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Ibovespa 29 de julho: Bolsa cai 1,52% com Santander (SANB11) e Wall Street

Índice encerrou aos 173.885 pontos, na mínima da sessão, pressionado pela queda dos bancos e pela aversão ao risco no exterior; disparada do petróleo sustentou Petrobras e limitou parte das perdas.

por Camila Braga
29/07/2026 às 19h40
em Ibovespa
Ibovespa Hoje - Gazeta Mercantil

O Ibovespa fechou em queda de 1,52% nesta quarta-feira, 29 de julho de 2026, aos 173.885 pontos, na B3. O principal índice da Bolsa brasileira perdeu 2.679 pontos em uma sessão marcada pela forte desvalorização do Santander Brasil (SANB11), pelo recuo de ações de grande peso e pela queda acentuada das bolsas de Nova York após a decisão do Federal Reserve sobre os juros dos Estados Unidos.

O movimento de venda ganhou intensidade ao longo do pregão. O índice abriu aos 176.564 pontos, nível que também correspondeu à máxima do dia, e terminou exatamente na mínima da sessão. O comportamento mostrou deterioração contínua do apetite por risco, apesar da valorização das ações da Petrobras (PETR3; PETR4), beneficiadas pela disparada do petróleo no mercado internacional.

Leia também: Bradesco (BBDC4) dispara 13,57% e supera Ibovespa após primeiro turno

Leia também: Ibovespa ao vivo: Bolsa recua com tensão entre Brasil e EUA e dólar opera em baixa.

A queda interrompeu uma sequência de duas sessões positivas. Na segunda-feira, o Ibovespa havia subido 0,74%, e, na terça-feira, avançou 0,70%. O ganho acumulado nesses dois pregões foi devolvido no fechamento desta quarta-feira, embora o índice ainda permaneça no campo positivo em julho e no acumulado de 2026.

Fechamento do Ibovespa em números

  • Pontuação final: 173.885 pontos
  • Variação no dia: queda de 1,52%
  • Variação em pontos: menos 2.679 pontos
  • Abertura: 176.564 pontos
  • Máxima da sessão: 176.564 pontos
  • Mínima da sessão: 173.885 pontos
  • Fechamento anterior: 176.565 pontos
  • Dólar comercial: R$ 5,1174
  • Variação do dólar: queda de 0,07%
  • Acumulado no mês: alta de aproximadamente 1,08%
  • Acumulado no ano: alta de aproximadamente 7,92%

Ibovespa hoje abriu na máxima e fechou na mínima

A trajetória intradiária foi predominantemente negativa. O Ibovespa começou o dia praticamente no mesmo nível do fechamento anterior, mas não conseguiu sustentar a pontuação inicial. A abertura aos 176.564 pontos foi o ponto mais alto do pregão, enquanto o encerramento aos 173.885 pontos representou a mínima.

Essa configuração indica que a pressão vendedora se intensificou durante a sessão, sem uma recuperação consistente antes do leilão de fechamento. A amplitude entre a máxima e a mínima foi de 2.679 pontos, praticamente equivalente à perda acumulada no dia.

O movimento também foi disseminado entre diferentes segmentos. Bancos, infraestrutura, siderurgia, construção civil, telecomunicações, varejo e empresas ligadas ao mercado doméstico terminaram majoritariamente em baixa. A valorização das companhias de petróleo impediu uma queda ainda maior do índice, mas não foi suficiente para compensar o recuo dos demais setores.

Santander e Wall Street determinaram o fechamento

O principal evento corporativo doméstico foi a divulgação do balanço do Santander Brasil. O banco apresentou lucro líquido de R$ 3,01 bilhões no segundo trimestre de 2026, queda de 17,6% em relação ao mesmo período do ano anterior e resultado inferior às projeções compiladas pelo mercado.

A rentabilidade medida pelo retorno sobre o patrimônio líquido médio caiu de 16,4% para 12,5%. A margem financeira recuou 0,4%, para R$ 15,34 bilhões, enquanto as provisões para perdas com crédito aumentaram 6,5%, alcançando R$ 8,26 bilhões.

A combinação entre menor rentabilidade, margens pressionadas e aumento das provisões provocou uma queda de 7,37% nas units do Santander Brasil (SANB11), que fecharam a R$ 25,63. Foi o pior desempenho do banco em uma sessão desde 2020 e um dos maiores recuos entre os componentes do Ibovespa.

Embora o resultado tenha refletido questões específicas do Santander, a reação negativa atingiu outros papéis do setor bancário. Como os bancos têm participação relevante na composição do Ibovespa, as perdas ajudaram a aprofundar a queda do índice.

O ambiente externo também foi determinante. Wall Street encerrou o dia em forte baixa depois que o Federal Reserve manteve a taxa básica de juros dos Estados Unidos no intervalo entre 3,50% e 3,75% ao ano. A decisão teve três votos divergentes, cujos integrantes defendiam uma elevação de 0,25 ponto percentual.

A ausência de uma orientação clara sobre os próximos passos da política monetária, somada ao aumento do petróleo e às preocupações com os investimentos elevados em inteligência artificial, manteve os investidores em posição defensiva.

Petrobras sobe com disparada do petróleo

As ações da Petrobras avançaram na direção contrária à maior parte do mercado. Os papéis ordinários Petrobras (PETR3) subiram 2,35%, para R$ 47,58, enquanto os preferenciais Petrobras (PETR4) ganharam 1,92%, encerrando a R$ 42,07.

A valorização ocorreu em uma sessão de forte alta das cotações internacionais do petróleo. O Brent avançou 7,3% e terminou cotado a US$ 88,09 por barril, após a retomada das tensões militares envolvendo Estados Unidos e Irã elevar o risco de interrupção dos fluxos globais da commodity.

A alta do petróleo também sustentou outras produtoras. A PRIO (PRIO3) teve a maior valorização da carteira do Ibovespa, com avanço de 2,89%, a R$ 58,67. A PetroReconcavo (RECV3) subiu 1,18%, para R$ 10,32.

O desempenho das petroleiras teve peso relevante no índice e funcionou como contrapeso às perdas dos bancos, das empresas de serviços públicos e das companhias siderúrgicas. Sem a alta de Petrobras e PRIO, a retração do Ibovespa teria sido mais acentuada.

Vale recua antes do balanço do segundo trimestre

A Vale (VALE3) caiu 0,85%, para R$ 75,10. A companhia divulgará os resultados financeiros do segundo trimestre nesta quinta-feira, 30 de julho, depois do fechamento do mercado.

O papel oscilou entre R$ 74,61 e R$ 76,20 durante o pregão. A proximidade do balanço aumentou a atenção sobre produção, custos, preços realizados, geração de caixa, investimentos e política de remuneração aos acionistas.

Entre as empresas siderúrgicas, a pressão foi mais intensa. A Companhia Siderúrgica Nacional (CSNA3) liderou as perdas do Ibovespa, com queda de 7,80%, a R$ 5,21. A Usiminas (USIM5) recuou 4,26%, para R$ 8,32, enquanto Gerdau (GGBR4) caiu 1,39%, a R$ 24,79.

A CSN Mineração (CMIN3), por outro lado, terminou em alta de 0,34%, a R$ 5,98. A divergência entre os papéis mostrou que a movimentação não esteve associada exclusivamente ao minério de ferro. Não havia, até o encerramento da apuração, um fato corporativo isolado confirmado que explicasse integralmente a queda da CSN.

Bancos ampliam pressão sobre o índice

Além do Santander, os principais bancos privados fecharam em baixa. O Itaú Unibanco (ITUB4) perdeu 2,43%, terminando a R$ 41,82. O Bradesco teve queda de 2,25% nas ações ordinárias (BBDC3), para R$ 16,06, e de 2,24% nas preferenciais (BBDC4), para R$ 18,37.

O Banco do Brasil (BBAS3) apresentou desempenho menos negativo e recuou 0,24%, a R$ 20,86. A Itaúsa (ITSA4), holding que tem o Itaú como principal investimento, caiu 1,96%, para R$ 13,50.

A B3 (B3SA3), responsável pela infraestrutura do mercado brasileiro, também teve queda expressiva. A ação recuou 4,25%, para R$ 15,32, e ficou entre as principais pressões negativas da sessão.

A reação ao balanço do Santander ocorreu no início da temporada de resultados dos grandes bancos. Itaú e Bradesco apresentarão seus números na próxima semana, enquanto o Banco do Brasil divulgará o balanço em agosto. As demonstrações deverão ser avaliadas principalmente pelos indicadores de inadimplência, provisões, margens financeiras, crescimento do crédito e rentabilidade.

Maiores altas do Ibovespa

A PRIO (PRIO3) liderou os ganhos, com valorização de 2,89%, a R$ 58,67. A alta ocorreu em paralelo ao salto do petróleo, que favoreceu os papéis das produtoras independentes.

A Petrobras ON (PETR3) avançou 2,35%, para R$ 47,58, enquanto Petrobras PN (PETR4) subiu 1,92%, a R$ 42,07.

A Minerva (BEEF3) ganhou 1,76%, encerrando a R$ 3,47. A Cogna (COGN3) registrou alta de 1,39%, para R$ 2,21, e a PetroReconcavo (RECV3) avançou 1,18%, a R$ 10,32.

A quantidade reduzida de ações em alta reforçou o caráter disseminado da pressão vendedora. A maior parte dos ganhos ficou concentrada em companhias diretamente ligadas à produção de petróleo.

Maiores quedas do Ibovespa

A Companhia Siderúrgica Nacional (CSNA3) registrou o pior desempenho do índice, com queda de 7,80%, a R$ 5,21.

O Santander Brasil (SANB11) recuou 7,37%, para R$ 25,63, após a divulgação do balanço do segundo trimestre.

A Sabesp (SBSP3) caiu 5,87%, para R$ 26,70. A Azzas 2154 (AZZA3) perdeu 5,83%, encerrando a R$ 16,18, enquanto a Direcional Engenharia (DIRR3) recuou 4,73%, para R$ 11,10.

Também tiveram perdas relevantes C&A Modas (CEAB3), com queda de 4,40%; Multiplan (MULT3), com baixa de 4,34%; Usiminas (USIM5), com recuo de 4,26%; e B3 (B3SA3), que caiu 4,25%.

Com exceção do Santander, cuja movimentação esteve diretamente relacionada ao resultado trimestral, não foi identificado um fato corporativo individual capaz de explicar integralmente cada uma das quedas. Os movimentos ocorreram em uma sessão de redução ampla da exposição a ações.

Dólar fecha perto da estabilidade

O dólar encerrou o dia cotado a R$ 5,1174, em queda de 0,07% contra o real. A moeda norte-americana oscilou entre R$ 5,0876 e R$ 5,1405 durante a sessão.

A pequena variação cambial contrastou com a forte aversão ao risco observada nas bolsas. O índice que acompanha o dólar contra uma cesta de moedas internacionais recuou, o que limitou a pressão sobre o real mesmo com a piora do mercado acionário.

As taxas finais dos principais contratos de juros futuros não estavam consolidadas em base comparável até o encerramento da apuração. O mercado de renda fixa permaneceu condicionado às perspectivas para a inflação, à trajetória da Selic e ao movimento dos rendimentos dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos.

Petróleo dispara com tensão geopolítica

O petróleo foi a principal commodity da sessão. O Brent avançou 7,3%, a US$ 88,09 por barril, com a retomada dos confrontos envolvendo Estados Unidos e Irã e a renovação dos temores sobre a segurança das rotas de exportação do Oriente Médio.

O WTI também registrou forte valorização, superando US$ 82 por barril. O movimento elevou o prêmio de risco geopolítico e reacendeu preocupações sobre o efeito da energia na inflação global.

A disparada teve efeitos distintos sobre a Bolsa. De um lado, favoreceu Petrobras, PRIO e PetroReconcavo. De outro, aumentou a cautela internacional porque uma alta prolongada da energia pode dificultar o processo de redução da inflação e limitar o espaço para cortes de juros.

Não havia cotação final consolidada e cruzada do minério de ferro nas fontes consultadas até a conclusão da apuração.

Wall Street fecha em forte queda após decisão do Fed

As bolsas de Nova York terminaram o dia com perdas acentuadas. O Dow Jones caiu 2,19%, para 51.594,14 pontos. O S&P 500 recuou 1,52%, aos 7.316,15 pontos, enquanto o Nasdaq perdeu 1,74%, terminando aos 24.442,94 pontos.

Além da decisão do Federal Reserve, o mercado norte-americano foi pressionado por uma nova rodada de vendas de ações ligadas à inteligência artificial e aos semicondutores. Os investidores passaram a questionar com maior rigor se os investimentos bilionários em infraestrutura de inteligência artificial serão acompanhados por crescimento proporcional de receitas e lucros.

A Nvidia caiu 3,6%, enquanto fabricantes e fornecedores de equipamentos para chips registraram perdas ainda maiores. O movimento ocorreu antes da divulgação dos resultados de Microsoft e Meta, apresentados depois do fechamento de Nova York.

Na Europa, o índice Stoxx 600 caiu 0,3%, interrompendo uma sequência de três altas. O setor de energia avançou com o petróleo, mas as perdas das companhias de luxo e tecnologia pressionaram o mercado. Em Londres, o FTSE 100 subiu 0,34%, sustentado pelas petrolíferas.

Na Ásia, o Hang Seng, de Hong Kong, avançou 2%, enquanto o Nikkei 225, de Tóquio, caiu 1,5%. O Kospi, da Coreia do Sul, recuou 6% após já ter sofrido uma queda de 10,8% na sessão anterior, em meio à liquidação das ações ligadas à cadeia global de semicondutores.

Ibovespa acumula alta em julho e em 2026

Apesar da queda desta quarta-feira, o Ibovespa ainda registra valorização aproximada de 1,08% em julho. O cálculo considera o fechamento de junho, aos 172.024,12 pontos, e o resultado de 29 de julho, aos 173.885 pontos.

No acumulado de 2026, a alta é de aproximadamente 7,92%, tomando como referência os 161.125,37 pontos registrados no último pregão de 2025.

Os números mostram que a Bolsa permanece positiva no ano, mas abaixo das máximas alcançadas anteriormente. O desempenho continua condicionado à trajetória dos juros no Brasil e nos Estados Unidos, ao fluxo de capital estrangeiro, ao cenário fiscal, às eleições brasileiras e à evolução dos conflitos no Oriente Médio.

O que acompanhar no próximo pregão

No Brasil, o principal evento corporativo desta quinta-feira, 30 de julho, será a divulgação do balanço da Vale após o fechamento da B3. O mercado avaliará produção, preços realizados, custos, geração de caixa, investimentos e possíveis anúncios sobre dividendos.

Os investidores também acompanharão a reação às demonstrações financeiras de Microsoft e Meta, divulgadas depois do encerramento de Wall Street nesta quarta-feira.

Na agenda dos Estados Unidos, serão publicados dados de renda e gastos pessoais referentes a junho, além dos índices de preços ao consumidor medidos pelo PCE e pelo núcleo do PCE. O indicador é uma das principais referências utilizadas pelo Federal Reserve na avaliação da inflação.

Também estarão no radar os dados do Produto Interno Bruto dos Estados Unidos e os pedidos semanais de seguro-desemprego, além de novos desdobramentos do conflito com o Irã e do movimento do petróleo.

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