Daniel Vorcaro planejou carnaval no Rio com Ivanka Trump, filha do presidente dos EUA
Mensagens apreendidas pela Polícia Federal revelam que o banqueiro Daniel Vorcaro e a namorada, a influenciadora Martha Graeff, planejaram passar o carnaval de 2025 no Rio de Janeiro ao lado de Ivanka Trump, filha do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e de seu marido, Jared Kushner. Segundo as conversas, Ivanka demonstrava entusiasmo em participar das festas no Brasil, enquanto o casal discutia logística, segurança e a exposição pública que o encontro geraria. As trocas de mensagens fazem parte do material extraído do celular de Daniel Vorcaro e encaminhado às autoridades no âmbito de investigações sobre o banqueiro e suas relações no sistema financeiro.
Nos diálogos, Martha Graeff relata que Ivanka “não para de mandar mensagem sobre o carnaval” e tenta organizar a presença da família Trump em um esquema de camarote reservado, longe do público e da imprensa. Mesmo diante da preocupação da namorada com a repercussão no Brasil, Daniel Vorcaro responde que a presença da filha de Trump seria “legal demais” e garante que o espaço seria “super restrito” e apenas para convidados. A conversa expõe a rotina de um grupo de alta renda global, que mistura celebridades, banqueiros e figuras políticas em eventos de entretenimento e negócios.
Ivanka Trump no carnaval: preocupação com segurança e exposição
Os diálogos mostram que a empolgação de Ivanka Trump com o carnaval brasileiro vinha acompanhada de preocupação com a segurança em eventos públicos. Martha Graeff menciona que a empresária norte-americana questionava como funcionaria a atuação do Serviço Secreto dos Estados Unidos em um ambiente aberto e lotado como o carnaval do Rio. Diante disso, Daniel Vorcaro sugere a realização de encontros em “ambiente controlado”, com acesso limitado e maior controle de quem entraria nos espaços frequentados pelo grupo.
Em uma das conversas, Martha lista as datas e destinos que comporiam o roteiro carnavalesco de Daniel Vorcaro: Salvador nos dias 27 e 28, Rio de Janeiro nos dias 1º e 2, Trancoso entre 3 e 8, retorno ao Rio no desfile das campeãs e partida no dia 9. Nesse contexto, ela afirma que Ivanka “deve precisar de secret service” e admite considerar a logística “complicada”, embora ressalte que a filha de Trump “quer muito” vir ao Brasil. A preocupação com a exposição pública e com o potencial impacto político da imagem de Daniel Vorcaro ao lado da família Trump também aparece nos diálogos.
Lista de convidados revela rede internacional de celebridades
As mensagens interceptadas pela PF mostram que os planos de carnaval de Daniel Vorcaro e Martha Graeff iam além da presença de Ivanka Trump e Jared Kushner. Em uma lista enviada pela influenciadora, aparecem nomes de diversas figuras internacionais, incluindo o jogador de futebol Paul Pogba, campeão do mundo pela França, além de empresários e influenciadores ligados ao universo de luxo e entretenimento. A relação de convidados reforça o perfil de alta circulação internacional do círculo social frequentado pelo banqueiro.
Entre os citados por Martha estão Isabela Grutman e Dave Grutman, nomes conhecidos do cenário de baladas e hospitalidade em Miami, Natassa e Ben Gorham, além de outras pessoas identificadas apenas pelo primeiro nome ou apelidos. A presença de Ivanka e Jared aparece na lista com ponto de interrogação, indicando que, à época da conversa, a participação ainda dependia de confirmação logística e política. Mesmo assim, o simples fato de constar em uma programação privada de carnaval organizada por Daniel Vorcaro mostra o nível de proximidade que o casal buscava consolidar com a família Trump.
“O Brasil é tão ridículo”: receio de repercussão e críticas
Apesar do entusiasmo com a possibilidade de reunir Daniel Vorcaro, Ivanka Trump e outras celebridades no carnaval, Martha Graeff revela preocupação com a repercussão do encontro no Brasil. Em uma mensagem, ela afirma que “o Brasil é tão ridículo” e avalia que poderia ser “ruim” para o namorado ser visto ao lado da filha do presidente norte-americano e de Jared Kushner em ambiente público. A frase expõe o temor de críticas, politização e desgaste de imagem, especialmente em um momento de forte polarização política.
Daniel Vorcaro, porém, minimiza o risco ao destacar que o camarote seria “super restrito” e frequentado apenas por convidados próximos. A insistência em um ambiente controlado aparece como resposta tanto às preocupações de imagem no cenário brasileiro quanto às exigências de segurança em torno de Ivanka. Nos diálogos, Martha reforça que considera a empresária “muito legal” e “uma fofa”, indicando proximidade pessoal e conforto em dividir o espaço privado de lazer com a família Trump.
Conversas revelam visão de Daniel Vorcaro sobre o sistema bancário
Além dos planos de carnaval, as mensagens extraídas pela PF também registram a forma como Daniel Vorcaro enxerga sua atuação no setor financeiro. Em conversa com Martha Graeff, o banqueiro compara o negócio bancário à máfia, afirmando que “não dá para sair” e que “ninguém sai bem”. A declaração é feita em um contexto de pressão regulatória e de mercado, quando o Banco Master, ligado a Vorcaro, enfrentava questionamentos do Banco Central e do próprio sistema financeiro em meio à tentativa de compra pela instituição BRB.
Na troca de mensagens, Daniel Vorcaro diz à namorada que “sobreviveu mais um dia” e admite que a exposição pública tornou a situação “muito arriscada”. Ele menciona que “criaram um problema que não existia” e que, a partir dali, não adiantava reclamar, mas sim “resolver” o impasse. Martha reage com surpresa, afirmando que o namorado nunca havia contado que comparava o ramo bancário a uma máfia, e manifesta desejo de que o casal possa “viver em paz” após a turbulência.
Pressão de mercado, Banco Central e corrida para “chegar ao final”
Os diálogos situam Daniel Vorcaro em um momento de forte escrutínio por parte de reguladores e de outros grandes nomes do sistema financeiro. Em abril de 2025, encontros entre presidentes de instituições como André Esteves, do BTG, e Daniel Lima, do Fundo Garantidor de Créditos, com o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, tinham como pauta a estabilidade do sistema após a proposta de compra do Banco Master pelo BRB. Nesse cenário, Vorcaro relata à namorada que precisava “chegar ao final” do processo e que não sabia se “o pior já passou”.
Ele menciona que, com a exposição, “ficou muito arriscado”, mas avalia que a situação caminhava para uma solução, citando que “André baixou a guarda e ataques diminuíram bem”. Embora os diálogos não deixem claro se o “André” mencionado é de fato André Esteves, a referência indica que Daniel Vorcaro percebia a movimentação de grandes players do mercado em torno da operação. Martha, por sua vez, considera “surreal” tudo o que o namorado estava vivendo e interpreta que “eles não iam deixar você sair assim por cima sem tentar te bater”.
“Banco é igual máfia”: frase resume sensação de cerco em torno de Vorcaro
A frase de que “esse negócio de banco é igual máfia”, atribuída a Daniel Vorcaro nas mensagens, sintetiza o clima de cerco descrito pelo próprio banqueiro à namorada. Ao afirmar que “ninguém sai bem” e que “só sai mal”, ele indica enxergar o sistema financeiro como um ambiente de disputa permanente, em que operações relevantes, como a venda de uma instituição, despertam resistências e reações de outros atores poderosos. O paralelo com a máfia, ainda que feito em conversa privada, reforça a percepção de que laços, interesses e retaliações fazem parte do cotidiano de quem ocupa posições de comando nesse mercado.
Para além do impacto imediato da frase na opinião pública, o conteúdo das mensagens abre espaço para que investigações parlamentares e regulatórias examinem o contexto em que elas foram escritas. A referência a encontros com autoridades, a menção a “ataques” e a avaliação de que “criaram um problema que não existia” podem ser confrontadas com documentos oficiais, decisões do Banco Central e movimentos de concorrentes. No centro dessas discussões, permanece a figura de Daniel Vorcaro, que tenta, ao mesmo tempo, administrar uma crise institucional e planejar carnavais de alto padrão com figuras de projeção global.
PF rastreia bastidores de luxo, poder e crise no entorno de Daniel Vorcaro
As mensagens analisadas pela Polícia Federal, posteriormente compartilhadas com a CPI do INSS, revelam um retrato raro dos bastidores em que se misturam luxo, poder político internacional e tensão regulatória em torno de Daniel Vorcaro. De um lado, a rotina de negociações com autoridades e grandes bancos, marcada por reuniões, pressão e incerteza sobre o futuro do Banco Master. De outro, planos de camarotes exclusivos, viagens, encontros com celebridades e a tentativa de conciliar a presença da filha do presidente dos EUA em um dos eventos mais populares do Brasil.
A combinação desses elementos traz à tona a complexidade do ambiente em que o banqueiro transita: simultaneamente alvo de investigações, parceiro de negócios, anfitrião de celebridades e articulador de relações com figuras de peso do cenário político internacional. Ao final, as conversas mostram que, para Daniel Vorcaro, a saída desse enredo passa por “resolver” problemas que, segundo ele, foram criados em torno de seu nome – ao mesmo tempo em que tenta manter, na esfera privada, uma vida de alto padrão ao lado de Martha Graeff e de sua rede global de relações.





