O Ibovespa hoje fechou em alta de 0,87%, aos 171.990,20 pontos, nesta quinta-feira, 25 de junho de 2026, impulsionado pelo IPCA-15 abaixo das expectativas, pela queda dos juros futuros e pelo avanço de ações de grande peso, como Vale (VALE3) e Itaú Unibanco (ITUB4). Na máxima do pregão, o principal índice da B3 alcançou 173.277,09 pontos, mas perdeu parte da força no período da tarde diante da cautela com a trajetória da inflação e o cenário internacional.
No mercado de câmbio, o dólar à vista recuou 0,46% e terminou cotado a R$ 5,1782. A moeda brasileira foi beneficiada por dados de inflação mais moderados no Brasil e nos Estados Unidos, além do ambiente favorável a ativos de países emergentes durante parte da sessão.
O principal fator doméstico foi a divulgação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15, o IPCA-15, que avançou 0,41% em junho. O resultado ficou abaixo da estimativa de 0,44% predominante no mercado e representou desaceleração em relação à alta de 0,62% registrada em maio.
A leitura mais benigna provocou recuo das taxas dos contratos de juros futuros e aumentou as apostas em novos cortes da Selic. O movimento favoreceu principalmente empresas ligadas ao consumo, à construção civil, à infraestrutura e ao setor financeiro.
O alívio, entretanto, foi parcial. No acumulado em 12 meses, o IPCA-15 acelerou de 4,64% em maio para 4,80% em junho, permanecendo acima do teto de 4,5% do intervalo de tolerância da meta de inflação.
Ibovespa chegou aos 173 mil pontos na máxima
O Ibovespa iniciou o pregão em alta e ganhou força depois da divulgação do IPCA-15. No melhor momento do dia, o índice avançou para 173.277,09 pontos, superando temporariamente a marca dos 173 mil.
O movimento refletiu a melhora da percepção sobre os juros no curto prazo. Como o indicador mensal ficou abaixo das projeções, investidores passaram a considerar maior espaço para a continuidade do ciclo de flexibilização monetária iniciado pelo Banco Central.
A Bolsa brasileira é particularmente sensível às variações da curva de juros. Taxas menores reduzem o custo de financiamento das empresas, favorecem o consumo e elevam o valor presente dos lucros futuros utilizados na avaliação das ações.
O efeito tende a ser mais intenso em companhias com receitas concentradas no mercado doméstico, elevada necessidade de crédito ou resultados esperados para horizontes mais longos. Varejistas, construtoras, empresas de tecnologia e negócios ligados ao consumo costumam reagir de maneira mais forte.
Apesar do avanço intradiário, o índice perdeu fôlego durante a tarde. A aceleração do IPCA-15 em 12 meses e as projeções ainda elevadas para a inflação impediram uma melhora mais intensa dos ativos.
O mercado também acompanhou os riscos geopolíticos no Oriente Médio, a alta do petróleo e o comportamento misto das bolsas norte-americanas.
IPCA-15 desacelera para 0,41% em junho
O IPCA-15 subiu 0,41% em junho, ficando 0,21 ponto percentual abaixo do resultado de maio. No acumulado de 2026, a prévia da inflação atingiu 3,45%.
Entre os nove grupos pesquisados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, Alimentação e bebidas apresentou a maior variação, de 0,74%, e exerceu impacto de 0,16 ponto percentual sobre o índice.
Habitação avançou 0,72% e contribuiu com 0,11 ponto percentual. Juntos, os dois grupos responderam por aproximadamente dois terços da inflação registrada no mês.
Transportes foi o único grupo com queda, ao recuar 0,03%. Saúde e cuidados pessoais, por sua vez, apresentou alta de 0,47%.
A composição mostrou que, apesar da desaceleração do índice geral, continuam presentes pressões sobre despesas relevantes para o orçamento das famílias, especialmente alimentação e moradia.
O resultado mensal inferior às expectativas abriu uma janela de alívio para os ativos, mas não eliminou as preocupações com a inflação acumulada. Em 12 meses, o IPCA-15 passou de 4,64% para 4,80%.
A meta contínua de inflação é de 3%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. O limite superior, portanto, é de 4,5%.
Embora o IPCA-15 não seja utilizado formalmente para verificar o cumprimento da meta, o indicador antecipa parte da tendência do IPCA, índice oficial de inflação do país.
Juros futuros caem e mercado amplia aposta em novo corte da Selic
A reação mais imediata ao IPCA-15 ocorreu no mercado de juros. As taxas dos contratos de Depósito Interfinanceiro recuaram em diferentes vencimentos, refletindo a percepção de menor pressão inflacionária na margem.
O comportamento da curva aumentou as discussões sobre a possibilidade de o Banco Central realizar outro corte de 0,25 ponto percentual na Selic nas próximas reuniões.
A taxa básica foi reduzida para 14,25% ao ano na reunião mais recente do Comitê de Política Monetária. A autoridade monetária, porém, manteve uma comunicação cautelosa diante das expectativas de inflação acima da meta e dos riscos associados à política fiscal, ao crédito e ao cenário internacional.
O Relatório de Política Monetária divulgado nesta quinta-feira reforçou a preocupação. O Banco Central elevou de 30% para 79% a probabilidade de a inflação superar o teto da meta no último trimestre de 2026.
No cenário de referência, a instituição projeta inflação de 5,2% no encerramento de 2026. Para o quarto trimestre de 2027, atual horizonte relevante da política monetária, a estimativa é de 3,7%.
Esses números indicam que o processo de redução dos juros deverá continuar condicionado à evolução dos preços, das expectativas e da atividade econômica.
Para a Bolsa, cortes graduais podem sustentar a valorização de empresas domésticas. Uma eventual interrupção do ciclo, por outro lado, manteria o custo de capital elevado e poderia limitar o avanço das ações.
Vale avança mesmo com queda do minério de ferro
A Vale (VALE3) subiu 1,20% e encerrou o dia cotada a R$ 78,66, oferecendo uma das principais contribuições positivas para o Ibovespa hoje.
A valorização ocorreu apesar do recuo do minério de ferro na China. O contrato mais negociado da commodity, com vencimento em setembro, caiu 1,08% na Bolsa de Dalian, para 735 yuans por tonelada.
A divergência entre a ação e a matéria-prima pode refletir fluxo de investidores, ajustes técnicos e expectativas específicas em relação aos resultados e à remuneração dos acionistas da mineradora.
Como a Vale representa parcela relevante da carteira teórica do Ibovespa, movimentos em suas ações exercem forte influência sobre o desempenho do índice.
A perspectiva para a companhia continua ligada à atividade econômica da China, principal destino do minério de ferro brasileiro. Investidores acompanham a produção de aço, o mercado imobiliário chinês, os investimentos em infraestrutura e as medidas de estímulo adotadas por Pequim.
Também permanecem no radar os custos operacionais da Vale, o volume de produção, o câmbio e as decisões de alocação de capital.
Itaú lidera ganhos entre os grandes bancos
O setor bancário encerrou o pregão com desempenho misto, mas os ganhos de Itaú Unibanco (ITUB4) e Banco do Brasil (BBAS3) ajudaram a sustentar o índice.
Itaú Unibanco (ITUB4) avançou 1,78%, para R$ 41,70, enquanto Banco do Brasil (BBAS3) subiu 1,62%, a R$ 20,05. As ações do BTG Pactual (BPAC11) também terminaram em alta, com valorização de 1,19%.
Na direção contrária, Santander Brasil (SANB11) recuou 0,68%, e Bradesco (BBDC4) caiu 0,17%.
A melhora dos papéis bancários mais valorizados ocorreu em meio à queda dos juros futuros. Taxas menores podem estimular a demanda por crédito, reduzir a inadimplência e favorecer a atividade econômica.
O impacto, contudo, não é uniforme. A redução da Selic também pode comprimir a rentabilidade de determinadas operações e alterar as margens financeiras das instituições.
O peso elevado de Itaú Unibanco (ITUB4) no Ibovespa fez com que a valorização do papel tivesse influência importante sobre o resultado final do índice.
Petrobras acompanha alta do petróleo, mas ações fecham mistas
As ações da Petrobras terminaram o pregão sem direção única. Os papéis preferenciais da Petrobras (PETR4) avançaram 0,42%, para R$ 38,45, enquanto as ações ordinárias da Petrobras (PETR3) recuaram 0,12%, a R$ 42,75.
O petróleo Brent subiu 2,21% e encerrou negociado a US$ 75,50 por barril, em meio ao aumento das tensões no Oriente Médio e aos temores de restrição do transporte marítimo pelo Estreito de Ormuz.
A hidrovia é estratégica para o comércio internacional de petróleo. Uma parcela relevante das exportações mundiais passa pela região, o que torna qualquer conflito uma fonte de volatilidade para os preços da commodity.
O avanço do petróleo tende a favorecer as receitas da Petrobras nas operações de exploração e produção. A reação das ações, entretanto, depende também da política de combustíveis, dos investimentos, da distribuição de dividendos e da percepção de risco político.
Outras companhias do setor de petróleo apresentaram desempenho negativo. Prio (PRIO3) recuou 0,30%, enquanto PetroReconcavo (RECV3) caiu 0,10%.
Assaí lidera as maiores altas do Ibovespa
Assaí (ASAI3) registrou a maior alta do Ibovespa hoje, com avanço de 4,11%, para R$ 8,61.
Rumo (RAIL3) ocupou a segunda posição entre os ganhos, com valorização de 3,62%, a R$ 13,45. MRV (MRVE3) subiu 3,39%, para R$ 5,18.
Também apareceram entre as maiores altas MBRF (MBRF3), com ganho de 3,16%, e Copasa (CSMG3), que avançou 2,85%.
Ações ligadas ao consumo e ao setor imobiliário foram favorecidas pela queda dos juros futuros. Empresas como Assaí e MRV possuem resultados particularmente sensíveis ao comportamento da renda, do crédito e do custo de financiamento.
Rumo, por sua vez, foi beneficiada pela melhora do ambiente para ativos domésticos, além das expectativas relacionadas ao transporte de commodities agrícolas e à expansão de sua infraestrutura ferroviária.
O avanço desses papéis mostrou que a alta do Ibovespa não ficou limitada às grandes exportadoras. Empresas ligadas à economia brasileira também contribuíram para o movimento positivo.
Braskem despenca após pedir proteção contra credores
Braskem (BRKM5) liderou as perdas do índice, com queda de 10,50%, para R$ 6,82.
A petroquímica informou que iniciou um processo de mediação com credores financeiros e apresentou à Justiça de São Paulo um pedido de tutela cautelar de urgência.
A medida busca preservar um ambiente estável para a continuidade das negociações e impedir que ações isoladas de credores prejudiquem a tentativa de construir uma solução consensual para a estrutura de capital da companhia.
O pedido está relacionado apenas aos credores financeiros envolvidos nas negociações. Segundo a empresa, as obrigações com fornecedores, clientes, empregados e demais parceiros operacionais continuam sendo cumpridas normalmente.
A reação negativa das ações refletiu o aumento da percepção de risco financeiro. A busca por proteção judicial evidencia a pressão sobre a liquidez e a necessidade de reorganização das dívidas da Braskem.
A companhia vem negociando uma possível recuperação extrajudicial, modalidade que permite reestruturar obrigações mediante acordo com grupos de credores e posterior homologação judicial.
Para os acionistas, a incerteza envolve o grau de diluição, a possibilidade de novos aportes, as condições impostas pelos credores e a capacidade da companhia de preservar valor durante o processo.
Além da Braskem, Companhia Siderúrgica Nacional (CSNA3) caiu 4,74%, enquanto Usiminas (USIM5) recuou 2,07%. Minerva (BEEF3) perdeu 1,40%.
Dólar cai com inflação mais fraca no Brasil e nos Estados Unidos
O dólar à vista recuou 0,46%, para R$ 5,1782, acompanhando a melhora do ambiente para moedas de países emergentes.
Além do IPCA-15 brasileiro, o mercado reagiu a dados de inflação dos Estados Unidos abaixo das previsões. O índice de preços de gastos com consumo pessoal, o PCE, apresentou avanço mensal menor do que o esperado.
O PCE é uma das principais referências utilizadas pelo Federal Reserve para orientar suas decisões sobre os juros norte-americanos.
Uma inflação menos intensa nos Estados Unidos pode aumentar o espaço para cortes de juros pelo Fed. Taxas menores no país reduzem a atratividade dos títulos norte-americanos e podem direcionar recursos para mercados emergentes.
No Brasil, o elevado diferencial entre a Selic e os juros internacionais também favorece operações de carregamento, nas quais investidores captam recursos em moedas de juros menores para aplicá-los em ativos brasileiros.
Esse fluxo ajuda a fortalecer o real, embora possa ser revertido rapidamente diante de uma piora fiscal, aumento da aversão global ao risco ou escalada de conflitos geopolíticos.
Wall Street termina sem direção única
As bolsas de Nova York fecharam sem uma tendência única. O Dow Jones avançou 0,14%, aos 51.920,62 pontos, depois de renovar sua máxima intradiária.
O S&P 500 recuou 0,01%, aos 7.357,49 pontos, enquanto o Nasdaq caiu 0,43%, aos 25.358,60 pontos.
As ações de tecnologia pressionaram os índices mais expostos ao setor. Investidores avaliaram o impacto do aumento dos preços de chips sobre fabricantes de equipamentos e empresas de tecnologia.
O conflito no Estreito de Ormuz também limitou o apetite por risco. A possibilidade de interrupção no fornecimento de petróleo elevou os preços da commodity e reacendeu preocupações inflacionárias.
Na Europa, o índice Stoxx 600 subiu 0,80%, apoiado por ações de tecnologia.
Na Ásia, o Nikkei, do Japão, saltou 4,61%, enquanto o Hang Seng, de Hong Kong, recuou 1,43%.
Inflação mantém trajetória do Ibovespa dependente dos juros
A alta de 0,87% do Ibovespa hoje mostrou que indicadores de inflação abaixo das expectativas continuam capazes de provocar uma resposta relevante nos ativos brasileiros.
O avanço até os 173.277 pontos durante a sessão também evidenciou o potencial de valorização da Bolsa diante de uma perspectiva de juros menores.
O cenário, porém, permanece condicionado à evolução dos preços. O IPCA-15 desacelerou no mês, mas avançou para 4,80% em 12 meses, acima do teto da meta.
O Banco Central também elevou significativamente a probabilidade de descumprimento do limite superior em 2026, sinalizando que os próximos cortes da Selic não estão garantidos.
No ambiente corporativo, o tombo da Braskem demonstrou que riscos financeiros específicos podem superar o efeito positivo dos fatores macroeconômicos.
O Ibovespa encerrou aos 171.990,20 pontos, próximo da marca de 172 mil, sustentado por Vale, Itaú, Banco do Brasil e ações domésticas. A continuidade do movimento dependerá dos próximos indicadores de inflação, das sinalizações do Banco Central e da evolução das tensões no mercado internacional de petróleo.










