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Ibovespa fecha praticamente estável nesta segunda-feira, 29 de junho de 2026

Principal índice da B3 recuou 0,05%, aos 173.205,35 pontos, em sessão marcada pelo jogo do Brasil, enquanto Braskem e bancos limitaram as perdas

por Camila Braga
29/06/2026 às 19h53
em Ibovespa
Ibovespa Fecha Praticamente Estável Nesta Segunda-Feira, 29 De Junho De 2026 - Gazeta Mercantil

O Ibovespa fechou em leve queda de 0,05%, aos 173.205,35 pontos, nesta segunda-feira, 29 de junho de 2026, em um pregão de baixa liquidez provocado pelo jogo da seleção brasileira na Copa do Mundo. A valorização de parte dos bancos, da Petrobras e de ações ligadas ao consumo ajudou a limitar as perdas, enquanto Vale, Embraer, Azzas 2154 e empresas de mineração pressionaram o principal índice da B3.

A Bolsa brasileira oscilou em uma faixa estreita durante a maior parte da sessão, sem acompanhar as fortes altas registradas em Nova York. O índice atingiu a máxima de 173.891,53 pontos e a mínima de 172.392,54 pontos, encerrando o dia 89,79 pontos abaixo do fechamento anterior.

Leia também: Setor energético: Carlos Slim lucra US$ 540 milhões com petroleiras em 2026.

O volume total negociado na B3 ficou em R$ 14,4 bilhões, bem abaixo do padrão observado em sessões regulares. Considerando apenas o volume financeiro do pregão acionário, foram movimentados aproximadamente R$ 14,17 bilhões, ante uma média diária de R$ 30,68 bilhões em junho.

Ibovespa hoje em números

Fechamento: 173.205,35 pontos
Variação no dia: queda de 0,05%
Abertura: 173.295,14 pontos
Máxima do pregão: 173.891,53 pontos
Mínima do pregão: 172.392,54 pontos
Fechamento anterior: 173.295,14 pontos
Volume financeiro: aproximadamente R$ 14,4 bilhões
Variação na semana: queda de 0,05%
Variação no mês: queda de 0,29%
Variação no segundo trimestre: queda de 7,29%
Variação no ano: alta de 8,36%
Dólar comercial: R$ 5,175, com queda de 0,15%
Taxa Selic: 14,25% ao ano

Jogo do Brasil reduz liquidez na Bolsa

A principal característica do pregão foi a redução da participação dos investidores durante a partida entre Brasil e Japão, disputada no período da tarde. Embora a B3 tenha mantido os horários normais de negociação, o volume ficou significativamente abaixo da média do mês.

A menor liquidez contribuiu para limitar os movimentos do Ibovespa e reduziu a capacidade do índice de acompanhar o ambiente favorável observado nas bolsas norte-americanas. O Brasil venceu o Japão por 2 a 1, em partida eliminatória da Copa do Mundo.

O Ibovespa chegou a se aproximar dos 174 mil pontos durante a manhã, mas perdeu força ao longo do dia. A movimentação mostrou falta de uma direção predominante entre as ações de maior peso, com bancos e Petrobras em alta e Vale praticamente estável, mas no campo negativo.

A sessão também foi marcada pelo início da última semana do primeiro semestre. Esse período costuma envolver ajustes de posições de fundos e gestores de carteiras, que reorganizam seus investimentos antes do fechamento mensal, trimestral e semestral.

Bancos ajudam a limitar perdas do índice

As ações dos grandes bancos apresentaram desempenho majoritariamente positivo e impediram uma queda mais acentuada do Ibovespa.

Os papéis preferenciais do Itaú Unibanco (ITUB4) avançaram 0,40%, enquanto as ações preferenciais do Bradesco (BBDC4) subiram 1,40%. As units do Santander Brasil (SANB11) tiveram valorização de 1,78%.

Na direção oposta, as ações ordinárias do Banco do Brasil (BBAS3) recuaram 0,39%. O desempenho do setor ocorreu no mesmo dia em que o governo federal apresentou uma nova etapa do programa Desenrola, voltada à renegociação de dívidas e à ampliação do acesso ao crédito.

O setor financeiro possui peso relevante na composição do Ibovespa. Por isso, a valorização conjunta de Itaú, Bradesco e Santander compensou parte da pressão exercida por empresas de mineração, siderurgia, aviação e consumo de maior valor agregado.

As taxas dos contratos de juros futuros também encerraram a sessão em queda. O movimento refletiu dados de inflação no atacado mais fracos do que o esperado e uma nova pesquisa eleitoral, além da redução de parte das preocupações geopolíticas no mercado internacional.

A queda das taxas futuras tende a favorecer empresas sensíveis ao custo do crédito, especialmente companhias de varejo, construção e tecnologia. O impacto, entretanto, depende da situação financeira, das perspectivas de lucro e do endividamento de cada empresa.

Petrobras sobe com petróleo e recorde em Búzios

As ações preferenciais da Petrobras (PETR4) fecharam em alta de 0,21%, acompanhando a valorização internacional do petróleo. O contrato do Brent para agosto avançou 1,61%, cotado a US$ 73,15 por barril.

Além do movimento da commodity, os investidores repercutiram os dados de produção do campo de Búzios, no pré-sal da Bacia de Santos. O campo alcançou na sexta-feira um novo recorde de produção média diária, de aproximadamente 1,2 milhão de barris de petróleo.

Búzios é o maior campo de petróleo em águas profundas do mundo e representa uma parcela crescente da produção da estatal. A entrada de novas plataformas tem ampliado a capacidade operacional da área.

A valorização da Petrobras, entretanto, teve efeito limitado sobre o índice por causa das quedas observadas em outras empresas ligadas às commodities.

A Vale (VALE3) encerrou o dia praticamente estável, com recuo de 0,03%. Os preços futuros do minério de ferro tiveram desempenho misto nos mercados asiáticos, sem fornecer uma direção clara para as ações da mineradora.

A CSN Mineração (CMIN3) caiu 2,12%, figurando entre as maiores perdas do Ibovespa. O desempenho negativo do setor de mineração e siderurgia contribuiu para impedir que o índice acompanhasse os ganhos do exterior.

Braskem lidera ganhos após duas sessões de forte queda

A Braskem (BRKM5) apresentou a maior valorização do Ibovespa, com alta de 5,76%, a R$ 6,61. O movimento ocorreu depois de duas sessões consecutivas de quedas acentuadas.

Na sexta-feira, a petroquímica informou ter obtido uma decisão judicial que suspendeu, por 60 dias, a cobrança de dívidas por determinados credores financeiros. A medida busca preservar espaço para negociações sobre a estrutura de capital da companhia.

Embora os problemas financeiros continuem no radar, parte dos investidores recompôs posições após a forte desvalorização registrada na semana anterior. O movimento teve características de recuperação técnica e realização de lucros em posições vendidas.

O Magazine Luiza (MGLU3) avançou 4,50%, beneficiado pela queda dos juros futuros e pela melhora das ações ligadas ao consumo doméstico. A Natura (NATU3) subiu 4,01%, enquanto a MBRF (MBRF3) ganhou 3,51%.

A Minerva (BEEF3) completou a relação das principais altas, com valorização de 3,06%. Os papéis de empresas de proteínas também receberam apoio do ambiente mais favorável para companhias exportadoras e de notícias setoriais.

Maiores altas do Ibovespa

Braskem (BRKM5): alta de 5,76%
Magazine Luiza (MGLU3): alta de 4,50%
Natura (NATU3): alta de 4,01%
MBRF (MBRF3): alta de 3,51%
Minerva (BEEF3): alta de 3,06%

Azzas e Embraer pressionam o mercado

A Azzas 2154 (AZZA3) liderou as perdas do Ibovespa, com queda de 3,21%, a R$ 18,38. Foi a segunda sessão consecutiva de correção depois da forte valorização registrada após o anúncio de uma revisão estratégica dos ativos ligados à Farm Rio.

A companhia contratou o Morgan Stanley para avaliar alternativas capazes de destravar valor da marca. A empresa também informou que a Hering não está à venda e que não existem negociações em andamento envolvendo a operação.

As ações da Vivara (VIVA3) recuaram 2,29%, enquanto a CSN Mineração perdeu 2,12%.

A Embraer (EMBJ3) caiu 2,10%, depois de quatro pregões consecutivos de valorização. Nesse período, os papéis haviam acumulado ganho próximo de 5%. Mesmo com a correção, as ações ainda apresentavam alta de 9,66% em junho.

A TIM (TIMS3) recuou 1,94% e também figurou entre as principais quedas do dia.

Fora das cinco maiores perdas, a Cosan (CSAN3) caiu 1,33%. Os investidores avaliaram a informação de que a companhia analisa alternativas para a participação que possui na Rumo (RAIL3), como parte de sua estratégia de desalavancagem e reorganização da estrutura de capital.

Maiores quedas do Ibovespa

Azzas 2154 (AZZA3): queda de 3,21%
Vivara (VIVA3): queda de 2,29%
CSN Mineração (CMIN3): queda de 2,12%
Embraer (EMBJ3): queda de 2,10%
TIM (TIMS3): queda de 1,94%

Focus interrompe sequência de altas na inflação projetada

No cenário doméstico, o mercado avaliou a nova edição do Relatório Focus, divulgado pelo Banco Central do Brasil.

A projeção mediana para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo em 2026 permaneceu em 5,33%, interrompendo uma sequência de 15 semanas de revisões para cima. Mesmo estável, a estimativa continua acima do limite superior da meta de inflação, de 4,50%.

Para 2027, a expectativa para o IPCA aumentou de 4,15% para 4,17%. As estimativas para 2028 e 2029 permaneceram em 3,70% e 3,50%, respectivamente.

A previsão para a Selic no fim de 2026 foi mantida em 14% ao ano, indicando a expectativa de mais um corte de 0,25 ponto percentual em relação à taxa atual de 14,25%. Para 2027, a projeção permaneceu em 12%.

A estimativa de crescimento do Produto Interno Bruto em 2026 avançou de 1,98% para 1,99%. Para o dólar, a mediana das projeções ao fim deste ano permaneceu em R$ 5,20.

IGP-M tem deflação de 0,50% em junho

A Fundação Getulio Vargas informou que o Índice Geral de Preços — Mercado caiu 0,50% em junho, revertendo a alta de 0,84% registrada em maio.

O resultado veio abaixo das estimativas do mercado e foi influenciado principalmente pelo recuo dos preços de combustíveis, minerais e café. Foi a primeira deflação mensal do IGP-M desde fevereiro.

Em 12 meses, o índice acumulou alta de 3,16%. No primeiro semestre de 2026, o avanço foi de 3,27%.

A queda dos preços no atacado contribuiu para o fechamento negativo das taxas futuras de juros. Embora o IGP-M não seja a medida oficial de inflação utilizada pelo Banco Central, o indicador fornece sinais sobre pressões de custos que podem ser transmitidas aos preços ao consumidor.

Os investidores também acompanharam o resultado das contas do Governo Central, que registraram déficit primário de aproximadamente R$ 53,26 bilhões em maio, em linha com as projeções do mercado e acima do resultado negativo observado no mesmo mês de 2025.

Wall Street avança com tecnologia e menor tensão geopolítica

O Ibovespa não acompanhou o desempenho das bolsas de Nova York, que registraram fortes altas com a recuperação das empresas de tecnologia e a perspectiva de redução das tensões entre Estados Unidos e Irã.

O Dow Jones avançou 0,59% e renovou seu recorde de fechamento. O S&P 500 subiu 1,18%, enquanto o Nasdaq ganhou 2,07%.

As ações de tecnologia recuperaram parte das perdas acumuladas nas sessões anteriores. A Alphabet estreou na composição do Dow Jones em substituição à Verizon e esteve entre as influências positivas do índice.

O ambiente externo também foi favorecido pela suspensão de novos ataques entre Estados Unidos e Irã. A continuidade da trégua, entretanto, permaneceu incerta diante de informações divergentes sobre a realização de novas negociações diplomáticas em Doha.

O governo norte-americano afirmou que representantes dos dois países poderiam se reunir, enquanto autoridades iranianas negaram que um encontro estivesse oficialmente agendado.

Na Europa, o índice Stoxx 600 fechou praticamente estável, com alta de 0,04%. A valorização das empresas de tecnologia foi compensada pelas perdas de companhias ligadas à construção.

Dólar fecha perto da estabilidade

O dólar comercial encerrou o pregão com queda de 0,15%, vendido a R$ 5,175. A moeda oscilou em uma faixa estreita, entre a mínima de R$ 5,154 e a máxima de R$ 5,186.

O índice DXY, que compara o dólar a uma cesta de moedas fortes, recuou aproximadamente 0,25%, na região dos 101 pontos.

A baixa liquidez também afetou o mercado de câmbio. Sem um movimento expressivo de entrada ou saída de recursos, a cotação permaneceu próxima dos níveis registrados no fechamento anterior.

A redução das taxas futuras de juros no Brasil limitou parte do apoio ao real, enquanto a melhora do ambiente internacional reduziu a procura global pela moeda norte-americana como ativo de proteção.

Caged e dados fiscais entram no radar

Na terça-feira, 30 de junho, o mercado acompanhará os dados do Novo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados referentes a maio. A divulgação está prevista para as 14h e mostrará o saldo de admissões e desligamentos formais no país.

A expectativa predominante no mercado é de criação líquida próxima de 175 mil empregos. Um resultado muito diferente das projeções poderá alterar as avaliações sobre o ritmo da atividade econômica e a trajetória da inflação de serviços.

O Banco Central também divulgará as estatísticas fiscais de maio, enquanto o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística apresentará o Índice de Preços ao Produtor.

Nos Estados Unidos, serão publicados o relatório Jolts de vagas de trabalho em aberto, o índice de confiança do consumidor e indicadores do mercado imobiliário. Os dados antecedem a divulgação do relatório oficial de emprego norte-americano, prevista para quinta-feira.

Além dos indicadores econômicos, os investidores continuarão acompanhando as negociações entre Estados Unidos e Irã, os preços do petróleo e os ajustes de carteiras relacionados ao fechamento do primeiro semestre.

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