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Economia verde supera US$ 10 trilhões e se consolida entre os maiores mercados do mundo

Crescimento das energias renováveis e das tecnologias de baixo carbono impulsiona novo ciclo global de investimentos e transformação econômica.

por Ana Luiza Farias
18/06/2026 às 10h03
em Negócios
Central De Energia Solar Na Cidade De Jiuquan Leia Mais Em: Https://Veja.abril.com.br/Agenda-Verde/Economia-Verde-Supera-Us-10-Trilhoes-Em-Valor-De-Mercado/-Gazeta Mercantil

A economia verde ultrapassou a marca de US$ 10 trilhões em valor de mercado e consolidou sua posição entre os maiores segmentos econômicos globais, em um movimento que redefine a alocação de capital nos mercados financeiros e acelera a transição para modelos produtivos de baixo carbono. O avanço foi impulsionado pelo crescimento de setores como energias renováveis, veículos elétricos, armazenamento de energia, eficiência energética e infraestrutura sustentável, que passaram a ocupar papel central nas estratégias de investimento de governos, empresas e fundos internacionais.

A nova dimensão da economia verde representa uma mudança estrutural na economia mundial. Há pouco mais de uma década, os negócios associados à sustentabilidade ocupavam uma participação relativamente limitada nas bolsas de valores e eram vistos por muitos investidores como segmentos de nicho. Hoje, as empresas ligadas à transição energética e às tecnologias ambientais concentram uma parcela crescente do mercado acionário e atraem volumes cada vez maiores de capital.

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O marco dos US$ 10 trilhões evidencia a transformação da agenda climática em uma questão econômica e financeira de primeira ordem. Mais do que um movimento regulatório ou ambiental, a economia verde tornou-se uma das principais fontes de crescimento empresarial e de geração de valor em escala global.

Receitas do setor avançam em ritmo superior ao da economia tradicional

Dados compilados pelo Fórum Econômico Mundial e pela consultoria Boston Consulting Group indicam que a economia verde já movimenta mais de US$ 5 trilhões em receitas anuais e se tornou o segundo segmento econômico que mais cresceu na última década, atrás apenas do setor de tecnologia.

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As projeções apontam que o valor econômico anual das atividades ligadas à transição energética poderá superar US$ 7 trilhões até 2030, refletindo a rápida expansão de mercados relacionados à descarbonização e à adaptação às mudanças climáticas.

O crescimento da economia verde tem ocorrido em velocidade superior à observada em setores tradicionais.

Segundo o levantamento, as receitas provenientes de atividades sustentáveis cresceram, em média, duas vezes mais rapidamente que as de negócios convencionais entre 2020 e 2024. Empresas com elevada exposição aos mercados verdes também passaram a ter maior facilidade de acesso ao capital e, em muitos casos, obtêm avaliações superiores às de companhias de segmentos mais maduros.

Para investidores, o movimento representa uma combinação rara entre crescimento acelerado, inovação tecnológica e expansão de mercados ainda em desenvolvimento.

Queda dos custos tecnológicos impulsiona expansão da economia verde

Grande parte do avanço da economia verde está associada à redução significativa dos custos de produção e implementação das tecnologias de baixo carbono.

Desde 2010, os preços dos painéis solares e das baterias de íons de lítio caíram cerca de 90%, enquanto os custos relacionados à geração de energia eólica offshore recuaram aproximadamente 50%.

A redução dos custos alterou profundamente a dinâmica do setor.

Tecnologias que anteriormente dependiam de subsídios governamentais passaram a competir em condições cada vez mais favoráveis com fontes convencionais de energia. Em diversos mercados, a geração solar e eólica já apresenta custos inferiores aos de projetos baseados em combustíveis fósseis.

O mesmo fenômeno é observado no mercado de mobilidade elétrica.

A queda dos preços das baterias ampliou a competitividade dos veículos elétricos e acelerou os investimentos em infraestrutura de recarga, impulsionando uma nova cadeia industrial em diversas regiões do mundo.

Mercado financeiro amplia exposição aos ativos sustentáveis

A ascensão da economia verde também provocou mudanças relevantes no sistema financeiro global.

Os instrumentos financeiros vinculados à sustentabilidade registraram forte expansão nos últimos anos, acompanhando o crescimento dos investimentos em transição energética e infraestrutura resiliente.

Segundo dados da Climate Bonds Initiative, o mercado de títulos verdes, sociais e sustentáveis ultrapassou US$ 7 trilhões em emissões acumuladas em 2026.

Desse montante, os chamados green bonds respondem por mais de US$ 4 trilhões.

Esses títulos são utilizados para financiar projetos relacionados a energia limpa, eficiência energética, transporte sustentável, adaptação climática e gestão de recursos naturais.

O crescimento do mercado demonstra que investidores institucionais continuam direcionando recursos para ativos ligados à sustentabilidade, mesmo em um cenário internacional marcado por tensões geopolíticas, inflação elevada em diversas economias e maior volatilidade nos mercados.

A busca por ativos capazes de combinar crescimento de longo prazo e menor exposição a riscos regulatórios e climáticos tem favorecido o fortalecimento da economia verde.

China assume protagonismo na nova indústria global

Embora a expansão da economia verde seja observada em diferentes regiões do planeta, a China consolidou uma posição de liderança na produção e na implantação das principais tecnologias de baixo carbono.

O país lidera a fabricação mundial de painéis solares, baterias e veículos elétricos, além de concentrar parte expressiva dos investimentos em infraestrutura de energia limpa.

O avanço chinês tem sido determinante para a redução dos custos globais dessas tecnologias e para sua disseminação em mercados emergentes e desenvolvidos.

A capacidade industrial da China permitiu ampliar a escala de produção, acelerar a inovação tecnológica e reduzir barreiras de entrada em diversos segmentos da economia verde.

Ao mesmo tempo, o protagonismo chinês intensificou a competição internacional por cadeias produtivas estratégicas e levou outras economias, especialmente Estados Unidos e União Europeia, a reforçarem políticas industriais voltadas à transição energética.

Nem todos os segmentos apresentam o mesmo nível de maturidade

Apesar da forte expansão da economia verde, especialistas destacam que o setor ainda apresenta ritmos distintos de desenvolvimento entre suas diversas atividades.

Tecnologias já consolidadas, como energia solar, energia eólica, armazenamento de energia e veículos elétricos, alcançaram níveis elevados de competitividade econômica e atraem a maior parte dos investimentos.

Por outro lado, áreas como hidrogênio de baixo carbono, captura e armazenamento de carbono e determinados combustíveis alternativos ainda dependem de incentivos governamentais, apoio regulatório e ganhos de escala para se tornarem economicamente viáveis.

Essa diferença de maturidade ajuda a explicar por que parte significativa dos recursos continua concentrada em segmentos considerados mais previsíveis e rentáveis.

Ainda assim, analistas avaliam que os setores atualmente em estágio inicial poderão representar as próximas grandes fronteiras de crescimento da economia verde ao longo das próximas décadas.

Investidores enxergam transição energética como tendência estrutural

A valorização das empresas ligadas à economia verde ocorre em um momento de transformação profunda das estratégias de investimento.

Segundo análise da London Stock Exchange Group (LSEG), companhias relacionadas à transição energética já representavam aproximadamente US$ 7,9 trilhões em capitalização de mercado no primeiro trimestre de 2025.

A superação da marca de US$ 10 trilhões indica que o setor continuou ampliando sua relevância nos mercados acionários e consolidando sua posição entre os principais vetores de crescimento econômico global.

Para investidores institucionais, a economia verde deixou de representar apenas uma agenda de sustentabilidade e passou a ser encarada como um tema estrutural de investimentos, capaz de gerar oportunidades de longo prazo em diversos setores.

Empresas que atuam em energias renováveis, mobilidade elétrica, infraestrutura sustentável e tecnologias ambientais passaram a ocupar posição estratégica nas carteiras de grandes fundos internacionais.

Economia verde amplia influência sobre decisões de empresas e governos

O avanço da economia verde também tem provocado mudanças nas estratégias corporativas e nas políticas públicas.

Governos ampliaram programas de incentivo à transição energética e passaram a considerar a sustentabilidade como elemento central das políticas industriais e de desenvolvimento.

Empresas, por sua vez, aceleraram investimentos em inovação, descarbonização e eficiência energética, em resposta às novas exigências regulatórias, às mudanças no comportamento dos consumidores e à crescente demanda dos investidores por negócios mais resilientes às transformações climáticas.

O resultado é a consolidação de uma nova dinâmica econômica, na qual a transição para uma economia de baixo carbono se tornou uma das principais forças de geração de riqueza, inovação e competitividade.

A superação da marca de US$ 10 trilhões em valor de mercado confirma que a economia verde já ocupa posição central no sistema econômico global e tende a exercer influência cada vez maior sobre os fluxos de investimentos, as estratégias empresariais e o crescimento econômico nas próximas décadas.

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