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Desemprego cai a 5,6% e atinge menor nível para o período, diz IBGE

PNAD Contínua mostra estabilidade da taxa de desocupação e avanço na ocupação, renda e redução da subutilização no mercado de trabalho brasileiro.

por Antônio Lima - Repórter de Economia
26/06/2026 às 17h39 - Atualizado em 17/07/2026 às 12h01
em Economia,Destaque,Notícias
Desemprego Cai A 5,6% E Atinge Menor Nível Para O Período, Diz Ibge

A taxa de desocupação no Brasil ficou em 5,6% no trimestre encerrado em maio de 2026, segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua), divulgada nesta sexta-feira (26) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado representa estabilidade em relação ao trimestre encerrado em fevereiro (5,8%) e recuo de 0,6 ponto percentual na comparação com o mesmo período de 2025 (6,2%). No período, o país registrou 6,1 milhões de pessoas desocupadas, enquanto a população ocupada chegou a 102,7 milhões, indicando expansão moderada do mercado de trabalho e manutenção de um cenário de absorção de mão de obra ainda elevada.

O desempenho consolida a menor taxa de desemprego para trimestres encerrados em maio desde o início da série histórica da PNAD Contínua, iniciada em 2012. Apesar da variação estatisticamente estável no curto prazo, o conjunto dos indicadores aponta continuidade de um ciclo de mercado de trabalho aquecido, com redução da ociosidade da força de trabalho e melhora em métricas de aproveitamento produtivo.

Mercado de trabalho mantém trajetória de absorção e estabilidade na desocupação

A estabilidade da taxa de desocupação em 5,6% ocorre em um contexto de leve expansão da ocupação total. Segundo o IBGE, a população ocupada avançou 0,5% em relação ao trimestre anterior, com entrada de aproximadamente 840 mil pessoas no mercado de trabalho.

A força de trabalho — que reúne ocupados e desocupados — alcançou 108,8 milhões de pessoas, alta de 0,4% no trimestre. O movimento indica manutenção da dinâmica de entrada e absorção de trabalhadores, ainda que em ritmo mais moderado do que em fases de recuperação pós-crise.

O nível de ocupação, que mede a proporção de pessoas em idade de trabalhar efetivamente empregadas, ficou em 58,6%, com leve variação positiva de 0,2 ponto percentual no trimestre e estabilidade na comparação anual.

Para o analista da pesquisa, William Kratochwill, a estabilidade recente reflete fatores sazonais típicos do período, mas o quadro estrutural segue apontando para um mercado resiliente. Segundo ele, a economia mantém capacidade de absorver mão de obra, ainda que com menor folga do que em anos anteriores.

Subutilização da força de trabalho recua e atinge menor nível histórico

Um dos destaques do levantamento é a taxa de subutilização da força de trabalho, que caiu para 13,3%, o menor nível da série histórica da PNAD Contínua. O indicador inclui pessoas desocupadas, subocupadas por insuficiência de horas e aquelas disponíveis para trabalhar, mas que não conseguem ocupação.

O recuo em relação ao trimestre anterior (14,1%) e ao mesmo período de 2025 (14,9%) reforça a redução do chamado “estoque de mão de obra ociosa” na economia brasileira. Em números absolutos, cerca de 15,1 milhões de pessoas estavam nessa condição no trimestre encerrado em maio.

Dentro desse grupo, a subocupação por insuficiência de horas atingiu 4,1 milhões de trabalhadores, com queda de 5,7% no trimestre. Já o contingente de desalentados — pessoas que desistiram de procurar emprego — somou 2,4 milhões, recuo de 10,2% em relação ao trimestre anterior e de 14,6% na comparação anual.

O índice de desalento ficou em 2,2%, também em queda no período. O movimento indica maior absorção da força de trabalho e redução gradual das margens de ociosidade que marcaram o mercado durante o período pandêmico.

Estrutura do emprego mostra estabilidade na formalidade e peso da informalidade

A composição do mercado de trabalho permaneceu relativamente estável entre os principais vínculos ocupacionais. Os empregados no setor privado com carteira assinada somaram 39,2 milhões, sem variação relevante no trimestre e na comparação anual.

Já os trabalhadores sem carteira no setor privado ficaram em 13,3 milhões, também estáveis nas duas bases de comparação. O contingente de trabalhadores por conta própria atingiu 26,0 milhões, repetindo o padrão de estabilidade observado nos últimos trimestres.

Entre os trabalhadores domésticos, o número chegou a 5,4 milhões, com estabilidade no trimestre, mas recuo de 328 mil pessoas em relação ao ano anterior.

A taxa de informalidade permaneceu em 37,3% da população ocupada, evidenciando que mais de um terço do mercado de trabalho segue fora de vínculos formais. O indicador mantém trajetória lateral, sem reversão estrutural no curto prazo, apesar da melhora em outros indicadores de absorção.

Esse quadro sugere que a expansão do emprego tem ocorrido de forma distribuída entre diferentes modalidades de ocupação, sem avanço significativo da formalização.

Renda do trabalho cresce e massa salarial atinge R$ 377,7 bilhões

O rendimento médio real habitual dos trabalhadores ficou em R$ 3.726 no trimestre encerrado em maio, com estabilidade em relação ao trimestre anterior e alta aproximada de 4% na comparação anual.

A massa de rendimento, que representa o total de ganhos do trabalho na economia, alcançou R$ 377,7 bilhões, também estável no trimestre e com crescimento em relação ao mesmo período de 2025.

O comportamento da renda indica que, mesmo com estabilidade na taxa de desocupação, o mercado de trabalho tem apresentado pressão positiva sobre remunerações em determinados segmentos, em linha com a redução da oferta de mão de obra disponível.

A evolução da renda é um dos fatores acompanhados pelo mercado por seu impacto direto no consumo das famílias e na dinâmica da atividade econômica, especialmente nos setores de serviços e comércio.

Setores de serviços e administração pública lideram expansão da ocupação

Na abertura por setores, dois grupos se destacaram na geração de ocupação no trimestre. O segmento de transporte, armazenagem e correio registrou alta de 3,0%, com incremento estimado de 177 mil postos de trabalho.

Já o conjunto formado por administração pública, defesa, seguridade social, educação, saúde humana e serviços sociais apresentou avanço de 3,1%, com acréscimo de 591 mil pessoas ocupadas.

Nos demais setores analisados pelo IBGE, não foram observadas variações estatisticamente significativas, o que reforça um quadro de crescimento concentrado em áreas específicas da economia.

Esse comportamento é consistente com fases de expansão moderada do mercado de trabalho, nas quais setores intensivos em serviços e atividades públicas tendem a sustentar parte relevante da criação de vagas.

Mercado mais apertado reduz folga de trabalhadores disponíveis e altera dinâmica salarial

A combinação de queda na subutilização, redução do desalento e estabilidade na informalidade indica um mercado de trabalho com menor grau de ociosidade estrutural.

O próprio IBGE destaca que o contingente de trabalhadores subutilizados — que funciona como uma espécie de “reserva de mão de obra” — está em trajetória de redução contínua. Segundo a leitura técnica da pesquisa, esse grupo chegou a níveis elevados durante a pandemia, quando se aproximou de 30%, e vem recuando desde então.

A diminuição dessa folga tende a alterar a dinâmica de oferta e demanda por trabalho, com potenciais efeitos sobre salários e condições de contratação. Em cenários de menor disponibilidade de trabalhadores, empresas enfrentam maior competição por mão de obra, o que pode pressionar reajustes salariais em segmentos específicos.

Ao mesmo tempo, a estabilidade da taxa de informalidade indica que parte relevante da absorção continua ocorrendo fora do regime formal, o que limita a velocidade de consolidação de ganhos mais amplos de qualidade do emprego.

Indicadores apontam continuidade de ciclo de mercado de trabalho aquecido

O conjunto dos dados da PNAD Contínua reforça a leitura de que o mercado de trabalho brasileiro mantém trajetória de aquecimento, ainda que com sinais de desaceleração marginal em alguns indicadores.

A taxa de desocupação em 5,6%, a menor para o período, a expansão da população ocupada para 102,7 milhões e a redução da subutilização para 13,3% compõem um quadro de melhora consistente na utilização da força de trabalho.

Ao mesmo tempo, a estabilidade em diversos indicadores sugere que o mercado pode estar entrando em uma fase de menor volatilidade, após ciclos mais intensos de recuperação.

Nesse contexto, o comportamento da renda e a evolução dos setores mais dinâmicos passam a ser variáveis centrais para avaliar a sustentabilidade do atual nível de emprego nos próximos trimestres.

Tags: DesempregoEconomiaeconomia brasileiraempregoIBGEinformalidademercado de trabalhoPnad ContínuarendasubutilizaçãoTaxa de desocupação

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