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Ibovespa cai com pressão externa e dólar sobe após alerta do Fed sobre inflação e desemprego

por Gabriel Monteiro
08/10/2025 às 08h20
em Economia
Ibovespa Cai Com Pressão Externa E Dólar Sobe Após Alerta Do Fed Sobre Inflação E Desemprego - Gazeta Mercantil - Economia

Mercados reagem a novos dados econômicos dos Estados Unidos; investidores monitoram dólar, juros e cenário fiscal no Brasil

O Ibovespa iniciou a quarta-feira (8) sob forte influência do ambiente internacional. O principal índice da Bolsa de Valores brasileira encerrou o pregão anterior em queda de 1,57%, a 141.356,43 pontos, refletindo o aumento da aversão ao risco global após a divulgação de um relatório do Federal Reserve (Fed) de Nova York que acendeu alertas sobre a inflação e o mercado de trabalho norte-americano.

De acordo com a Pesquisa de Expectativas do Consumidor do Fed, os entrevistados elevaram suas projeções para o desemprego e para a inflação nos próximos 12 meses, indicando um cenário mais desafiador para a economia dos EUA. O levantamento foi concluído antes da paralisação do governo americano, o que ampliou seu peso nas análises dos investidores.

Leia também: Ibovespa Cai e Dólar Retoma Marca de R$ 5,50 em Meio à Realização de Lucros e Incertezas Externas.

A leitura negativa do relatório aumentou o temor de que o Fed mantenha as taxas de juros elevadas por mais tempo, o que pressionou os mercados acionários ao redor do mundo, incluindo o Brasil.

Mercados internacionais operam em baixa após relatório do Fed de Nova York

Os principais índices de Wall Street encerraram o pregão de ontem no vermelho. O Dow Jones caiu 0,20%, aos 46.602,98 pontos, enquanto o S&P 500 recuou 0,38%, a 6.714,59 pontos. O Nasdaq, mais sensível às empresas de tecnologia, registrou a maior perda do dia, com queda de 0,67%, para 22.788,36 pontos.

Leia também: Dólar Hoje Sobe com Acordo Rússia-Ucrânia e Operação da PF no Radar.

A piora no humor dos investidores foi impulsionada pelo temor de que o ciclo de cortes de juros nos EUA possa ser adiado. Com a ausência de novos indicadores oficiais devido à paralisação do governo, o relatório do Fed passou a ser visto como um importante termômetro para a política monetária norte-americana.

Ibovespa fecha em queda e amplia perdas na semana

No Brasil, o Ibovespa seguiu o movimento internacional e encerrou o dia em queda expressiva. A desvalorização de 1,57% levou o índice aos 141.356,43 pontos, com um volume financeiro de R$ 24,6 bilhões. No acumulado da semana, o índice já recua 1,97%, enquanto no mês de outubro a perda é de 3,34%. No acumulado do ano, porém, o Ibovespa ainda sustenta alta de 17,52%, reflexo do desempenho positivo do primeiro semestre.

Leia também: Resort Tayayá: Auditoria Alerta Sobre Valor Justo e Ligações com Banco Master.

O índice chegou a atingir máxima de 143.606,01 pontos e mínima de 141.035,66, mostrando a forte volatilidade dos negócios.

Ações em destaque: construtoras e varejo lideram as perdas

Entre os destaques negativos do pregão, as construtoras e o varejo lideraram as quedas. MRV (MRVE3) despencou 12,12%, cotada a R$ 6,31, após projeções mais conservadoras para o setor e aumento nas taxas de financiamento imobiliário.

Ações da Raízen (RAIZ4) recuaram 7,22%, a R$ 0,90, enquanto Vamo (VAMO3) caiu 6,54%, negociada a R$ 3,00. No varejo, Lojas Renner (LREN3) perdeu 5,70%, cotada a R$ 13,57, refletindo preocupações com o consumo das famílias. Azza (AZZA3) também figurou entre as maiores quedas, com baixa de 5,69%, a R$ 25,03.

Na ponta oposta, Minerva (BEEF3) liderou as altas do dia, com valorização de 1,21%, a R$ 6,69, favorecida pela alta dos preços da carne bovina no mercado internacional. Outras altas vieram de Petrobras (PETR4), que subiu 0,36%, e BB Seguridade (BBSE3), com avanço de 0,79%, cotada a R$ 33,06.

Dólar sobe 0,75% e volta a superar R$ 5,35

O dólar comercial encerrou a terça-feira com alta de 0,75%, cotado a R$ 5,351 na venda e R$ 5,350 na compra. O movimento foi alinhado à valorização global da moeda americana, que se fortaleceu diante das principais divisas internacionais.

O índice DXY, que mede o desempenho do dólar em relação a uma cesta de moedas, subiu 0,54%, para 98,64 pontos. No Brasil, a moeda oscilou entre R$ 5,320 na mínima e R$ 5,353 na máxima do dia.

A alta reflete tanto a busca global por segurança quanto a incerteza interna em torno do ritmo de cortes da taxa Selic e da condução da política fiscal brasileira.

Juros futuros (DIs) avançam com cautela fiscal e cenário global

Os juros futuros voltaram a subir na sessão de ontem, acompanhando a tendência internacional e o movimento do câmbio. Apenas o vencimento mais curto (DI1F26) registrou leve queda de 0,002 ponto percentual, encerrando a 14,896%.

Nos demais vencimentos, as altas foram generalizadas: o DI1F27 fechou a 14,130% (+0,025pp), o DI1F28 a 13,535% (+0,055pp), o DI1F31 a 13,680% (+0,115pp) e o DI1F33 a 13,790% (+0,120pp).

A curva longa reflete o aumento da percepção de risco, tanto externa quanto doméstica. Investidores seguem atentos à ata do Copom e aos próximos indicadores de inflação, que podem redefinir as apostas sobre o ritmo de cortes da Selic.

Ações mais negociadas do pregão

Entre os papéis mais negociados na véspera, Banco do Brasil (BBAS3) liderou o ranking com 49.741 operações, seguido por Itaú Unibanco (ITUB4), com 37.598 negócios. Também figuraram entre as mais negociadas Lojas Renner (LREN3), Assaí (ASAI3) e B3 (B3SA3) — todas em queda, refletindo o ambiente de cautela generalizada.

O comportamento dos grandes bancos e das varejistas teve peso significativo sobre o desempenho do Ibovespa, ampliando a correção observada desde o início de outubro.

Perspectivas para o Ibovespa nesta quarta-feira

A quarta-feira deve seguir marcada pela volatilidade. O Ibovespa tende a acompanhar o tom dos mercados internacionais, ainda reagindo à incerteza sobre o futuro dos juros nos Estados Unidos.

No cenário doméstico, os investidores seguem atentos aos próximos passos do governo em relação ao arcabouço fiscal, à inflação e às sinalizações do Banco Central. O comportamento do câmbio e da curva de juros será determinante para definir o humor do pregão.

Analistas destacam que, apesar da correção recente, o Ibovespa ainda mantém fundamentos sólidos e pode se beneficiar de um eventual alívio na política monetária global.

Resumo do Ibovespa

  • Fechamento: 141.356,43 pontos (-1,57%)
  • Máxima: 143.606,01 pontos
  • Mínima: 141.035,66 pontos
  • Volume financeiro: R$ 24,60 bilhões
  • Semana: -1,97%
  • Outubro: -3,34%
  • Ano: +17,52%

Cenário global segue ditando o ritmo dos mercados

O comportamento do Ibovespa continua atrelado às expectativas sobre o rumo da política monetária global. Enquanto os investidores aguardam novos sinais do Federal Reserve, o mercado brasileiro tenta equilibrar o fluxo estrangeiro, a valorização do dólar e o desempenho das commodities.

Com a aproximação do fim do ano, a volatilidade tende a permanecer elevada, especialmente se os dados de inflação nos EUA reforçarem a necessidade de juros altos por mais tempo. Por outro lado, qualquer sinal de flexibilização por parte do Fed pode reacender o apetite por risco e favorecer a recuperação do índice brasileiro.

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