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Confiança do consumidor cai em maio e acende alerta para varejo e economia

Índice da FGV recuou para 88,8 pontos após duas altas seguidas, pressionado pela piora das expectativas para os próximos meses.

por Camila Braga
25/05/2026 às 10h52
em Economia
Confiança Do Consumidor Cai Em Maio E Acende Alerta Para Varejo E Economia - Gazeta Mercantil - Economia

A confiança do consumidor brasileiro recuou em maio e interrompeu uma sequência de duas altas consecutivas, segundo dados divulgados pelo FGV IBRE. O Índice de Confiança do Consumidor (ICC) caiu 0,3 ponto no mês, para 88,8 pontos, em um movimento que indica maior cautela das famílias em relação aos próximos meses.

Apesar da queda mensal, a média móvel trimestral avançou 0,9 ponto, para 88,7 pontos. O dado mostra que a tendência recente ainda preserva alguma recuperação, mas o resultado de maio sinaliza perda de fôlego no humor dos consumidores.

Leia também: Supermercados fechados aos domingos mudam consumo e forçam reestruturação no varejo.

Segundo a economista Anna Carolina Gouveia, do FGV IBRE, o recuo representa uma acomodação após as altas recentes. A piora foi puxada principalmente pela revisão das expectativas futuras, enquanto a percepção sobre a situação atual continuou melhorando.

Expectativas piores puxam queda da confiança

O principal fator por trás da queda da confiança do consumidor em maio foi o desempenho do Índice de Expectativas (IE), que recuou 1,0 ponto, para 91,3 pontos.

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O indicador mede como os consumidores enxergam os próximos meses em relação à economia, à renda familiar e à situação financeira. Quando esse componente cai, o sinal é de que as famílias estão mais prudentes antes de assumir novos gastos, contratar crédito ou fazer compras de maior valor.

Entre os componentes avaliados pela FGV, houve piora nas expectativas para a economia local e para a situação financeira das famílias. O movimento sugere que parte dos consumidores voltou a demonstrar preocupação com inflação, juros, renda e estabilidade do mercado de trabalho.

Essa cautela pode afetar diretamente o varejo e o setor de serviços, especialmente em segmentos que dependem de consumo parcelado, crédito e confiança na renda futura.

Situação atual melhora e atinge maior nível desde 2014

Na direção oposta às expectativas, o Índice de Situação Atual (ISA) subiu 0,8 ponto em maio, para 86,1 pontos. O resultado levou o indicador ao maior patamar desde dezembro de 2014.

A melhora do ISA mostra que os consumidores avaliam melhor as condições presentes. Isso pode refletir percepção mais favorável sobre emprego, renda corrente e capacidade de consumo no curto prazo.

O contraste entre situação atual e expectativas, porém, revela um quadro dividido. O consumidor enxerga alguma melhora no presente, mas demonstra incerteza sobre os próximos meses.

Esse tipo de comportamento costuma aparecer em períodos de transição econômica. Mesmo quando o mercado de trabalho mostra alguma resiliência, dúvidas sobre inflação, juros e endividamento podem limitar o otimismo das famílias.

Intenção de compra de bens duráveis avança

Apesar da queda do índice geral, a intenção de compra de bens duráveis avançou em maio. Esse componente mede a disposição dos consumidores para adquirir produtos de maior valor, como eletrodomésticos, móveis, eletrônicos e veículos.

O avanço indica que parte das famílias ainda considera realizar compras planejadas, especialmente quando há necessidade de reposição ou oportunidade de preço.

No entanto, o cenário ainda exige cautela. Bens duráveis dependem fortemente de crédito, parcelamento e confiança na renda futura. Com juros elevados, o custo do financiamento segue como um obstáculo para uma recuperação mais forte desse tipo de consumo.

Por isso, a melhora na intenção de compra não elimina o sinal negativo vindo das expectativas. O dado mostra algum apetite pontual, mas ainda dentro de um ambiente econômico incerto.

Renda intermediária foi a mais afetada

A queda da confiança em maio foi concentrada entre consumidores com renda mensal entre R$ 2.100 e R$ 4.800. Esse grupo costuma ser mais sensível a mudanças no custo de vida, no crédito e no comprometimento da renda.

Famílias nessa faixa sentem com mais intensidade a pressão de despesas essenciais, como alimentação, transporte, aluguel, energia e serviços. Também tendem a depender mais de parcelamento para compras de maior valor.

A piora nesse grupo ajuda a explicar o recuo das expectativas. Mesmo com melhora na avaliação da situação atual, parte relevante dos consumidores ainda vê os próximos meses com cautela.

Esse comportamento é importante para o varejo, porque a renda intermediária costuma ter peso relevante no consumo de bens duráveis, supermercados, farmácias, serviços e compras parceladas.

Juros e inflação ainda pesam sobre o consumo

A confiança do consumidor é um indicador relevante porque antecipa tendências de consumo. Quando o índice cai, o mercado interpreta que as famílias podem reduzir gastos, adiar compras e evitar novas dívidas.

Em maio, o recuo ocorre em um ambiente ainda marcado por juros elevados, crédito mais seletivo e inflação resistente em algumas categorias. Mesmo quando há melhora no emprego ou na renda, o consumidor tende a agir com prudência se percebe risco de alta de preços ou aumento do endividamento.

A queda das expectativas mostra que as famílias ainda não enxergam um cenário plenamente favorável para os próximos meses. Essa percepção pode limitar a velocidade de recuperação da atividade econômica.

Para empresas, especialmente no varejo, o resultado reforça a necessidade de atenção ao comportamento do consumidor, às condições de pagamento e à oferta de crédito.

Resultado indica cautela para os próximos meses

O resultado de maio mostra uma confiança do consumidor ainda frágil. A melhora da situação atual é positiva, mas a queda das expectativas indica que as famílias seguem preocupadas com o futuro.

Para a economia, o sinal é misto. De um lado, o consumidor reconhece alguma melhora no presente. De outro, ainda evita assumir compromissos maiores diante das incertezas.

A média móvel trimestral em alta mostra que a recuperação recente não foi totalmente interrompida, mas o recuo mensal acende um alerta. Se as expectativas continuarem piorando, o consumo pode perder força nos próximos meses.

O dado da FGV será acompanhado pelo mercado em conjunto com inflação, juros, renda e mercado de trabalho. Esses fatores serão decisivos para definir se a confiança volta a subir ou se a cautela das famílias continuará limitando o ritmo da economia.

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