O IGP-10 caiu 0,30% em junho de 2026, após alta de 0,89% em maio, informou nesta terça-feira, 16 de junho, a Fundação Getulio Vargas. O resultado ficou próximo ao piso das estimativas do mercado financeiro e mostrou uma forte desaceleração da inflação no atacado, especialmente em commodities, combustíveis e matérias-primas relevantes para a cadeia produtiva.
Com o desempenho de junho, o Índice Geral de Preços – 10 acumula alta de 3,16% no ano e avanço de 2,15% em 12 meses. Em junho de 2025, o indicador havia recuado 0,97% e acumulava alta de 5,62% em 12 meses, segundo a série divulgada pela FGV.
O dado veio bem abaixo da mediana das projeções de analistas ouvidos pelo Projeções Broadcast, que apontava alta de 0,54%. As estimativas iam de queda de 0,35% a alta de 0,92%, o que coloca o resultado divulgado pela FGV muito próximo do limite inferior das apostas do mercado.
Queda veio do atacado
O principal responsável pela deflação do IGP-10 em junho foi o Índice de Preços ao Produtor Amplo, o IPA-10. O componente caiu 0,71%, depois de subir 0,95% em maio, invertendo o sinal e puxando o índice geral para o campo negativo.
O IPA-10 tem peso aproximado de 60% na composição do IGP-10. Por isso, oscilações no atacado costumam ter impacto relevante no resultado final do indicador. Quando preços de matérias-primas, produtos agropecuários, combustíveis e bens industriais recuam, o efeito aparece rapidamente no índice cheio.
Segundo a FGV, o resultado foi influenciado pela queda dos preços ao produtor, especialmente de commodities como café, cana-de-açúcar e combustíveis. O movimento reflete um cenário de acomodação dos preços internacionais e normalização de oferta, ainda que alguns itens agrícolas tenham seguido pressionados por fatores sazonais.
A leitura é importante porque o IGP-10 costuma captar pressões de custos antes que elas cheguem ao consumidor final. Quando o atacado desacelera, isso pode ajudar a reduzir parte da pressão sobre cadeias produtivas e margens empresariais.
Matérias-primas brutas intensificam recuo
Dentro do IPA-10, o estágio de matérias-primas brutas teve papel decisivo. O grupo caiu 2,39% em junho, depois de subir 0,06% em maio. A inversão contribuiu para explicar a mudança de direção do índice ao produtor.
Também houve desaceleração em bens intermediários. O grupo avançou 0,57% em junho, bem abaixo da alta de 2,41% registrada no mês anterior. O índice de bens intermediários excluindo combustíveis e lubrificantes para produção desacelerou de 1,98% em maio para 0,24% em junho.
Nos bens finais, houve alta de 0,49%, inferior à taxa de 0,81% observada em maio. O índice de bens finais que exclui alimentos in natura e combustíveis para consumo passou de alta de 0,79% em maio para queda de 0,14% em junho.
Esse conjunto de resultados indica que a desaceleração não ficou restrita a um único segmento. A queda foi mais forte nas matérias-primas, mas também houve perda de ritmo em bens intermediários e bens finais, reduzindo a pressão sobre o índice geral.
Consumidor ainda registra alta
Apesar da queda no atacado, o Índice de Preços ao Consumidor, o IPC-10, continuou em alta. O componente subiu 0,56% em junho, após avanço de 0,68% em maio. Houve desaceleração, mas o indicador permaneceu no campo positivo.
Entre as oito classes de despesa pesquisadas, três desaceleraram ou recuaram: Transportes, que passou de alta de 0,29% para queda de 0,49%; Saúde e Cuidados Pessoais, que desacelerou de 1,00% para 0,44%; e Educação, Leitura e Recreação, que passou de 0,38% para 0,23%.
Na direção oposta, cinco grupos tiveram aceleração. Despesas Diversas passou de 0,47% para 1,29%; Habitação avançou de 0,71% para 0,93%; Vestuário saiu de queda de 0,07% para alta de 0,74%; Comunicação foi de estabilidade para alta de 0,12%; e Alimentação subiu de 1,22% para 1,23%.
A composição mostra que o alívio do IGP-10 veio principalmente do atacado, não do bolso do consumidor. Para as famílias, alimentos, habitação e vestuário ainda mantiveram pressão no mês.
Construção acelera com mão de obra
O Índice Nacional de Custo da Construção, o INCC-10, subiu 0,92% em junho, acima da alta de 0,86% registrada em maio. O avanço reforça que o setor de construção segue enfrentando custos elevados, sobretudo em mão de obra.
Segundo a FGV, o grupo Materiais e Equipamentos desacelerou de 1,29% para 1,08%, enquanto Serviços recuou de 0,59% para 0,45%. A pressão veio de Mão de Obra, cuja taxa subiu de 0,36% em maio para 0,80% em junho.
O comportamento do INCC-10 limita uma queda mais intensa do IGP-10. Mesmo com deflação no atacado, os custos da construção continuam subindo, o que mantém pressão sobre incorporadoras, construtoras, contratos e orçamentos de obras.
Esse dado também é relevante para o mercado imobiliário. Custos de construção mais altos podem afetar margens, cronogramas, preços de lançamentos e negociações de contratos indexados a índices do setor.
O que é o IGP-10
O IGP-10 é uma das versões do Índice Geral de Preços calculadas pelo Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas. O indicador acompanha variações de preços em diferentes etapas da economia, desde matérias-primas agrícolas e industriais até bens e serviços finais consumidos pelas famílias.
O índice é apurado entre o dia 11 do mês anterior e o dia 10 do mês de referência. No caso do resultado de junho, a coleta ocorreu entre 11 de maio e 10 de junho.
Sua composição combina três indicadores: o IPA-10, com peso aproximado de 60%; o IPC-10, com peso aproximado de 30%; e o INCC-10, com peso aproximado de 10%. Essa estrutura faz do IGP-10 um termômetro mais amplo da inflação do que índices focados apenas no consumidor.
Por captar preços no atacado, no varejo e na construção, o IGP-10 costuma ser acompanhado por empresas, economistas, investidores e setores que utilizam índices gerais de preços como referência para contratos.
Resultado reforça alívio parcial da inflação
A queda de 0,30% em junho reforça um quadro de alívio parcial dos preços no atacado. A redução em commodities e combustíveis ajudou a derrubar o índice cheio, reduzindo a pressão sobre custos produtivos.
Ainda assim, o resultado não significa que a inflação desapareceu. O IPC-10 e o INCC-10 seguiram positivos, mostrando que consumidores e construção ainda enfrentam alta de preços.
Essa diferença é importante. Uma queda no IGP-10 pode aliviar contratos indexados ao indicador e reduzir pressões sobre empresas, mas não necessariamente representa queda generalizada no custo de vida. Para as famílias, a inflação percebida depende mais diretamente de alimentos, habitação, serviços, transportes e energia.
No cenário macroeconômico, o dado chega em uma semana de decisão do Copom, em que investidores acompanham a trajetória das expectativas de inflação, câmbio, preços administrados e atividade econômica.
Dado fica perto do piso das projeções
O resultado de junho surpreendeu para baixo. A queda de 0,30% ficou próxima ao piso das estimativas de analistas, que iam de recuo de 0,35% a alta de 0,92%.
Essa surpresa tende a ser lida como positiva para a inflação de atacado e para contratos atrelados ao IGP. No entanto, a leitura deve ser feita com cautela porque parte relevante da queda veio de commodities, que podem voltar a oscilar conforme câmbio, clima, oferta internacional e preços de energia.
O acumulado em 12 meses, de 2,15%, segue bem abaixo do patamar observado um ano antes, quando o IGP-10 acumulava alta de 5,62%. Esse movimento mostra uma desaceleração importante nos preços gerais ao longo do período.
Para empresas e investidores, o dado melhora a fotografia de curto prazo, mas não elimina a necessidade de acompanhar os próximos índices, especialmente IGP-M, IPCA, preços de combustíveis e alimentação.
Impacto para contratos e empresas
O IGP-10 é menos conhecido pelo consumidor do que o IPCA ou o IGP-M, mas tem relevância para contratos, planejamento empresarial e acompanhamento de custos.
Quando o índice recua, contratos corrigidos por IGP-10 podem ter reajustes menores, dependendo das cláusulas específicas. Empresas também podem usar o indicador para avaliar custos de insumos, formação de preços e pressão nas cadeias produtivas.
O peso do IPA torna o indicador especialmente sensível a commodities. Por isso, o IGP-10 pode oscilar mais do que índices de preços ao consumidor. Uma queda forte no atacado pode derrubar o índice em um mês, enquanto altas em serviços e construção mantêm pressões em outros segmentos.
Para o Banco Central, o dado é um dos elementos acompanhados no cenário inflacionário, mas não substitui o IPCA, que é o índice oficial da meta de inflação.
Alívio veio do atacado, mas consumidor ainda sente pressão
O IGP-10 de junho trouxe uma notícia favorável para a inflação geral ao registrar queda de 0,30%. O dado mostra alívio relevante nos preços ao produtor, com destaque para matérias-primas brutas, combustíveis e commodities.
Mas o recuo não foi uniforme. O consumidor ainda enfrentou alta de 0,56%, e a construção acelerou para 0,92%. Na prática, o índice mostra uma economia com menos pressão no atacado, mas ainda com custos elevados em despesas de consumo e mão de obra da construção.
A leitura final é de desaceleração, não de ausência de inflação. O resultado melhora o quadro de curto prazo, mas mantém atenção sobre alimentação, habitação, mão de obra, energia e serviços.









