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Ibovespa fecha acima dos 174 mil pontos e dólar cai a R$ 5,16

Bolsa avançou 0,74%, apoiada por bancos, Vale, Petrobras e Embraer; produção industrial abaixo do esperado ajudou a reduzir os juros futuros.

por Camila Braga
03/07/2026 às 18h46
em Ibovespa
Ibovespa Barato Atrai Estrangeiro, Mas Eleição E Juro Longo Vão Definir O Próximo Rali - Gazeta Mercantil

O Ibovespa encerrou esta sexta-feira, 3 de julho de 2026, em alta de 0,74%, aos 174.070,27 pontos. Foi o primeiro fechamento acima dos 174 mil pontos desde 2 de junho, quando o índice terminou aos 174.197,64 pontos.

A Bolsa brasileira avançou mesmo sem a referência de Wall Street, fechada devido ao feriado do Dia da Independência nos Estados Unidos. A ausência dos investidores americanos reduziu o ritmo dos negócios, mas não impediu a valorização das ações de bancos, Vale, Petrobras e Embraer.

Leia também: Ibovespa ao vivo: Bolsa recua com tensão entre Brasil e EUA e dólar opera em baixa.

Ao longo do pregão, o Ibovespa oscilou entre 172.790,39 e 174.664,35 pontos. O volume financeiro ficou em R$ 12,8 bilhões, bem abaixo do padrão registrado em sessões regulares.

Na semana, o índice acumulou alta de 0,45% e completou o segundo período consecutivo de valorização. O ganho em julho chegou a 1,19%. No ano, a alta alcançou 8,03%.

O dólar comercial caiu 0,76% e terminou vendido a R$ 5,168. A moeda devolveu o avanço dos últimos pregões e encerrou a semana praticamente estável.

Ibovespa hoje em números

Fechamento: 174.070,27 pontos
Variação diária: alta de 0,74%
Máxima: 174.664,35 pontos
Mínima: 172.790,39 pontos
Volume financeiro: R$ 12,8 bilhões
Desempenho semanal: alta de 0,45%
Desempenho em julho: alta de 1,19%
Desempenho em 2026: alta de 8,03%
Dólar comercial: R$ 5,168, com queda de 0,76%

Indústria recua e juros futuros caem

A produção industrial brasileira diminuiu 0,2% em maio na comparação com abril, interrompendo uma sequência de quatro meses de crescimento. Foi o primeiro resultado negativo do setor em 2026 nessa base de comparação.

Frente a maio do ano passado, a produção avançou apenas 0,2%. A indústria acumulou crescimento de 1,4% nos cinco primeiros meses do ano, enquanto a alta em 12 meses desacelerou para 0,4%.

Oito dos 25 ramos pesquisados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística reduziram a produção entre abril e maio. Também houve queda em três das quatro grandes categorias econômicas.

As maiores pressões negativas vieram da fabricação de coque, derivados de petróleo e biocombustíveis, que recuou 6,1%, e das indústrias extrativas, com baixa de 2,6%.

A produção de alimentos, artigos têxteis, equipamentos eletrônicos e produtos de impressão também diminuiu. Entre os setores com crescimento, destacaram-se medicamentos, com alta de 13,1%, e veículos automotores, que avançaram 4,1%.

Os números reforçaram a percepção de que a atividade econômica começa a perder velocidade após o crescimento observado no início do ano. Os contratos de juros futuros recuaram, favorecendo ações mais dependentes do crédito e do consumo doméstico.

O dado industrial, porém, não muda sozinho o cenário da política monetária. Os próximos passos do Banco Central dependerão do comportamento da inflação, das expectativas e das contas públicas.

Bancos dão sustentação ao Ibovespa

As ações dos grandes bancos tiveram influência importante no avanço do índice.

O Itaú Unibanco (ITUB4) subiu 0,64%, enquanto o Bradesco (BBDC4) avançou 0,55%. As units do Santander Brasil (SANB11) ganharam 0,67%.

O Banco do Brasil (BBAS3) chegou a operar em alta, mas perdeu força e fechou com recuo de 0,10%. A B3 (B3SA3) avançou 1,03%.

Os bancos têm participação expressiva na carteira do Ibovespa. Mesmo variações moderadas nesses papéis produzem impacto relevante sobre o índice quando o setor se movimenta na mesma direção.

A queda dos juros futuros também ajudou. Taxas menores reduzem o custo de financiamento das empresas e das famílias e podem aliviar os riscos associados à inadimplência, embora os efeitos sobre as margens bancárias variem conforme a linha de negócio.

Vale e Petrobras terminam no campo positivo

A Vale (VALE3) subiu 0,77% e esteve entre as principais contribuições para o fechamento acima dos 174 mil pontos.

A mineradora avançou apesar do desempenho negativo do minério de ferro nos mercados asiáticos. O peso da Vale na carteira tornou o movimento relevante para a sustentação do índice.

A Petrobras também fechou em alta. As ações preferenciais (PETR4) ganharam 0,76%.

Com os mercados americanos fechados, o petróleo teve menor influência sobre a formação dos preços na B3. O desempenho dos papéis refletiu principalmente ajustes locais e a melhora geral dos ativos brasileiros.

A alta simultânea de bancos, Vale e Petrobras permitiu que o Ibovespa permanecesse no campo positivo durante praticamente todo o pregão.

Embraer sobe após entregar 65 aeronaves

A Embraer (EMBJ3) avançou 2,08% após divulgar a entrega de 65 aeronaves no segundo trimestre.

O número cresceu 48% em relação aos três primeiros meses do ano e 7% na comparação com o mesmo período de 2025. Foi o melhor desempenho da fabricante em um segundo trimestre nos últimos 16 anos.

Entre janeiro e junho, a companhia entregou 109 aeronaves, 20% a mais que as 91 unidades registradas no primeiro semestre do ano passado.

Os dados mostraram avanço no ritmo de produção e ajudaram a reforçar a confiança no cumprimento das projeções operacionais da empresa para 2026.

CSN e Magazine Luiza lideram as altas

A Companhia Siderúrgica Nacional (CSNA3) registrou o melhor desempenho do Ibovespa, com valorização de 4,33%.

O Magazine Luiza (MGLU3) subiu 4,22%, acompanhando a queda das taxas futuras. As ações da varejista costumam responder com maior intensidade às mudanças nas expectativas para os juros, devido à dependência do crédito ao consumidor.

A Ultrapar (UGPA3) avançou 3,50%. A Auren Energia (AURE3) ganhou 3%, enquanto a Vamos (VAMO3) terminou o pregão com alta de 2,50%.

Maiores altas do Ibovespa

Companhia Siderúrgica Nacional (CSNA3): alta de 4,33%
Magazine Luiza (MGLU3): alta de 4,22%
Ultrapar (UGPA3): alta de 3,50%
Auren Energia (AURE3): alta de 3,00%
Vamos (VAMO3): alta de 2,50%

ISA Energia cai após anunciar possível oferta de ações

A ISA Energia Brasil (ISAE4) liderou as perdas do índice, com queda de 4,29%.

A transmissora informou que estuda realizar uma oferta pública subsequente de ações preferenciais, operação conhecida como follow-on. A captação poderá alcançar aproximadamente R$ 650 milhões.

A companhia convocou uma assembleia para 24 de julho, quando os acionistas deverão avaliar mudanças necessárias para a operação.

A possibilidade de emissão de novos papéis provocou preocupação com a diluição da participação dos atuais acionistas. A realização da oferta ainda dependerá das condições de mercado e das aprovações societárias.

A Azzas 2154 (AZZA3) caiu 1,15%. A MBRF (MBRF3) recuou 0,94%, enquanto a Engie Brasil (EGIE3) perdeu 0,68%. A Axia Energia (AXIA3) terminou em baixa de 0,52%.

Maiores quedas do Ibovespa

ISA Energia Brasil (ISAE4): queda de 4,29%
Azzas 2154 (AZZA3): queda de 1,15%
MBRF (MBRF3): queda de 0,94%
Engie Brasil (EGIE3): queda de 0,68%
Axia Energia (AXIA3): queda de 0,52%

Dólar devolve alta e fecha a R$ 5,168

O dólar comercial caiu 0,76% e encerrou o pregão vendido a R$ 5,168. Na compra, a cotação ficou em R$ 5,167.

Durante o dia, a moeda variou entre R$ 5,166 e R$ 5,200.

A queda acompanhou o avanço de moedas de países emergentes e o recuo dos juros futuros no Brasil. O feriado nos Estados Unidos também reduziu o volume de operações e a procura por proteção cambial.

Apesar da baixa desta sexta-feira, o dólar encerrou a semana praticamente estável. A moeda começou o período próxima de R$ 5,17, chegou a superar R$ 5,20 e devolveu o movimento nos dois últimos pregões.

A liquidez reduzida recomenda cautela na leitura do câmbio. Sem a presença integral dos investidores estrangeiros, as oscilações podem ser influenciadas por um número menor de operações.

Feriado nos Estados Unidos esvazia o pregão

As bolsas de Nova York e o mercado de títulos do Tesouro americano permaneceram fechados nesta sexta-feira, já que o feriado de 4 de julho foi observado antecipadamente.

A ausência de Wall Street retirou a principal referência externa da sessão e reduziu o volume negociado na B3.

Os R$ 12,8 bilhões movimentados ficaram muito abaixo da média diária de 2026, próxima de R$ 34 bilhões.

O menor volume não impediu o avanço do índice, mas tornou o pregão mais sujeito a movimentos pontuais. Ordens de compra ou venda relativamente pequenas tendem a causar oscilações maiores quando há menos participantes no mercado.

Bolsa abre julho com recuperação

A alta desta sexta-feira consolidou a recuperação iniciada no pregão anterior. O Ibovespa passou a acumular ganho de 1,19% em julho, após encerrar junho com queda de 1,01%.

O avanço semanal de 0,45% marcou a segunda valorização consecutiva nesse tipo de comparação.

No ano, o índice ampliou o ganho para 8,03%, embora continue abaixo das maiores pontuações alcançadas no primeiro semestre.

O fechamento acima dos 174 mil pontos também devolveu ao mercado um patamar que não era registrado havia cerca de um mês. A permanência nesse nível, no entanto, dependerá da retomada da liquidez e do comportamento das ações de maior peso.

Focus e atividade dos Estados Unidos entram no radar

Os mercados americanos voltarão a funcionar na segunda-feira, 6 de julho. A reabertura de Wall Street deverá devolver liquidez e referências externas à Bolsa brasileira.

No Brasil, o mercado acompanhará a nova edição do Boletim Focus, com as projeções das instituições financeiras para inflação, crescimento econômico, câmbio e Selic.

Nos Estados Unidos, o destaque será o índice de atividade do setor de serviços. O indicador poderá alterar as expectativas para os juros americanos após o relatório de emprego mais fraco divulgado nesta semana.

Também continuarão no radar as negociações no Oriente Médio, os preços das commodities e as discussões fiscais no Brasil.

Depois de encerrar a semana acima dos 174 mil pontos, o Ibovespa dependerá do comportamento dos bancos, da Petrobras e da Vale para sustentar a recuperação quando os investidores estrangeiros retornarem ao mercado.

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