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Banco do Brasil (BBAS3) tem lucro de R$ 3,4 bilhões no 1T26, queda de 53,5%

Resultado do banco estatal ficou pressionado pelo avanço do custo do crédito, alta da inadimplência e piora da rentabilidade no trimestre

por João Souza - Repórter de Negócios
14/05/2026 às 12h33 - Atualizado em 15/05/2026 às 17h22
em Empresas, Notícias
Banco Do Brasil (Bbas3) Tem Lucro De R$ 3,4 Bilhões No 1T26, Queda De 53,5% - Gazeta Mercantil

O Banco do Brasil (BBAS3) registrou lucro líquido ajustado de R$ 3,4 bilhões no primeiro trimestre de 2026, queda de 53,5% em relação ao mesmo período do ano anterior, pressionado pelo aumento do custo do crédito, pela inadimplência e pela piora da rentabilidade. O balanço, divulgado na quarta-feira (13), veio abaixo de parte das projeções do mercado e elevou a cautela de investidores com a capacidade de recuperação do banco estatal ao longo do ano.

O lucro líquido contábil do Banco do Brasil (BBAS3) somou R$ 3,1 bilhões no 1T26, recuo de 54,4% na comparação anual. Em relação ao quarto trimestre de 2025, o resultado contábil caiu 37,9%, mostrando que a pressão sobre o banco não ficou restrita à comparação com uma base mais forte do ano anterior.

O resultado fraco veio acompanhado de deterioração em indicadores relevantes para o setor bancário. O custo do crédito avançou de forma expressiva, a rentabilidade recuou e a inadimplência permaneceu em patamar elevado, especialmente em um momento em que o mercado acompanha de perto os efeitos da piora do risco na carteira do agronegócio.

Para investidores, o balanço do Banco do Brasil (BBAS3) reforça a percepção de que a recuperação do banco pode ser mais lenta do que o esperado. A instituição segue com escala, capilaridade e uma carteira de crédito superior a R$ 1 trilhão, mas enfrenta um ciclo de maior pressão sobre provisões e retorno sobre patrimônio.

Custo do crédito derruba lucro do Banco do Brasil

O principal ponto de pressão no resultado do Banco do Brasil (BBAS3) foi o custo do crédito, linha que reflete provisões e perdas esperadas com operações de empréstimos. O indicador chegou a R$ 18,9 bilhões no primeiro trimestre, alta de 85,8% em relação ao mesmo período de 2025.

Esse avanço consumiu parte relevante da margem financeira e reduziu a capacidade do banco de transformar receitas em lucro. Na prática, o Banco do Brasil (BBAS3) continuou gerando volume expressivo de receitas financeiras, mas precisou destinar mais recursos para cobrir riscos de inadimplência.

A margem financeira bruta somou R$ 27,4 bilhões no trimestre, crescimento de 14,8% em 12 meses. O avanço foi influenciado pela expansão de receitas financeiras, pelo desempenho de operações de crédito e pelo resultado de tesouraria.

Mesmo com essa melhora, o ganho de margem não foi suficiente para compensar o salto das provisões. Esse desequilíbrio explica boa parte da queda no lucro e mostra que a qualidade da carteira se tornou o principal fator de preocupação no balanço.

A pressão do custo do crédito é especialmente sensível para bancos porque afeta diretamente a rentabilidade, a distribuição de dividendos e a percepção de risco das ações. Quanto maior a necessidade de provisões, menor tende a ser a parcela do resultado disponível para remunerar acionistas ou reforçar capital.

Inadimplência segue em nível elevado

A inadimplência acima de 90 dias do Banco do Brasil (BBAS3) ficou em 5,05% no primeiro trimestre de 2026. O percentual mostra deterioração relevante em relação ao mesmo período do ano anterior, quando o índice estava em 3,63%.

Na comparação trimestral, houve leve recuo, mas o patamar segue elevado para uma instituição do porte do Banco do Brasil (BBAS3). O dado indica que o banco ainda precisa lidar com atrasos relevantes em sua carteira, o que mantém pressão sobre provisões e custo de crédito.

O índice de cobertura encerrou o trimestre em 158,4%. O indicador mede a relação entre provisões e créditos inadimplentes. Embora mostre que o banco mantém colchão de proteção contra perdas, a combinação entre inadimplência elevada e maior provisão segue no centro das preocupações do mercado.

A piora da inadimplência também afeta a percepção sobre a qualidade do crescimento da carteira. Em um ambiente de juros ainda elevados, empresas e famílias podem enfrentar maior dificuldade para rolar dívidas, renegociar obrigações ou manter pagamentos em dia.

Para o Banco do Brasil (BBAS3), o desafio é equilibrar crescimento da carteira, rentabilidade e controle de risco. A instituição tem presença forte em segmentos estratégicos da economia, mas essa exposição também amplia a sensibilidade do resultado a ciclos de crédito adversos.

Carteira do agronegócio continua no radar

A carteira do agronegócio é um dos principais focos de atenção no Banco do Brasil (BBAS3). O banco tem posição histórica de liderança no crédito rural e mantém forte presença no financiamento a produtores, cooperativas e empresas ligadas à cadeia agropecuária.

Essa exposição, tradicionalmente vista como uma vantagem competitiva, passou a ser acompanhada com mais cautela após o aumento de atrasos e renegociações em operações do setor. Nos últimos trimestres, parte do agronegócio enfrentou margens mais apertadas, custos elevados, impactos climáticos e maior dificuldade financeira em determinadas regiões e culturas.

No primeiro trimestre, as operações vinculadas ao programa BB Regulariza Agro alcançaram R$ 37,9 bilhões. O número mostra a dimensão das renegociações e reestruturações dentro da carteira rural.

A evolução do agronegócio será decisiva para o Banco do Brasil (BBAS3) nos próximos trimestres. Se os atrasos estabilizarem, o banco poderá reduzir gradualmente a pressão sobre provisões. Caso haja nova deterioração, o lucro pode continuar comprimido.

Esse ponto é central para investidores porque o Banco do Brasil (BBAS3) possui participação relevante no financiamento do campo. Uma melhora no ciclo agrícola pode ajudar a recompor a rentabilidade, enquanto uma piora pode prolongar o período de resultados mais fracos.

Rentabilidade cai e aumenta cobrança por reação

O retorno sobre o patrimônio líquido ajustado do Banco do Brasil (BBAS3), indicador conhecido como ROE, ficou em 7,3% no primeiro trimestre. O número representa queda relevante em relação ao mesmo período de 2025 e também recuo frente ao quarto trimestre.

O ROE é uma das métricas mais acompanhadas por investidores em bancos, pois mede a capacidade da instituição de gerar lucro sobre o capital próprio. Quanto menor o indicador, menor tende a ser a eficiência na geração de retorno ao acionista.

Para um banco do porte do Banco do Brasil (BBAS3), um ROE de 7,3% é considerado baixo em comparação com padrões históricos do setor. A queda reforça a leitura de que a pressão sobre provisões e inadimplência atingiu diretamente a rentabilidade.

A deterioração do retorno também pesa na avaliação das ações. Bancos com lucro menor e ROE pressionado tendem a negociar com desconto maior, sobretudo quando o mercado não tem clareza sobre o prazo de normalização dos resultados.

Mesmo assim, o Banco do Brasil (BBAS3) ainda possui vantagens estruturais relevantes. A instituição tem ampla base de clientes, presença nacional, forte atuação no agronegócio, escala no crédito e relevância no sistema financeiro. O ponto central é a velocidade com que esses ativos poderão voltar a se traduzir em lucro mais consistente.

Resultado fica abaixo de parte das projeções

O lucro ajustado de R$ 3,4 bilhões ficou abaixo de parte das estimativas do mercado. O consenso reunido pelo BTG Pactual, citado antes da divulgação do balanço, apontava expectativa de lucro de R$ 4,1 bilhões para o período.

Outras referências de mercado indicavam projeções mais próximas do número divulgado, mas a leitura geral foi de um trimestre fraco. A principal preocupação não ficou apenas no lucro do 1T26, mas na sinalização de que o ambiente para o Banco do Brasil (BBAS3) segue desafiador.

A reação dos investidores tende a ser influenciada por três fatores: a magnitude da queda do lucro, o patamar da inadimplência e a revisão das projeções para o ano. Juntos, esses elementos reduzem a visibilidade sobre a retomada de rentabilidade.

O Banco do Brasil (BBAS3) vinha sendo acompanhado com atenção depois de trimestres marcados por piora na percepção de risco. O balanço do 1T26 confirmou parte dessas preocupações e manteve a ação sob escrutínio.

Para o mercado, a dúvida agora é menos sobre o tamanho do impacto no trimestre e mais sobre a duração do ciclo de provisões elevadas. Se o custo de crédito permanecer alto, a recuperação do lucro pode ficar limitada mesmo com crescimento da margem financeira.

Banco corta projeção de lucro para 2026

Além do resultado mais fraco, o Banco do Brasil (BBAS3) revisou suas projeções para 2026. A estimativa de lucro líquido ajustado passou a uma faixa entre R$ 18 bilhões e R$ 22 bilhões.

A revisão mostra que a administração do banco trabalha com um cenário mais cauteloso para o ano. O novo guidance indica expectativa de rentabilidade menor e custo de crédito mais alto do que o desejado para uma recuperação rápida.

A projeção de custo do crédito foi elevada para uma faixa entre R$ 65 bilhões e R$ 70 bilhões em 2026. O número reforça que a pressão das provisões deve continuar relevante nos próximos trimestres.

Para acionistas, a revisão é importante porque afeta expectativa de dividendos, preço justo da ação e avaliação dos múltiplos do banco. O Banco do Brasil (BBAS3) costuma atrair investidores por combinar grande escala, lucro elevado e distribuição de proventos. Quando o lucro cai e o custo de crédito sobe, essa tese fica mais dependente da retomada operacional.

A revisão das projeções também aumenta a cobrança sobre a gestão. O mercado deve observar se o banco conseguirá estabilizar a inadimplência, melhorar a qualidade da carteira e recuperar o retorno sobre patrimônio sem reduzir de forma excessiva sua presença em segmentos estratégicos.

Ações do Banco do Brasil ficam sob pressão

As ações do Banco do Brasil (BBAS3) tendem a seguir sensíveis aos desdobramentos do balanço. A queda de 53,5% no lucro ajustado, combinada à revisão de projeções, reforça a cautela de investidores com o setor bancário estatal.

O papel pode continuar pressionado no curto prazo, principalmente se analistas reduzirem estimativas de lucro e dividendos para 2026. A ação também pode sofrer com a comparação com bancos privados, que em geral têm apresentado maior previsibilidade de resultados.

Ainda assim, parte do mercado avalia que o Banco do Brasil (BBAS3) já negocia com desconto relevante. Essa leitura pode limitar quedas adicionais caso os investidores passem a enxergar sinais de estabilização na inadimplência e no custo de crédito.

O problema é que a visibilidade ainda é baixa. Enquanto não houver evidências mais claras de melhora na carteira do agronegócio e redução das provisões, o desconto das ações pode persistir.

Como o Banco do Brasil (BBAS3) tem peso relevante no Ibovespa, a reação do papel também pode influenciar o comportamento do setor financeiro na Bolsa. Bancos costumam ter participação importante no índice, e resultados abaixo do esperado tendem a afetar o humor de investidores locais e estrangeiros.

Banco do Brasil entra em trimestre decisivo para recuperar confiança

O balanço do Banco do Brasil (BBAS3) no primeiro trimestre de 2026 colocou a instituição em um ponto decisivo. O banco precisa mostrar, nos próximos resultados, que a deterioração da carteira está controlada e que o custo do crédito pode começar a desacelerar.

A queda expressiva do lucro não elimina a relevância estrutural do Banco do Brasil (BBAS3), mas reduz a margem de tolerância do mercado. A instituição segue como um dos maiores bancos do país, tem presença dominante no crédito rural e mantém uma base ampla de clientes, mas precisa recompor rentabilidade.

O mercado deve observar se o 1T26 representou o ponto mais crítico do ciclo de deterioração ou se o Banco do Brasil (BBAS3) ainda enfrentará novos trimestres de pressão sobre lucro, inadimplência e retorno sobre patrimônio.

Até que essa resposta fique mais clara, o resultado reforça um cenário de cautela. Para investidores, o Banco do Brasil (BBAS3) continua sendo uma ação de grande relevância na Bolsa, mas com riscos elevados no curto prazo, especialmente pela combinação de provisões altas, inadimplência persistente e guidance mais conservador para 2026.

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