terça-feira, 18 de agosto de 2026
contato@gazetamercantil.com
GAZETA MERCANTIL
GAZETA MERCANTIL
GAZETA MERCANTIL
Home Empresas

Berkshire amplia aposta na Alphabet em 83% e posição chega a US$ 37,8 bilhões

Conglomerado encerra junho com quase 106 milhões de ações da controladora do Google e volta a ser comprador líquido de ações após 14 trimestres.

por João Souza
17/08/2026 às 14h57
em Empresas
Berkshire Hathaway - Gazeta Mercantil

A Berkshire Hathaway ampliou em 83% sua participação na Alphabet, controladora do Google e do YouTube, durante o segundo trimestre de 2026 e encerrou junho com quase 106 milhões de ações avaliadas em US$ 37,8 bilhões. O movimento transformou a companhia de tecnologia na terceira maior posição da carteira de ações do conglomerado, atrás apenas de Apple e American Express.

A mudança é uma das mais relevantes na carteira da Berkshire nos últimos anos. Ao fim de março, o grupo possuía aproximadamente 57,8 milhões de ações da Alphabet. Isso significa que foram adicionados cerca de 48 milhões de papéis durante o trimestre, combinando uma operação privada de US$ 10 bilhões diretamente com a Alphabet e compras adicionais no mercado.

A Berkshire, construída ao longo de seis décadas sob a liderança de Warren Buffett e atualmente comandada pelo CEO Greg Abel, também mudou de postura em relação à alocação de seu caixa. Entre abril e junho, comprou US$ 23,5 bilhões em ações e vendeu US$ 3,7 bilhões, encerrando uma sequência de 14 trimestres consecutivos como vendedora líquida de papéis.

O movimento não se restringiu à Alphabet. A companhia aumentou posições na Delta Air Lines, Macy’s e Lennar, abriu uma pequena participação na construtora D.R. Horton e, ao mesmo tempo, reduziu investimentos em empresas como Bank of America, Capital One, Ally Financial, Kroger, DaVita e Nucor. A Berkshire também zerou sua participação na fabricante de bebidas Constellation Brands.

Alphabet passa a representar quase 12% da carteira de ações

O valor de US$ 37,8 bilhões atribuído à participação na Alphabet em 30 de junho representa aproximadamente 11,7% da carteira acionária de US$ 323,8 bilhões reportada pela Berkshire para o período.

A participação colocou a empresa imediatamente atrás da Apple, cuja posição valia US$ 66 bilhões ao fim de junho, e da American Express, avaliada em US$ 51,3 bilhões. A Coca-Cola passou a ocupar a quarta posição entre os maiores investimentos em ações do conglomerado, seguida pelo Bank of America.

A escalada é particularmente relevante porque a Berkshire começou a construir sua posição na Alphabet apenas no terceiro trimestre de 2025. Em menos de um ano, o investimento deixou de ser uma participação relativamente pequena para assumir lugar entre os ativos mais importantes do portfólio.

A aproximação também representa uma mudança em relação à imagem historicamente associada à Berkshire de cautela diante de grandes empresas de tecnologia. Buffett reconheceu durante anos ter demorado a compreender alguns modelos de negócios tecnológicos, embora a Apple tenha posteriormente se transformado no maior investimento acionário do conglomerado.

Berkshire investiu US$ 10 bilhões diretamente na Alphabet

Uma parcela relevante da expansão ocorreu fora do mercado aberto.

Em 1º de junho, a Alphabet firmou um contrato para vender US$ 10 bilhões em ações diretamente a uma afiliada da Berkshire Hathaway. A operação incluiu 14.212.035 ações Classe A por aproximadamente US$ 351,81 cada e 14.359.656 ações Classe C por cerca de US$ 348,20.

Foram, portanto, aproximadamente 28,57 milhões de ações adquiridas na colocação privada. Como a participação total da Berkshire aumentou em cerca de 48 milhões de ações entre março e junho, os números indicam que aproximadamente 19 milhões de papéis adicionais foram incorporados por outras operações durante o trimestre.

A colocação privada sozinha respondeu por aproximadamente 59% do aumento estimado no número de ações da Alphabet mantidas pela Berkshire no período.

A Alphabet informou que a captação estava vinculada a um programa muito maior de obtenção de capital destinado, entre outras finalidades, à expansão de sua infraestrutura computacional e de inteligência artificial. O pacote anunciado inicialmente previa US$ 80 bilhões e posteriormente foi ampliado para até US$ 84,75 bilhões, considerando diferentes ofertas e programas de emissão.

Inteligência artificial está por trás da necessidade de capital da Alphabet

A operação ocorre em um momento de investimentos excepcionalmente elevados pelas grandes empresas de tecnologia.

Segundo a própria Alphabet, a demanda empresarial e de consumidores por seus produtos relacionados à inteligência artificial está crescendo acima da capacidade disponível em determinadas áreas. O objetivo da captação é ampliar infraestrutura física, capacidade computacional e recursos necessários para sustentar essa expansão.

Para a Berkshire, a compra adiciona exposição direta a uma das maiores plataformas digitais do mundo e a negócios que incluem publicidade, buscas, YouTube, computação em nuvem e inteligência artificial.

Ao mesmo tempo, trata-se de uma posição que já adquiriu peso suficiente para influenciar significativamente as oscilações trimestrais do valor da carteira.

Esse aspecto é importante porque a própria Berkshire recomenda cautela ao interpretar seu lucro líquido. As normas contábeis americanas obrigam a companhia a reconhecer variações não realizadas no valor de seus investimentos em ações, mesmo quando esses papéis não foram vendidos.

Lucro líquido da Berkshire mais que dobra no 2T26

A ampliação da participação na Alphabet foi revelada poucos dias depois da divulgação do balanço da própria Berkshire.

O conglomerado registrou lucro operacional de US$ 12,98 bilhões no segundo trimestre, crescimento de 16% diante dos US$ 11,16 bilhões registrados um ano antes. A receita avançou aproximadamente 10%, alcançando US$ 101,81 bilhões.

Já o lucro líquido atingiu US$ 25,67 bilhões, mais que o dobro dos US$ 12,37 bilhões apurados no mesmo período de 2025. O indicador incorpora variações no valor de mercado dos investimentos mantidos pela companhia e, por essa razão, pode oscilar significativamente de um trimestre para outro.

O desempenho operacional foi beneficiado por avanços na ferrovia BNSF e em empresas de serviços, enquanto a seguradora Geico apresentou deterioração. O lucro de subscrição antes de impostos da Geico caiu 45%, pressionado por maior frequência de sinistros e aumento das despesas com publicidade.

A combinação entre resultados mais fortes e retomada dos investimentos reforça a mudança que começa a aparecer na política de capital da Berkshire sob Greg Abel.

Caixa cai para US$ 364,7 bilhões

A Berkshire encerrou junho com US$ 364,7 bilhões em caixa e instrumentos de alta liquidez, contra o recorde de US$ 380,2 bilhões registrado em março.

A redução reflete não apenas as compras líquidas de ações, mas também a retomada das recompras de papéis da própria Berkshire. A companhia desembolsou US$ 4,5 bilhões em recompras no segundo trimestre e mais de US$ 3 bilhões em julho.

Durante os últimos anos da gestão de Buffett como CEO, o aumento contínuo da reserva de caixa havia se tornado uma das principais discussões entre investidores. A Berkshire encontrava dificuldade para localizar empresas ou ativos suficientemente grandes que combinassem preço, qualidade e potencial de retorno dentro de seus critérios de investimento.

A mudança no segundo trimestre é significativa justamente por interromper esse padrão. A companhia foi compradora líquida de quase US$ 20 bilhões em ações, elevou significativamente um investimento estratégico e voltou a recomprar suas próprias ações em grande escala.

Isso não significa, entretanto, que a Berkshire tenha abandonado sua disciplina financeira. Mesmo depois das operações, os US$ 364,7 bilhões mantidos em liquidez continuam oferecendo capacidade excepcional para novas aquisições, investimentos e proteção diante de períodos de estresse nos mercados.

Delta Air Lines também ganha espaço na carteira

A Alphabet não foi a única empresa a receber recursos adicionais.

A Berkshire elevou em aproximadamente 44% sua posição na Delta Air Lines, encerrando junho com 57,3 milhões de ações da companhia aérea, avaliadas em quase US$ 5,4 bilhões. No primeiro trimestre, a participação era de aproximadamente 39,8 milhões de ações.

O aumento é relevante também pela relação histórica entre Buffett e o setor aéreo. Durante a pandemia de 2020, a Berkshire vendeu todas as suas participações nas quatro grandes companhias aéreas americanas diante do colapso da demanda provocado pelas restrições de mobilidade.

A volta à Delta, iniciada no primeiro trimestre de 2026 e ampliada apenas três meses depois, mostra que a Berkshire voltou a considerar o setor dentro de seu universo de investimentos.

A participação na Macy’s, por sua vez, mais que dobrou, chegando a aproximadamente 7,3 milhões de ações, avaliadas em US$ 173 milhões. A Berkshire também ampliou a posição na construtora Lennar e revelou um investimento inicial pequeno na D.R. Horton.

Berkshire abandona Constellation Brands

Na direção oposta, a Berkshire eliminou completamente sua participação na Constellation Brands, dona de marcas de bebidas como Corona e Modelo nos Estados Unidos.

O investimento havia permanecido na carteira por aproximadamente um ano e meio. A saída ocorre em um contexto mais complexo para algumas categorias de bebidas alcoólicas, marcado por mudanças nos hábitos de consumo e pressão econômica em mercados maduros.

A Organização Internacional da Vinha e do Vinho informou em maio que o consumo mundial de vinho continuou recuando em 2025, pressionado por fatores econômicos e por mudanças estruturais no comportamento dos consumidores.

A Berkshire também reduziu posições no Bank of America, Ally Financial, Capital One, Kroger, DaVita e Nucor. O formulário regulatório não identifica qual executivo tomou cada decisão individual de compra ou venda.

Greg Abel começa a deixar sua marca na alocação de capital

O trimestre é apenas o segundo sob o comando executivo de Greg Abel, que sucedeu Warren Buffett como CEO no início de 2026. Buffett continua como presidente do conselho e permanece envolvido nas principais decisões de alocação de capital.

A própria posição na Alphabet mostra que a transição não significa uma ruptura simples entre as duas gestões. Buffett declarou posteriormente que a ideia inicial de investir na companhia foi dele e afirmou que continua discutindo decisões de capital com Abel.

Abel informou anteriormente que supervisiona aproximadamente 94% dos investimentos em ações da Berkshire, enquanto Ted Weschler administra os 6% restantes. O documento de posições não revela qual gestor foi responsável por cada movimentação específica.

O que os números mostram com mais clareza é uma alteração na utilização do caixa: depois de mais de três anos como vendedora líquida de ações, a Berkshire voltou a colocar dezenas de bilhões de dólares no mercado, acelerou recompras e transformou a Alphabet em uma das peças centrais de sua carteira.

Com quase US$ 38 bilhões investidos na controladora do Google ao fim de junho, a Berkshire passou a vincular uma parcela relevante de seu patrimônio acionário ao crescimento da Alphabet e à capacidade da companhia de converter os investimentos recordes em infraestrutura e inteligência artificial em geração futura de caixa.

Fontes:

U.S. Securities and Exchange Commission — registros societários da Alphabet referentes à colocação privada de ações para a Berkshire Hathaway.

Alphabet — comunicados regulatórios sobre a captação de capital e investimentos em infraestrutura de inteligência artificial.

Berkshire Hathaway — informações financeiras do segundo trimestre de 2026 e dados sobre alocação de capital.

Tags: açõesAlphabetAppleBerkshire HathawayDelta Air LinesEmpresasGoogleGreg AbelInteligência ArtificialinvestimentosWarren Buffett

LEIA MAIS

Apex Partners Revela Passivo De R$ 985,6 Milhões E Busca Proteção Judicial - Gazeta Mercantil
Empresas

Apex Partners: Justiça bloqueia bens de Fernando Cinelli e quebra sigilo bancário

A Justiça do Espírito Santo determinou o bloqueio dos bens de Fernando Antonio Kulnig Cinelli, fundador e ex-presidente da Apex Partners, e a quebra de seu sigilo bancário...

Leia MaisDetails
Grupo Mateus Corta 6,6 Mil Funcionários Em Demissão Em Massa
Mercados

Grupo Mateus (GMAT3): XP rebaixa ação e corta projeção de lucro em até 33%

A XP Investimentos rebaixou a recomendação para as ações do Grupo Mateus (GMAT3) de compra para neutra e reduziu o preço-alvo para R$ 5 por ação no fim...

Leia MaisDetails
Vale (Vale3) Gazeta Mercantil
Ibovespa

Vale (VALE3) entra na lista de compra do BB; Gerdau (GGBR4) sai após alta de 7,7%

O BB Investimentos iniciou nesta terça-feira, 18 de agosto de 2026, uma recomendação de compra das ações da Vale (VALE3) dentro de sua estratégia de swing trade e,...

Leia MaisDetails
Casas Bahia Lança Debêntures De R$ 3,95 Bilhões Para Reestruturar Dívida - Gazeta Mercantil
Empresas

BHIA3 perde 99,9% desde pico de 2020; entenda a derrocada das ações da Casas Bahia

A trajetória das ações do Grupo Casas Bahia (BHIA3) nos últimos seis anos resume em números a deterioração financeira de uma das empresas mais conhecidas do varejo brasileiro....

Leia MaisDetails
Braskem (Brkm5) -Gazeta Mercantil
Empresas

Braskem (BRKM5) sofre rebaixamento da Fitch para ‘RD’ após calote em juros

A crise financeira da Braskem (BRKM5) entrou em uma nova fase depois que a Fitch Ratings rebaixou a classificação de crédito da petroquímica de “C” para “RD” —...

Leia MaisDetails

GAZETA MERCANTIL ENCERRADO

17:12:44
IBOV

IBOVESPA

B3
Consultando... buscando última cotação
$

DOLAR

USD/BRL
Consultando... buscando última cotação
€

EURO

EUR/BRL
Consultando... buscando última cotação
₿

BITCOIN

BRL
Consultando... buscando última cotação
Gazeta Mercantil · dados de mercado

Veja Também

Michelle Pede Voto Para Flávio Em Palanque De Arruda E Embaralha Alianças No Df - Gazeta Mercantil
Política

Michelle pede voto para Flávio em palanque de Arruda e embaralha alianças no DF

Leia MaisDetails
Eleições 2026: Lula E Flávio Bolsonaro Somam 77% E Deixam Rivais Distantes - Gazeta Mercantil
Política

Eleições 2026: Lula e Flávio concentram 77% das intenções de voto entre 13 candidatos

Leia MaisDetails
Governo Volta A Discutir Tributação De Lci E Lca E Reacende Alerta Sobre Custo Do Crédito Imobiliário-Gazeta Mercantil
Economia

Governo volta a discutir tributação de LCI e LCA e reacende alerta sobre custo do crédito imobiliário

Leia MaisDetails
Moro Abre 15 Pontos De Vantagem Na Disputa Ao Governo Do Paraná, Aponta Real Time Big Data-Gazeta Mercantil
Política

Moro abre 15 pontos de vantagem na disputa ao governo do Paraná, aponta Real Time Big Data

Leia MaisDetails
Whatsapp Deixará De Funcionar Em Celulares Com Android Antigo A Partir De Setembro De 2026 - Gazeta Mercantil
Tecnologia

WhatsApp vai parar de funcionar em alguns celulares em setembro; veja se o seu será afetado

Leia MaisDetails

EDITORIAS

  • Economia
  • Mercados
    • Dólar
    • Ibovespa
    • Fundos Imobiliários
    • Criptomoedas
  • Empresas
  • Negócios
  • Política
  • Brasil
  • Mundo
  • Tecnologia
  • Agronegócio
  • Trabalho
  • Saúde
  • Loterias
  • Esportes
    • Futebol
  • Cultura & Lazer
    • Filmes e Séries
  • Lifestyle
  • Anuncie Conosco
Gazeta Mercantil Logo White

contato@gazetamercantil.com

Gazeta Mercantil — marca jornalística fundada em 1920, com continuidade editorial contemporânea no ambiente digital por meio do domínio oficial gazetamercantil.com.

EDITORIAS

  • Economia
  • Mercados
    • Dólar
    • Ibovespa
    • Fundos Imobiliários
    • Criptomoedas
  • Empresas
  • Negócios
  • Política
  • Brasil
  • Mundo
  • Tecnologia
  • Agronegócio
  • Trabalho
  • Saúde
  • Loterias
  • Esportes
    • Futebol
  • Cultura & Lazer
    • Filmes e Séries
  • Lifestyle
  • Anuncie Conosco

Veja Também:

Michelle pede voto para Flávio em palanque de Arruda e embaralha alianças no DF

Eleições 2026: Lula e Flávio concentram 77% das intenções de voto entre 13 candidatos

Governo volta a discutir tributação de LCI e LCA e reacende alerta sobre custo do crédito imobiliário

Moro abre 15 pontos de vantagem na disputa ao governo do Paraná, aponta Real Time Big Data

WhatsApp vai parar de funcionar em alguns celulares em setembro; veja se o seu será afetado

Patrimônio dos candidatos 2026: veja quanto presidenciáveis, candidatos ao Senado e à Câmara declararam

  • Anuncie Conosco
  • Política de Correções
  • Política Editorial
  • Política de Privacidade
  • Termos de Uso
  • Sobre a Gazeta Mercantil
  • Expediente
  • Política de Conflitos de Interesse

© 2026 GAZETA MERCANTIL - Marca jornalística fundada em 1920. Site oficial: gazetamercantil.com - Todos os direitos reservados. - ISSN 1519-0129 - contato@gazetamercantil.com - Grupo SMEdit - Av.Paulista 777 - Bela Vista - São Paulo - SP

  • Economia
  • Mercados
    • Dólar
    • Ibovespa
    • Fundos Imobiliários
    • Criptomoedas
  • Empresas
  • Negócios
  • Política
  • Brasil
  • Mundo
  • Tecnologia
  • Agronegócio
  • Trabalho
  • Saúde
  • Loterias
  • Esportes
    • Futebol
  • Cultura & Lazer
    • Filmes e Séries
  • Lifestyle
  • Anuncie Conosco

© 2026 GAZETA MERCANTIL - Marca jornalística fundada em 1920. Site oficial: gazetamercantil.com - Todos os direitos reservados. - ISSN 1519-0129 - contato@gazetamercantil.com - Grupo SMEdit - Av.Paulista 777 - Bela Vista - São Paulo - SP