quinta-feira, 17 de setembro de 2026
contato@gazetamercantil.com
GAZETA MERCANTIL
GAZETA MERCANTIL
GAZETA MERCANTIL
Home Economia

IGP-10 cai 0,30% em junho com alívio no atacado, aponta FGV

Índice ficou perto do piso das projeções do mercado financeiro, pressionado para baixo pela queda dos preços ao produtor, apesar de altas no consumidor e na construção.

por Antônio Lima
16/06/2026 às 19h44
em Economia
Igp-10 Gazeta Mercantil

O IGP-10 caiu 0,30% em junho de 2026, após alta de 0,89% em maio, informou nesta terça-feira, 16 de junho, a Fundação Getulio Vargas. O resultado ficou próximo ao piso das estimativas do mercado financeiro e mostrou uma forte desaceleração da inflação no atacado, especialmente em commodities, combustíveis e matérias-primas relevantes para a cadeia produtiva.

Com o desempenho de junho, o Índice Geral de Preços – 10 acumula alta de 3,16% no ano e avanço de 2,15% em 12 meses. Em junho de 2025, o indicador havia recuado 0,97% e acumulava alta de 5,62% em 12 meses, segundo a série divulgada pela FGV.

O dado veio bem abaixo da mediana das projeções de analistas ouvidos pelo Projeções Broadcast, que apontava alta de 0,54%. As estimativas iam de queda de 0,35% a alta de 0,92%, o que coloca o resultado divulgado pela FGV muito próximo do limite inferior das apostas do mercado.

Queda veio do atacado

O principal responsável pela deflação do IGP-10 em junho foi o Índice de Preços ao Produtor Amplo, o IPA-10. O componente caiu 0,71%, depois de subir 0,95% em maio, invertendo o sinal e puxando o índice geral para o campo negativo.

O IPA-10 tem peso aproximado de 60% na composição do IGP-10. Por isso, oscilações no atacado costumam ter impacto relevante no resultado final do indicador. Quando preços de matérias-primas, produtos agropecuários, combustíveis e bens industriais recuam, o efeito aparece rapidamente no índice cheio.

Segundo a FGV, o resultado foi influenciado pela queda dos preços ao produtor, especialmente de commodities como café, cana-de-açúcar e combustíveis. O movimento reflete um cenário de acomodação dos preços internacionais e normalização de oferta, ainda que alguns itens agrícolas tenham seguido pressionados por fatores sazonais.

A leitura é importante porque o IGP-10 costuma captar pressões de custos antes que elas cheguem ao consumidor final. Quando o atacado desacelera, isso pode ajudar a reduzir parte da pressão sobre cadeias produtivas e margens empresariais.

Matérias-primas brutas intensificam recuo

Dentro do IPA-10, o estágio de matérias-primas brutas teve papel decisivo. O grupo caiu 2,39% em junho, depois de subir 0,06% em maio. A inversão contribuiu para explicar a mudança de direção do índice ao produtor.

Também houve desaceleração em bens intermediários. O grupo avançou 0,57% em junho, bem abaixo da alta de 2,41% registrada no mês anterior. O índice de bens intermediários excluindo combustíveis e lubrificantes para produção desacelerou de 1,98% em maio para 0,24% em junho.

Nos bens finais, houve alta de 0,49%, inferior à taxa de 0,81% observada em maio. O índice de bens finais que exclui alimentos in natura e combustíveis para consumo passou de alta de 0,79% em maio para queda de 0,14% em junho.

Esse conjunto de resultados indica que a desaceleração não ficou restrita a um único segmento. A queda foi mais forte nas matérias-primas, mas também houve perda de ritmo em bens intermediários e bens finais, reduzindo a pressão sobre o índice geral.

Consumidor ainda registra alta

Apesar da queda no atacado, o Índice de Preços ao Consumidor, o IPC-10, continuou em alta. O componente subiu 0,56% em junho, após avanço de 0,68% em maio. Houve desaceleração, mas o indicador permaneceu no campo positivo.

Entre as oito classes de despesa pesquisadas, três desaceleraram ou recuaram: Transportes, que passou de alta de 0,29% para queda de 0,49%; Saúde e Cuidados Pessoais, que desacelerou de 1,00% para 0,44%; e Educação, Leitura e Recreação, que passou de 0,38% para 0,23%.

Na direção oposta, cinco grupos tiveram aceleração. Despesas Diversas passou de 0,47% para 1,29%; Habitação avançou de 0,71% para 0,93%; Vestuário saiu de queda de 0,07% para alta de 0,74%; Comunicação foi de estabilidade para alta de 0,12%; e Alimentação subiu de 1,22% para 1,23%.

A composição mostra que o alívio do IGP-10 veio principalmente do atacado, não do bolso do consumidor. Para as famílias, alimentos, habitação e vestuário ainda mantiveram pressão no mês.

Construção acelera com mão de obra

O Índice Nacional de Custo da Construção, o INCC-10, subiu 0,92% em junho, acima da alta de 0,86% registrada em maio. O avanço reforça que o setor de construção segue enfrentando custos elevados, sobretudo em mão de obra.

Segundo a FGV, o grupo Materiais e Equipamentos desacelerou de 1,29% para 1,08%, enquanto Serviços recuou de 0,59% para 0,45%. A pressão veio de Mão de Obra, cuja taxa subiu de 0,36% em maio para 0,80% em junho.

O comportamento do INCC-10 limita uma queda mais intensa do IGP-10. Mesmo com deflação no atacado, os custos da construção continuam subindo, o que mantém pressão sobre incorporadoras, construtoras, contratos e orçamentos de obras.

Esse dado também é relevante para o mercado imobiliário. Custos de construção mais altos podem afetar margens, cronogramas, preços de lançamentos e negociações de contratos indexados a índices do setor.

O que é o IGP-10

O IGP-10 é uma das versões do Índice Geral de Preços calculadas pelo Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas. O indicador acompanha variações de preços em diferentes etapas da economia, desde matérias-primas agrícolas e industriais até bens e serviços finais consumidos pelas famílias.

O índice é apurado entre o dia 11 do mês anterior e o dia 10 do mês de referência. No caso do resultado de junho, a coleta ocorreu entre 11 de maio e 10 de junho.

Sua composição combina três indicadores: o IPA-10, com peso aproximado de 60%; o IPC-10, com peso aproximado de 30%; e o INCC-10, com peso aproximado de 10%. Essa estrutura faz do IGP-10 um termômetro mais amplo da inflação do que índices focados apenas no consumidor.

Por captar preços no atacado, no varejo e na construção, o IGP-10 costuma ser acompanhado por empresas, economistas, investidores e setores que utilizam índices gerais de preços como referência para contratos.

Resultado reforça alívio parcial da inflação

A queda de 0,30% em junho reforça um quadro de alívio parcial dos preços no atacado. A redução em commodities e combustíveis ajudou a derrubar o índice cheio, reduzindo a pressão sobre custos produtivos.

Ainda assim, o resultado não significa que a inflação desapareceu. O IPC-10 e o INCC-10 seguiram positivos, mostrando que consumidores e construção ainda enfrentam alta de preços.

Essa diferença é importante. Uma queda no IGP-10 pode aliviar contratos indexados ao indicador e reduzir pressões sobre empresas, mas não necessariamente representa queda generalizada no custo de vida. Para as famílias, a inflação percebida depende mais diretamente de alimentos, habitação, serviços, transportes e energia.

No cenário macroeconômico, o dado chega em uma semana de decisão do Copom, em que investidores acompanham a trajetória das expectativas de inflação, câmbio, preços administrados e atividade econômica.

Dado fica perto do piso das projeções

O resultado de junho surpreendeu para baixo. A queda de 0,30% ficou próxima ao piso das estimativas de analistas, que iam de recuo de 0,35% a alta de 0,92%.

Essa surpresa tende a ser lida como positiva para a inflação de atacado e para contratos atrelados ao IGP. No entanto, a leitura deve ser feita com cautela porque parte relevante da queda veio de commodities, que podem voltar a oscilar conforme câmbio, clima, oferta internacional e preços de energia.

O acumulado em 12 meses, de 2,15%, segue bem abaixo do patamar observado um ano antes, quando o IGP-10 acumulava alta de 5,62%. Esse movimento mostra uma desaceleração importante nos preços gerais ao longo do período.

Para empresas e investidores, o dado melhora a fotografia de curto prazo, mas não elimina a necessidade de acompanhar os próximos índices, especialmente IGP-M, IPCA, preços de combustíveis e alimentação.

Impacto para contratos e empresas

O IGP-10 é menos conhecido pelo consumidor do que o IPCA ou o IGP-M, mas tem relevância para contratos, planejamento empresarial e acompanhamento de custos.

Quando o índice recua, contratos corrigidos por IGP-10 podem ter reajustes menores, dependendo das cláusulas específicas. Empresas também podem usar o indicador para avaliar custos de insumos, formação de preços e pressão nas cadeias produtivas.

O peso do IPA torna o indicador especialmente sensível a commodities. Por isso, o IGP-10 pode oscilar mais do que índices de preços ao consumidor. Uma queda forte no atacado pode derrubar o índice em um mês, enquanto altas em serviços e construção mantêm pressões em outros segmentos.

Para o Banco Central, o dado é um dos elementos acompanhados no cenário inflacionário, mas não substitui o IPCA, que é o índice oficial da meta de inflação.

Alívio veio do atacado, mas consumidor ainda sente pressão

O IGP-10 de junho trouxe uma notícia favorável para a inflação geral ao registrar queda de 0,30%. O dado mostra alívio relevante nos preços ao produtor, com destaque para matérias-primas brutas, combustíveis e commodities.

Mas o recuo não foi uniforme. O consumidor ainda enfrentou alta de 0,56%, e a construção acelerou para 0,92%. Na prática, o índice mostra uma economia com menos pressão no atacado, mas ainda com custos elevados em despesas de consumo e mão de obra da construção.

A leitura final é de desaceleração, não de ausência de inflação. O resultado melhora o quadro de curto prazo, mas mantém atenção sobre alimentação, habitação, mão de obra, energia e serviços.

LEIA MAIS

Governo Volta A Discutir Tributação De Lci E Lca E Reacende Alerta Sobre Custo Do Crédito Imobiliário-Gazeta Mercantil
Economia

Selic a 13,75%: veja quanto rendem CDI, IPCA+, CDB, LCI e LCA

A redução da Selic para 13,75% ao ano mudou pouco, por enquanto, a principal característica do mercado brasileiro de renda fixa: aplicações conservadoras continuam oferecendo retornos nominais elevados....

Leia MaisDetails
Copom Corta Selic Para 13,75% No Quinto Recuo Seguido Dos Juros - Gazeta Mercantil - Economia
Economia

Copom corta Selic para 13,75% no quinto recuo seguido dos juros

O Comitê de Política Monetária do Banco Central reduziu nesta quarta-feira, 16 de setembro, a taxa Selic de 14% para 13,75% ao ano, prolongando pelo quinto encontro consecutivo...

Leia MaisDetails
Há 4 Anos, Lula E Bolsonaro Iniciavam Campanhas Que Definiriam A Eleição De 2022 - Gazeta Mercantil
Ibovespa

Investimentos têm desempenhos diferentes nos governos Bolsonaro e Lula, aponta levantamento

A comparação entre os mercados financeiros nos governos de Jair Bolsonaro e Luiz Inácio Lula da Silva mostra resultados diferentes conforme o tipo de ativo e o período...

Leia MaisDetails
Empresas Ampliam Venda De Dívidas Vencidas Enquanto Crédito Segue Caro-Gazeta Mercantil
Economia

Empresas ampliam venda de dívidas vencidas enquanto crédito segue caro

Empresas brasileiras estão recorrendo com mais frequência à venda de carteiras de crédito inadimplente para transformar recebíveis de difícil recuperação em liquidez imediata. O mercado movimentou R$ 17...

Leia MaisDetails
Banco Mundial Nomeia Nobel Michael Kremer Como Novo Economista-Chefe-Gazeta Mercantil
Economia

Banco Mundial nomeia Nobel Michael Kremer como novo economista-chefe

O Banco Mundial nomeou nesta quarta-feira, 16 de setembro, o economista americano Michael Kremer, vencedor do Prêmio de Economia de 2019, para os cargos de economista-chefe do Grupo...

Leia MaisDetails

GAZETA MERCANTIL MERCADO AGORA

10:15:00
IBOV

IBOVESPA

B3
Consultando... buscando última cotação
$

DÓLAR

USD/BRL
Consultando... buscando última cotação
€

EURO

EUR/BRL
Consultando... buscando última cotação
₿

BITCOIN

BRL
Consultando... buscando última cotação
Gazeta Mercantil · dados de mercado
Sênior Sistemas Sênior Sistemas Sênior Sistemas
PUBLICIDADE

Veja Também

Governo Volta A Discutir Tributação De Lci E Lca E Reacende Alerta Sobre Custo Do Crédito Imobiliário-Gazeta Mercantil
Economia

Selic a 13,75%: veja quanto rendem CDI, IPCA+, CDB, LCI e LCA

Leia MaisDetails
Percepção De Envolvimento De Aliados De Bolsonaro No Caso Master Sobe 12,9 Pontos, Diz Atlas
Política

Percepção de envolvimento de aliados de Bolsonaro no caso Master sobe 12,9 pontos, diz Atlas

Leia MaisDetails
Flávio Bolsonaro Usou Recentemente Apartamento Que Pertenceu A Cunhado De Vorcaro
Política

Flávio Bolsonaro usou recentemente apartamento que pertenceu a cunhado de Vorcaro

Leia MaisDetails
Copom Corta Selic Para 13,75% No Quinto Recuo Seguido Dos Juros - Gazeta Mercantil - Economia
Economia

Copom corta Selic para 13,75% no quinto recuo seguido dos juros

Leia MaisDetails
Lvmh Perde Mais De €250 Bilhões Em Valor De Mercado Desde 2023-Gazeta Mercantil
Empresas

LVMH perde mais de €250 bilhões em valor de mercado desde 2023

Leia MaisDetails

EDITORIAS

  • Economia
  • Mercados
    • Dólar
    • Ibovespa
    • Fundos Imobiliários
    • Criptomoedas
  • Empresas
  • Negócios
  • Política
  • Brasil
  • Mundo
  • Tecnologia
  • Agronegócio
  • Trabalho
  • Saúde
  • Loterias
  • Esportes
    • Futebol
  • Cultura & Lazer
    • Filmes e Séries
  • Lifestyle
  • Anuncie Conosco
Gazeta Mercantil Logo White

contato@gazetamercantil.com

Gazeta Mercantil — marca jornalística fundada em 1920, com continuidade editorial contemporânea no ambiente digital por meio do domínio oficial gazetamercantil.com.

EDITORIAS

  • Economia
  • Mercados
    • Dólar
    • Ibovespa
    • Fundos Imobiliários
    • Criptomoedas
  • Empresas
  • Negócios
  • Política
  • Brasil
  • Mundo
  • Tecnologia
  • Agronegócio
  • Trabalho
  • Saúde
  • Loterias
  • Esportes
    • Futebol
  • Cultura & Lazer
    • Filmes e Séries
  • Lifestyle
  • Anuncie Conosco

Veja Também:

Selic a 13,75%: veja quanto rendem CDI, IPCA+, CDB, LCI e LCA

Percepção de envolvimento de aliados de Bolsonaro no caso Master sobe 12,9 pontos, diz Atlas

Flávio Bolsonaro usou recentemente apartamento que pertenceu a cunhado de Vorcaro

Copom corta Selic para 13,75% no quinto recuo seguido dos juros

LVMH perde mais de €250 bilhões em valor de mercado desde 2023

BRB (BSLI3; BSLI4) recebe R$ 376 milhões da XP por ativos ligados ao Banco Master

  • Anuncie Conosco
  • Política de Correções
  • Política Editorial
  • Política de Privacidade
  • Termos de Uso
  • Sobre a Gazeta Mercantil
  • Expediente
  • Política de Conflitos de Interesse

© 2026 GAZETA MERCANTIL - Marca jornalística fundada em 1920. Site oficial: gazetamercantil.com - Todos os direitos reservados. - ISSN 1519-0129 - contato@gazetamercantil.com - Grupo SMEdit - Av.Paulista 777 - Bela Vista - São Paulo - SP

  • Economia
  • Mercados
    • Dólar
    • Ibovespa
    • Fundos Imobiliários
    • Criptomoedas
  • Empresas
  • Negócios
  • Política
  • Brasil
  • Mundo
  • Tecnologia
  • Agronegócio
  • Trabalho
  • Saúde
  • Loterias
  • Esportes
    • Futebol
  • Cultura & Lazer
    • Filmes e Séries
  • Lifestyle
  • Anuncie Conosco

© 2026 GAZETA MERCANTIL - Marca jornalística fundada em 1920. Site oficial: gazetamercantil.com - Todos os direitos reservados. - ISSN 1519-0129 - contato@gazetamercantil.com - Grupo SMEdit - Av.Paulista 777 - Bela Vista - São Paulo - SP