terça-feira, 18 de agosto de 2026
contato@gazetamercantil.com
GAZETA MERCANTIL
GAZETA MERCANTIL
GAZETA MERCANTIL
Home Brasil

Contratos do Exército com empresas investigadas somam milhões e levantam suspeitas

por Gabriel Monteiro
09/05/2025 às 16h14
em Brasil
Contratos Do Exército Com Empresas Investigadas Somam Milhões E Levantam Suspeitas - Gazeta Mercantil -

Contratos do Exército com empresas investigadas somam milhões e levantam suspeitas


Empresa alvo de investigação por fraudes no INSS firmou 13 contratos com o Exército desde 2019; cinco ainda estão ativos, totalizando R$ 3,3 milhões

O Exército Brasileiro mantém cinco contratos em vigor com a Orleans Viagens e Turismo, empresa que está no centro de uma investigação da Polícia Federal (PF). O caso ganha destaque por envolver possível desvio de recursos públicos, fraudes contra beneficiários do INSS e a manutenção de contratos públicos mesmo com indícios de irregularidades.

Desde 2019, a Orleans Viagens e Turismo firmou 13 contratos com o Exército, abrangendo as gestões de Jair Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Os acordos foram viabilizados por licitações conduzidas pelo Ministério da Defesa e tinham como objeto a prestação de serviços de agenciamento de viagens, com compra de passagens aéreas e rodoviárias para servidores militares.

O que mais chama atenção é o fato de que, mesmo com a empresa sob suspeita, cinco desses contratos continuam ativos, somando um valor de R$ 3,3 milhões. O maior deles, ainda em vigência, está avaliado em R$ 2,2 milhões.


Contratos públicos com empresas sob suspeita: prática recorrente?

A manutenção de contratos do Exército com empresas investigadas levanta questionamentos sobre os critérios utilizados por órgãos públicos ao contratar prestadores de serviço. A legislação atual permite a participação de empresas em licitações mesmo que elas estejam sendo investigadas, desde que não haja condenação definitiva. No entanto, o contexto de uma apuração da PF pode gerar desgaste à imagem da administração pública e indicar falhas nos mecanismos de controle e compliance.

Especialistas em direito administrativo apontam que, embora juridicamente viável, a permanência de empresas sob investigação como fornecedoras do Estado pode comprometer a transparência e a integridade dos contratos públicos. Além disso, abre margem para questionamentos sociais e institucionais, especialmente quando há envolvimento de verbas que deveriam ser destinadas à população mais vulnerável, como aposentados e pensionistas.


Investigação aponta repasses de origem duvidosa

Segundo a Polícia Federal, a Orleans Viagens e Turismo está sendo investigada por receber R$ 5 milhões da Contag (Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura), entre março de 2020 e novembro de 2024. Os valores teriam sido destinados à aquisição de 16 salas comerciais em São Bernardo do Campo (SP).

O mais grave é que esses recursos podem ter origem em desvios de valores do INSS, segundo as autoridades. A PF apura se houve descontos irregulares nos benefícios de aposentados e pensionistas, configurando um esquema de fraude contra o sistema de seguridade social. A empresa, no entanto, nega qualquer envolvimento em irregularidades e afirma que todos os contratos foram legalmente firmados e estão sendo devidamente cumpridos.


Contratos do Exército com empresas investigadas: falha no controle ou escolha consciente?

A permanência de vínculos contratuais com empresas sob suspeita não é exclusividade do Exército. Órgãos públicos em diferentes esferas já foram alvos de críticas por manter relações comerciais com fornecedores problemáticos. O caso da Orleans Viagens e Turismo ganha destaque por envolver simultaneamente duas instituições públicas de grande alcance nacional: o Exército e o INSS.

A questão que se impõe é: os mecanismos de compliance e fiscalização do poder público são suficientes para evitar o uso indevido de recursos públicos? No caso em análise, o histórico da empresa e sua exposição em investigações deveriam ter acendido alertas nos setores responsáveis por auditorias e controle interno.


R$ 3,3 milhões em contratos em vigor: como esse valor é distribuído?

Dos cinco contratos ativos entre o Exército e a Orleans Viagens e Turismo, o de maior valor chega a R$ 2,2 milhões. Os demais, somados, completam os R$ 3,3 milhões em compromissos financeiros ainda vigentes com a empresa. Os serviços prestados envolvem principalmente intermediação na compra de passagens aéreas e rodoviárias, um setor altamente sensível a sobrepreços e fraudes quando não há controle rigoroso sobre notas fiscais, tarifas, comissões e justificativas de deslocamento.

A ausência de informações públicas detalhadas sobre a execução contratual — como relatórios de viagens, usuários dos serviços e comprovação das passagens emitidas — dificulta a fiscalização por parte da sociedade civil.


Impacto institucional: como esse caso afeta o Exército Brasileiro?

A associação entre o Exército e uma empresa sob investigação da PF tem implicações que vão além do aspecto financeiro. A imagem da instituição militar pode ser afetada negativamente, sobretudo em um contexto de polarização política e crescente cobrança por integridade na gestão pública.

Embora o Exército não esteja sendo investigado, o simples fato de manter contratos com uma empresa citada em operações policiais pode ser interpretado como descuido com a reputação institucional e com o zelo pelo dinheiro público. Em tempos de combate à corrupção, a percepção pública se torna tão relevante quanto a legalidade formal.


O que diz a empresa Orleans Viagens e Turismo?

A empresa investigada alega que atua há mais de uma década no setor de turismo, oferecendo serviços tanto para o setor público quanto privado. Em nota oficial, a Orleans Viagens afirma que todos os contratos foram firmados dentro da legalidade e que os serviços prestados seguem padrões de transparência, com envio de relatórios, faturas e prestações de contas exigidas por lei.

Ainda segundo a empresa, não há qualquer irregularidade nas contrataçõescom o Exército Brasileiro, e os repasses de valores pela Contag teriam sido utilizados conforme o planejamento empresarial.


Contratos do Exército com empresas investigadas e o impacto na política nacional

A conexão entre órgãos federais e empresas citadas em investigações tende a ter repercussão política relevante, especialmente quando envolve temascomo fraudes no INSS e possível apropriação indevida de recursos destinados a programas sociais. Deputados e senadores da oposição e da base governista já manifestaram interesse em acompanhar o desdobramento da apuração e pressionar por medidas corretivas, caso as suspeitas se confirmem.


O que esperar das próximas etapas da investigação?

A Polícia Federal segue colhendo depoimentos, analisando documentos e rastreando o destino dos recursos transferidos à Orleans Viagens e Turismo. Caso seja comprovada a origem ilícita dos valores utilizados na aquisição dos imóveis, e se confirmada a relação direta com contratos públicos, novas frentes de investigação podem se abrir.

O caso pode se transformar em um novo escândalo envolvendo o uso de empresas de fachada ou laranjas para esquentar recursos desviados de programas públicos, como já ocorreu em outras operações da PF. O acompanhamento de cada fase será essencial para avaliar os desdobramentos legais e políticos.


O caso envolvendo os contratos do Exército com empresas investigadas como a Orleans Viagens e Turismo expõe uma fragilidade estrutural nos sistemas de controle de contratações públicas. Embora juridicamente amparadas, as relações com empresas sob suspeita causam danos reputacionais, levantam dúvidas sobre a eficiência da gestão pública e revelam possíveis brechas que ainda permitem o uso indevido de verbas públicas em pleno 2025.

Tags: Brasilcontratos com empresas investigadascontratos públicos investigadosempresas investigadas por corrupçãoExército Brasileirofraudes no INSSinvestigação PF contratos públicoslicitações ExércitoOrleans Viagens e TurismoPolícia Federal

LEIA MAIS

Pcc: Operador Financeiro Teria Movimentado Us$ 13,6 Milhões Na Baixada Santista
Brasil

PCC: operador financeiro teria movimentado US$ 13,6 milhões na Baixada Santista

Apontado pelo Ministério Público de São Paulo como integrante da estrutura financeira do Primeiro Comando da Capital (PCC), Wagner Rodrigo dos Santos, conhecido como “Branquinho” ou “Peixeiro”, teria...

Leia MaisDetails
Daniel Brandão, Presidente Afastado Do Tribunal De Contas Do Maranhão — Foto: Divulgação/Tce-Ma - Gazeta Mercantil
Política

Dino afasta Daniel Brandão da presidência do TCE-MA por 180 dias em investigação sobre homicídio

O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nesta segunda-feira (17) o afastamento por 180 dias do conselheiro Daniel Itapary Brandão da presidência do Tribunal de...

Leia MaisDetails
Lula E Lulinha - Gazeta Mercantil
Política

Lula diz acreditar na inocência de Lulinha e afirma que não barrará investigações

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta sexta-feira (14) que acredita na inocência do filho Fábio Luís Lula da Silva, mas disse que não atuará...

Leia MaisDetails
Cláudio Castro
Política

PF faz buscas em endereço ligado a Cláudio Castro em operação sobre a Refit

A Polícia Federal deflagrou nesta sexta-feira, 14 de agosto, a segunda fase da Operação Sem Refino, investigação que apura suspeitas de crimes financeiros, tributários e contra a ordem...

Leia MaisDetails
Missão Diz Que Avisou Flávio Bolsonaro Sobre Filiação Irregular Antes De Mudança No Tse - Gazeta Mercantil - Política
Política

Missão diz que avisou Flávio Bolsonaro sobre filiação irregular antes de mudança no TSE

O Partido Missão afirmou que alertou o gabinete de Flávio Bolsonaro sobre uma tentativa de filiação irregular dez dias antes de o senador aparecer oficialmente vinculado à legenda...

Leia MaisDetails

GAZETA MERCANTIL MERCADO AGORA

12:10:55
IBOV

IBOVESPA

B3
Consultando... buscando última cotação
$

DOLAR

USD/BRL
Consultando... buscando última cotação
€

EURO

EUR/BRL
Consultando... buscando última cotação
₿

BITCOIN

BRL
Consultando... buscando última cotação
Gazeta Mercantil · dados de mercado

Veja Também

Grupo Mateus Corta 6,6 Mil Funcionários Em Demissão Em Massa
Mercados

Grupo Mateus (GMAT3): XP rebaixa ação e corta projeção de lucro em até 33%

Leia MaisDetails
Vale (Vale3) Gazeta Mercantil
Ibovespa

Vale (VALE3) entra na lista de compra do BB; Gerdau (GGBR4) sai após alta de 7,7%

Leia MaisDetails
Casas Bahia Lança Debêntures De R$ 3,95 Bilhões Para Reestruturar Dívida - Gazeta Mercantil
Empresas

BHIA3 perde 99,9% desde pico de 2020; entenda a derrocada das ações da Casas Bahia

Leia MaisDetails
Fiis Fundos Imobiliários (Imagem: Jabkitticha/ Istockphoto)
Fundos Imobiliários

5 FIIs pagam dividendos hoje; IRIM11 rende 1,28% e RBRY11 paga R$ 1 por cota

Leia MaisDetails
Braskem (Brkm5) -Gazeta Mercantil
Empresas

Braskem (BRKM5) sofre rebaixamento da Fitch para ‘RD’ após calote em juros

Leia MaisDetails

EDITORIAS

  • Economia
  • Mercados
    • Dólar
    • Ibovespa
    • Fundos Imobiliários
    • Criptomoedas
  • Empresas
  • Negócios
  • Política
  • Brasil
  • Mundo
  • Tecnologia
  • Agronegócio
  • Trabalho
  • Saúde
  • Loterias
  • Esportes
    • Futebol
  • Cultura & Lazer
    • Filmes e Séries
  • Lifestyle
  • Anuncie Conosco
Gazeta Mercantil Logo White

contato@gazetamercantil.com

Gazeta Mercantil — marca jornalística fundada em 1920, com continuidade editorial contemporânea no ambiente digital por meio do domínio oficial gazetamercantil.com.

EDITORIAS

  • Economia
  • Mercados
    • Dólar
    • Ibovespa
    • Fundos Imobiliários
    • Criptomoedas
  • Empresas
  • Negócios
  • Política
  • Brasil
  • Mundo
  • Tecnologia
  • Agronegócio
  • Trabalho
  • Saúde
  • Loterias
  • Esportes
    • Futebol
  • Cultura & Lazer
    • Filmes e Séries
  • Lifestyle
  • Anuncie Conosco

Veja Também:

Grupo Mateus (GMAT3): XP rebaixa ação e corta projeção de lucro em até 33%

Vale (VALE3) entra na lista de compra do BB; Gerdau (GGBR4) sai após alta de 7,7%

BHIA3 perde 99,9% desde pico de 2020; entenda a derrocada das ações da Casas Bahia

5 FIIs pagam dividendos hoje; IRIM11 rende 1,28% e RBRY11 paga R$ 1 por cota

Braskem (BRKM5) sofre rebaixamento da Fitch para ‘RD’ após calote em juros

Bancários aprovam paralisação de 24 horas em 20 de agosto

  • Anuncie Conosco
  • Política de Correções
  • Política Editorial
  • Política de Privacidade
  • Termos de Uso
  • Sobre a Gazeta Mercantil
  • Expediente
  • Política de Conflitos de Interesse

© 2026 GAZETA MERCANTIL - Marca jornalística fundada em 1920. Site oficial: gazetamercantil.com - Todos os direitos reservados. - ISSN 1519-0129 - contato@gazetamercantil.com - Grupo SMEdit - Av.Paulista 777 - Bela Vista - São Paulo - SP

  • Economia
  • Mercados
    • Dólar
    • Ibovespa
    • Fundos Imobiliários
    • Criptomoedas
  • Empresas
  • Negócios
  • Política
  • Brasil
  • Mundo
  • Tecnologia
  • Agronegócio
  • Trabalho
  • Saúde
  • Loterias
  • Esportes
    • Futebol
  • Cultura & Lazer
    • Filmes e Séries
  • Lifestyle
  • Anuncie Conosco

© 2026 GAZETA MERCANTIL - Marca jornalística fundada em 1920. Site oficial: gazetamercantil.com - Todos os direitos reservados. - ISSN 1519-0129 - contato@gazetamercantil.com - Grupo SMEdit - Av.Paulista 777 - Bela Vista - São Paulo - SP