas
PUBLICIDADE

Veja Também

Governo Volta A Discutir Tributação De Lci E Lca E Reacende Alerta Sobre Custo Do Crédito Imobiliário-Gazeta Mercantil
Economia

Selic a 13,75%: veja quanto rendem CDI, IPCA+, CDB, LCI e LCA

Leia MaisDetails
Percepção De Envolvimento De Aliados De Bolsonaro No Caso Master Sobe 12,9 Pontos, Diz Atlas
Política

Percepção de envolvimento de aliados de Bolsonaro no caso Master sobe 12,9 pontos, diz Atlas

Leia MaisDetails
Flávio Bolsonaro Usou Recentemente Apartamento Que Pertenceu A Cunhado De Vorcaro
Política

Flávio Bolsonaro usou recentemente apartamento que pertenceu a cunhado de Vorcaro

Leia MaisDetails
Copom Corta Selic Para 13,75% No Quinto Recuo Seguido Dos Juros - Gazeta Mercantil - Economia
Economia

Copom corta Selic para 13,75% no quinto recuo seguido dos juros

Leia MaisDetails
Lvmh Perde Mais De €250 Bilhões Em Valor De Mercado Desde 2023-Gazeta Mercantil
Empresas

LVMH perde mais de €250 bilhões em valor de mercado desde 2023

Leia MaisDetails

EDITORIAS

  • Economia
  • Mercados
    • Dólar
    • Ibovespa
    • Fundos Imobiliários
    • Criptomoedas
  • Empresas
  • Negócios
  • Política
  • Brasil
  • Mundo
  • Tecnologia
  • Agronegócio
  • Trabalho
  • Saúde
  • Loterias
  • Esportes
    • Futebol
  • Cultura & Lazer
    • Filmes e Séries
  • Lifestyle
  • Anuncie Conosco
Gazeta Mercantil Logo White

contato@gazetamercantil.com

Gazeta Mercantil — marca jornalística fundada em 1920, com continuidade editorial contemporânea no ambiente digital por meio do domínio oficial gazetamercantil.com.

EDITORIAS

  • Economia
  • Mercados
    • Dólar
    • Ibovespa
    • Fundos Imobiliários
    • Criptomoedas
  • Empresas
  • Negócios
  • Política
  • Brasil
  • Mundo
  • Tecnologia
  • Agronegócio
  • Trabalho
  • Saúde
  • Loterias
  • Esportes
    • Futebol
  • Cultura & Lazer
    • Filmes e Séries
  • Lifestyle
  • Anuncie Conosco

Veja Também:

Selic a 13,75%: veja quanto rendem CDI, IPCA+, CDB, LCI e LCA

Percepção de envolvimento de aliados de Bolsonaro no caso Master sobe 12,9 pontos, diz Atlas

Flávio Bolsonaro usou recentemente apartamento que pertenceu a cunhado de Vorcaro

Copom corta Selic para 13,75% no quinto recuo seguido dos juros

LVMH perde mais de €250 bilhões em valor de mercado desde 2023

BRB (BSLI3; BSLI4) recebe R$ 376 milhões da XP por ativos ligados ao Banco Master

  • Anuncie Conosco
  • Política de Correções
  • Política Editorial
  • Política de Privacidade
  • Termos de Uso
  • Sobre a Gazeta Mercantil
  • Expediente
  • Política de Conflitos de Interesse

© 2026 GAZETA MERCANTIL - Marca jornalística fundada em 1920. Site oficial: gazetamercantil.com - Todos os direitos reservados. - ISSN 1519-0129 - contato@gazetamercantil.com - Grupo SMEdit - Av.Paulista 777 - Bela Vista - São Paulo - SP

  • Economia
  • Mercados
    • Dólar
    • Ibovespa
    • Fundos Imobiliários
    • Criptomoedas
  • Empresas
  • Negócios
  • Política
  • Brasil
  • Mundo
  • Tecnologia
  • Agronegócio
  • Trabalho
  • Saúde
  • Loterias
  • Esportes
    • Futebol
  • Cultura & Lazer
    • Filmes e Séries
  • Lifestyle
  • Anuncie Conosco

© 2026 GAZETA MERCANTIL - Marca jornalística fundada em 1920. Site oficial: gazetamercantil.com - Todos os direitos reservados. - ISSN 1519-0129 - contato@gazetamercantil.com - Grupo SMEdit - Av.Paulista 777 - Bela Vista - São Paulo - SP