Captação líquida de fundos atinge R$ 48,5 bilhões em fevereiro e supera R$ 134 bilhões em 2026
A indústria brasileira de fundos de investimento registrou forte entrada de recursos em fevereiro, consolidando um início de ano positivo para o setor. Dados divulgados pela ANBIMA apontam que a captação líquida de fundos alcançou R$ 48,5 bilhões no mês, elevando o total acumulado em 2026 para R$ 134,3 bilhões.
O resultado reforça uma tendência observada desde o início do ano: investidores continuam direcionando recursos principalmente para produtos de renda fixa e estratégias mais previsíveis, em um cenário econômico marcado por incertezas globais e ajustes nas expectativas de juros.
Entre as diversas categorias da indústria, os fundos de renda fixa lideraram as entradas de capital, enquanto segmentos como multimercados e fundos de ações registraram saídas líquidas no período. Ao mesmo tempo, os ETFs (Exchange Traded Funds) ampliaram participação no fluxo de investimentos, confirmando uma mudança estrutural no comportamento dos investidores brasileiros.
A evolução da captação líquida de fundos evidencia uma reconfiguração das estratégias de alocação de recursos no mercado financeiro nacional.
Renda fixa lidera captação líquida de fundos no mês
Os fundos de renda fixa foram responsáveis pelo principal impulso na captação líquida de fundos registrada em fevereiro.
Segundo o levantamento da ANBIMA, essa categoria acumulou entradas líquidas de R$ 55,6 bilhões no mês, resultado ligeiramente inferior aos R$ 58,5 bilhões observados em janeiro, mas ainda suficiente para garantir a liderança no fluxo de recursos.
Dentro desse segmento, o destaque ficou para os fundos de renda fixa duração baixa soberano, que investem integralmente em títulos públicos federais. Esses produtos registraram captação líquida de R$ 18,1 bilhões, consolidando-se como uma das principais portas de entrada de recursos na indústria.
A forte captação líquida de fundos de renda fixa reflete o ambiente macroeconômico atual. Em períodos de maior volatilidade nos mercados financeiros, investidores tendem a priorizar ativos com menor risco de crédito e maior previsibilidade de retorno.
Nesse contexto, títulos públicos federais continuam sendo percebidos como instrumentos seguros, o que reforça a atratividade dos fundos que concentram investimentos nessa classe de ativos.
ETFs ampliam participação na captação líquida de fundos
Outro destaque relevante no relatório da ANBIMA foi o desempenho dos ETFs, que seguem ganhando espaço entre investidores institucionais e pessoas físicas.
Em fevereiro, os ETFs registraram captação líquida de R$ 5,8 bilhões, superando com ampla margem os R$ 3,3 bilhões observados em janeiro.
Grande parte desse fluxo foi direcionada para ETFs de renda fixa, responsáveis por R$ 5 bilhões em entradas líquidas. Já os ETFs de renda variável apresentaram captação de R$ 753,9 milhões.
O crescimento desses instrumentos reflete a modernização da indústria de fundos no Brasil. Os ETFs combinam diversificação, liquidez e custos mais baixos, características que vêm atraindo investidores em busca de maior eficiência na alocação de recursos.
A expansão desse segmento já vinha sendo observada ao longo de 2025, quando a captação líquida de fundos do tipo ETF alcançou R$ 23,1 bilhões, o maior valor desde o início da série histórica da ANBIMA, iniciada em 2004.
Ambiente econômico favorece renda fixa
Especialistas da indústria avaliam que o cenário econômico atual tem favorecido a predominância da renda fixa na captação líquida de fundos.
De acordo com Pedro Rudge, diretor da ANBIMA, o ambiente econômico — tanto doméstico quanto internacional — continua marcado por incertezas que incentivam uma postura mais conservadora por parte dos investidores.
Nesse contexto, a renda fixa tende a permanecer como destino preferencial para novos recursos, especialmente devido à previsibilidade de rendimento e à estabilidade dos ativos.
O aumento da captação líquida de fundos nessa categoria também revela uma mudança no perfil de investimento, com maior busca por proteção de capital e menor tolerância ao risco.
Além disso, a crescente utilização de ETFs para acessar a renda fixa mostra que investidores estão adotando estratégias mais sofisticadas para diversificação de portfólio.
FIDCs também registram entradas de capital
Outra categoria que contribuiu positivamente para a captação líquida de fundos em fevereiro foi a dos fundos de investimento em direitos creditórios (FIDCs).
Esses fundos encerraram o mês com captação líquida de R$ 1,1 bilhão, concentrada principalmente em um fundo ligado ao setor financeiro.
Os FIDCs desempenham papel relevante no financiamento de empresas e na estruturação de operações de crédito no mercado brasileiro. Ao investir em recebíveis — como duplicatas, contratos e parcelas de financiamento — esses fundos permitem que investidores tenham acesso a oportunidades de rendimento vinculadas ao crédito corporativo.
A entrada líquida de recursos nessa categoria reforça a diversidade de estratégias presentes na indústria e contribui para sustentar a captação líquida de fundos do setor.
Multimercados lideram resgates no mês
Apesar do desempenho positivo da indústria como um todo, algumas categorias registraram saída de recursos em fevereiro.
Os fundos multimercado foram os que apresentaram maior volume de resgates, com saídas líquidas de R$ 7,9 bilhões no mês.
Esses fundos costumam investir em diferentes classes de ativos, incluindo renda fixa, ações, moedas e derivativos. A flexibilidade estratégica permite explorar oportunidades em diversos mercados, mas também expõe investidores a maior volatilidade.
Mesmo com o resultado negativo em fevereiro, o acumulado do ano ainda permanece positivo. Em 2026, os multimercados registram captação líquida de R$ 11,6 bilhões.
Ainda assim, o movimento recente indica que parte dos investidores optou por migrar para estratégias mais conservadoras.
Fundos de ações registram saída de recursos
Outro segmento que apresentou desempenho negativo na captação líquida de fundos foi o de fundos de ações.
De acordo com os dados da ANBIMA, esses fundos tiveram resgates líquidos de R$ 4,7 bilhões em fevereiro.
No acumulado de 2026, o saldo permanece negativo, com saídas líquidas de R$ 6,9 bilhões.
Entre os fundos de ações, os produtos classificados como livres — que não seguem uma estratégia específica de investimento — concentraram a maior parte dos resgates.
Esse comportamento pode estar relacionado à volatilidade dos mercados acionários e às incertezas sobre o cenário econômico global.
Previdência, FIPs e fundos cambiais também registram saídas
Além dos multimercados e dos fundos de ações, outras categorias também tiveram desempenho negativo na captação líquida de fundos.
Os fundos de previdência registraram resgates líquidos de R$ 1 bilhão, enquanto os fundos de investimento em participações (FIPs) tiveram saídas de R$ 221 milhões.
Já os fundos cambiais apresentaram resgates líquidos de R$ 204,1 milhões no período.
Esses movimentos refletem ajustes nas carteiras de investimento, realizados por gestores e investidores diante das mudanças no cenário econômico.
Rentabilidade dos fundos varia entre as categorias
Além da captação líquida de fundos, a rentabilidade das diferentes categorias também foi destaque no relatório da ANBIMA.
No segmento de renda fixa, os fundos duração alta soberano lideraram os ganhos em fevereiro, com rentabilidade média de 1,30%.
Entre os multimercados, os fundos macro registraram o melhor desempenho, com retorno de 1,39% no mês. Esses fundos adotam estratégias baseadas em análises macroeconômicas e podem investir em diversas classes de ativos.
Já entre os fundos de ações, o destaque foi para os fundos FMP-FGTS, que apresentaram rentabilidade de 7,82%. Esses produtos concentram investimentos em empresas ligadas a programas de privatização.
Na sequência aparecem os fundos mono ações, que registraram retorno de 5,53% no período.
Indústria de fundos mantém expansão no Brasil
A evolução da captação líquida de fundos ao longo de 2026 confirma a força da indústria brasileira de gestão de recursos.
Com mais de R$ 134 bilhões captados apenas nos dois primeiros meses do ano, o setor continua desempenhando papel central no financiamento da economia e na diversificação de investimentos.
A ampliação do acesso a plataformas digitais, a maior educação financeira dos investidores e o desenvolvimento de novos produtos contribuíram para fortalecer o mercado de fundos no país.
Além disso, a crescente competição entre gestoras tem impulsionado a inovação e a eficiência operacional, fatores que tendem a beneficiar investidores no longo prazo.
Fluxo de recursos revela mudança no comportamento dos investidores
O desempenho da captação líquida de fundos também revela transformações no comportamento dos investidores brasileiros.
Com maior acesso à informação e a ferramentas de análise financeira, investidores passaram a adotar estratégias mais diversificadas e disciplinadas de alocação de recursos.
Esse movimento favorece a expansão da indústria de fundos e fortalece o papel das gestoras na construção de portfólios adaptados a diferentes perfis de risco.
Ao mesmo tempo, a preferência crescente por renda fixa e ETFs mostra que investidores estão priorizando eficiência, liquidez e previsibilidade de resultados.





