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COP30: Lula pressiona acordo climático antecipado em Belém

por Gabriel Monteiro
19/11/2025 às 17h42
em Política
Cop30: Lula Pressiona Acordo Climático Antecipado Em Belém - Gazeta Mercantil

COP30: Lula pressiona por acordo climático antecipado e tenta destravar impasse sobre fósseis e financiamento

A COP30 entrou em sua fase decisiva. Em Belém, o governo brasileiro intensificou as negociações para tentar antecipar a conclusão de um acordo global sobre os temas mais sensíveis da agenda climática: a transição dos combustíveis fósseis, o financiamento internacional para adaptação e mitigação e o desenho institucional para apoiar países vulneráveis diante dos efeitos crescentes do aquecimento global.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva retornou à cúpula nesta quarta-feira, reforçando o peso político da presidência brasileira na condução das conversas. A expectativa no Itamaraty e entre os negociadores é que a presença de Lula funcione como um catalisador para destravar posições rígidas e reduzir o risco de prolongamento das discussões, um padrão recorrente nas últimas conferências.

Leia também: Acordo Mercosul-UE: Governo Lança Painel para Impulsionar Exportações à Europa.


Lula tenta antecipar conclusão do acordo da COP30

O governo quer evitar o desgaste visto em cúpulas recentes, marcadas por sessões prorrogadas até a madrugada e acordos firmados no limite da exaustão diplomática. A presidência brasileira deseja concluir o pacote de decisões até esta quarta-feira, deixando apenas detalhes técnicos para sexta-feira.

O COP30 tem dominado as discussões internas do governo desde o início da conferência, não apenas por sua relevância ambiental, mas também pelo valor estratégico que o Brasil enxerga no fortalecimento de sua diplomacia climática. A COP30 é, para o governo federal, uma vitrine internacional e uma oportunidade de reposicionar o país como articulador global.

Leia também: Lula manda nova indireta a Elon Musk: ‘babaca’, disse em evento de sanção do marco do hidrogênio verde.

Mesmo assim, as divergências permanecem profundas. O novo esboço do acordo, que deveria ter sido divulgado nesta manhã, não foi publicado no horário previsto, indicando dificuldades adicionais. A primeira versão do texto, divulgada ontem, trouxe múltiplas opções para vários temas críticos, refletindo a falta de consenso.


Combustíveis fósseis: o ponto mais sensível da COP30

O grande impasse da COP30 gira em torno da transição dos combustíveis fósseis — um debate que ganhou força desde a COP28, quando os países concordaram, pela primeira vez, em avançar para um “abandono” gradual dessas fontes de energia.

Leia também: Rumo (RAIL3) pode subir 75% após acordo da Malha Oeste, diz BTG.

Na COP30, o Brasil defende um acordo mais ambicioso, voltado à implementação concreta da transição. Aproximadamente 80 países apoiam a criação de um mapa do caminho com prazos e diretrizes para orientar essa mudança.

No entanto, importantes produtores de petróleo têm resistido. Entre eles, a Arábia Saudita. O país atua com firmeza para evitar menções explícitas a limites, prazos ou compromissos que possam restringir a expansão da indústria petroleira. Essa oposição tem sido considerada um dos principais bloqueios para o avanço das negociações.

O cenário complica as ambições da COP30, já que a transição energética é vista como pilar do pacote final que o Brasil deseja aprovar ainda esta semana.


Financiamento climático divide países ricos e pobres

O segundo eixo mais sensível das discussões diz respeito ao financiamento climático. Países em desenvolvimento insistem que o Norte global precisa ampliar significativamente as contribuições para apoiar a transição energética, a adaptação e a compensação por perdas e danos.

Na COP30, os países mais vulneráveis têm reforçado que as promessas anteriores — como os US$ 100 bilhões anuais pactuados em 2009 — nunca foram plenamente cumpridas.

Para esses países, assegurar um compromisso mais robusto é uma questão de sobrevivência estratégica, uma vez que já convivem com impactos extremos do aquecimento global: erosão costeira, secas prolongadas, inundações sazonais e queda na produção agrícola.

A COP30 tenta avançar nesse tema, mas os países desenvolvidos continuam divididos sobre o volume de recursos e o desenho institucional do financiamento. O debate envolve decisões sobre fontes de recursos, mecanismos de governança e regras de monitoramento.

Essas disputas reforçam o desafio da COP30 em criar um consenso global.


Vanuatu denuncia bloqueios na COP30

A resistência de nações produtoras de petróleo ficou mais clara com as declarações públicas de negociadores de países insulares, como Vanuatu, que apontaram diretamente a Arábia Saudita como um dos bloqueadores. Países vulneráveis afirmam que a COP30 não pode repetir impasses históricos e pedem decisões mais firmes.

O ministro do Clima de Vanuatu reforçou que a falta de consenso sobre a transição dos combustíveis fósseis pode ameaçar a credibilidade da cúpula. Para ele, a pressão política trazida por Lula nesta semana é bem-vinda, mas não será suficiente se grandes produtores continuarem resistindo à linguagem de compromisso.


Países pobres pressionam por mais ambição na COP30

Países africanos, asiáticos e latino-americanos têm sido unânimes em pedir mais ambição financeira e política. Os governos argumentam que a COP30 acontece em um cenário de agravamento das consequências climáticas, que afetam principalmente regiões que historicamente menos contribuíram para as emissões de gases de efeito estufa.

A ausência dos Estados Unidos — maior emissor histórico do planeta — adiciona um elemento de tensão à COP30. Delegações de países vulneráveis temem que a retirada norte-americana enfraqueça a capacidade de alcançar um compromisso robusto. Ainda assim, o Brasil tem buscado contornar esse vácuo usando sua diplomacia para aproximar diferentes grupos de países.


Mapa do caminho para a transição energética: avanço ou retrocesso?

Um dos objetivos centrais da presidência da COP30 é consolidar o mapa do caminho para a transição energética. O documento deve organizar prazos, compromissos e diretrizes para a redução progressiva do uso de petróleo, gás e carvão.

O Brasil argumenta que esse mapa é essencial para dar previsibilidade aos investimentos globais e incentivar a inovação em tecnologias limpas. Porém, a proposta encontra resistências técnicas, políticas e econômicas.

A COP30 tenta avançar, mas ainda não há consenso sobre temas como:

– ritmo da transição;
– inclusão ou não de metas obrigatórias;
– prazo para revisão periódica das metas;
– mecanismos de verificação e transparência;
– financiamento para países em desenvolvimento.


Ausência de consenso ameaça cronograma da COP30

Historicamente, a diplomacia climática opera no limite do tempo. Nas últimas cúpulas, a prorrogação das negociações até a madrugada foi praticamente regra. A COP30 tenta quebrar esse ciclo, mas a diversidade de interesses nacionais impede previsões otimistas.

Caso o novo esboço do acordo não avance o suficiente, a COP30 pode entrar em uma fase mais turbulenta, com risco de alongamento da cúpula até sábado. O governo brasileiro, porém, demonstra confiança em sua capacidade de articulação.


Lula retorna para turbinar negociações da COP30

O retorno de Lula à COP30 marca uma etapa importante da conferência. A presença física do presidente sinaliza prioridade política e reforça o engajamento brasileiro na liderança das negociações.

O governo brasileiro tem repetido que o objetivo da COP30 é combinar ambição climática com justiça social. Para Lula, o debate climático não pode ser separado do debate sobre desigualdade global.

O presidente deve reunir-se com diferentes grupos de negociadores, incluindo representantes do G77, países africanos, estados insulares e grandes economias emergentes. A expectativa é que a diplomacia presidencial ajude a aproximar interesses divergentes.


Mercado global de carbono enfrenta novo impasse na COP30

Entre os temas laterais que também enfrentam dificuldades está o mercado global de carbono previsto sob supervisão da ONU. As negociações avançavam até esbarrarem em um impasse sobre o financiamento necessário para operacionalizar o sistema.

Pelo menos cinco delegações confirmaram que a falta de consenso sobre recursos ameaça atrasar o lançamento do mercado. Para alguns países, o mercado de carbono é peça fundamental para reduzir emissões de forma eficiente e gerar receitas que financiem a transição energética.

Para outros, o mecanismo ainda é incerto e pode favorecer países ricos com maior capacidade de compra de créditos.

Na COP30, o Brasil tenta desempenhar papel de intermediador técnico, destacando sua expertise em bioeconomia e mercados ambientais.


O papel estratégico da Amazônia na COP30

Como anfitrião da COP30, o Brasil tem usado a Amazônia como símbolo de urgência climática e de oportunidade econômica. O governo tenta costurar compromissos que:

– fortaleçam a proteção de florestas tropicais;
– ampliem investimentos em bioeconomia;
– incentivem transição energética justa e inclusiva;
– aumentem o protagonismo dos países que abrigam grandes biomas.

A localização da COP30 em Belém reforça essa narrativa. O objetivo é mostrar que desenvolvimento e preservação podem caminhar juntos — desde que apoiados por financiamento robusto.


O que esperar da COP30 até o fim da semana

A expectativa é que a COP30 entre em sua fase mais intensa até sexta-feira. Entre os possíveis resultados estão:

– definição do mapa da transição dos combustíveis fósseis;
– pactuação de novos compromissos financeiros;
– avanço parcial no mercado global de carbono;
– compromissos adicionais de mitigação e adaptação;
– aumento da ambição coletiva para atingir as metas do Acordo de Paris.

O principal risco para a COP30 é a manutenção do impasse sobre os combustíveis fósseis e o financiamento. Se não houver avanços, o evento pode terminar com um pacote esvaziado e sem metas claras.

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