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Corredor ferroviário bioceânico Brasil-China avança e promete revolucionar o comércio com a Ásiaom ferrovias

por Gabriel Monteiro
08/07/2025 às 11h33
em Economia
Corredor Ferroviário Bioceânico Brasil-China Avança E Promete Revolucionar O Comércio Com A Ásia Gazeta Mercantil - Jornal De Economia

Corredor ferroviário bioceânico Brasil-China pode redefinir o comércio entre América do Sul e Ásia

Projeto estratégico reforça laços com a China, amplia escoamento de exportações brasileiras e reposiciona o país no comércio internacional

O corredor ferroviário bioceânico Brasil-China começa a ganhar forma com a assinatura de um memorando de entendimento entre o governo brasileiro e autoridades chinesas. O acordo, firmado no dia 7 de julho de 2025 entre o Ministério dos Transportes, por meio da Infra S.A., e a China Railway Economic and Planning Research Institute Co., Ltd., representa um avanço histórico na integração logística da América do Sul com a Ásia.

O objetivo é avaliar a viabilidade de uma conexão ferroviária entre o Brasil e o Oceano Pacífico, por meio do Porto de Chancay, no Peru — porto que se tornará uma das principais portas de entrada para produtos sul-americanos no continente asiático. Esse projeto poderá reduzir drasticamente o tempo e os custos logísticos de exportação, com impactos profundos para o agronegócio, mineração, infraestrutura e balança comercial brasileira.

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O que é o corredor ferroviário bioceânico Brasil-China?

O corredor ferroviário bioceânico Brasil-China consiste em uma malha ferroviária interligada que conectaria as regiões produtoras do Centro-Oeste brasileiro até o litoral do Pacífico, atravessando o território de países vizinhos como Bolívia e Peru. O traçado inclui o uso estratégico de obras ferroviárias em andamento, como a Fico (Ferrovia de Integração Centro-Oeste) e a Fiol (Ferrovia de Integração Oeste-Leste), além de modais rodoviários e hidroviários, compondo uma solução logística integrada.

A ideia central é permitir que cargas, principalmente de grãos, minérios e outros produtos de exportação, sejam transportadas até o Porto de Chancay, que está sendo modernizado com forte participação chinesa, e de lá sigam diretamente para o mercado asiático, especialmente a China.

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Esse tipo de conexão reduziria em até 30% os custos logísticos em relação às rotas tradicionais que hoje dependem dos portos do Sudeste e do Sul, como Santos (SP) e Paranaguá (PR). Além disso, reduziria significativamente o tempo de transporte, aumentando a competitividade dos produtos brasileiros no mercado internacional.

Parceria estratégica Brasil-China na infraestrutura

A parceria para o corredor ferroviário bioceânico Brasil-China é fruto de um trabalho diplomático e técnico iniciado em abril de 2025, quando uma delegação da China visitou obras estratégicas no Brasil. Entre elas, a Fiol 1, que liga Caetité a Ilhéus, na Bahia, com 537 km de extensão, e a Fico, ainda em construção, que visa conectar Mara Rosa (GO) a Vilhena (RO), formando um importante eixo para escoamento da produção do Centro-Oeste.

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As discussões técnicas entre representantes da Infra S.A. e da China Railway Economic and Planning Research Institute já estão em curso, e envolvem análises sobre o potencial de integração entre os modais ferroviário, rodoviário e hidroviário, além de estudos sobre viabilidade econômica, impacto ambiental e retorno sobre o investimento.

Porto de Chancay: a porta de entrada brasileira para o Pacífico

Um dos elementos centrais do corredor ferroviário bioceânico Brasil-China é o Porto de Chancay, localizado no Peru, considerado peça-chave para viabilizar essa ligação interoceânica. Com investimentos pesados de empresas chinesas, o porto está sendo modernizado para se transformar em um dos hubs logísticos mais importantes da América do Sul.

Com sua localização estratégica e profundidade natural, Chancay tem condições ideais para receber navios de grande porte e atender ao alto volume de cargas oriundas do Brasil e de outros países sul-americanos. Essa infraestrutura reforça a visão do projeto como uma alternativa eficaz às rotas tradicionais, com mais agilidade, segurança e menor custo.

Rota bioceânica: uma revolução para o agronegócio e mineração

A implementação do corredor ferroviário bioceânico Brasil-China pode representar um divisor de águas para dois setores fundamentais da economia brasileira: o agronegócio e a mineração. As exportações de soja, milho, carne, minério de ferro e outros produtos de base poderiam ser otimizadas com uma logística mais eficiente, competitiva e sustentável.

O Centro-Oeste brasileiro, principal polo de produção de grãos do país, seria diretamente beneficiado com a redução da distância até o oceano Pacífico, o que aumentaria a margem de lucro dos produtores e a atratividade dos produtos no mercado internacional. Já a mineração, especialmente no Norte e Centro-Oeste, teria uma nova alternativa logística, menos dependente de portos congestionados no Sudeste.

Além disso, o projeto contribui com a redução da pegada de carbono ao transferir parte do transporte de cargas do modal rodoviário, mais poluente, para o ferroviário, que é mais eficiente e limpo.

Integração regional e fortalecimento geopolítico

O corredor ferroviário bioceânico Brasil-China não se resume apenas a uma obra de infraestrutura. Ele simboliza um realinhamento geopolítico e estratégico entre a América do Sul e a Ásia. Ao facilitar a circulação de mercadorias entre os dois continentes, o projeto fortalece os laços comerciais e políticos entre Brasil e China, e insere a América do Sul em uma nova rota global de comércio.

A ministra do Planejamento e Orçamento, Simone Tebet, já vem articulando com países vizinhos e com o governo chinês o avanço nas cinco Rotas de Integração Sul-Americana, que buscam conectar as economias do continente a corredores internacionais de exportação. O corredor ferroviário bioceânico Brasil-China é considerado o mais promissor entre eles, dada a sua escala, relevância econômica e potencial de transformação.

A participação direta do presidente chinês, Xi Jinping, nas tratativas com o governo brasileiro indica o alto interesse do país asiático em garantir acesso rápido, seguro e eficiente às matérias-primas brasileiras.

Viabilidade e cronograma do projeto

O primeiro passo oficial do projeto foi dado com a assinatura do memorando de entendimento, que autoriza a realização de estudos de viabilidade técnica, econômica e ambiental. Esses estudos devem ser concluídos entre o final de 2025 e o início de 2026, com o leilão da concessão previsto para o primeiro semestre de 2026.

A Infra S.A., que coordena a parte brasileira do projeto, já está mapeando os trechos prioritários e buscando parcerias com o setor privado para viabilizar os investimentos, que podem ultrapassar dezenas de bilhões de reais.

O governo brasileiro reconhece que não há recursos públicos suficientes para financiar uma obra dessa magnitude sozinho, e por isso aposta fortemente na participação de investidores chineses e fundos de infraestrutura internacionais.

Impactos esperados para o Brasil

Os impactos do corredor ferroviário bioceânico Brasil-China para o Brasil são múltiplos:

  • Redução dos custos logísticos: ao aproximar os centros produtores do Pacífico, os custos com transporte de exportação devem cair consideravelmente.

  • Aumento da competitividade das exportações: produtos brasileiros chegarão mais rapidamente ao mercado asiático.

  • Desenvolvimento regional: estados do Centro-Oeste, Norte e Nordeste poderão receber investimentos em infraestrutura e logística.

  • Atração de investimentos estrangeiros: principalmente do setor ferroviário, portuário e de tecnologia logística.

  • Integração continental: consolidação da liderança brasileira em projetos estruturantes na América do Sul.

O corredor ferroviário bioceânico Brasil-China é mais do que uma obra de engenharia: é um projeto que pode alterar profundamente a forma como o Brasil se insere no comércio global. A conexão ferroviária com o Pacífico representa uma oportunidade histórica de acelerar o desenvolvimento regional, atrair investimentos estratégicos e consolidar o país como hub logístico entre América do Sul e Ásia.

Se os estudos confirmarem sua viabilidade e o cronograma for respeitado, o Brasil poderá contar com um dos maiores projetos logísticos de sua história a partir de meados da década de 2030. A aposta é ambiciosa — e necessária — diante da nova ordem global que se desenha.


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