terça-feira, 18 de agosto de 2026
contato@gazetamercantil.com
GAZETA MERCANTIL
GAZETA MERCANTIL
GAZETA MERCANTIL
Home Economia

BRICS se fortalece diante das tarifas de Trump e amplia papel na ordem mundial

por Gabriel Monteiro
04/07/2025 às 09h32
em Economia
Brics Se Fortalece Diante Das Tarifas De Trump E Amplia Papel Na Ordem Mundial Gazeta Mercantil

BRICS se fortalece em meio a tensões com Trump e amplia papel geopolítico global

O grupo BRICS, formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, tem buscado há mais de uma década consolidar um papel de protagonismo na política global. Com a crescente pressão dos Estados Unidos, especialmente com a política tarifária agressiva do ex-presidente Donald Trump, o bloco de países emergentes encontra hoje um novo fator de coesão para unificar sua atuação: a defesa do livre comércio, o fortalecimento do multilateralismo e o combate ao protecionismo unilateral.

A reunião mais recente do BRICS no Rio de Janeiro, sob liderança do presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva, marcou um ponto de inflexão. Pela primeira vez, os países sinalizaram de forma clara uma crítica às tarifas comerciais unilaterais e injustificadas, ainda que evitando citar diretamente os EUA. O movimento demonstra o amadurecimento do bloco, que ganha voz mais ativa na diplomacia internacional e começa a consolidar-se como um contraponto estratégico à hegemonia ocidental.

Veja a análise como o BRICS vem se fortalecendo em um cenário internacional polarizado, quais são os novos desafios após sua ampliação e como a disputa geopolítica com os EUA, especialmente sob a liderança de Trump, impulsiona um novo ciclo de unidade e ambição dentro do grupo.


A origem do BRICS e o desafio da unidade

O BRICS foi fundado em 2009 com o objetivo de representar as maiores economias emergentes do planeta e pressionar por maior voz nas decisões globais, historicamente concentradas nos países ocidentais. Apesar de avanços econômicos significativos, o grupo sempre enfrentou obstáculos relacionados à sua diversidade cultural, política e estratégica.

Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul compartilham a condição de grandes economias emergentes, mas suas prioridades internas, alinhamentos geopolíticos e sistemas de governo são muito distintos. Isso dificultou, por anos, o avanço de uma agenda comum.


As tarifas de Trump como catalisador do BRICS

Paradoxalmente, o endurecimento comercial dos EUA tem servido como elemento unificador para os países do BRICS. A política “América em Primeiro Lugar” de Donald Trump, marcada por tarifas elevadas, restrições comerciais e retórica isolacionista, pressionou os membros do bloco a se unirem em defesa do multilateralismo e da liberdade de comércio internacional.

Na cúpula realizada no Brasil em julho de 2025, os líderes do BRICS avançaram em um comunicado conjunto condenando medidas protecionistas unilaterais e tarifas aplicadas de forma indiscriminada. O gesto é um marco importante na história do grupo, que antes carecia de um ponto de convergência geopolítico claro.


A expansão do BRICS e seus novos desafios

Recentemente, o BRICS foi ampliado para incluir Egito, Etiópia, Irã, Indonésia e Emirados Árabes Unidos, elevando significativamente sua representatividade. Hoje, o bloco ampliado responde por aproximadamente 40% do PIB global e metade da população mundial.

Por outro lado, a expansão do BRICS também gera novas dificuldades. A diversidade interna aumentou, e os desafios de construir consenso em torno de temas delicados como segurança global, guerra e energia tornam-se ainda mais complexos. Ainda assim, há expectativa de que a representatividade ampliada permita ao BRICS reivindicar um papel mais central nas decisões da ONU, FMI e Banco Mundial.


BRICS e o papel do Brasil no novo cenário global

O Brasil tem assumido protagonismo dentro do BRICS em 2025, não apenas como sede da cúpula, mas também como articulador do novo ciclo de cooperação entre os membros. O presidente Lula aposta no grupo como instrumento de reequilíbrio da ordem mundial, inclusive propondo alternativas ao dólar no comércio bilateral e estimulando mecanismos de financiamento climático entre os membros.

A diplomacia brasileira busca aliar pragmatismo e ambição, dialogando com todas as potências — inclusive os EUA — mas liderando iniciativas que fortaleçam o Sul Global. O apoio à presidência do BRICS pela África do Sul no Conselho de Segurança da ONU é um exemplo desse esforço diplomático brasileiro por uma voz mais plural na geopolítica.


Oposição velada à hegemonia dos EUA

Embora a linguagem diplomática do BRICS evite confrontos diretos, a crítica às políticas unilaterais de Trump evidencia uma mudança de postura. O bloco passou de alternativa simbólica a polo articulador de resistência ao que considera práticas hegemônicas ocidentais.

A ameaça de Trump de impor tarifas de 100% a países que abandonarem o dólar reforçou o movimento entre os países do BRICS para desenvolver sistemas financeiros e comerciais próprios, com menor dependência da moeda americana. Ainda que o abandono do dólar não esteja oficialmente em pauta, as discussões apontam para uma gradual reconfiguração da economia global.


Comércio entre os membros do BRICS em expansão

Segundo o Fundo Monetário Internacional, o comércio entre os cinco membros originais do BRICS cresceu 40% entre 2021 e 2024, atingindo US$ 740 bilhões por ano. A tendência é de expansão contínua, à medida que os países firmam acordos bilaterais, investem em infraestrutura logística e desenvolvem sistemas de pagamento alternativos.

Esse crescimento comercial interno é estratégico para consolidar a autonomia do bloco frente às oscilações do mercado internacional, e fortalece sua posição nas cadeias produtivas globais.


O dilema das ausências e as divisões internas

Apesar do avanço na coesão política e comercial, o BRICS enfrenta desafios de imagem e credibilidade, com a ausência de líderes importantes como Xi Jinping e Vladimir Putin na cúpula do Rio de Janeiro. A ausência de Xi, que deve vir ao Brasil apenas na COP30, e a de Putin, que evita viagens internacionais por questões jurídicas, enfraquecem a percepção externa de unidade do bloco.

Além disso, há divisões sobre temas sensíveis como o apoio à África do Sul no Conselho de Segurança da ONU, a guerra na Ucrânia e a situação em Gaza. Enquanto Rússia e China resistem a menções diretas a conflitos armados, o Egito e outros novos membros pressionam por declarações mais assertivas sobre paz e segurança.


O futuro do BRICS e o protagonismo no Sul Global

Apesar dos entraves, o BRICS continua a se posicionar como principal força emergente na geopolítica internacional. Com peso crescente no comércio, na população e no PIB global, o bloco tem potencial para influenciar temas como segurança alimentar, financiamento climático, transição energética e transformação digital.

A presidência indiana do BRICS em 2026 promete intensificar as disputas internas por liderança entre Índia e China, mas também poderá consolidar avanços em uma agenda mais clara para o grupo. Enquanto isso, o Brasil segue sendo peça-chave na mediação das diferenças e no avanço do bloco rumo a um novo papel global.

O BRICS passa por um momento decisivo. As pressões externas, especialmente as tarifas de Trump, provocaram uma inesperada convergência entre seus membros. A ampliação do bloco, o aumento do comércio interno e a busca por alternativas ao dólar consolidam um movimento de autonomia e protagonismo global.

A cúpula no Brasil marca o início de um novo ciclo para o BRICS — mais coeso, mais ambicioso e mais relevante. Resta saber se essa nova fase será sustentada por uma agenda verdadeiramente comum ou se continuará sendo um esforço fragmentado entre potências emergentes com interesses diversos.

Tags: BRICSBRICS BrasilBRICS China ÍndiaBRICS e dólarBRICS e Trumpcúpula do BRICS 2025Economiaexpansão do BRICSlivre comércio BRICSLula e BRICSmultilateralismo

LEIA MAIS

Governo Volta A Discutir Tributação De Lci E Lca E Reacende Alerta Sobre Custo Do Crédito Imobiliário-Gazeta Mercantil
Economia

Governo volta a discutir tributação de LCI e LCA e reacende alerta sobre custo do crédito imobiliário

O debate sobre o fim da isenção de Imposto de Renda para Letras de Crédito Imobiliário (LCI) e Letras de Crédito do Agronegócio (LCA) voltou ao centro da...

Leia MaisDetails
Brasil Pode Ter Deflação Em Agosto; Entenda Por Que Inflação Ainda Deve Fechar 2026 Em 5,02% - Gazeta Mercantil - Economia
Economia

Brasil pode ter deflação em agosto; entenda por que inflação ainda deve fechar 2026 em 5,02%

O Brasil pode registrar deflação em agosto de 2026, com queda média dos preços ao consumidor pela primeira vez em um ano. O movimento, porém, não significa que...

Leia MaisDetails
Bancários Aprovam Paralisação De 24 Horas Em 20 De Agosto
Economia

Bancários aprovam paralisação de 24 horas em 20 de agosto

Bancários de algumas das principais bases sindicais do país aprovaram uma paralisação de 24 horas para quinta-feira, 20 de agosto, depois de rejeitarem a proposta apresentada pela Federação...

Leia MaisDetails
Pib Cresce 0,3% No 2º Trimestre, Aponta Monitor Da Fgv - Gazeta Mercantil - Economia
Economia

PIB cresce 0,3% no 2º trimestre, aponta Monitor da FGV

A economia brasileira cresceu 0,3% no segundo trimestre de 2026 em relação aos três meses anteriores, segundo o Monitor do PIB, divulgado nesta segunda-feira pela Fundação Getulio Vargas....

Leia MaisDetails
Galípolo - Gazeta Mercantil
Economia

Galípolo defende Selic a 14% restritiva para conter demanda acima da oferta e alerta para crédito caro

O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, afirmou que a manutenção da taxa Selic em patamar contracionista é necessária para reequilibrar oferta e demanda na economia brasileira, em...

Leia MaisDetails

GAZETA MERCANTIL ENCERRADO

17:14:27
IBOV

IBOVESPA

B3
Consultando... buscando última cotação
$

DOLAR

USD/BRL
Consultando... buscando última cotação
€

EURO

EUR/BRL
Consultando... buscando última cotação
₿

BITCOIN

BRL
Consultando... buscando última cotação
Gazeta Mercantil · dados de mercado

Veja Também

Michelle Pede Voto Para Flávio Em Palanque De Arruda E Embaralha Alianças No Df - Gazeta Mercantil
Política

Michelle pede voto para Flávio em palanque de Arruda e embaralha alianças no DF

Leia MaisDetails
Eleições 2026: Lula E Flávio Bolsonaro Somam 77% E Deixam Rivais Distantes - Gazeta Mercantil
Política

Eleições 2026: Lula e Flávio concentram 77% das intenções de voto entre 13 candidatos

Leia MaisDetails
Governo Volta A Discutir Tributação De Lci E Lca E Reacende Alerta Sobre Custo Do Crédito Imobiliário-Gazeta Mercantil
Economia

Governo volta a discutir tributação de LCI e LCA e reacende alerta sobre custo do crédito imobiliário

Leia MaisDetails
Moro Abre 15 Pontos De Vantagem Na Disputa Ao Governo Do Paraná, Aponta Real Time Big Data-Gazeta Mercantil
Política

Moro abre 15 pontos de vantagem na disputa ao governo do Paraná, aponta Real Time Big Data

Leia MaisDetails
Whatsapp Deixará De Funcionar Em Celulares Com Android Antigo A Partir De Setembro De 2026 - Gazeta Mercantil
Tecnologia

WhatsApp vai parar de funcionar em alguns celulares em setembro; veja se o seu será afetado

Leia MaisDetails

EDITORIAS

  • Economia
  • Mercados
    • Dólar
    • Ibovespa
    • Fundos Imobiliários
    • Criptomoedas
  • Empresas
  • Negócios
  • Política
  • Brasil
  • Mundo
  • Tecnologia
  • Agronegócio
  • Trabalho
  • Saúde
  • Loterias
  • Esportes
    • Futebol
  • Cultura & Lazer
    • Filmes e Séries
  • Lifestyle
  • Anuncie Conosco
Gazeta Mercantil Logo White

contato@gazetamercantil.com

Gazeta Mercantil — marca jornalística fundada em 1920, com continuidade editorial contemporânea no ambiente digital por meio do domínio oficial gazetamercantil.com.

EDITORIAS

  • Economia
  • Mercados
    • Dólar
    • Ibovespa
    • Fundos Imobiliários
    • Criptomoedas
  • Empresas
  • Negócios
  • Política
  • Brasil
  • Mundo
  • Tecnologia
  • Agronegócio
  • Trabalho
  • Saúde
  • Loterias
  • Esportes
    • Futebol
  • Cultura & Lazer
    • Filmes e Séries
  • Lifestyle
  • Anuncie Conosco

Veja Também:

Michelle pede voto para Flávio em palanque de Arruda e embaralha alianças no DF

Eleições 2026: Lula e Flávio concentram 77% das intenções de voto entre 13 candidatos

Governo volta a discutir tributação de LCI e LCA e reacende alerta sobre custo do crédito imobiliário

Moro abre 15 pontos de vantagem na disputa ao governo do Paraná, aponta Real Time Big Data

WhatsApp vai parar de funcionar em alguns celulares em setembro; veja se o seu será afetado

Patrimônio dos candidatos 2026: veja quanto presidenciáveis, candidatos ao Senado e à Câmara declararam

  • Anuncie Conosco
  • Política de Correções
  • Política Editorial
  • Política de Privacidade
  • Termos de Uso
  • Sobre a Gazeta Mercantil
  • Expediente
  • Política de Conflitos de Interesse

© 2026 GAZETA MERCANTIL - Marca jornalística fundada em 1920. Site oficial: gazetamercantil.com - Todos os direitos reservados. - ISSN 1519-0129 - contato@gazetamercantil.com - Grupo SMEdit - Av.Paulista 777 - Bela Vista - São Paulo - SP

  • Economia
  • Mercados
    • Dólar
    • Ibovespa
    • Fundos Imobiliários
    • Criptomoedas
  • Empresas
  • Negócios
  • Política
  • Brasil
  • Mundo
  • Tecnologia
  • Agronegócio
  • Trabalho
  • Saúde
  • Loterias
  • Esportes
    • Futebol
  • Cultura & Lazer
    • Filmes e Séries
  • Lifestyle
  • Anuncie Conosco

© 2026 GAZETA MERCANTIL - Marca jornalística fundada em 1920. Site oficial: gazetamercantil.com - Todos os direitos reservados. - ISSN 1519-0129 - contato@gazetamercantil.com - Grupo SMEdit - Av.Paulista 777 - Bela Vista - São Paulo - SP