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Lula tem 40,6% e Flávio Bolsonaro 30,4%; distância diminui

Levantamento divulgado em 15 de setembro mantém Lula na liderança, mas mostra Flávio Bolsonaro reduzindo a diferença no primeiro e no segundo turno em relação à rodada de agosto.

por Júlia Campos
16/09/2026 às 12h38
em Política
Pesquisa Eleitoral - Gazeta Mercantil

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) aparece com 40,6% das intenções de voto na disputa pela Presidência da República, enquanto o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) registra 30,4%, segundo a nova rodada da pesquisa CNT/MDA divulgada na terça-feira, 15 de setembro. A diferença de 10,2 pontos percentuais coloca Lula na liderança do cenário estimulado apresentado pelo instituto, mas os números mostram também que a distância entre os dois principais candidatos diminuiu desde agosto, movimento que impede interpretar o levantamento como um “derretimento” da candidatura do senador.

Na rodada anterior da CNT/MDA, Lula aparecia com 42,4% e Flávio Bolsonaro com 28,7%. Em setembro, portanto, o presidente recuou nominalmente 1,8 ponto percentual, enquanto o candidato do PL avançou 1,7 ponto. A diferença entre os dois, que era de 13,7 pontos, passou para 10,2 pontos. Consideradas isoladamente as oscilações de cada candidato e a margem de erro de 2,2 pontos percentuais, não é possível atribuir significado estatístico a toda variação individual; o dado objetivo da série, porém, é que a distância nominal entre os dois diminuiu.

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Augusto Cury (Avante) aparece na terceira posição, com 6%, depois de registrar 1,2% na rodada anterior. Ronaldo Caiado (PSD) e Renan Santos (Missão) vêm na sequência, enquanto os demais nomes testados permanecem em percentuais menores. Brancos e nulos somam 6% e 7,5% dos entrevistados dizem estar indecisos. O conjunto mantém Lula e Flávio Bolsonaro separados dos demais concorrentes, mas mostra que uma parcela relevante do eleitorado ainda não declarou voto em um candidato.

Pesquisa não permite afirmar vitória de Lula no primeiro turno

A vantagem registrada pela CNT/MDA não significa que Lula esteja, neste momento, matematicamente em posição de encerrar a eleição no primeiro turno. A legislação estabelece que o presidente da República é eleito no primeiro turno somente quando alcança a maioria absoluta dos votos válidos, sem a contabilização dos votos brancos e nulos. Caso nenhum candidato ultrapasse esse patamar, os dois mais votados disputam o segundo turno.

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Os 40,6% registrados por Lula são calculados sobre o conjunto de entrevistados da pesquisa e convivem com 7,5% de indecisos, além dos votos brancos e nulos. Não é possível simplesmente redistribuir antecipadamente esses eleitores para determinar o resultado das urnas. A pesquisa mede a intenção de voto no momento das entrevistas; não é uma projeção do resultado eleitoral.

O primeiro turno das eleições de 2026 será realizado em 4 de outubro. Eventual segundo turno está marcado para 25 de outubro. Segundo o Tribunal Superior Eleitoral, 158,7 milhões de eleitores estão aptos a participar do pleito.

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Flávio também reduz diferença no segundo turno

A mesma tendência de redução da distância aparece na simulação de segundo turno feita pela CNT/MDA. Lula registra 47,3% e Flávio Bolsonaro, 40%, uma diferença de 7,3 pontos percentuais. Brancos e nulos representam 10,2% e 2,5% permanecem indecisos.

Na rodada de agosto, o placar era de 48% para Lula e 39,1% para Flávio. A vantagem do presidente, portanto, caiu de aproximadamente nove para 7,3 pontos. Lula oscilou 0,7 ponto para baixo, enquanto Flávio avançou 0,9 ponto. Assim como ocorre no primeiro turno, os movimentos individuais são pequenos diante da margem de erro, mas a comparação entre as duas rodadas não sustenta a conclusão de uma deterioração eleitoral do candidato do PL.

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Na pesquisa espontânea, em que os entrevistadores não apresentam previamente os nomes dos candidatos, Lula aparece com 36,6% e Flávio Bolsonaro com 26,7%. Nesse levantamento, a movimentação em relação a agosto também chama atenção: Lula tinha 35,3%, enquanto Flávio registrava 22,4%. O senador avançou nominalmente 4,3 pontos, e Lula, 1,3 ponto. Ao mesmo tempo, o percentual de indecisos caiu de cerca de 31% para 20,9%, sinalizando maior definição das escolhas à medida que a eleição se aproxima.

Outros institutos mostram disputa mais apertada

A CNT/MDA oferece um retrato da corrida eleitoral, mas seus resultados não devem ser tratados isoladamente como uma previsão do pleito. Pesquisas realizadas praticamente no mesmo período produziram diferenças menores entre Lula e Flávio Bolsonaro, sobretudo nas simulações de segundo turno.

Levantamento BTG Pactual/Nexus realizado entre 11 e 13 de setembro registrou Lula com 47% e Flávio Bolsonaro com 46% em eventual segundo turno. No primeiro turno, a mesma pesquisa apontou 42% para Lula e 37% para Flávio. Foram entrevistadas 2.003 pessoas, com margem de erro de dois pontos percentuais.

A Quaest, que ouviu 2.004 eleitores entre 10 e 13 de setembro, apresentou outro retrato. Lula registrou 36% no primeiro turno e Flávio Bolsonaro, 31%. No segundo, o senador apareceu numericamente com 42%, diante de 40% do presidente. Como a diferença de dois pontos está dentro da margem de erro do levantamento, o resultado configura empate técnico. A pesquisa está registrada no TSE sob o número BR-03607/2026.

O Datafolha, em levantamento realizado entre 8 e 10 de setembro, também mostrou uma disputa mais estreita. Lula marcou 39% no primeiro turno e Flávio, 35%. Na simulação de segundo turno, foram registrados 46% para Lula e 44% para o senador, também dentro da margem de erro de dois pontos. O instituto entrevistou 2.002 eleitores em 125 municípios.

As diferenças não significam necessariamente que uma pesquisa esteja correta e outra errada. Institutos utilizam desenhos amostrais, métodos de coleta, ponderações e questionários próprios. Por isso, a forma mais consistente de analisar tendência é acompanhar a evolução de cada candidato dentro da série histórica do mesmo instituto, evitando comparar diretamente oscilações produzidas por metodologias diferentes.

Sob esse critério, a série CNT/MDA de setembro mostra Lula permanecendo em primeiro lugar, mas com Flávio Bolsonaro reduzindo sua desvantagem em relação ao levantamento anterior.

Avaliação do governo impõe outro limite à leitura

Os números de avaliação da administração federal também recomendam cautela na interpretação da liderança eleitoral. Segundo a CNT/MDA, 33,8% classificam o governo Lula como ótimo ou bom, enquanto 39,4% consideram a administração ruim ou péssima. Outros 25,4% avaliam o governo como regular. Em agosto, a avaliação positiva era de 35,3%, e a negativa, de 36,2%.

Na pergunta sobre o desempenho pessoal do presidente, 45,9% afirmam aprová-lo e 49,7% o desaprovam. Na rodada anterior, a aprovação era de 47,3%, enquanto a desaprovação somava 48,2%. Dessa maneira, Lula lidera o cenário eleitoral da CNT/MDA ao mesmo tempo em que seu desempenho pessoal registra desaprovação numericamente superior à aprovação.

Essa combinação ajuda a explicar por que intenção de voto e avaliação de governo não necessariamente caminham na mesma direção. A escolha presidencial envolve comparação entre os candidatos disponíveis, grau de rejeição, identificação partidária e decisão sobre alternativas, enquanto a pergunta sobre aprovação avalia especificamente o desempenho do ocupante do Palácio do Planalto.

Eleitorado avança na definição do voto

Outro dado da CNT/MDA reforça o peso crescente das próximas semanas. Entre os entrevistados que já indicaram um candidato, 79,8% afirmaram considerar sua decisão definitiva, enquanto 20,2% admitiram a possibilidade de mudar de escolha. Na rodada de agosto, 71,2% diziam que o voto já estava definido.

A redução dos indecisos na pesquisa espontânea ocorre no mesmo sentido. Quanto maior o número de eleitores que consolida sua preferência, menor tende a ser o contingente disponível para movimentos expressivos de última hora, embora acontecimentos políticos, debates, propaganda eleitoral e fatos novos ainda possam alterar escolhas antes de 4 de outubro.

A 170ª rodada da Pesquisa CNT de Opinião foi realizada pelo Instituto MDA Pesquisa entre 9 e 13 de setembro, com 2.002 entrevistas presenciais em todas as regiões do Brasil. A coleta ocorreu em domicílios e pontos de fluxo. A margem de erro informada é de 2,2 pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. O levantamento está registrado na Justiça Eleitoral sob o número BR-06902/2026.

A leitura dos dados, portanto, é mais específica do que a sugerida pelo material que circulou após a divulgação da pesquisa: a CNT/MDA mantém Lula à frente de Flávio Bolsonaro nos cenários de primeiro e segundo turnos, mas a vantagem diminuiu em relação a agosto. Ao mesmo tempo, pesquisas de outros institutos realizadas em período semelhante mostram diferenças menores entre os dois. A menos de três semanas do primeiro turno, os levantamentos registram situações distintas conforme a metodologia utilizada e devem ser entendidos como fotografias do momento em que as entrevistas foram realizadas, não como antecipações do resultado das urnas.

Fontes consultadas: Pesquisa CNT/MDA, Tribunal Superior Eleitoral, BTG Pactual/Nexus, Quaest, Datafolha e informações públicas sobre os levantamentos eleitorais divulgados entre 11 e 15 de setembro de 2026.

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