quarta-feira, 16 de setembro de 2026
contato@gazetamercantil.com
GAZETA MERCANTIL
GAZETA MERCANTIL
GAZETA MERCANTIL
Home Empresas

Correios passam a entregar no Brasil compras feitas em lojas do Paraguai

Nova operação terrestre permite comprar pela internet em varejistas paraguaios e receber a encomenda em casa; tributação segue regras do Remessa Conforme.

por Alice Nascimento
20/08/2026 às 15h07
em Empresas
Correios Passam A Entregar No Brasil Compras Feitas Em Lojas Do Paraguai - Gazeta Mercantil - Empresas

Consumidores brasileiros passaram a ter uma nova forma de comprar produtos vendidos no Paraguai sem precisar atravessar a fronteira. Os Correios começaram a transportar por via terrestre encomendas adquiridas pela internet em varejistas paraguaios, com entrega em endereços de todo o Brasil.

A operação entrou em funcionamento nesta semana por meio do Correios Packet e contempla inicialmente duas empresas de Ciudad del Este: Cellshop e New Zone Importados. Segundo os Correios, ambas estão habilitadas no Programa Remessa Conforme, da Receita Federal, para realizar vendas destinadas ao mercado brasileiro.

A novidade muda principalmente a logística. Até agora, boa parte dos brasileiros interessados nos preços praticados pelo comércio paraguaio associava as compras a uma viagem até cidades de fronteira, especialmente Foz do Iguaçu, no Paraná, com travessia da Ponte da Amizade.

Com o novo serviço, parte dessas compras poderá ser feita completamente pela internet. O produto sai do Paraguai por transporte terrestre, entra no fluxo de encomendas internacionais e, depois do processamento no Brasil, passa para a rede nacional dos Correios.

As encomendas poderão pesar até 30 quilos, terão rastreamento e, depois da saída do Centro Internacional dos Correios no Brasil, seguirão os mesmos prazos aplicáveis às encomendas nacionais.

A facilidade, porém, não significa comprar no Paraguai pela internet sem impostos. A Gazeta Mercantil verificou as regras tributárias atualmente publicadas pela Receita Federal e constatou que esse tipo de operação está sujeito ao regime das encomendas internacionais, e não à cota concedida ao brasileiro que pessoalmente atravessa a fronteira.

Essa diferença é fundamental para calcular se determinada compra realmente vale a pena.

Comprar no Paraguai pela internet não usa cota de US$ 500

Um dos principais pontos que podem provocar confusão é a tradicional cota de US$ 500 utilizada por brasileiros que retornam ao país por via terrestre.

Ela continua existindo, mas não se aplica às encomendas compradas pela internet e enviadas para a residência do consumidor.

Segundo as regras da Receita Federal, viajantes que entram no Brasil por vias diferentes da aérea ou marítima possuem cota de isenção de bagagem acompanhada de até US$ 500, observados também os limites quantitativos e as demais condições previstas pela fiscalização. A utilização dessa cota está vinculada ao viajante e, em regra, somente pode ocorrer uma vez a cada intervalo de 30 dias.

Uma compra feita online na Cellshop ou na New Zone e enviada pelo Correios Packet é outra operação.

Nesse caso, o consumidor não está trazendo uma mercadoria na própria bagagem. Está realizando uma importação por encomenda internacional, submetida às regras do Programa Remessa Conforme quando a compra for processada por uma plataforma certificada.

Portanto, não é correto considerar que uma compra de, por exemplo, US$ 400 enviada pelo Paraguai para o Brasil estaria automaticamente dentro da cota terrestre de US$ 500.

Compras de até US$ 50 têm Imposto de Importação zerado

A tributação também merece atenção porque as regras foram modificadas novamente em 2026.

Desde 12 de maio de 2026, compras realizadas por pessoas físicas em sites certificados no Programa Remessa Conforme têm alíquota de 0% de Imposto de Importação quando o valor aduaneiro não ultrapassa US$ 50.

A Receita Federal confirma que o limite considera a soma do preço dos produtos, frete e seguro, quando esses valores não estiverem incorporados ao preço informado.

Isso não significa, porém, que uma compra de até US$ 50 fique totalmente livre de impostos.

O ICMS continua sendo cobrado. As alíquotas aplicadas às encomendas internacionais ficam atualmente entre 17% e 20%, dependendo do estado de destino.

Assim, para uma pessoa física que compre em uma plataforma devidamente certificada:

Até US$ 50: o Imposto de Importação federal tem alíquota zero, mas permanece a cobrança do ICMS.

Acima de US$ 50: aplica-se Imposto de Importação de 60%, com dedução equivalente a US$ 30 do imposto calculado, além do ICMS.

As regras são as mesmas do Remessa Conforme aplicado a outras plataformas internacionais habilitadas. O novo Correios Packet não criou um imposto especial para mercadorias procedentes do Paraguai.

Acima de US$ 50, imposto federal é de 60% com desconto

Quando o valor aduaneiro ultrapassa US$ 50, a conta muda.

A Receita Federal estabelece alíquota de 60% de Imposto de Importação, mas concede um desconto fixo equivalente a US$ 30 sobre o valor do imposto quando a compra é feita por pessoa física em plataforma certificada no Remessa Conforme.

O ICMS também permanece.

Isso significa que comparar apenas o preço da etiqueta de um eletrônico em Ciudad del Este com o preço encontrado no Brasil pode produzir uma conclusão enganosa.

Para saber o custo efetivo, o comprador precisa considerar o preço do produto, eventual frete, seguro, cotação utilizada na operação, Imposto de Importação quando aplicável e ICMS do estado de destino.

A própria Receita Federal mantém uma calculadora para estimar os tributos e alerta que alguns estados utilizam alíquotas de ICMS de 18%, 19% ou 20%, enquanto outros permanecem em 17%.

Tributos devem aparecer antes da conclusão da compra

Uma das características do Remessa Conforme é a antecipação das informações tributárias.

Nos sites certificados, os impostos devem ser apresentados no fechamento da compra e recolhidos dentro da sistemática do programa. A Receita recebe antecipadamente informações eletrônicas sobre a encomenda, o que permite iniciar parte do tratamento aduaneiro antes mesmo de o produto chegar ao país.

Esse modelo tende a reduzir a situação em que o consumidor compra um produto no exterior sem saber quanto será cobrado de imposto posteriormente.

A Receita ressalta, porém, que participação no programa não significa ausência de fiscalização.

Mesmo quando todas as informações e os tributos são transmitidos antecipadamente, a encomenda continua sujeita ao controle aduaneiro depois de entrar no território nacional.

Correios Packet chega por terra ao Brasil

Outro diferencial da operação é o modal.

O Correios Packet utilizado nessa rota é terrestre, aproveitando a proximidade entre Ciudad del Este e Foz do Iguaçu. As mercadorias são enviadas ao Brasil e inseridas no fluxo internacional dos Correios.

A estatal informa que o serviço aceita encomendas de até 30 kg e oferece rastreamento completo.

Há, contudo, uma precisão importante sobre o prazo: quando os Correios dizem que a encomenda terá o mesmo prazo das remessas nacionais, a contagem se refere ao período a partir da saída do Centro Internacional dos Correios no Brasil.

Isso significa que o tempo total entre clicar em “comprar” no site paraguaio e receber o pacote em casa não necessariamente será idêntico ao de uma compra realizada em uma loja brasileira.

Antes de entrar na etapa doméstica de distribuição, a mercadoria precisa percorrer o trecho internacional e passar pelo processamento correspondente à entrada no país.

Cellshop já aparece entre empresas certificadas pela Receita

A situação das plataformas também pode ser verificada em fonte oficial.

A Cellshop aparece na relação de empresas certificadas no Programa Remessa Conforme mantida pela Receita Federal. A certificação da Cellshop Digital Ltda. foi concedida originalmente em 2024 e passou por atualizações posteriores envolvendo os transportadores habilitados para a operação.

Os Correios, no anúncio da nova rota, afirmam que tanto a Cellshop quanto a New Zone Importados estão homologadas no programa e aptas a comercializar seus produtos para consumidores brasileiros nessa operação.

A estatal não informou no comunicado se pretende incluir outros varejistas paraguaios imediatamente.

A tendência, porém, é que o modelo possa abrir uma nova rota comercial entre o varejo de Ciudad del Este e consumidores que vivem longe da fronteira.

Mercado brasileiro fica acessível sem viagem ao Paraguai

Para as lojas paraguaias, a mudança é significativa.

Ciudad del Este desenvolveu durante décadas um comércio fortemente dependente do consumidor brasileiro que se desloca fisicamente até a fronteira. Isso favorece principalmente compradores do Paraná e de outras regiões do Sul e Centro-Oeste ou pessoas que viajam especificamente para fazer compras.

O comércio eletrônico combinado com uma rede logística que cobre praticamente todo o território nacional reduz essa barreira geográfica.

Um consumidor em São Paulo, Minas Gerais, Bahia ou em estados do Norte e Nordeste poderá, em princípio, comprar de uma varejista de Ciudad del Este sem organizar uma viagem até Foz do Iguaçu.

Os Correios afirmam que, para os comerciantes paraguaios, a modalidade amplia o acesso ao mercado brasileiro, reduz custos logísticos e incentiva a formalização das operações e a arrecadação de tributos.

Para a estatal brasileira, a operação também cria uma nova frente de encomendas internacionais em um momento de crescente competição no setor logístico.

Preço no Paraguai ainda precisa ser comparado com custo final no Brasil

Para o consumidor, a principal consequência é que a pergunta “vale a pena comprar no Paraguai?” passa a exigir uma conta diferente.

No modelo tradicional, um brasileiro poderia viajar até Ciudad del Este, adquirir mercadorias e utilizar a cota de US$ 500 da bagagem acompanhada na entrada terrestre, desde que cumpridas todas as regras da Receita.

No modelo online, não existe esse benefício de US$ 500.

O que existe é o tratamento tributário do Programa Remessa Conforme.

Para compras de até US$ 50, a atual regra federal é favorável: Imposto de Importação com alíquota zero, embora haja ICMS.

Acima desse limite, o consumidor precisa adicionar 60% de Imposto de Importação, aplicar a dedução equivalente a US$ 30 e ainda considerar o ICMS.

Produtos mais caros — justamente uma das especialidades do comércio de Ciudad del Este, como smartphones, notebooks, equipamentos de informática, câmeras e outros eletrônicos — exigem, portanto, uma comparação cuidadosa.

O preço inicial mais baixo no Paraguai não necessariamente significará preço final menor depois da importação.

Nova rota aproxima o varejo paraguaio do consumidor brasileiro

O Correios Packet não acaba com a fronteira tributária entre Brasil e Paraguai, mas altera a fronteira logística.

Pela primeira vez nessa nova operação, grandes varejistas de Ciudad del Este passam a contar com uma estrutura terrestre dos Correios desenhada para levar compras feitas pela internet diretamente ao endereço de consumidores espalhados pelo Brasil.

Segundo os Correios, a modalidade foi criada para conectar mercados, facilitar a compra internacional dentro das regras brasileiras e ampliar a formalização do comércio transfronteiriço.

Para quem pretende utilizar o serviço, três pontos precisam ficar claros: a encomenda é uma importação, os tributos do Remessa Conforme continuam valendo e a cota de US$ 500 concedida ao viajante terrestre não pode ser usada para uma compra recebida em casa.

A novidade está em não precisar mais atravessar fisicamente a Ponte da Amizade para acessar parte do varejo de Ciudad del Este.

O produto atravessa a fronteira no lugar do consumidor — e, depois de cumprir o processo aduaneiro, entra na rede dos Correios para seguir viagem até o endereço brasileiro.

LEIA MAIS

Lvmh Perde Mais De €250 Bilhões Em Valor De Mercado Desde 2023-Gazeta Mercantil
Empresas

LVMH perde mais de €250 bilhões em valor de mercado desde 2023

A LVMH, maior grupo de luxo do mundo, encerrou a sessão de 15 de setembro de 2026 com valor de mercado em torno de €201 bilhões, depois de...

Leia MaisDetails
Brb Recebe R$ 376 Milhões Da Xp Por Créditos Ligados Ao Banco Master-Gazeta Mercantil
Empresas

BRB (BSLI3; BSLI4) recebe R$ 376 milhões da XP por ativos ligados ao Banco Master

O Banco de Brasília (BRB) (BSLI3; BSLI4) recebeu R$ 376 milhões com a venda à XP de ativos que haviam chegado ao banco por meio de operações relacionadas...

Leia MaisDetails
Jpmorgan Corta Preço-Alvo Do Banco Do Brasil Para R$ 22 E Mantém Recomendação Neutra-Gazeta Mercantil
Empresas

Banco do Brasil (BBAS3): JPMorgan corta preço-alvo para R$ 22 e reduz projeções de lucro

O JPMorgan reduziu de R$ 24 para R$ 22 o preço-alvo das ações do Banco do Brasil (BBAS3) para dezembro de 2027 e manteve recomendação neutra para os...

Leia MaisDetails
Xp Reduz Aposta Em Privatização E Rebaixa Sanepar, Com Incerteza Sobre Precatório-Gazeta Mercantil
Empresas

Sanepar (SAPR11): XP corta recomendação para neutra e vê privatização mais distante

A XP Investimentos reduziu de compra para neutra a recomendação para as units da Sanepar (SAPR11), mesmo depois de elevar para R$ 45,80 o preço-alvo projetado para o...

Leia MaisDetails
Empresas Ampliam Venda De Dívidas Vencidas Enquanto Crédito Segue Caro-Gazeta Mercantil
Economia

Empresas ampliam venda de dívidas vencidas enquanto crédito segue caro

Empresas brasileiras estão recorrendo com mais frequência à venda de carteiras de crédito inadimplente para transformar recebíveis de difícil recuperação em liquidez imediata. O mercado movimentou R$ 17...

Leia MaisDetails

GAZETA MERCANTIL ENCERRADO

19:26:55
IBOV

IBOVESPA

B3
Consultando... buscando última cotação
$

DÓLAR

USD/BRL
Consultando... buscando última cotação
€

EURO

EUR/BRL
Consultando... buscando última cotação
₿

BITCOIN

BRL
Consultando... buscando última cotação
Gazeta Mercantil · dados de mercado
Sênior Sistemas Sênior Sistemas Sênior Sistemas
PUBLICIDADE

Veja Também

Lvmh Perde Mais De €250 Bilhões Em Valor De Mercado Desde 2023-Gazeta Mercantil
Empresas

LVMH perde mais de €250 bilhões em valor de mercado desde 2023

Leia MaisDetails
Brb Recebe R$ 376 Milhões Da Xp Por Créditos Ligados Ao Banco Master-Gazeta Mercantil
Empresas

BRB (BSLI3; BSLI4) recebe R$ 376 milhões da XP por ativos ligados ao Banco Master

Leia MaisDetails
Lula - Gazeta Mercantil
Política

Lula diz que Flávio Bolsonaro participou da aprovação de Kassio e Mendonça no STF

Leia MaisDetails
Jpmorgan Corta Preço-Alvo Do Banco Do Brasil Para R$ 22 E Mantém Recomendação Neutra-Gazeta Mercantil
Empresas

Banco do Brasil (BBAS3): JPMorgan corta preço-alvo para R$ 22 e reduz projeções de lucro

Leia MaisDetails
Há 4 Anos, Lula E Bolsonaro Iniciavam Campanhas Que Definiriam A Eleição De 2022 - Gazeta Mercantil
Ibovespa

Investimentos têm desempenhos diferentes nos governos Bolsonaro e Lula, aponta levantamento

Leia MaisDetails

EDITORIAS

  • Economia
  • Mercados
    • Dólar
    • Ibovespa
    • Fundos Imobiliários
    • Criptomoedas
  • Empresas
  • Negócios
  • Política
  • Brasil
  • Mundo
  • Tecnologia
  • Agronegócio
  • Trabalho
  • Saúde
  • Loterias
  • Esportes
    • Futebol
  • Cultura & Lazer
    • Filmes e Séries
  • Lifestyle
  • Anuncie Conosco
Gazeta Mercantil Logo White

contato@gazetamercantil.com

Gazeta Mercantil — marca jornalística fundada em 1920, com continuidade editorial contemporânea no ambiente digital por meio do domínio oficial gazetamercantil.com.

EDITORIAS

  • Economia
  • Mercados
    • Dólar
    • Ibovespa
    • Fundos Imobiliários
    • Criptomoedas
  • Empresas
  • Negócios
  • Política
  • Brasil
  • Mundo
  • Tecnologia
  • Agronegócio
  • Trabalho
  • Saúde
  • Loterias
  • Esportes
    • Futebol
  • Cultura & Lazer
    • Filmes e Séries
  • Lifestyle
  • Anuncie Conosco

Veja Também:

LVMH perde mais de €250 bilhões em valor de mercado desde 2023

BRB (BSLI3; BSLI4) recebe R$ 376 milhões da XP por ativos ligados ao Banco Master

Lula diz que Flávio Bolsonaro participou da aprovação de Kassio e Mendonça no STF

Banco do Brasil (BBAS3): JPMorgan corta preço-alvo para R$ 22 e reduz projeções de lucro

Investimentos têm desempenhos diferentes nos governos Bolsonaro e Lula, aponta levantamento

Alckmin participa de encontro com empresários na Faria Lima nesta sexta-feira

  • Anuncie Conosco
  • Política de Correções
  • Política Editorial
  • Política de Privacidade
  • Termos de Uso
  • Sobre a Gazeta Mercantil
  • Expediente
  • Política de Conflitos de Interesse

© 2026 GAZETA MERCANTIL - Marca jornalística fundada em 1920. Site oficial: gazetamercantil.com - Todos os direitos reservados. - ISSN 1519-0129 - contato@gazetamercantil.com - Grupo SMEdit - Av.Paulista 777 - Bela Vista - São Paulo - SP

  • Economia
  • Mercados
    • Dólar
    • Ibovespa
    • Fundos Imobiliários
    • Criptomoedas
  • Empresas
  • Negócios
  • Política
  • Brasil
  • Mundo
  • Tecnologia
  • Agronegócio
  • Trabalho
  • Saúde
  • Loterias
  • Esportes
    • Futebol
  • Cultura & Lazer
    • Filmes e Séries
  • Lifestyle
  • Anuncie Conosco

© 2026 GAZETA MERCANTIL - Marca jornalística fundada em 1920. Site oficial: gazetamercantil.com - Todos os direitos reservados. - ISSN 1519-0129 - contato@gazetamercantil.com - Grupo SMEdit - Av.Paulista 777 - Bela Vista - São Paulo - SP