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Fox anuncia compra da Roku por US$ 22 bilhões e cria gigante de streaming nos Estados Unidos

Operação une ativos de mídia, publicidade e tecnologia e posiciona a nova empresa entre as maiores do mercado americano de televisão e streaming.

por João Souza
15/06/2026 às 13h29
em Negócios
Fox Anuncia Compra Da Roku Por Us$ 22 Bilhões E Cria Gigante De Streaming Nos Estados Unidos-Gazeta Mercantil

A Fox Corporation anunciou nesta segunda-feira (15) a compra da Roku em uma operação avaliada em aproximadamente US$ 22 bilhões, em uma das maiores transações do setor de mídia e tecnologia dos últimos anos. O acordo será realizado por meio de uma combinação de dinheiro e ações ordinárias, com pagamento de US$ 160 por ação da plataforma de streaming, e deverá resultar na criação de um grupo com forte presença em televisão, publicidade digital e distribuição de conteúdo nos Estados Unidos.

A operação une os ativos de notícias, esportes e entretenimento da Fox ao ecossistema tecnológico da Roku, incluindo o serviço de streaming gratuito Tubi e o The Roku Channel. Segundo as empresas, a companhia combinada passará a atender mais de 100 milhões de lares e se tornará a terceira maior empresa de televisão dos Estados Unidos em participação de audiência.

Leia também: Irã e Estados Unidos: Negociações Estagnadas Elevam Tensão em Ormuz e Mercado de Petróleo.

A expectativa é que a transação seja concluída no primeiro semestre de 2027, dependendo da aprovação regulatória e do aval dos acionistas.

O negócio representa uma mudança estratégica para a Fox em um momento de profunda transformação da indústria de mídia, marcada pela migração acelerada de consumidores para plataformas digitais, pela crescente relevância da publicidade segmentada e pela disputa entre grandes conglomerados por escala no mercado de streaming.

Leia também: Estados do Sudeste e Sul Planejam Elevação de Alíquotas de ICMS em 2024.

Aquisição reforça estratégia digital da Fox

Em comunicado ao mercado, o presidente-executivo da Fox Corporation, Lachlan Murdoch, afirmou que a aquisição da Roku transformará o perfil de crescimento da companhia.

Segundo o executivo, a empresa está realizando a operação a partir de uma posição financeira sólida, preservando o grau de investimento de seu balanço e mantendo a política de remuneração aos acionistas, incluindo programas de recompra de ações e distribuição de dividendos.

A Fox afirmou ainda que a compra permitirá acelerar sua estratégia digital, aumentar o fluxo de caixa e ampliar a capacidade de monetização de seus conteúdos em diversas plataformas.

A empresa estima que a combinação dos negócios poderá gerar sinergias anuais de aproximadamente US$ 400 milhões, principalmente por meio da redução de custos operacionais, integração de plataformas tecnológicas e ganhos de eficiência na área comercial.

Além das economias previstas, a Fox aposta na expansão de receitas publicitárias e no fortalecimento de seu posicionamento junto aos anunciantes, em um mercado cada vez mais orientado por dados de consumo e publicidade personalizada.

Roku se tornou peça estratégica na guerra do streaming

Fundada em 2002, a Roku foi uma das pioneiras na transformação das televisões tradicionais em centros de consumo de conteúdo digital. A companhia ganhou relevância ao desenvolver dispositivos e sistemas operacionais capazes de reunir em uma única interface serviços de streaming como Netflix, YouTube e diversas plataformas de vídeo sob demanda.

Ao longo dos últimos anos, a empresa ampliou seu modelo de negócios, deixando de depender exclusivamente da venda de dispositivos e passando a concentrar esforços na publicidade digital e na comercialização de assinaturas realizadas por meio de sua plataforma.

A publicidade tornou-se o principal motor financeiro da companhia. Apenas no primeiro trimestre deste ano, a Roku registrou receita de US$ 613 milhões nesse segmento, um crescimento de 27% em relação ao mesmo período do ano anterior.

O desempenho chamou a atenção do mercado justamente pela capacidade da empresa de reunir dados de comportamento dos consumidores, algo considerado estratégico para grupos de mídia que buscam competir em um ambiente dominado por plataformas digitais e pela crescente fragmentação das audiências.

Com a aquisição, a Fox ganha acesso direto a uma ampla base de usuários e a um sofisticado sistema de distribuição de conteúdo e publicidade, reduzindo sua dependência dos modelos tradicionais de televisão por assinatura.

Operação amplia consolidação no setor de mídia

A compra da Roku ocorre em um período de forte consolidação da indústria de mídia e entretenimento. Nos últimos anos, grandes conglomerados intensificaram investimentos em plataformas próprias de streaming, impulsionando uma onda de fusões e aquisições para ampliar escala e aumentar o poder de negociação com anunciantes e distribuidores.

O movimento também reflete a necessidade de adaptação das empresas tradicionais de mídia diante das mudanças nos hábitos de consumo. A audiência da televisão linear vem perdendo espaço para serviços de streaming, enquanto as receitas publicitárias migraram gradualmente para ambientes digitais.

Nesse cenário, a aquisição permite à Fox combinar duas das áreas que seguem atraindo grandes audiências: esportes ao vivo e notícias. Ambos os segmentos permanecem relativamente protegidos do fenômeno de consumo sob demanda e continuam sendo considerados ativos valiosos para retenção de usuários e geração de receitas publicitárias.

Em comunicado conjunto, as empresas afirmaram que a operação posiciona a nova companhia na interseção entre duas das principais tendências que estão remodelando o consumo de vídeo: a relevância contínua dos eventos ao vivo e o crescimento estrutural do streaming.

Estrutura societária preserva controle da Fox

Após a conclusão da aquisição, os atuais acionistas da Fox deverão deter aproximadamente 73% da companhia combinada, enquanto os investidores da Roku ficarão com uma participação de cerca de 27%.

A estrutura da operação demonstra que, apesar do porte da aquisição, a Fox continuará exercendo o controle do negócio resultante da fusão.

Para os acionistas da Roku, o preço de US$ 160 por ação representa um prêmio relevante e oferece uma oportunidade de participação em uma empresa de maior escala, com receitas diversificadas e maior capacidade de investimento.

Analistas do setor avaliam que a integração poderá aumentar a competitividade da Fox diante de gigantes da tecnologia e do entretenimento, ao mesmo tempo em que amplia a presença da companhia no mercado de publicidade digital.

Por outro lado, a transação também deverá ser acompanhada de perto por autoridades regulatórias, uma vez que o negócio reúne importantes ativos de mídia e distribuição de conteúdo em um mercado altamente concentrado.

Mercado de publicidade digital se torna peça central da estratégia

A publicidade digital tornou-se um dos principais fatores por trás da aquisição da Roku.

Diferentemente das emissoras tradicionais, plataformas de streaming possuem capacidade de coletar e analisar dados de comportamento dos usuários, permitindo a oferta de campanhas mais segmentadas e, consequentemente, mais valiosas para anunciantes.

A Roku construiu uma das maiores bases de dados do setor de streaming nos Estados Unidos, acumulando informações sobre hábitos de consumo, preferências de conteúdo e padrões de visualização.

Para a Fox, a incorporação dessa infraestrutura representa a possibilidade de desenvolver novos produtos publicitários, aumentar a eficiência de campanhas e ampliar receitas em um mercado de crescente competição.

Além disso, a integração entre o Tubi e o The Roku Channel poderá fortalecer a presença da empresa no segmento de streaming gratuito sustentado por publicidade, conhecido pela sigla FAST (Free Ad-Supported Streaming Television), um dos mercados que mais crescem na indústria de entretenimento.

Negócio amplia pressão competitiva entre gigantes do streaming

A compra da Roku pela Fox deverá intensificar a disputa entre grupos de mídia e empresas de tecnologia pela liderança no mercado de distribuição de conteúdo digital.

A operação cria um conglomerado com presença simultânea em produção de conteúdo, transmissão de esportes e notícias, plataformas de streaming e publicidade baseada em dados, ampliando a capacidade competitiva da empresa diante de concorrentes globais.

A transação também reforça a tendência de convergência entre empresas de mídia e tecnologia, em um setor cada vez mais dependente de escala, inteligência de dados e relacionamento direto com os consumidores.

Para investidores, o acordo sinaliza que o movimento de consolidação na indústria de entretenimento ainda está longe do fim e que ativos capazes de combinar audiência, tecnologia e publicidade permanecem entre os mais valiosos do mercado global de mídia.

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