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China proíbe exportações para 10 empresas dos EUA e amplia guerra comercial com Washington

Pequim mira empresas ligadas à defesa e terras raras após restrições americanas contra grupos chineses de tecnologia e indústria.

por Eduardo Toscano
23/06/2026 às 12h26
em Economia
China Proíbe Exportações Para 10 Empresas Dos Eua E Amplia Guerra Comercial Com Washington-Gazeta Mercantil

A China anunciou nesta segunda-feira (22) a inclusão de dez empresas dos Estados Unidos em sua lista de controle de exportações, ampliando a disputa comercial e tecnológica entre as duas maiores economias do mundo. A medida impede que companhias chinesas forneçam produtos de dupla utilização às empresas atingidas, entre elas importantes grupos ligados à indústria de defesa, drones, sistemas militares e à cadeia de terras raras, considerada estratégica para a segurança nacional americana.

A decisão foi divulgada pelo Ministério do Comércio da China e ocorre poucas semanas após Washington ampliar restrições contra empresas chinesas acusadas de manter vínculos com o Exército de Libertação Popular. Segundo o governo chinês, as companhias americanas sancionadas possuem relações diretas com as Forças Armadas dos Estados Unidos e representam riscos à segurança nacional do país asiático.

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O novo movimento eleva o nível da guerra comercial entre China e Estados Unidos em um momento de crescente rivalidade geopolítica envolvendo tecnologia, semicondutores, inteligência artificial, minerais críticos e defesa.

Além das restrições às exportações, Pequim anunciou sanções adicionais contra outras 46 empresas americanas, reforçando uma estratégia de retaliação econômica que vem ganhando intensidade desde o retorno de Donald Trump à Casa Branca.

Empresas ligadas a defesa e minerais estratégicos estão entre os principais alvos

Entre as empresas incluídas na lista chinesa estão a MP Materials e a USA Rare Earth, duas das principais companhias americanas envolvidas no desenvolvimento da cadeia doméstica de terras raras.

Esses minerais são considerados essenciais para a produção de equipamentos militares, baterias, motores elétricos, turbinas eólicas, veículos elétricos e dispositivos eletrônicos de alta tecnologia.

A MP Materials opera a única mina ativa de terras raras dos Estados Unidos e conta com apoio financeiro do Pentágono para reduzir a dependência americana da produção chinesa.

Já a USA Rare Earth vem investindo na construção de uma cadeia produtiva integrada, abrangendo desde a extração mineral até a fabricação de ímãs permanentes utilizados em aplicações industriais e militares.

Também foram incluídas empresas ligadas ao setor de defesa e tecnologia militar, como Aveox, Red Cat Holdings, Teal Drones, IMSAR, Jaia Robotics, Ball Aerospace & Technologies, Oshkosh Defense e L3 Harris Maritime Services.

A inclusão na lista significa que fornecedores chineses ficam proibidos de exportar para essas companhias itens classificados como de dupla utilização — produtos ou tecnologias que possuem aplicações civis, mas que também podem ser empregados em atividades militares.

Segundo o Ministério do Comércio chinês, todas as operações em andamento deverão ser interrompidas imediatamente.

Na prática, a medida representa um endurecimento relevante das regras existentes. Antes, algumas exportações podiam ser realizadas mediante licenças específicas. Agora, a restrição passa a funcionar como uma proibição efetiva.

Terras raras voltam ao centro da disputa entre as potências

O foco nas empresas de terras raras evidencia a crescente importância dos minerais críticos na competição estratégica entre Washington e Pequim.

A China domina atualmente grande parte da produção mundial e, principalmente, das etapas de processamento desses minerais, o que lhe confere vantagem relevante em diversas cadeias industriais globais.

Nos últimos anos, os Estados Unidos intensificaram esforços para reduzir essa dependência.

Diversos programas federais passaram a incentivar investimentos em mineração, refino e fabricação de componentes ligados às terras raras dentro do território americano.

A inclusão de empresas do setor entre os alvos das sanções chinesas é interpretada por analistas como um sinal de que Pequim está disposta a utilizar sua posição dominante nesse mercado como instrumento de pressão geopolítica.

O movimento também reforça preocupações de investidores e fabricantes sobre possíveis gargalos de fornecimento para setores considerados estratégicos, incluindo defesa, automóveis elétricos, energia renovável e semicondutores.

A disputa em torno dos minerais críticos tornou-se um dos principais capítulos da competição econômica entre as duas potências.

Retaliação responde à ofensiva americana contra empresas chinesas

O anúncio chinês ocorre após uma série de medidas adotadas por Washington contra grupos chineses.

No início de junho, o Departamento de Defesa dos Estados Unidos ampliou sua lista de empresas classificadas como colaboradoras do aparato militar chinês.

A relação passou a incluir 188 companhias, incorporando novos nomes dos setores de tecnologia, inteligência artificial, telecomunicações, biotecnologia e veículos elétricos.

Entre os grupos adicionados estão a gigante do comércio eletrônico Alibaba, o buscador Baidu, a montadora BYD, as fabricantes de chips CXMT e YMTC, além das empresas de robótica Unitree e Robosense Technology.

Segundo o governo americano, essas companhias atenderiam aos critérios legais para serem classificadas como “empresas militares chinesas” que operam ou mantêm interesses relevantes nos Estados Unidos.

Embora a inclusão na lista não represente sanções econômicas automáticas, ela gera restrições significativas para contratos governamentais.

Uma legislação recente determina que o Departamento de Defesa deixará de contratar diretamente empresas presentes na relação e, a partir de 2027, também não poderá adquirir seus produtos por meio de fornecedores terceirizados.

A medida faz parte de uma estratégia mais ampla adotada por Washington para reduzir a exposição a tecnologias consideradas sensíveis e limitar a influência chinesa em setores estratégicos.

Empresas chinesas contestam acusações de ligação com militares

As companhias chinesas atingidas pelas restrições americanas rejeitaram as acusações.

A BYD afirmou que sua inclusão na lista não possui base factual e declarou que suas atividades são exclusivamente comerciais.

O Alibaba também contestou a decisão, afirmando não possuir qualquer vínculo com estruturas militares chinesas.

A empresa informou que pretende utilizar os instrumentos jurídicos disponíveis para questionar sua classificação perante as autoridades americanas.

Posição semelhante foi adotada pela Baidu e pela WuXi AppTec.

As companhias alegam que a designação gera danos reputacionais e pode afetar negócios, parcerias e investimentos internacionais.

A Embaixada da China nos Estados Unidos classificou a lista americana como discriminatória e acusou Washington de utilizar instrumentos regulatórios para prejudicar empresas chinesas.

Segundo representantes diplomáticos chineses, os Estados Unidos deveriam garantir um ambiente de negócios mais previsível e menos sujeito a interferências políticas.

Escalada aumenta incertezas para investidores globais

A nova rodada de restrições ocorre em um ambiente de crescente fragmentação econômica global.

Nos últimos anos, empresas multinacionais vêm sendo pressionadas a reorganizar cadeias de suprimentos para reduzir riscos geopolíticos associados à rivalidade entre China e Estados Unidos.

A expansão das listas de restrições comerciais por ambos os governos amplia a incerteza para investidores e aumenta custos operacionais para setores altamente dependentes de comércio internacional.

Especialistas apontam que o impacto imediato das medidas pode ser limitado para algumas companhias específicas, mas o efeito estrutural tende a ser mais relevante.

O principal risco está na aceleração do processo de desacoplamento tecnológico entre as duas economias, fenômeno que já afeta segmentos como semicondutores, inteligência artificial, telecomunicações e minerais estratégicos.

Mercados financeiros acompanham com atenção os desdobramentos porque a escalada das tensões pode afetar investimentos, fluxos comerciais e expectativas de crescimento global.

Além disso, a disputa ocorre em um momento em que diversas economias ainda enfrentam desafios relacionados à desaceleração industrial, inflação persistente e reorganização das cadeias globais de produção.

Encontro entre Trump e Xi não impediu agravamento das tensões bilaterais

O endurecimento das medidas comerciais ocorre menos de dois meses após o encontro entre o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o presidente da China, Xi Jinping.

A reunião realizada em Pequim foi marcada por declarações diplomáticas positivas e tentativas de reduzir atritos entre as duas potências.

Apesar do tom cordial adotado publicamente pelos líderes, temas considerados sensíveis permaneceram sem solução.

Questões envolvendo Taiwan, segurança nacional, transferência de tecnologia, comércio exterior e defesa continuaram sendo pontos centrais de divergência.

A nova rodada de restrições demonstra que, mesmo com esforços diplomáticos para manter canais de diálogo abertos, a competição estratégica entre Washington e Pequim segue avançando em múltiplas frentes.

Ao atingir empresas ligadas à defesa e às terras raras, a China envia um sinal de que pretende responder diretamente às iniciativas americanas em setores considerados prioritários para sua segurança econômica e militar, ampliando a pressão sobre uma relação bilateral que continua sendo um dos principais fatores de influência sobre os mercados globais.

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