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CSN (CSNA3) enfrenta pressão após rebaixamento da Moody’s

por João Souza
19/02/2026 às 20h11
em Negócios
Moody’s Rebaixa Csn (Csna3) E Alerta Para Risco Maior; Dívida Vira Ponto Crítico Da Empresa - Gazeta Mercantil

CSN (CSNA3) enfrenta pressão após rebaixamento da Moody’s e precisa acelerar desalavancagem

A trajetória recente da CSN (CSNA3) entrou em zona de maior atenção após a agência Moody’s rebaixar o rating corporativo da companhia de Ba3 para B2. O movimento reflete, sobretudo, a elevada alavancagem e os riscos associados à estrutura de capital do grupo siderúrgico e minerador, em um cenário global de volatilidade para commodities.

O rebaixamento acende alerta no mercado porque impacta diretamente o custo de captação da empresa. Quando a nota de crédito piora, investidores exigem maior prêmio para financiar a companhia, elevando despesas financeiras e pressionando o fluxo de caixa. Para a CSN (CSNA3), a redução do endividamento passa a ser condição central para qualquer perspectiva de melhora na avaliação de risco.

Leia também: IPCA-15 surpreende mercado, supera teto da meta e aumenta pressão sobre juros.

A própria companhia já anunciou medidas com foco na desalavancagem. O plano envolve a venda de participação minoritária em ativos de infraestrutura e de uma fatia majoritária no braço de cimento, com expectativa de levantar entre R$ 15 bilhões e R$ 18 bilhões. O objetivo declarado é reduzir dívida, aliviar riscos de liquidez e diminuir despesas financeiras.

Rebaixamento da Moody’s e impacto no custo de capital

A decisão da Moody’s de cortar o rating da CSN (CSNA3) ocorre em um momento em que os mercados internacionais mostram maior aversão ao risco. A nota B2 coloca a empresa em uma faixa considerada mais especulativa, ampliando o custo potencial de emissões futuras.

Para investidores institucionais, o rating funciona como balizador de risco. No caso da CSN (CSNA3), o rebaixamento significa que a companhia precisará demonstrar disciplina financeira consistente para recuperar confiança. A agência deixou claro que a melhora do perfil de crédito depende da aceleração da desalavancagem.

Em termos práticos, o novo rating pressiona a CSN (CSNA3) a revisar prioridades estratégicas, sobretudo no que diz respeito à alocação de capital e ao ritmo de investimentos.

Ebitda cresce, mas alavancagem segue elevada

Do ponto de vista operacional, os números mostram evolução. O Ebitda da CSN (CSNA3) passou de R$ 8,6 bilhões em 2024 para R$ 9,8 bilhões, sinalizando melhora no desempenho das operações. Ainda assim, o avanço não foi suficiente para reduzir de forma estrutural o endividamento.

A alavancagem ajustada medida pela Moody’s caiu de 6,7 vezes para 5,5 vezes. Apesar da redução, o patamar permanece elevado para padrões de crédito considerados mais confortáveis.

A projeção da agência é que a alavancagem da CSN (CSNA3) fique entre 5x e 6x nos próximos 12 a 18 meses, considerando o cenário de preços mais baixos para aço e minério de ferro. No médio prazo, a expectativa é de melhora para algo entre 4x e 5x, caso o minério permaneça entre US$ 80 e US$ 100 por tonelada (61% Fe) e haja normalização das margens da siderurgia.

Mesmo nesse cenário, a Moody’s sinaliza que a venda de ativos será determinante para que a CSN (CSNA3) consiga uma melhora efetiva de seus indicadores de crédito.

Venda de ativos é peça central da estratégia

A estratégia de levantar até R$ 18 bilhões com alienação de participações é vista pelo mercado como essencial para a CSN (CSNA3). Sem a entrada desses recursos, a redução do endividamento dependeria exclusivamente de geração operacional de caixa, o que pode ser limitado em ambiente de preços pressionados.

A companhia pretende usar os recursos para amortizar dívidas e reduzir despesas financeiras. A CSN (CSNA3) também busca mitigar riscos de liquidez associados aos próximos vencimentos, especialmente diante de cenário externo incerto.

Para analistas, a velocidade na execução dessas vendas será fator-chave. Atrasos podem prolongar a pressão sobre os indicadores financeiros da CSN (CSNA3) e manter o rating sob risco.

Liquidez: conforto no curto prazo, incerteza no médio

A Moody’s avalia que a liquidez da CSN (CSNA3) é adequada no curto prazo. A companhia encerrou o período com R$ 16,5 bilhões em caixa consolidado, dos quais R$ 13,6 bilhões estão concentrados na subsidiária de mineração.

No entanto, a queima de caixa e as necessidades futuras de refinanciamento elevam o risco no médio prazo. Embora o próximo vencimento relevante de bonds ocorra apenas em 2028, a maior parte das obrigações está associada a dívidas bancárias.

Se o fluxo de caixa livre da CSN (CSNA3) permanecer pressionado, o risco de refinanciamento pode crescer, especialmente em períodos de maior volatilidade de mercado.

Descasamento entre dívida e geração de caixa

Um dos pontos sensíveis destacados pela Moody’s envolve a estrutura interna do grupo. A maior parte da dívida está concentrada na holding, enquanto a geração de caixa ocorre majoritariamente na subsidiária de mineração.

Esse descasamento adiciona complexidade ao quadro financeiro da CSN (CSNA3). A necessidade de transferências internas ou reestruturação societária pode se tornar relevante para equilibrar obrigações e fontes de recursos.

Para investidores, a clareza na estratégia de capital será fundamental para avaliar a sustentabilidade da CSN (CSNA3) no médio e longo prazo.

Cenário macro e pressão sobre commodities

O ambiente global também influencia diretamente a trajetória da CSN (CSNA3). A desaceleração econômica em grandes mercados consumidores e a volatilidade no preço do minério de ferro e do aço impactam margens.

Caso os preços das commodities permaneçam abaixo das expectativas, a geração de caixa da CSN (CSNA3) pode ficar aquém do projetado, dificultando a redução da alavancagem.

Por outro lado, uma recuperação consistente do minério poderia acelerar o processo de desalavancagem e melhorar a percepção de risco.

O que pode levar a novo rebaixamento

A Moody’s foi clara ao afirmar que, caso a CSN (CSNA3) não acelere a desalavancagem por meio de venda de ativos, redução de capex ou pagamento proativo da dívida, os indicadores podem se tornar compatíveis com classificação ainda inferior.

Esse alerta coloca a administração sob pressão. O mercado acompanhará de perto cada movimento estratégico da CSN (CSNA3), incluindo decisões sobre investimentos e dividendos.

Perspectivas para investidores

Para acionistas de CSN (CSNA3), o cenário combina risco elevado com potencial de recuperação. Se o plano de venda de ativos for executado com sucesso e os preços do minério colaborarem, a companhia pode reduzir alavancagem e buscar revisão positiva de rating no futuro.

Entretanto, enquanto os indicadores permanecerem pressionados, a CSN (CSNA3) seguirá sujeita a maior custo de capital e volatilidade nas ações.

Desafio estrutural exige disciplina financeira

A mensagem central do relatório é clara: a CSN (CSNA3) precisa acelerar a desalavancagem para restaurar equilíbrio financeiro. O crescimento do Ebitda, isoladamente, não será suficiente.

O sucesso da estratégia dependerá de disciplina na alocação de capital, execução eficiente de desinvestimentos e manutenção de geração operacional resiliente.

O mercado agora aguarda os próximos movimentos da CSN (CSNA3), consciente de que o desfecho dessa estratégia definirá o rumo do rating, do custo da dívida e da confiança dos investidores nos próximos anos.

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