quinta-feira, 17 de setembro de 2026
contato@gazetamercantil.com
GAZETA MERCANTIL
GAZETA MERCANTIL
GAZETA MERCANTIL
Home Economia

Banco Mundial prevê que Bolívia terá a pior economia da América do Sul em 2026

País deverá enfrentar segunda recessão consecutiva, com retração de 3,2% do PIB em meio a protestos, bloqueios e crise de combustíveis.

por Eduardo Toscano
16/06/2026 às 12h04
em Economia
Banco Mundial Prevê Que Bolívia Terá A Pior Economia Da América Do Sul Em 2026 - Gazeta Mercantil - Economia

A Bolívia deverá registrar a pior performance econômica da América do Sul em 2026, segundo projeção divulgada pelo Banco Mundial em seu relatório Perspectivas Econômicas Globais. A instituição estima uma contração de 3,2% do Produto Interno Bruto (PIB) do país andino neste ano, aprofundando a deterioração econômica após a retração de 1,6% registrada em 2025 e consolidando um segundo ano consecutivo de recessão.

A nova previsão coloca a Bolívia no centro de uma das mais graves crises econômicas da região, marcada pela escassez de moeda estrangeira, crescente desequilíbrio fiscal, queda das receitas com hidrocarbonetos e uma onda de protestos que tem paralisado parte do território nacional desde o início de maio.

O cenário de recessão ocorre em um momento de forte instabilidade política e social. Agricultores, sindicatos e grupos de cocaleiros ligados ao ex-presidente Evo Morales intensificaram mobilizações e bloqueios de estradas em diversas regiões do país, exigindo a renúncia do presidente Rodrigo Paz e responsabilizando o governo pelo agravamento das condições econômicas e pela perda do poder de compra da população.

A combinação entre retração econômica e instabilidade política amplia as incertezas sobre a capacidade de recuperação da Bolívia e aumenta a pressão sobre as autoridades para restabelecer o crescimento e garantir o abastecimento de combustíveis e produtos básicos.

Banco Mundial vê deterioração estrutural da economia boliviana

As projeções do Banco Mundial refletem um conjunto de desequilíbrios que vêm se acumulando na economia boliviana nos últimos anos.

A redução das exportações de gás natural, principal fonte de divisas do país, provocou uma diminuição significativa da entrada de dólares na economia. Ao mesmo tempo, o aumento dos gastos públicos e o déficit fiscal persistente reduziram a margem de manobra do governo para implementar políticas de estímulo.

A escassez de moeda estrangeira se transformou em um dos principais gargalos econômicos. Empresas e importadores enfrentam dificuldades para acessar dólares, enquanto o setor produtivo registra problemas para financiar operações e honrar compromissos internacionais.

A perda de dinamismo econômico também afeta o mercado de trabalho e o consumo interno, criando um ambiente de baixa confiança entre empresários e investidores.

Para analistas, o cenário atual representa uma ruptura em relação ao período de forte expansão vivido pela Bolívia ao longo das últimas duas décadas, quando o país se beneficiou do boom das commodities e da elevada demanda regional por gás natural.

Protestos ampliam perdas e paralisam cadeias produtivas

A crise econômica da Bolívia ganhou novos contornos com a intensificação dos protestos iniciados em 1º de maio.

Bloqueios de rodovias e manifestações espalharam-se por diversas regiões do país, afetando o transporte de mercadorias, o abastecimento de combustíveis e as exportações.

Segundo a Câmara Nacional de Exportadores da Bolívia, as interrupções já provocaram prejuízos de aproximadamente US$ 978 milhões ao setor privado exportador em apenas um mês e meio.

A região de Santa Cruz, considerada o principal motor econômico boliviano, está entre as mais atingidas. O departamento concentra grande parte da produção agrícola e industrial do país e desempenha papel central nas exportações.

Empresas relatam atrasos nas entregas, dificuldades logísticas e riscos de descumprimento de contratos internacionais, o que pode comprometer ainda mais a credibilidade comercial da Bolívia em mercados externos.

Os impactos também são sentidos nos departamentos de Oruro e Cochabamba, onde setores produtivos enfrentam problemas de abastecimento e interrupções nas cadeias de suprimentos.

A continuidade dos protestos aumenta o risco de novas perdas econômicas e dificulta a retomada das atividades em um momento em que o país já enfrenta severa contração da atividade econômica.

Crise de combustíveis agrava ambiente de instabilidade

A recessão da Bolívia também é acompanhada por uma crise no setor de combustíveis.

Nas últimas semanas, a seguradora estatal Unibienes informou ter desembolsado mais de US$ 13 milhões em indenizações para cerca de 31 mil proprietários de veículos afetados pela distribuição de gasolina contaminada.

O problema atingiu mais de 70 mil veículos em todo o país e provocou forte desgaste político no governo.

A crise culminou na renúncia do então ministro responsável pelos Transportes e também de integrantes da direção da estatal petrolífera YPFB, aprofundando a percepção de fragilidade administrativa em um momento de crescente pressão social.

Além do impacto financeiro direto, o episódio ampliou a desconfiança da população em relação à capacidade do Estado de administrar serviços essenciais e garantir o abastecimento energético.

A situação dos combustíveis também possui efeitos econômicos mais amplos, uma vez que o transporte rodoviário é fundamental para o escoamento da produção agrícola e industrial boliviana.

Caminhoneiros relatam mortes e situação humanitária nas estradas

As consequências dos protestos também se refletem no setor de transporte.

Embora o número de bloqueios tenha diminuído nos últimos dias, passando de cerca de 90 para aproximadamente 50 pontos de interdição, importantes corredores logísticos seguem interrompidos.

As autoridades atribuem a redução parcial das manifestações à estratégia do governo de priorizar o diálogo e evitar ações repressivas.

Ainda assim, a situação nas estradas permanece crítica.

As autoridades investigam a morte de pelo menos dois caminhoneiros que ficaram retidos nas áreas afetadas pelos bloqueios. Entidades representativas dos transportadores afirmam que o número de vítimas pode ser maior e relatam pelo menos três mortes desde o início das mobilizações.

Uma das situações mais delicadas ocorre na rota que conecta a Bolívia ao Chile através da Cordilheira dos Andes.

Mais de 600 caminhões permanecem parados a cerca de 4 mil metros de altitude, enfrentando dificuldades de abastecimento e condições adversas de permanência.

O bloqueio da rota internacional também afeta o comércio exterior boliviano, elevando custos logísticos e prejudicando a movimentação de cargas destinadas a mercados internacionais.

Diálogo político fracassa em meio ao agravamento da recessão

As tentativas de negociação entre o governo e os setores mobilizados ainda não produziram resultados concretos.

Uma nova rodada de diálogo com a Central Obrera Boliviana acabou frustrada depois que dirigentes sindicais cancelaram uma reunião prevista em La Paz, alegando falta de garantias de segurança.

O fracasso das negociações amplia as incertezas políticas e aumenta a pressão sobre o governo de Rodrigo Paz.

A combinação entre recessão econômica, protestos prolongados e dificuldades institucionais cria um ambiente de elevada volatilidade para o país.

Para investidores e agentes econômicos da região, a situação da Bolívia também é acompanhada com atenção devido aos possíveis efeitos sobre o comércio regional, especialmente em setores ligados à energia, agricultura e transporte.

A deterioração econômica boliviana representa ainda um alerta sobre a vulnerabilidade de economias excessivamente dependentes da exportação de commodities e da geração de receitas provenientes de recursos naturais.

Recessão prolongada aumenta pressão sobre o governo de Rodrigo Paz

A previsão do Banco Mundial de que a Bolívia terá a pior economia da América do Sul em 2026 reforça a dimensão da crise enfrentada pelo país.

A expectativa de uma retração de 3,2% do PIB, somada à recessão de 2025, coloca a Bolívia diante de um período prolongado de contração econômica, instabilidade política e crescente tensão social.

Com protestos ainda ativos, cadeias produtivas afetadas e negociações políticas sem avanços, o governo enfrenta o desafio de restaurar a confiança dos agentes econômicos e evitar um agravamento adicional das condições de vida da população.

LEIA MAIS

Copom Corta Selic Para 13,75% No Quinto Recuo Seguido Dos Juros - Gazeta Mercantil - Economia
Economia

Copom corta Selic para 13,75% no quinto recuo seguido dos juros

O Comitê de Política Monetária do Banco Central reduziu nesta quarta-feira, 16 de setembro, a taxa Selic de 14% para 13,75% ao ano, prolongando pelo quinto encontro consecutivo...

Leia MaisDetails
Empresas Ampliam Venda De Dívidas Vencidas Enquanto Crédito Segue Caro-Gazeta Mercantil
Economia

Empresas ampliam venda de dívidas vencidas enquanto crédito segue caro

Empresas brasileiras estão recorrendo com mais frequência à venda de carteiras de crédito inadimplente para transformar recebíveis de difícil recuperação em liquidez imediata. O mercado movimentou R$ 17...

Leia MaisDetails
Banco Mundial Nomeia Nobel Michael Kremer Como Novo Economista-Chefe-Gazeta Mercantil
Economia

Banco Mundial nomeia Nobel Michael Kremer como novo economista-chefe

O Banco Mundial nomeou nesta quarta-feira, 16 de setembro, o economista americano Michael Kremer, vencedor do Prêmio de Economia de 2019, para os cargos de economista-chefe do Grupo...

Leia MaisDetails
Super Quarta: Fed Pode Subir Juros Enquanto Copom Deve Cortar Selic Para 13,75%
Economia

Super Quarta: Fed pode subir juros enquanto Copom deve cortar Selic para 13,75%

Brasil e Estados Unidos chegam à Super Quarta desta quarta-feira, 16 de setembro, em momentos opostos de seus ciclos monetários. O Federal Reserve deve elevar os juros americanos...

Leia MaisDetails
Minha Casa Minha Vida - Gazeta Mercantil
Economia

Minha Casa, Minha Vida recebe R$ 500 milhões extras e subsídios chegam a R$ 13 bilhões

O Conselho Curador do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) aumentou em R$ 500 milhões o orçamento destinado aos subsídios habitacionais do Minha Casa, Minha Vida...

Leia MaisDetails

GAZETA MERCANTIL ENCERRADO

06:04:29
IBOV

IBOVESPA

B3
Consultando... buscando última cotação
$

DÓLAR

USD/BRL
Consultando... buscando última cotação
€

EURO

EUR/BRL
Consultando... buscando última cotação
₿

BITCOIN

BRL
Consultando... buscando última cotação
Gazeta Mercantil · dados de mercado
Sênior Sistemas Sênior Sistemas Sênior Sistemas
PUBLICIDADE

Veja Também

Flávio Bolsonaro Usou Recentemente Apartamento Que Pertenceu A Cunhado De Vorcaro
Política

Flávio Bolsonaro usou recentemente apartamento que pertenceu a cunhado de Vorcaro

Leia MaisDetails
Copom Corta Selic Para 13,75% No Quinto Recuo Seguido Dos Juros - Gazeta Mercantil - Economia
Economia

Copom corta Selic para 13,75% no quinto recuo seguido dos juros

Leia MaisDetails
Lvmh Perde Mais De €250 Bilhões Em Valor De Mercado Desde 2023-Gazeta Mercantil
Empresas

LVMH perde mais de €250 bilhões em valor de mercado desde 2023

Leia MaisDetails
Brb Recebe R$ 376 Milhões Da Xp Por Créditos Ligados Ao Banco Master-Gazeta Mercantil
Empresas

BRB (BSLI3; BSLI4) recebe R$ 376 milhões da XP por ativos ligados ao Banco Master

Leia MaisDetails
Lula - Gazeta Mercantil
Política

Lula diz que Flávio Bolsonaro participou da aprovação de Kassio e Mendonça no STF

Leia MaisDetails

EDITORIAS

  • Economia
  • Mercados
    • Dólar
    • Ibovespa
    • Fundos Imobiliários
    • Criptomoedas
  • Empresas
  • Negócios
  • Política
  • Brasil
  • Mundo
  • Tecnologia
  • Agronegócio
  • Trabalho
  • Saúde
  • Loterias
  • Esportes
    • Futebol
  • Cultura & Lazer
    • Filmes e Séries
  • Lifestyle
  • Anuncie Conosco
Gazeta Mercantil Logo White

contato@gazetamercantil.com

Gazeta Mercantil — marca jornalística fundada em 1920, com continuidade editorial contemporânea no ambiente digital por meio do domínio oficial gazetamercantil.com.

EDITORIAS

  • Economia
  • Mercados
    • Dólar
    • Ibovespa
    • Fundos Imobiliários
    • Criptomoedas
  • Empresas
  • Negócios
  • Política
  • Brasil
  • Mundo
  • Tecnologia
  • Agronegócio
  • Trabalho
  • Saúde
  • Loterias
  • Esportes
    • Futebol
  • Cultura & Lazer
    • Filmes e Séries
  • Lifestyle
  • Anuncie Conosco

Veja Também:

Flávio Bolsonaro usou recentemente apartamento que pertenceu a cunhado de Vorcaro

Copom corta Selic para 13,75% no quinto recuo seguido dos juros

LVMH perde mais de €250 bilhões em valor de mercado desde 2023

BRB (BSLI3; BSLI4) recebe R$ 376 milhões da XP por ativos ligados ao Banco Master

Lula diz que Flávio Bolsonaro participou da aprovação de Kassio e Mendonça no STF

Banco do Brasil (BBAS3): JPMorgan corta preço-alvo para R$ 22 e reduz projeções de lucro

  • Anuncie Conosco
  • Política de Correções
  • Política Editorial
  • Política de Privacidade
  • Termos de Uso
  • Sobre a Gazeta Mercantil
  • Expediente
  • Política de Conflitos de Interesse

© 2026 GAZETA MERCANTIL - Marca jornalística fundada em 1920. Site oficial: gazetamercantil.com - Todos os direitos reservados. - ISSN 1519-0129 - contato@gazetamercantil.com - Grupo SMEdit - Av.Paulista 777 - Bela Vista - São Paulo - SP

  • Economia
  • Mercados
    • Dólar
    • Ibovespa
    • Fundos Imobiliários
    • Criptomoedas
  • Empresas
  • Negócios
  • Política
  • Brasil
  • Mundo
  • Tecnologia
  • Agronegócio
  • Trabalho
  • Saúde
  • Loterias
  • Esportes
    • Futebol
  • Cultura & Lazer
    • Filmes e Séries
  • Lifestyle
  • Anuncie Conosco

© 2026 GAZETA MERCANTIL - Marca jornalística fundada em 1920. Site oficial: gazetamercantil.com - Todos os direitos reservados. - ISSN 1519-0129 - contato@gazetamercantil.com - Grupo SMEdit - Av.Paulista 777 - Bela Vista - São Paulo - SP