O Bradesco (BBDC3; BBDC4) registrou lucro líquido recorrente de R$ 7,05 bilhões no segundo trimestre de 2026, crescimento de 16,2% em relação ao mesmo período de 2025 e de 3,5% ante os três primeiros meses deste ano. O banco completou dez trimestres consecutivos de expansão do resultado e elevou o retorno anualizado sobre o patrimônio líquido médio, o ROAE, para 16,2%.
O desempenho foi sustentado pelo aumento da margem financeira, pelo crescimento da carteira de crédito e pelo avanço das receitas em diferentes áreas de negócios. As provisões para perdas com empréstimos, entretanto, cresceram acima do ritmo das receitas, enquanto a inadimplência superior a 90 dias apresentou nova elevação.
O lucro contábil também foi de R$ 7,05 bilhões no trimestre, alta de 16,2% na comparação anual. Em relação ao primeiro trimestre, o avanço contábil foi de 40,2%, porque o resultado anterior havia sido reduzido por R$ 1,78 bilhão em efeitos não recorrentes relacionados a processos fiscais e à adesão ao Programa de Transação Integral.
Receita alcança R$ 37,6 bilhões
As receitas totais do Bradesco somaram R$ 37,6 bilhões no segundo trimestre, crescimento de 10,3% sobre o mesmo intervalo de 2025 e de 2,1% na comparação com o primeiro trimestre de 2026.
A margem financeira total, que reúne o resultado obtido pelo banco com clientes e as operações de tesouraria, atingiu R$ 20,87 bilhões. A linha aumentou 15,7% em um ano e 4,1% no trimestre.
A margem com clientes chegou a R$ 20,20 bilhões, expansão anual de 13,8%. Segundo o banco, o resultado refletiu o aumento do volume de crédito e dos spreads, com contribuição relevante da margem obtida com passivos.
A margem com o mercado somou R$ 673 milhões, ante R$ 553 milhões no primeiro trimestre e R$ 288 milhões no segundo trimestre de 2025. O Bradesco atribuiu o desempenho à gestão de riscos e às oportunidades em operações com derivativos e produtos estruturados oferecidos aos clientes.
Depois das provisões para perdas de crédito, a margem financeira líquida ficou em R$ 10,89 bilhões, crescimento de 9,9% em relação ao segundo trimestre do ano passado. A margem com clientes líquida das provisões aumentou 6,2%, para R$ 10,21 bilhões.
Carteira de crédito supera R$ 1,1 trilhão
A carteira de crédito expandida encerrou junho em R$ 1,137 trilhão, avanço de 11,6% em 12 meses e de 4,3% sobre março. O crescimento foi mais forte entre pessoas jurídicas, segmento no qual as operações aumentaram 14,1% em um ano e 6,7% no trimestre.
Na carteira de pessoas físicas, a expansão anual foi de 8,4%, com crescimento trimestral de 1,2%.
O banco manteve a estratégia de priorizar modalidades com garantias e maior retorno ajustado ao risco. Entre as linhas destacadas pela instituição estão capital de giro com garantias, crédito consignado privado, financiamento de veículos, operações rurais no atacado, títulos e valores mobiliários, avais e fianças.
A administração informou que o apetite ao risco permaneceu moderado, apesar da maior tração comercial. A estratégia consiste em ampliar a concessão sem retornar ao padrão de originação que contribuiu para a deterioração da qualidade da carteira observada em anos anteriores.
O crescimento de 11,6% da carteira em 12 meses ficou acima da faixa anual de 8,5% a 10,5% estabelecida pelo banco em seu guidance para 2026. O Bradesco, contudo, manteve as projeções divulgadas no início do ano, preservando uma postura prudente para o segundo semestre.
Provisões crescem 22,6%
A despesa com provisão para devedores duvidosos expandida atingiu R$ 9,99 bilhões no trimestre, crescimento de 22,6% em relação ao mesmo período de 2025 e de 3,3% ante o primeiro trimestre.
O aumento da provisão consumiu parte da expansão de R$ 821 milhões obtida pela margem financeira entre o primeiro e o segundo trimestre. Na decomposição apresentada pelo banco, o crescimento da margem com clientes e das operações de mercado foi parcialmente compensado por R$ 318 milhões adicionais em despesas de crédito.
O custo do crédito, calculado em relação à carteira expandida, permaneceu estável no trimestre. O Bradesco informou ainda que a cobertura da movimentação dos ativos classificados no estágio 3 ficou acima de 100% no primeiro semestre.
O estágio 3 reúne operações com evidências de perda de crédito. Segundo o banco, a participação dessa categoria na carteira expandida permaneceu estável entre março e junho, apesar da elevação de alguns indicadores de atraso.
A instituição também ampliou as renegociações por meio da nova etapa do programa Desenrola Brasil. A proporção da carteira reestruturada no crédito total, porém, não apresentou crescimento no trimestre.
Inadimplência sobe para 4,3%
O índice de inadimplência das operações vencidas há mais de 90 dias aumentou para 4,3%, alta de 0,1 ponto percentual em relação ao primeiro trimestre e de 0,2 ponto percentual na comparação anual.
O Bradesco afirmou que o indicador permaneceu dentro das estimativas internas. A elevação ocorreu principalmente entre micro, pequenas e médias empresas, em operações de capital de giro garantido.
De acordo com a instituição, existe uma defasagem entre o registro do atraso e a execução das garantias vinculadas a esses contratos. Essa dinâmica pode pressionar temporariamente a inadimplência antes da recuperação dos recursos ou da liquidação dos bens oferecidos como garantia.
Os atrasos de menor duração também foram afetados pela sazonalidade das operações do Banco John Deere, cujos vencimentos se concentraram no segundo trimestre.
Mesmo classificando os indicadores como administráveis, o Bradesco reconheceu uma deterioração do ambiente de risco no país. A instituição apontou os efeitos dos juros elevados sobre empresas de diferentes portes e o aumento do comprometimento da renda das famílias como fatores que exigem acompanhamento nos próximos trimestres.
Seguros geram lucro de R$ 2,9 bilhões
O Grupo Segurador registrou lucro líquido recorrente de R$ 2,9 bilhões, alta de 28,3% em relação ao segundo trimestre de 2025 e de 6,7% ante os três meses anteriores. O ROAE da operação alcançou 22,8%.
O resultado das operações de seguros, previdência e capitalização foi de R$ 6,12 bilhões, aumento anual de 8,3%, apesar da redução de 4,2% na comparação trimestral.
O banco informou que a operação industrial foi beneficiada pela sinistralidade controlada e pelo crescimento comercial. O resultado financeiro avançou com o aumento da base de ativos e a contribuição de indexadores mais favoráveis.
O trimestre também marcou a operação da Bradsaúde, estrutura criada para concentrar os ativos de saúde do grupo. A área de seguros continua funcionando como uma das principais fontes de diversificação das receitas do Bradesco, reduzindo a dependência exclusiva da intermediação financeira.
Tarifas avançam e despesas permanecem controladas
As receitas de prestação de serviços alcançaram R$ 10,49 bilhões, aumento de 1,7% em relação ao segundo trimestre de 2025 e de 1,1% sobre o trimestre anterior.
Os destaques foram as receitas de administração de fundos, custódia e corretagem, cartões e consórcios. O crescimento foi mais moderado do que o observado na margem financeira, mas contribuiu para a diversificação do resultado.
As despesas operacionais somaram R$ 16,44 bilhões, avanço anual de 3,4%. As despesas de pessoal atingiram R$ 7,22 bilhões, alta de 5,4%, enquanto as despesas administrativas chegaram a R$ 5,90 bilhões, crescimento de 4,6%.
Consideradas em conjunto, as despesas de pessoal e administrativas totalizaram R$ 13,1 bilhões, aumento de 5% em um ano. Excluída a participação nos lucros e resultados, o banco afirmou que esses gastos cresceram abaixo da inflação.
O índice de eficiência operacional recuou para 46,5%, melhora de 3,4 pontos percentuais em 12 meses. Quanto menor o indicador, menor é a parcela das receitas consumida pela estrutura operacional.
O banco reduziu gastos ligados à adequação de sua rede física, como transportes e instalações, mas ampliou os investimentos em tecnologia. O Bradesco informou possuir mais de 30 milhões de clientes integralmente digitais e afirmou ter elevado a eficiência das vendas realizadas por esses canais.
Resultado operacional aumenta 14,4%
O resultado operacional atingiu R$ 8,93 bilhões, crescimento de 14,4% em relação ao segundo trimestre de 2025 e de 3% sobre o primeiro trimestre deste ano.
No primeiro semestre, o lucro líquido recorrente acumulou R$ 13,86 bilhões, avanço de 16,2% sobre os R$ 11,93 bilhões registrados entre janeiro e junho de 2025.
A evolução confirma a continuidade da recuperação iniciada no fim de 2023. No primeiro trimestre de 2026, o Bradesco havia alcançado R$ 6,81 bilhões em lucro recorrente e completado nove períodos consecutivos de expansão. O resultado de abril a junho prolongou essa sequência para dez trimestres.
O banco também informou ter destinado R$ 4 bilhões em juros sobre capital próprio aos acionistas durante o segundo trimestre. Os índices de capital permaneceram acima dos limites regulatórios e dos níveis internos definidos pela administração.
Para o segundo semestre, a capacidade de manter o crescimento do lucro dependerá principalmente da evolução da margem financeira líquida das provisões. A expansão do crédito aumenta as receitas, mas também exige controle sobre inadimplência, renegociações e custo do risco.
O balanço mostra que o Bradesco preservou o avanço da rentabilidade e da eficiência, mas encerrou o trimestre com maior volume de provisões e um novo aumento da inadimplência. A administração deverá equilibrar essas duas frentes enquanto mantém a estratégia de crescer em operações com garantias e menor risco relativo.









