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Ceratti terá novo dono após 9 anos: Grupo Zanchetta acerta compra da marca

Dono de Alliz, Mondelli e Frangoeste assumirá a operação brasileira de frios e charcutaria da Hormel Foods; negócio ainda depende da aprovação do Cade.

por João Souza
29/06/2026 às 19h00
em Empresas
Ceratti

A Ceratti está prestes a mudar de dono após nove anos sob o controle da americana Hormel Foods (HRL). O Grupo Zanchetta acertou a compra da totalidade da operação brasileira da tradicional fabricante de mortadelas, salames, presuntos, linguiças e outros produtos de charcutaria.

O valor da transação não foi divulgado. A conclusão do negócio ainda depende da aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), do cumprimento das condições previstas no contrato e do aval dos demais órgãos competentes.

Leia também: Bitcoin sustenta US$ 75 mil com compra bilionária da Strategy e forte entrada em ETFs.

Até o fechamento da operação, previsto para as próximas semanas, Ceratti e Grupo Zanchetta continuarão funcionando de maneira independente. A produção, o atendimento aos clientes e o relacionamento com fornecedores serão mantidos normalmente durante o período de análise regulatória.

A aquisição marca a entrada do Grupo Zanchetta no segmento de suínos processados de maior valor agregado. A companhia já controla as marcas Alliz, Mondelli e Frangoeste e possui atuação consolidada nas cadeias de carnes de frango e bovina.

Com a Ceratti, o grupo acrescenta ao portfólio uma marca com mais de 90 anos de história, forte presença no varejo e atuação em categorias como mortadela, salame, presunto, bacon, linguiça, salsicha, copa, pastrami e carnes defumadas.

A operação contou com assessoria do Santander (SANB11), segundo as informações divulgadas sobre o negócio.

Ceratti amplia presença do Grupo Zanchetta no varejo

A compra representa um avanço importante da Zanchetta no mercado voltado diretamente ao consumidor.

Embora o grupo já esteja presente na indústria de proteína animal, a Ceratti possui maior exposição nas gôndolas de supermercados, empórios, padarias e lojas especializadas. A empresa também atende restaurantes, hotéis, lanchonetes e outros clientes do setor de alimentação fora do lar.

A operação permite que a Zanchetta amplie sua presença em produtos industrializados, nos quais a marca, a receita, a embalagem e a experiência de consumo possuem papel decisivo na formação do preço.

Esse segmento tende a oferecer oportunidades diferentes das encontradas nas carnes in natura. Enquanto cortes tradicionais são mais expostos aos ciclos de oferta, às commodities e à competição por preço, os processados permitem maior diferenciação e agregação de valor.

A Ceratti construiu seu posicionamento com base na tradição da charcutaria italiana, em técnicas de cura e maturação e na produção de itens voltados tanto ao consumo cotidiano quanto a ocasiões especiais.

O Grupo Zanchetta afirmou que pretende fortalecer o negócio no longo prazo, aumentar a competitividade e aproveitar as competências complementares das empresas e de seus profissionais.

Marca foi comprada pela Hormel Foods em 2017

A Hormel Foods adquiriu a Cidade do Sol, empresa responsável pela Ceratti, em agosto de 2017. Na ocasião, a multinacional desembolsou aproximadamente US$ 104 milhões para entrar no mercado brasileiro.

A compra representou a primeira grande operação da Hormel na América do Sul. A companhia americana pretendia utilizar a Ceratti como plataforma para ampliar sua presença regional no mercado de alimentos processados.

Naquele momento, a fabricante brasileira oferecia mais de 70 produtos distribuídos por 15 categorias. Atualmente, a Ceratti reúne mais de 100 itens destinados ao varejo e ao mercado de food service.

A empresa foi fundada em 1932 e se tornou conhecida principalmente pela Mortadela Bologna Ceratti, produto associado aos tradicionais sanduíches vendidos no Mercado Municipal de São Paulo.

Ao longo das décadas, a marca ampliou seu portfólio para salames, presuntos, linguiças, salsichas, carnes defumadas, produtos suínos e linhas de maior valor agregado.

Com a conclusão da venda, a Ceratti retornará ao controle de um grupo brasileiro depois de quase uma década integrada à estrutura internacional da Hormel Foods.

Por que a Hormel Foods decidiu vender a Ceratti

A Hormel Foods informou que a venda faz parte de uma estratégia de simplificação de seu portfólio internacional.

A companhia pretende concentrar investimentos e recursos nos mercados que considera mais promissores para o crescimento de longo prazo. Dentro desse processo, a operação brasileira deixou de ocupar uma posição central na estratégia global.

A Hormel controla marcas como Spam, Skippy, Planters, Applegate, Jennie-O e Hormel Natural Choice. O grupo registra receita anual superior a US$ 12 bilhões e possui participação em diferentes categorias de alimentos nos Estados Unidos e em outros mercados.

Apesar da relevância da Ceratti no Brasil, a Hormel afirmou que a venda deverá produzir impacto mínimo sobre seus resultados ajustados do exercício fiscal de 2026.

A empresa não informou o valor negociado com a Zanchetta nem revelou se a transação resultará em ganho ou perda contábil em comparação com o montante pago em 2017.

Mais detalhes poderão ser apresentados na divulgação dos resultados da Hormel referentes ao terceiro trimestre fiscal de 2026.

Compra transforma Zanchetta em grupo multiproteína

A Ceratti acrescenta uma nova proteína e novas categorias à estrutura do Grupo Zanchetta.

A Alliz está associada principalmente à produção de frango, enquanto a Mondelli possui atuação em carne bovina. A Frangoeste também integra o portfólio de aves do grupo.

Com a aquisição, a Zanchetta amplia sua exposição à carne suína e passa a disputar espaço de forma mais direta no mercado de frios, embutidos e charcutaria premium.

Essa diversificação pode reduzir a dependência de uma única cadeia produtiva e criar novas oportunidades de distribuição, desenvolvimento de produtos e negociação com grandes redes varejistas.

O grupo também poderá aproveitar estruturas comerciais e logísticas já existentes para ampliar a presença da Ceratti em regiões nas quais a marca ainda possui menor participação.

A integração poderá gerar ganhos em compras, transporte, distribuição, relacionamento com supermercados e desenvolvimento de produtos. Essas sinergias, entretanto, somente poderão ser executadas depois da aprovação regulatória e da conclusão formal da aquisição.

Cade analisará efeitos da aquisição

O Cade deverá examinar se a operação pode provocar concentração excessiva ou prejudicar a concorrência em algum segmento da indústria de alimentos.

A análise poderá considerar a participação das empresas nos mercados de carnes processadas, frios, embutidos, distribuição e fornecimento para supermercados e estabelecimentos de alimentação.

Como a aquisição marca a entrada da Zanchetta em uma área na qual o grupo ainda não possuía presença equivalente à da Ceratti, o negócio possui características de expansão para um novo segmento.

Mesmo assim, a autoridade concorrencial poderá solicitar informações adicionais sobre produção, clientes, fornecedores, participação de mercado e possíveis sobreposições comerciais.

O Cade poderá aprovar a operação sem restrições, impor condições para sua conclusão ou, em uma hipótese menos provável, rejeitar o negócio.

Até que o processo seja encerrado, as duas empresas não poderão integrar suas administrações, compartilhar informações comercialmente sensíveis ou coordenar decisões estratégicas.

Ceratti coloca Zanchetta em mercado disputado

O setor brasileiro de carnes processadas reúne grandes companhias, cooperativas, fabricantes regionais e marcas especializadas.

A Zanchetta passará a concorrer com empresas que possuem ampla capacidade industrial, redes de distribuição nacionais e investimentos elevados em publicidade, inovação e relacionamento com o varejo.

A compra de uma marca consolidada reduz parte das barreiras de entrada. Em vez de construir do zero uma operação de charcutaria, o grupo assume uma empresa com fábrica, portfólio, distribuição, clientes e reconhecimento entre os consumidores.

O principal desafio será expandir a Ceratti sem enfraquecer seu posicionamento premium.

A marca está associada à tradição, à seleção de ingredientes e a processos como defumação natural, cura lenta e maturação. Esses atributos permitem praticar preços superiores aos de linhas mais populares, mas também exigem controle de qualidade e consistência.

Mudanças excessivas em receitas, embalagens ou posicionamento poderiam provocar resistência entre consumidores habituais. Por outro lado, a manutenção de uma estratégia muito restrita poderia limitar o potencial de crescimento pretendido pela Zanchetta.

Negócio abre caminho para novos produtos

A união das estruturas poderá favorecer a criação de produtos que combinem diferentes tipos de proteína e atendam à demanda por conveniência.

A Ceratti já atua além da mortadela tradicional, com itens voltados a lanches, tábuas de frios, refeições rápidas, receitas elaboradas e consumo fora do lar.

O Grupo Zanchetta poderá explorar linhas porcionadas, produtos fatiados, alimentos prontos para consumo e soluções destinadas a restaurantes e cozinhas profissionais.

A presença conjunta nas cadeias de aves, bovinos e suínos também poderá ampliar a capacidade de negociação com supermercados e distribuidores.

Em vez de oferecer apenas uma categoria, o grupo poderá apresentar um portfólio mais completo a grandes clientes, aumentando sua presença nos pontos de venda.

O avanço, entretanto, exigirá investimentos em inovação, marketing, tecnologia, controle sanitário e expansão logística.

Ceratti será peça central na nova fase da Zanchetta

A aquisição da Ceratti é um dos movimentos mais relevantes da história recente do Grupo Zanchetta.

O negócio leva a companhia para um segmento com maior proximidade do consumidor, fortalece sua presença no varejo e acrescenta ao portfólio uma marca tradicional da indústria brasileira de alimentos.

Para a Hormel Foods, a venda encerra uma estratégia iniciada em 2017, quando a multinacional utilizou a Ceratti para entrar no Brasil e ampliar sua presença na América do Sul.

Para a Zanchetta, a transação oferece uma plataforma pronta para crescer no mercado de produtos processados e de maior valor agregado.

O resultado dependerá da aprovação do Cade, da preservação da identidade da Ceratti e da capacidade de integrar as operações sem comprometer a qualidade que sustenta a reputação da marca.

Se a compra for concluída, a Ceratti voltará ao controle brasileiro e se tornará o principal ativo da Zanchetta em sua expansão para o mercado de charcutaria, frios e embutidos premium.

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