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BRB (BSLI3) registra renúncia no Conselho Fiscal

por João Souza
16/02/2026 às 21h57
em Negócios
Brb (Bsli3) Registra Renúncia No Conselho Fiscal - Gazeta Mercantil

BRB (BSLI3) registra renúncia no Conselho Fiscal em meio a investigações da PF e da CVM

A renúncia no Conselho Fiscal do BRB (BSLI3) adiciona novo capítulo à crise institucional que envolve o Banco de Brasília e amplia o escrutínio sobre a governança da instituição financeira controlada pelo Governo do Distrito Federal. Dois integrantes do colegiado, eleitos em março de 2025, deixaram os cargos com efeitos imediatos, em meio a investigações conduzidas pela Polícia Federal (PF) e pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

O episódio ocorre no contexto das apurações relacionadas às operações do banco com o Banco Master e à atuação de fundos administrados pela Reag Investimentos, gestora citada em inquéritos federais. A movimentação no Conselho Fiscal do BRB (BSLI3) também envolve questionamentos sobre a origem das indicações dos conselheiros e eventuais vínculos com acionistas relevantes.

Leia também: Azzas 2154 (AZZA3) troca comando do conselho e escolhe Sylvia Leão como nova chairman.

Renúncia formal e negativa de vínculo com fundo

Em nota oficial, Leonardo Roberto Oliveira de Vasconcelos e Celivaldo Elói Lima de Sousa comunicaram a saída dos cargos de membro titular e suplente do Conselho Fiscal, respectivamente. Ambos afirmaram que desconheciam qualquer indicação atribuída ao Fundo Borneo FIP Multiestratégia, administrado pela Reag Investimentos.

Segundo as manifestações, os advogados declararam não possuir vínculo, relação ou conhecimento acerca do fundo ou de seus representantes. A renúncia no Conselho Fiscal do BRB (BSLI3) foi formalizada após a divulgação de fato relevante pelo banco, no qual constava a atribuição da indicação ao referido fundo.

Contudo, registros da assembleia de março de 2025 já indicavam a participação do Fundo Borneo na eleição dos dois nomes, circunstância que passou a ser analisada sob a ótica regulatória.

CVM investiga indicações e governança

A Comissão de Valores Mobiliários instaurou processo para apurar possíveis irregularidades relacionadas às indicações para o Conselho Fiscal do BRB (BSLI3). O governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, e sua chefe de gabinete, Juliana Monici Souza Pinheiro, tornaram-se réus em processo sigiloso no âmbito da autarquia.

A apuração ocorre paralelamente às investigações da PF sobre operações financeiras envolvendo o Banco Master. O ambiente regulatório mais rígido impõe ao BRB (BSLI3) a necessidade de transparência ampliada junto a acionistas e ao mercado.

Em comunicado, o banco reafirmou que conduz suas atividades com responsabilidade, ética e transparência, mantendo investidores devidamente informados sobre atos e fatos relevantes.

Operações com o Banco Master ampliam crise

O pano de fundo da renúncia no Conselho Fiscal do BRB (BSLI3) está nas operações realizadas com o Banco Master a partir de 2024. O banco estatal iniciou a compra de carteiras da instituição privada em meio a uma série de questionamentos sobre a qualidade dos ativos.

A Polícia Federal apontou a existência de R$ 12,2 bilhões em créditos considerados inexistentes, supostamente adquiridos entre janeiro e junho de 2025. Em março daquele ano, o BRB (BSLI3) chegou a formalizar proposta para aquisição de parte do Banco Master por R$ 2 bilhões, operação posteriormente barrada pelo Banco Central em setembro.

O empresário Daniel Vorcaro, controlador do Master, foi preso por dez dias durante as investigações. Já o ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, indicado por Ibaneis, foi afastado e também passou a ser investigado.

Conselho Fiscal e responsabilidade de fiscalização

Embora não detenha poder deliberativo sobre operações de compra e venda de ativos, o Conselho Fiscal do BRB (BSLI3) possui atribuição de fiscalizar atos da administração e examinar demonstrações contábeis.

As operações com o Master foram aprovadas pela diretoria executiva do banco e não sofreram questionamentos formais por parte do colegiado à época. A renúncia no Conselho Fiscal do BRB (BSLI3) reacende o debate sobre o papel do órgão na prevenção de riscos e na proteção dos acionistas.

Especialistas em governança corporativa ouvidos pela Gazeta Mercantil ressaltam que conselhos fiscais atuantes são instrumentos essenciais para mitigar assimetrias informacionais e preservar a credibilidade de instituições financeiras listadas.

Histórico das indicações e mudança de configuração

A composição do Conselho Fiscal do BRB (BSLI3) passou por alterações relevantes em novembro de 2024. Inicialmente, Juliana Monici foi indicada como representante dos acionistas preferencialistas, mas posteriormente houve correção de ata para classificá-la como representante do controlador, o Governo do Distrito Federal.

Já Leonardo Vasconcelos e Celivaldo Sousa, inicialmente indicados pelo governo distrital, tiveram suas candidaturas suspensas até parecer do Comitê de Elegibilidade. Em março de 2025, o Fundo Borneo, então acionista do banco, assumiu formalmente a indicação dos dois nomes.

O rearranjo das cadeiras no Conselho Fiscal do BRB (BSLI3) alterou o equilíbrio entre representantes do controlador e dos acionistas minoritários, aspecto que passou a integrar o escopo das análises regulatórias.

Reag Investimentos sob investigação

A Reag Investimentos, administradora do Fundo Borneo, é alvo de investigações da PF em diferentes frentes. Além das apurações relacionadas ao caso Master, a gestora aparece em inquéritos da Operação Carbono Oculto, que investiga suspeitas de uso de fundos para ocultação patrimonial e eventuais crimes financeiros no setor de combustíveis.

A entrada do Fundo Borneo como acionista do BRB (BSLI3) ocorreu em 2024, período coincidente com a aquisição de carteiras do Banco Master. Investigadores analisam se houve estratégia coordenada para fortalecer artificialmente a posição do banco do DF, permitindo ampliação das operações com a instituição privada.

O avanço das investigações elevou o risco reputacional do BRB (BSLI3), pressionando a administração a reforçar mecanismos de compliance e controles internos.

Impacto para investidores e mercado

Listado na B3 sob o ticker BSLI3, o BRB (BSLI3) enfrenta momento sensível em termos de governança e percepção de risco. Movimentos no Conselho Fiscal tendem a ser observados com atenção por investidores institucionais e minoritários.

A renúncia no Conselho Fiscal do BRB (BSLI3) pode provocar reavaliações sobre práticas de indicação, transparência na comunicação e efetividade dos mecanismos de fiscalização interna.

Analistas avaliam que a recuperação da confiança dependerá de cooperação plena com órgãos reguladores e clareza na divulgação de informações ao mercado.

Ambiente institucional exige respostas rápidas

O caso envolvendo o BRB (BSLI3) ocorre em cenário de maior rigor regulatório no sistema financeiro brasileiro. A atuação coordenada de PF, CVM e Banco Central demonstra que operações relevantes passam por escrutínio técnico detalhado.

A estabilidade institucional do banco, controlado pelo Governo do Distrito Federal, possui relevância sistêmica regional e impacto sobre a credibilidade do mercado financeiro local.

O momento impõe à administração do BRB (BSLI3) desafio duplo: preservar a solidez operacional e responder às investigações com transparência.

Próximos desdobramentos no radar regulatório

Com a renúncia no Conselho Fiscal do BRB (BSLI3) já efetivada, o próximo passo envolve recomposição do colegiado e continuidade das apurações. A CVM mantém processo sigiloso em andamento, enquanto a PF avança nas investigações sobre as operações financeiras.

O desfecho poderá influenciar não apenas a governança do banco, mas também parâmetros futuros de fiscalização sobre instituições financeiras estaduais.

A crise no BRB (BSLI3) reforça a importância de estruturas sólidas de compliance, independência de conselhos e alinhamento entre controlador e acionistas minoritários, elementos centrais para a estabilidade de companhias abertas.

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