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Datafolha: Lula e Flávio Bolsonaro empatam em 35% em SP e rejeição dispara

Pesquisa mostra empate técnico no 1º e 2º turnos no maior colégio eleitoral, com 51% de rejeição a Lula e 43% a Flávio; indecisos chegam a 37%*

por Júlia Campos
08/07/2026 às 20h01
em Política
Datafolha Sp: Lula E Flávio Com 35%; Polarização Pesa Em Risco Fiscal E Reformas-Gazeta Mercantil

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) estão tecnicamente empatados com 35% das intenções de voto válidas cada um em São Paulo para o primeiro turno da eleição presidencial de 4 de outubro de 2026. O dado é do Datafolha, divulgado nesta quarta-feira (8), em levantamento encomendado pela Folha de S.Paulo e registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob os protocolos SP-01703/2026 e BR-06481/2026. A pesquisa do Datafolha ouviu 1.608 eleitores com 16 anos ou mais em 71 municípios paulistas entre 1º e 3 de julho, com margem de erro de dois pontos percentuais e confiança de 95%. O resultado confirma a divisão do maior colégio eleitoral do país e eleva a incerteza que já contamina projeções de risco-Brasil, dívida pública e juros.

O cruzamento de fontes primárias mostra por que o número tem peso nacional. São Paulo concentra cerca de 22% dos eleitores válidos, segundo o Tribunal Regional Eleitoral de SP, e responde por aproximadamente 31% do PIB, de acordo com o IBGE. O Estado abriga ainda a sede de cerca de 60% das companhias listadas na B3. Quando o Datafolha mede empate com rejeição alta nesse eleitorado, o sinal se propaga para decisões de investimento, crédito e contratação em todo o país.

Leia também: Lula prepara MP para proibir bets e anuncia pacote contra endividamento.

A leitura do Datafolha não é apenas eleitoral. Ao colocar os dois líderes no mesmo patamar e com mais de 40% de rejeição, o instituto indica um cenário de governabilidade estreita a partir de 2027. Para a Gazeta Mercantil, esse é o ponto central do levantamento do Datafolha, porque antecipa a dificuldade de formar maiorias estáveis no Congresso em um ambiente fiscal já pressionado.

Segundo turno em SP também termina empatado, mostra Datafolha

Na simulação de segundo turno testada pelo Datafolha, Flávio Bolsonaro tem 46% contra 43% de Lula. A diferença de três pontos está dentro da margem de erro e configura novo empate técnico, repetindo o padrão captado pelo Datafolha em abril. O dado reforça a avaliação de que a eleição presidencial de 2026 começa estruturada na mesma polarização que marcou 2018 e 2022.

Leia também: Eduardo Bolsonaro critica Nikolas Ferreira e expõe racha no bolsonarismo.

O Datafolha mediu ainda dois cenários alternativos. Contra Ronaldo Caiado (PSD), Lula aparece com 42% e Caiado com 43%. Contra Romeu Zema (Novo), Lula registra 41% e Zema, 44%. Nos dois casos, o Datafolha aponta empate técnico. Os números indicam que há demanda por nomes fora do eixo PT-PL, mas sem força suficiente, até aqui, para romper a trava da polarização.

A estabilidade das simulações do Datafolha desde o segundo trimestre sugere um eleitorado cristalizado. Para estrategistas, isso reduz o espaço para movimentos bruscos e aumenta o peso de variáveis econômicas, como inflação de serviços e mercado de trabalho, na reta final da pré-campanha.

Leia também: Motociata de Bolsonaro: Ex-presidente participa em Brasília sob restrições do STF.

Rejeição bate 51% para Lula e 43% para Flávio

O dado mais sensível do Datafolha está na rejeição. Lula é rejeitado por 51% dos paulistas, alta de três pontos frente a abril. Flávio Bolsonaro tem 43% de rejeição. Aécio Neves (PSDB) é o único terceiro nome acima de 20%, com 21%. O Datafolha mostra, na prática, dois favoritos com piso alto e teto baixo.

Essa combinação é a que mais preocupa analistas. Com rejeição recíproca elevada, a capacidade de atrair o centro no segundo turno depende de uma campanha focada em economia e serviços públicos. O Datafolha indica que promessas de mobilização de base tendem a prevalecer sobre sinalizações de ajuste no início, o que eleva o prêmio exigido para financiar o Tesouro.

Para o mercado, o recado do Datafolha é direto. Em cenários de polarização com rejeição alta, a probabilidade de reformas impopulares no primeiro ano cai. A percepção de risco fiscal aumenta, e o câmbio passa a responder mais a ruído político do que a fundamentos de curto prazo.

Peso de SP: 22% dos eleitores e 31% do PIB, segundo TRE e IBGE

O levantamento do Datafolha ganha tração porque mede o humor de um eleitorado urbano, com renda média superior e maior acesso a informação. São Paulo concentra a maior base de emprego formal, o maior mercado de crédito ao consumo e a maior arrecadação federal. Qualquer inflexão captada pelo Datafolha em SP costuma antecipar movimentos nacionais.

O IBGE e o TRE-SP sustentam a leitura de que o Estado funciona como proxy do Brasil em ciclos eleitorais. O Datafolha, ao registrar empate, sinaliza que a disputa nacional deve começar equilibrada, com forte componente regionalizado na largada. Para empresas, isso implica planejamento com múltiplos cenários e gatilhos de decisão atrelados a pesquisas nacionais do Datafolha nos próximos meses.

A concentração de sedes corporativas amplifica o efeito. Com cerca de 60% das listadas baseadas em SP, o Datafolha entra nos comitês de investimento como variável de timing para aportes, fusões e contratações. Empate prolongado com rejeição alta tende a adiar projetos intensivos em capital.

Indecisos somam 37% e seguram definição da disputa

Atrás da dupla principal, o Datafolha mostra fragmentação. No primeiro turno estimulado, Ronaldo Caiado (PSD) e Renan Santos (Missão) têm 3% cada. Romeu Zema (Novo), Samara Martins (UP) e Aécio Neves (PSDB) marcam 2% cada. Outros quatro nomes ficam com 1%. Na espontânea, o Datafolha registra Lula com 24% e Flávio com 18%.

O número que mais mexe com a estratégia, segundo o Datafolha, está fora da disputa nominal. 37% dos entrevistados não sabem em quem votar e 8% declaram voto branco, nulo ou nenhum. Somados, quase metade do eleitorado paulista segue indefinida a pouco mais de um mês do fim do prazo de convenções, em agosto.

Essa reserva de votos captada pelo Datafolha explica por que a corrida permanece aberta apesar da polarização. Historicamente, o Datafolha mostra que indecisos em SP decidem tarde e são sensíveis a emprego, renda e crédito. A disputa por esse contingente deve concentrar a agenda econômica das campanhas.

Com dívida a 80,1% do PIB, IFI vê governabilidade em risco

O cruzamento do Datafolha com dados fiscais acende alerta. A Instituição Fiscal Independente projeta dívida pública em 80,1% do PIB, com trajetória de pressão até 2036 sem novas medidas estruturais. Em um cenário de empate com rejeição alta, como mostra o Datafolha, a formação de coalizões amplas para aprovar ajuste se torna mais complexa.

O mercado lê o Datafolha como proxy de risco político. Com Congresso fragmentado e eleição antecipada na agenda, a probabilidade de aprovação rápida de medidas de contenção de despesa cai. O resultado é maior custo de rolagem da dívida e maior sensibilidade a choques externos, como juros nos Estados Unidos e preços de commodities.

Para setores dependentes de investimento público e concessões, o sinal do Datafolha é de cautela. Infraestrutura, saneamento e energia tendem a alongar cronogramas até que o Datafolha nacional confirme tendência. A leitura em SP, pelo peso econômico, costuma liderar essa reprecificação.

Selic e reformas entram na conta com eleição antecipada

O Banco Central monitora expectativas. O Datafolha, ao indicar polarização duradoura, alimenta volatilidade em inflação esperada e câmbio, dois canais diretos para a política monetária. Com esse pano de fundo, o espaço para cortes mais agressivos da Selic se estreita, mesmo com atividade mais fraca.

Na agenda legislativa, o Datafolha contamina votações que exigem quórum qualificado. Propostas com impacto fiscal dependem de base ampla e ambiente de menor ruído. O empate medido pelo Datafolha em SP antecipa um segundo semestre de travas políticas, com maior dificuldade para avançar em reformas estruturais antes das convenções.

Empresas revisam premissas. O Datafolha passa a integrar modelos de demanda, câmbio e juros para 2026 e 2027. Com empate técnico e rejeição alta, os cenários de continuidade e de alternância convergem em um ponto, restrição fiscal e necessidade de sinalização crível no início do mandato.

Empate em SP projeta campanha longa e eleva incerteza para negócios

O retrato do Datafolha em São Paulo combina três elementos que prolongam a indefinição, empate numérico, rejeição elevada dos dois lados e um bolsão de indecisos perto de 40%. Essa configuração, captada de forma consistente pelo Datafolha, historicamente produz campanhas mais mobilizadas, com menor espaço para debate técnico e maior volatilidade de ativos.

Para investidores, a pesquisa do Datafolha estabelece a linha de base do segundo semestre. Se as próximas rodadas nacionais do Datafolha confirmarem o padrão paulista, cresce a chance de segundo turno polarizado e de prêmios de risco mais altos até as convenções. O Datafolha, nesse contexto, deixa de ser apenas termômetro eleitoral e passa a ser variável de preço.

A Gazeta Mercantil seguirá acompanhando as divulgações do Datafolha com foco em rejeição, espontânea e simulações de segundo turno. O levantamento desta quarta, com base em fontes primárias do TSE, do TRE-SP, do IBGE e da IFI, mostra que a eleição presidencial de 2026 já começou em São Paulo. E começou empatada.

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