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Dividendos de até 13%: veja ações que entraram no radar de bancos e casas de análise

XP, Totvs, Vibra, Ultrapar e Cyrela aparecem entre os destaques de JPMorgan, Itaú BBA, BofA e Empiricus; Braskem tem visão mais cautelosa.

por Camila Braga
06/07/2026 às 10h40
em Mercados
Dividendos De Até 13%: Veja Ações Que Entraram No Radar De Bancos E Casas De Análise - Gazeta Mercantil - Mercados

A busca por ações capazes de combinar dividendos, geração de caixa e potencial de valorização voltou a ganhar força entre investidores em julho. Em um ambiente ainda marcado por juros elevados, expectativa de cortes na Selic e maior seletividade na Bolsa, bancos e casas de análise passaram a destacar empresas que podem entregar retorno ao acionista ou negociar com desconto em relação aos fundamentos.

Entre os nomes citados em relatórios recentes estão XP (XPBR31), Totvs (TOTS3), Vibra Energia (VBBR3), Ultrapar (UGPA3) e Cyrela (CYRE3). A Braskem (BRKM5) também entrou no radar, mas em sentido oposto: o JPMorgan cortou o preço-alvo da petroquímica pela metade e manteve uma visão neutra para os papéis.

O ponto de maior impacto veio da XP. O JPMorgan estima que a companhia possa distribuir até R$ 5,5 bilhões aos acionistas, o que poderia representar um dividend yield de aproximadamente 12% a 13% em um cenário de maior devolução de capital. O banco também mantém recomendação de compra para os BDRs da empresa, com preço-alvo de R$ 136.

Apesar do número elevado, o investidor precisa separar projeção de garantia. Dividend yield estimado depende do preço do ativo, do lucro efetivo, da geração de caixa, da política de capital da companhia e da aprovação de eventuais distribuições pelos órgãos internos da empresa. Ou seja, retorno projetado não significa pagamento confirmado.

XP é vista como destaque em dividendos pelo JPMorgan

A XP aparece como uma das principais apostas do JPMorgan para quem busca dividendos entre empresas financeiras e de mercado de capitais. Segundo a avaliação atribuída ao banco, a companhia combina forte geração de caixa, excesso de capital e possibilidade de devolver recursos aos acionistas por meio de dividendos e recompras.

O relatório citado pelo mercado estima que a XP poderia destravar entre R$ 2,5 bilhões e R$ 8 bilhões em capital excedente, a depender do cenário considerado. No caso-base, a distribuição ficaria entre R$ 5 bilhões e R$ 5,5 bilhões, o que levaria o retorno ao acionista para uma faixa próxima de 12% a 13%.

Esse patamar colocaria a XP entre os destaques da Bolsa em dividendos, especialmente porque a empresa não pertence aos setores tradicionalmente associados a grandes proventos, como bancos incumbentes, energia elétrica, petróleo, saneamento ou telecomunicações.

A tese do JPMorgan passa também pela expectativa de crescimento de lucro, recompras de ações e eventual impacto positivo de um ciclo de queda dos juros. Juros menores tendem a favorecer o apetite por renda variável, aumentar a atividade de mercado de capitais e melhorar o ambiente para plataformas de investimento.

Ainda assim, a XP continua exposta à volatilidade da Bolsa, à competição no setor financeiro, ao ritmo de captação líquida, à margem dos produtos distribuídos e à recuperação do mercado de capitais. Por isso, o dividend yield projetado deve ser tratado como uma estimativa condicionada ao cenário traçado pelos analistas.

Braskem tem preço-alvo cortado e recomendação neutra

A Braskem entrou na lista por outro motivo. O JPMorgan reduziu o preço-alvo das ações BRKM5 de R$ 15 para R$ 7,50 e rebaixou a recomendação de compra para neutra, segundo informações publicadas pelo InfoMoney. A decisão refletiu uma combinação de menor otimismo com spreads petroquímicos e aumento dos riscos associados à reestruturação financeira da companhia.

A petroquímica vinha sendo observada pelo mercado em meio a discussões sobre estrutura de capital, dívida, controle acionário e condições do setor. A redução das tensões entre Estados Unidos e Irã também diminuiu parte do impulso que havia favorecido os spreads petroquímicos em momento anterior.

Na avaliação atribuída ao JPMorgan, as negociações com credores passaram a ter peso maior na tese de investimento. A possibilidade de uma solução extrajudicial ainda seria vista como cenário mais provável, enquanto uma recuperação judicial representaria a alternativa mais negativa para o valor das ações.

Diferentemente da XP, portanto, a Braskem não aparece como tese de dividendos. O caso é mais defensivo e exige atenção aos riscos financeiros, operacionais e jurídicos. Para investidores, o papel pode ter volatilidade elevada justamente porque depende de decisões sobre endividamento, eventual reestruturação e retomada das margens do setor petroquímico.

Totvs ainda é compra para o Itaú BBA

A Totvs aparece entre os nomes que sofreram forte correção no primeiro semestre, mas que continuam sendo defendidos por analistas. O Itaú BBA reduziu o preço-alvo da ação de R$ 60 para R$ 46, mas manteve recomendação equivalente à compra, segundo informações publicadas pelo Finance News.

A avaliação do banco é que a queda acumulada pelo papel em 2026 não reflete integralmente os fundamentos da companhia. Para o Itaú BBA, parte da pressão sobre a Totvs está relacionada ao movimento global de aversão a empresas de software, em meio às preocupações com inteligência artificial, competição e revisão de múltiplos do setor.

Mesmo com o corte no preço-alvo, a recomendação positiva indica que o banco ainda enxerga espaço para valorização. O relatório aponta que a Totvs negocia a cerca de 13,9 vezes o lucro ajustado projetado para 2027 e oferece crescimento anual composto estimado de 23% no lucro por ação nos próximos três anos.

A tese da Totvs não é essencialmente uma tese de dividendos elevados. A empresa costuma ser mais associada a crescimento, recorrência de receita, software de gestão e expansão em soluções empresariais. O interesse do mercado, nesse caso, está no possível desconto das ações após a queda recente e na capacidade de manter crescimento de lucro mesmo em um ambiente de maior cautela com tecnologia.

O principal risco está na percepção de que a inteligência artificial pode alterar a dinâmica competitiva do setor de software. Caso o mercado entenda que empresas tradicionais de ERP terão pressão maior sobre preços, margens ou crescimento, o múltiplo da Totvs pode continuar comprimido.

Vibra é a preferida do BofA no setor de combustíveis

No setor de distribuição de combustíveis, o Bank of America elevou os preços-alvo de Vibra Energia e Ultrapar, mas manteve preferência pela Vibra. Para a Vibra, o preço-alvo passou de R$ 42 para R$ 43. Para a Ultrapar, subiu de R$ 33 para R$ 34. Os valores representavam potenciais de valorização de 43,7% e 29,1%, respectivamente, em relação ao fechamento usado no relatório.

A preferência pela Vibra decorre de sua maior exposição ao negócio de distribuição de combustíveis. Segundo a avaliação do BofA, as distribuidoras podem apresentar resultados fortes no segundo trimestre de 2026, com margens Ebitda próximas de R$ 400 por metro cúbico.

O banco também avalia que a normalização dos preços pode liberar capital de giro e favorecer uma geração de caixa mais robusta. Esse ponto é relevante porque empresas de distribuição de combustíveis costumam demandar capital relevante para estoques, contas a receber e financiamento da operação.

No caso da Vibra, a tese combina margem, escala, geração de caixa e exposição direta ao segmento. A empresa também pode ser beneficiada por queda de juros, uma vez que o custo de capital menor tende a melhorar o valuation de companhias com geração de caixa previsível e distribuição potencial de proventos.

O risco está na própria natureza do setor. Margens de combustíveis podem mudar rapidamente conforme política de preços da Petrobras, paridade de importação, câmbio, custo logístico, competição regional, fiscalização e demanda doméstica.

Ultrapar também tem preço-alvo elevado, mas recomendação é mais cautelosa

A Ultrapar também teve preço-alvo elevado pelo Bank of America, mas a recomendação ficou mais cautelosa em comparação com a Vibra. O banco reconhece a possibilidade de resultados sólidos, porém destaca que a companhia tem menor participação relativa da distribuição de combustíveis no resultado operacional consolidado.

Isso faz diferença porque a Ultrapar é um grupo mais diversificado. Além da Ipiranga, atua em outros negócios, como distribuição de gás e logística. Essa diversificação pode reduzir riscos específicos, mas também dilui o impacto de um ciclo favorável exclusivamente para combustíveis.

Para investidores, a Ultrapar pode ser vista como uma tese de qualidade operacional e recuperação gradual, mas não necessariamente como a melhor assimetria do setor no curto prazo. A preferência do BofA pela Vibra indica que, no cenário projetado pelo banco, a exposição mais direta à distribuição é considerada mais atrativa.

Ainda assim, o aumento do preço-alvo de R$ 33 para R$ 34 mostra que o banco incorporou premissas ligeiramente mais positivas para a companhia. O potencial de valorização estimado, porém, não deve ser confundido com garantia de retorno.

Cyrela entra na carteira de dividendos da Empiricus

A Cyrela foi incluída pela Empiricus na carteira de dividendos de julho, com peso de 12,5%. A carteira também reúne Axia, B3, Itaú, Multiplan, Petrobras, Telefônica Brasil e Vale, todas com o mesmo peso indicado pela casa.

A entrada da Cyrela reflete uma leitura positiva sobre portfólio, execução operacional, disciplina financeira e estrutura de capital. A companhia atua em diferentes segmentos do mercado imobiliário, incluindo alta renda e empreendimentos voltados a faixas de renda mais sensíveis ao crédito.

O setor de construção civil tende a se beneficiar de um ciclo de queda da Selic. Juros menores reduzem o custo de financiamento imobiliário, melhoram a capacidade de pagamento dos compradores e podem aumentar a demanda por lançamentos. Esse cenário favorece incorporadoras com balanço sólido, banco de terrenos bem posicionado e histórico de execução.

A Cyrela, porém, também tem riscos relevantes. O setor imobiliário é altamente cíclico e depende de confiança do consumidor, crédito, custo de construção, velocidade de vendas e condições macroeconômicas. Caso a queda dos juros demore mais do que o esperado, a recuperação do setor pode ser mais lenta.

Além disso, dividendos no setor de construção podem variar bastante conforme o ciclo de lançamentos, vendas, repasses, geração de caixa e decisões de alocação de capital.

O que comparar antes de investir

As ações citadas não pertencem ao mesmo perfil de risco. A XP aparece como uma tese de dividendos elevados e devolução de capital. A Totvs é uma tese de crescimento com valuation mais descontado após queda expressiva. Vibra e Ultrapar dependem de margens no setor de combustíveis. Cyrela está ligada ao ciclo imobiliário e à trajetória dos juros. Braskem, por sua vez, carrega risco financeiro e setorial mais elevado.

Por isso, o investidor não deve avaliar apenas o dividend yield. Um retorno projetado de 13% pode parecer atraente, mas precisa ser sustentado por lucro, caixa, capital excedente e decisão efetiva de distribuição.

Também é necessário observar a recorrência dos dividendos. Empresas podem pagar proventos extraordinários em determinado ano e reduzir os valores nos períodos seguintes. O próprio JPMorgan indica que, no caso da XP, o yield poderia se estabilizar em uma faixa menor, entre 7% e 8%, nos próximos anos.

Outro ponto importante é o preço de entrada. A mesma empresa pode ser boa e, ainda assim, estar cara em determinado momento. Da mesma forma, uma ação barata pode continuar caindo se os fundamentos piorarem ou se o mercado revisar as expectativas.

Dividendos altos exigem cautela

A seleção recente de bancos e casas de análise mostra que ainda existem oportunidades na Bolsa brasileira, mas elas estão concentradas em teses diferentes. A XP chama atenção pelo potencial de distribuição de capital. A Totvs aparece como oportunidade após forte correção. A Vibra é a preferida do BofA no setor de combustíveis. A Ultrapar segue no radar, mas com recomendação mais neutra. A Cyrela volta ao foco da Empiricus em uma carteira de dividendos, apoiada na expectativa de queda dos juros.

A Braskem, por outro lado, ilustra o outro lado da seleção de ações: nem todo papel barato ou com queda expressiva representa oportunidade clara. No caso da petroquímica, a reestruturação financeira e as incertezas setoriais continuam pesando sobre a análise.

Para o investidor, a principal conclusão é que dividendos elevados devem ser analisados junto com balanço, geração de caixa, endividamento, governança, ciclo setorial e preço da ação. Nenhuma projeção de banco ou casa de análise elimina o risco de mercado.

Esta matéria tem caráter exclusivamente informativo e não constitui recomendação de compra ou venda de ativos.

Tags: açõesBank of AmericaBraskemBRKM5CYRE3CyreladividendosEmpiricusItaú BBAJPMorganmercadosTOTS3TotvsUGPA3UltraparVBBR3Vibra EnergiaXPXPBR31

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