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BTG vê exagero no tombo das incorporadoras e aponta Direcional (DIRR3) como oportunidade

Banco avalia que o pessimismo com juros, inflação e FGTS foi excessivo e projeta lucro superior a R$ 1 bilhão para a incorporadora em 2027.

por Camila Braga
19/06/2026 às 11h43
em Mercados
Btg Vê Exagero No Tombo Das Incorporadoras E Aponta Direcional (Dirr3) Como Oportunidade - Gazeta Mercantil - Mercados

A queda recente das ações de incorporadoras brasileiras abriu uma oportunidade de entrada na Direcional (DIRR3), na avaliação do BTG Pactual, que considera ter havido um excesso de pessimismo na precificação do setor diante das preocupações com juros, inflação de custos, disponibilidade de recursos do FGTS e incertezas geopolíticas. Para o banco, os fundamentos da companhia permanecem mais sólidos do que o desempenho recente das ações sugere.

A avaliação ganhou força após o Real Estate Day promovido pelo BTG, encontro que reuniu executivos das principais empresas do segmento imobiliário. Segundo o banco, as mensagens transmitidas pelas companhias foram mais construtivas do que o cenário refletido nas cotações da Bolsa.

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A demanda por habitação econômica continua sustentada pelo déficit habitacional brasileiro, pela resiliência do mercado de trabalho e pelas condições de financiamento oferecidas ao público atendido pelo Minha Casa, Minha Vida. Ao mesmo tempo, empresas maiores conseguem enfrentar com mais eficiência as pressões sobre mão de obra, materiais de construção e aquisição de terrenos.

Nesse ambiente, a Direcional (DIRR3) aparece como uma das incorporadoras mais bem posicionadas. O BTG destaca a capacidade de execução da companhia, a disciplina na alocação de capital, a velocidade de vendas e a experiência acumulada em diferentes ciclos econômicos.

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Mesmo sob premissas consideradas conservadoras, o banco estima que o lucro da Direcional poderá superar R$ 1 bilhão em 2027. A recente correção das ações, segundo os analistas, levou os múltiplos de negociação a níveis mais atrativos, sem que tenha ocorrido deterioração proporcional dos fundamentos operacionais.

Incorporadoras foram penalizadas de forma indiscriminada

A correção das incorporadoras ocorreu em meio a uma combinação de fatores macroeconômicos que aumentou a aversão ao risco na Bolsa brasileira. Juros elevados, pressões inflacionárias, discussões sobre os recursos do FGTS e o agravamento das tensões geopolíticas atingiram praticamente todas as companhias do setor.

O impacto, porém, não foi uniforme sobre os negócios. Empresas com estruturas de capital mais equilibradas, margens maiores, escala operacional e forte exposição ao Minha Casa, Minha Vida tendem a apresentar maior capacidade de absorção dos choques.

Na leitura do BTG, o mercado não fez essa distinção de forma adequada durante o movimento de venda. A correção atingiu companhias com diferentes níveis de endividamento, exposição geográfica, capacidade de repasse de preços e velocidade de vendas.

Esse comportamento criou uma diferença entre o preço das ações e a situação operacional de algumas incorporadoras. A Direcional (DIRR3) seria o principal exemplo desse descolamento, segundo o banco.

A companhia segue registrando crescimento de vendas, receitas e lucro, enquanto mantém margens elevadas. Esse conjunto reduz o risco de que uma pressão temporária sobre custos se transforme rapidamente em deterioração estrutural do negócio.

Direcional começa 2026 com lucro e receita em alta

Os resultados do primeiro trimestre ajudam a sustentar a visão positiva do BTG. A Direcional (DIRR3) apresentou receita líquida de R$ 1,16 bilhão entre janeiro e março, crescimento de 30,2% em relação ao mesmo período de 2025.

O lucro líquido chegou a R$ 213,2 milhões, avanço de 29,6% na comparação anual. A margem líquida ficou em 18,3%, praticamente estável em relação ao primeiro trimestre do ano anterior e acima dos 17,2% registrados no quarto trimestre de 2025.

A margem bruta ajustada atingiu 42,9%, maior nível já registrado pela companhia em um primeiro trimestre. O indicador avançou 1,3 ponto percentual em relação ao mesmo período do ano anterior.

O Ebitda somou R$ 315 milhões, com alta anual de 47%, enquanto a margem Ebitda alcançou 27,1%. Em bases ajustadas, o resultado operacional foi de R$ 328 milhões, com margem de 28,2%.

A Direcional (DIRR3) também encerrou o trimestre com retorno sobre o patrimônio líquido anualizado de 38%. O indicador reforça a capacidade da incorporadora de transformar capital próprio em lucro, uma das métricas observadas por investidores para comparar empresas do setor.

Vendas mostram resiliência da habitação econômica

A demanda permaneceu forte no início do ano. As vendas brutas da Direcional atingiram R$ 1,9 bilhão no primeiro trimestre, crescimento de 29% na comparação anual.

As vendas líquidas contratadas chegaram a R$ 1,58 bilhão, avanço de 19,3% sobre o primeiro trimestre de 2025. Considerando apenas a participação econômica da companhia nos projetos, o volume foi de R$ 1,35 bilhão, com crescimento de 22,9%.

A velocidade de vendas sobre a oferta, conhecida pela sigla VSO, alcançou 24%, ante 21% no encerramento de 2025. O indicador mostra a proporção do estoque comercializado durante determinado período e ajuda a medir a aceitação dos empreendimentos.

Uma VSO elevada melhora o giro dos ativos, reduz o tempo necessário para recuperar o capital aplicado e permite maior flexibilidade na precificação dos imóveis. Também diminui a exposição a estoques antigos, que podem exigir descontos ou gerar custos adicionais.

No caso da Direcional (DIRR3), a combinação entre demanda elevada e margem preservada é vista pelo BTG como sinal de que o crescimento não está sendo obtido por meio de descontos excessivos.

A companhia afirmou que houve contribuição relevante de todas as regiões em que opera. Essa distribuição reduz a dependência de um único mercado e ajuda a equilibrar oscilações locais de demanda.

Minha Casa, Minha Vida mantém demanda aquecida

O segmento de baixa renda continua sendo um dos principais motores do mercado imobiliário brasileiro. O Minha Casa, Minha Vida oferece condições de financiamento e subsídios que ampliam a capacidade de compra das famílias e reduzem o impacto dos juros de mercado.

As mudanças recentes no programa aumentaram os limites de renda, revisaram preços máximos dos imóveis e ampliaram o número de consumidores elegíveis. Para incorporadoras concentradas nesse público, o efeito é uma expansão do mercado potencial.

A Direcional (DIRR3) possui exposição significativa ao programa e desenvolveu ao longo dos anos uma estrutura voltada à produção em escala. Esse posicionamento permite à empresa atender diferentes faixas de renda e regiões do país.

O déficit habitacional também oferece sustentação estrutural à demanda. Milhões de famílias ainda vivem em moradias inadequadas, dividem imóveis com outros núcleos familiares ou comprometem parcela elevada da renda com aluguel.

Mesmo em períodos de atividade econômica mais fraca, a necessidade por habitação permanece. O desafio está em transformar essa demanda em capacidade efetiva de compra, processo no qual subsídios, emprego e disponibilidade de crédito têm papel decisivo.

Para o BTG, a permanência dessas condições ajuda a limitar o risco de uma desaceleração brusca nas vendas das líderes do segmento econômico.

Escala vira vantagem diante da pressão de custos

A inflação da construção continua sendo um dos principais pontos de atenção para as incorporadoras. Aumento nos preços de aço, cimento, componentes elétricos, combustíveis e outros materiais pode pressionar os custos das obras e reduzir margens.

A escassez de mão de obra também se tornou um problema relevante em determinadas regiões. Empresas disputam profissionais qualificados em um momento de expansão do número de projetos e de maior atividade na construção civil.

Nesse cenário, escala representa uma vantagem competitiva. Companhias maiores conseguem negociar contratos de fornecimento, padronizar métodos construtivos, distribuir equipes entre projetos e administrar melhor a aquisição de insumos.

A Direcional (DIRR3) mantém contratos corporativos com fornecedores e acompanha os custos de cada empreendimento. A incorporadora também adota provisões para inflação nos orçamentos e ajusta os preços dos imóveis ao longo do ciclo de vendas.

A companhia afirmou que uma velocidade de vendas equilibrada permite reprecificar o estoque quando os custos aumentam. Caso todas as unidades sejam vendidas muito rapidamente, a empresa pode perder a oportunidade de repassar a inflação aos preços futuros.

A margem elevada do estoque e a receita contratada a ser reconhecida nos próximos períodos oferecem uma proteção adicional. Ao fim de março, a Direcional tinha R$ 4,1 bilhões em receita a apropriar, com margem de 44,4%.

FGTS permanece como risco para crescimento do setor

A disponibilidade de recursos do FGTS é outro tema acompanhado pelo mercado. O fundo ocupa posição central no financiamento habitacional brasileiro, especialmente nas operações destinadas às famílias de menor renda.

Um eventual limite na oferta de recursos poderia reduzir a velocidade das contratações, aumentar o tempo de aprovação dos financiamentos ou restringir o volume de novos projetos.

O crescimento acelerado das vendas e dos lançamentos elevou a utilização das linhas ligadas ao fundo. Por isso, incorporadoras, bancos e investidores acompanham as decisões do Conselho Curador do FGTS e as discussões sobre orçamento habitacional.

Para o BTG, o risco existe, mas não elimina a tese de investimento nas líderes do setor. Empresas com maior escala, relacionamento consolidado com instituições financeiras e capacidade de atuar em diferentes regiões tendem a administrar melhor eventuais restrições.

A Direcional (DIRR3) também possui acesso a outras estruturas de financiamento e mantém uma operação diversificada entre projetos, faixas de renda e localidades.

Ainda assim, qualquer alteração relevante nos recursos destinados à habitação popular pode provocar volatilidade nas ações, mesmo antes de produzir efeitos concretos nos resultados.

Dívida sobe, mas permanece administrável

A dívida líquida da Direcional encerrou o primeiro trimestre em R$ 612,8 milhões, equivalente a 24% do patrimônio líquido. No fim de 2025, o indicador estava em 23%.

O aumento ocorreu em um contexto de expansão operacional, lançamentos, compra de terrenos e desenvolvimento de novos projetos. A companhia registrou consumo de caixa contábil de R$ 76,5 milhões no trimestre, mas apresentou geração operacional de R$ 35 milhões após a exclusão de efeitos não recorrentes.

Para incorporadoras, o crescimento costuma exigir capital antes do reconhecimento integral das receitas. A empresa compra terrenos, inicia obras e financia parte da produção enquanto os resultados são apropriados conforme a evolução dos empreendimentos.

O risco aparece quando a dívida cresce de forma mais rápida do que as vendas, o caixa e o patrimônio. No caso da Direcional (DIRR3), o BTG avalia que a estrutura de capital continua compatível com a expansão projetada.

A empresa encerrou março com banco de terrenos estimado em quase R$ 60 bilhões em Valor Geral de Vendas. Esse estoque oferece espaço para novos lançamentos, mas exige disciplina para que a expansão não comprometa o retorno sobre o capital.

Lucro acima de R$ 1 bilhão entra no radar do BTG

A projeção do BTG de lucro superior a R$ 1 bilhão em 2027 representa um dos principais pontos da tese para a Direcional (DIRR3).

O banco considera que o crescimento pode ser sustentado pela combinação de demanda habitacional, ampliação do Minha Casa, Minha Vida, lançamentos, reconhecimento da receita contratada e preservação das margens.

A Direcional começou 2026 com lucro trimestral de R$ 213 milhões. Mantido o ritmo de expansão e considerada a sazonalidade dos lançamentos e entregas, a companhia pode se aproximar de uma nova escala anual de resultados.

A projeção, contudo, depende da continuidade das vendas, do controle dos custos, da disponibilidade de financiamento e da execução das obras. Alterações no ambiente econômico também podem afetar os números.

Juros, desemprego, inflação, recursos do FGTS e regras do programa habitacional continuam sendo variáveis importantes. O cenário geopolítico acrescenta risco por meio dos preços de petróleo, câmbio e matérias-primas.

Ainda assim, o BTG entende que os preços atuais das ações já incorporam uma parcela elevada desses riscos. Para o banco, o pessimismo embutido na cotação é maior do que o indicado pelo desempenho operacional da companhia.

Correção abre disputa entre risco macro e fundamentos

O movimento das incorporadoras na Bolsa expõe uma divergência comum entre investidores. De um lado, os fatores macroeconômicos justificam cautela com empresas dependentes de crédito, emprego e confiança do consumidor.

De outro, companhias com execução consistente podem continuar crescendo mesmo em cenários mais difíceis, especialmente quando atuam em mercados sustentados por demanda estrutural e políticas públicas.

A Direcional (DIRR3) está no centro dessa discussão. A ação permanece exposta às oscilações de juros e às decisões sobre o FGTS, mas a empresa apresenta crescimento de receitas, lucro, vendas e margens.

Para o BTG, a recente correção não representa sinal de deterioração estrutural. O banco considera que a queda criou uma relação mais favorável entre risco e retorno, principalmente para investidores dispostos a suportar volatilidade no curto prazo.

A análise não elimina os riscos. Inflação de custos, mão de obra, funding e mudanças regulatórias podem afetar o setor. O ponto central é que as empresas não enfrentam esses fatores com a mesma capacidade.

Resultados colocam Direcional no centro da recuperação das incorporadoras

A visão construtiva apresentada pelos executivos no Real Estate Day reforçou a percepção de que o segmento econômico mantém condições para crescer, embora de maneira mais disciplinada.

O foco das incorporadoras deve permanecer em rentabilidade, velocidade de vendas, preservação de margens e controle da alavancagem. A expansão baseada apenas em volume perdeu espaço para uma estratégia mais seletiva.

Nesse ambiente, escala, acesso a terrenos, capacidade de contratação e relacionamento com agentes financeiros funcionam como barreiras para novos concorrentes.

A Direcional (DIRR3) reúne parte importante desses atributos e encerrou o primeiro trimestre com os principais indicadores operacionais em expansão. O desempenho reduz a distância entre a projeção de lucro bilionário e a situação atual da companhia.

Para investidores, a discussão passa a ser se o desconto das ações é suficiente para compensar os riscos macroeconômicos. Para o BTG, a resposta é positiva: a correção teria ido além do que os fundamentos justificam.

O comportamento dos próximos resultados mostrará se essa diferença será fechada por uma recuperação das ações ou por uma desaceleração dos números operacionais. Até aqui, porém, a Direcional mantém crescimento, margens elevadas e demanda resiliente, combinação que coloca a incorporadora entre os principais nomes acompanhados pelo mercado após o tombo do setor.

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