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Ibovespa (IBOV) Hoje: Estabilidade, Saques na Poupança e PIB 2026

por Camila Braga
06/02/2026 às 15h56
em Ibovespa
Ibovespa Hoje - Gazeta Mercantil

Ibovespa sustenta máxima histórica em dia de ajustes macroeconômicos e tensão geopolítica

O mercado financeiro brasileiro opera nesta sexta-feira (6) em um cenário de relativa estabilidade, com o Ibovespa (IBOV) gravitando em torno dos 182.211 pontos. O índice, que recentemente atingiu marcas nominais recordes, demonstra resiliência em meio a uma agenda carregada por indicadores domésticos e movimentações diplomáticas de alto impacto no exterior. Enquanto o dólar comercial apresenta leve retração, cotado próximo a R$ 5,23, os investidores processam revisões nas projeções do Produto Interno Bruto (PIB) e dados alarmantes sobre a fuga de capital da caderneta de poupança no início de 2026.

No front externo, a atenção está dividida entre o início das negociações nucleares entre Estados Unidos e Irã, mediadas por Omã, e a proximidade das eleições legislativas no Japão. A manutenção das taxas de juros americanas e as sinalizações da nova gestão do Federal Reserve (Fed) continuam sendo os principais vetores para a liquidez global. Domesticamente, a safra de balanços corporativos e as discussões sobre acordos comerciais entre Mercosul e China adicionam camadas de complexidade à tomada de decisão institucional na B3.

Leia também: Ibovespa 2026: por que gestoras globais adotam cautela.

Saques na poupança registram recorde de R$ 23,5 bilhões em janeiro

A caderneta de poupança iniciou o ano de 2026 sob forte pressão de resgates. Dados divulgados nesta sexta-feira pelo Banco Central revelam que a modalidade registrou uma saída líquida de R$ 23,512 bilhões no mês de janeiro. Embora o montante seja inferior aos R$ 26,2 bilhões registrados no mesmo período do ano passado, o volume reflete uma tendência persistente de migração de capital para ativos de renda fixa mais rentáveis, impulsionada pela manutenção da taxa Selic em patamares elevados.

O Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE) foi o mais afetado, com um saldo negativo de R$ 18,807 bilhões, enquanto a poupança rural contribuiu com retiradas de R$ 4,705 bilhões. Com a Selic atualmente em 15% ao ano, a rentabilidade da poupança (TR + 0,5% ao mês) torna-se menos atrativa em comparação com Certificados de Depósito Bancário (CDBs) e títulos do Tesouro Direto. Analistas de economia popular sugerem que a antecipação de despesas típicas de início de ano, como IPVA e IPTU, aliada à busca por maior rendimento real, justifica a continuidade do esvaziamento da caderneta.

Leia também: Ibovespa hoje recua com feriado nos EUA após recorde histórico.

Ministério da Fazenda revisa projeção do PIB para 2,3% em 2026

A Secretaria de Política Econômica (SPE) do Ministério da Fazenda atualizou suas estimativas para a economia brasileira nesta manhã. O relatório reduziu ligeiramente a projeção de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) para 2026, passando de 2,4% para 2,3%. A revisão para baixo reflete, segundo técnicos da pasta, uma moderação esperada na atividade econômica após um período de forte expansão no setor de serviços, além da necessidade de manutenção de uma política monetária restritiva para ancorar as expectativas de inflação.

Paralelamente, a projeção para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) foi elevada de 3,5% para 3,6% no encerramento de 2026. A Fazenda também ajustou a previsão de crescimento para 2025 de 2,2% para 2,3%, dados que aguardam confirmação oficial pelo IBGE em março. Essas revisões são fundamentais para o planejamento orçamentário da União e servem de guia para o mercado financeiro ajustar suas curvas de juros futuros, influenciando diretamente o custo do crédito para empresas e consumidores finais.

Governo estuda acordo comercial parcial entre Mercosul e China

Em uma mudança significativa de postura diplomática, o governo brasileiro começou a considerar a promoção de um acordo comercial parcial entre o Mercosul e a China. A iniciativa ocorre logo após a formalização do acordo entre o bloco sul-americano e a União Europeia. Historicamente, o Brasil adotava uma posição defensiva em relação a Pequim, visando proteger a indústria nacional de manufaturados. Contudo, o novo contexto de tensões comerciais globais e a busca da China por laços mais profundos no Hemisfério Sul motivaram a revisão da estratégia pelo Palácio do Planalto.

De acordo com fontes ligadas ao Itamaraty, as negociações devem focar inicialmente na redução de barreiras não tarifárias. Isso inclui a harmonização de procedimentos alfandegários, regulamentos de saúde e segurança, além de cotas de importação. Tal abertura poderia facilitar o acesso de produtos agroindustriais brasileiros ao mercado chinês, ao mesmo tempo em que permitiria uma modernização tecnológica através de componentes importados com menores entraves burocráticos. A proposta ainda deve passar pelo crivo dos demais membros do Mercosul, especialmente a Argentina e o Uruguai.

Negociações nucleares em Omã elevam tensão entre EUA e Irã

No cenário internacional, Mascate, a capital de Omã, tornou-se o centro das atenções geopolíticas com o início de conversas de alto risco entre representantes dos Estados Unidos e do Irã. A mediação busca encontrar um denominador comum para o programa nuclear de Teerã, que tem avançado significativamente nos últimos meses. A delegação americana é liderada por Steve Witkoff, emissário especial do presidente Donald Trump, acompanhado por Jared Kushner, figura central em negociações anteriores no Oriente Médio.

O impasse principal reside na agenda das discussões. Enquanto o Irã deseja restringir o diálogo estritamente à questão nuclear e ao alívio de sanções econômicas, a diplomacia americana pressiona pela inclusão de tópicos regionais, como o cessar-fogo em Gaza e as atividades de grupos apoiados por Teerã. A possibilidade de uma “capacidade nuclear zero” para o Irã é a meta defendida por Washington, mas as autoridades iranianas já sinalizaram que estão preparadas para manter sua soberania energética e de defesa caso as exigências americanas sejam consideradas abusivas.

Apoio de Trump impulsiona primeira-ministra do Japão antes das urnas

O Japão se prepara para eleições antecipadas na Câmara dos Representantes neste domingo (8), um teste crucial para a primeira-ministra Sanae Takaichi. No poder desde outubro de 2025, Takaichi busca consolidar uma maioria conservadora para implementar sua agenda de fortalecimento militar e reformas econômicas. O pleito ganhou um ingrediente extra de relevância internacional com a declaração pública de apoio do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que classificou a premiê como alguém que merece “grande reconhecimento”.

A aliança entre Takaichi e Trump reforça a expectativa de uma cooperação militar e tecnológica ainda mais estreita entre Washington e Tóquio em 2026. A primeira-ministra dissolveu a Câmara aproveitando seus altos índices de popularidade, mas enfrenta críticas da oposição quanto ao aumento dos gastos com defesa em um momento de inflação global. O resultado das urnas no Japão terá impacto direto na estabilidade da Ásia e nas relações comerciais no Pacífico, afetando indiretamente os mercados emergentes, incluindo o fluxo de capital estrangeiro no Ibovespa (IBOV).

Dinâmica do dólar e o apetite por risco em mercados emergentes

A trajetória do dólar à vista nesta sexta-feira acompanha o movimento de desvalorização global da moeda norte-americana. O recuo para a casa de R$ 5,23 é visto por analistas como um respiro técnico após sucessivas altas motivadas pela incerteza fiscal brasileira. No entanto, a divisa permanece sob pressão devido ao diferencial de juros entre Brasil e Estados Unidos. Enquanto o Banco Central brasileiro mantém a Selic em 15% para conter a inflação, o Fed sinaliza que não deve apressar cortes nas taxas americanas, mantendo o dólar valorizado frente às moedas de países emergentes.

Para o Ibovespa (IBOV), a estabilidade no patamar de 182 mil pontos indica um mercado que já precificou boa parte das notícias negativas, mas que ainda aguarda gatilhos mais fortes para romper a barreira técnica. A manutenção do superávit comercial e a entrada de fluxos estrangeiros via investimentos diretos (IDP) são os contrapesos que sustentam a bolsa brasileira. Investidores arrojados monitoram as janelas de oportunidade em ações de setores cíclicos, como bancos e commodities, que tendem a se beneficiar de qualquer sinal de melhora nas projeções do PIB.

Perspectivas para o encerramento do pregão e fechamento semanal

Com o fechamento da semana se aproximando, a volatilidade no Ibovespa (IBOV) pode se acentuar caso surjam notícias concretas das negociações em Omã ou novas declarações do Ministério da Fazenda sobre a política fiscal. A marca de 182 mil pontos é considerada um suporte psicológico importante para os operadores. O desempenho das ações da Vale (VALE3) e Petrobras (PETR4) continuará sendo o termômetro principal do índice, dado o peso dessas companhias na composição da carteira teórica e sua sensibilidade às cotações internacionais de minério de ferro e petróleo.

O investidor deve manter a cautela com o cenário geopolítico, especialmente com as eleições no Japão e a transição nas políticas comerciais globais. A diversificação de carteira entre renda fixa — aproveitando as taxas elevadas que provocam saques na poupança — e renda variável estratégica parece ser o caminho adotado por gestores profissionais. O ano de 2026 desenha-se como um período de ajustes finos, onde a autoridade das instituições e a clareza das metas fiscais serão os ativos mais valiosos para a atração de capital produtivo.

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