O Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M) acelerou de 0,26% na primeira prévia de agosto para 0,93% na primeira leitura de setembro, segundo os dados da Fundação Getulio Vargas (FGV) apresentados no material de referência. A mudança representa aumento de 0,67 ponto percentual na taxa entre as duas apurações e sinaliza uma retomada da pressão sobre os preços no início do mês.
O principal vetor de aceleração veio do Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA), cuja variação passou de 0,28% para 1,26%. Como o IPA responde pela maior parcela da composição do IGP-M, movimentos nos preços recebidos pelos produtores têm peso significativo no resultado agregado. O índice também incorpora a evolução dos preços ao consumidor e dos custos da construção civil.
O Índice de Preços ao Consumidor (IPC-M) também deixou o terreno negativo e passou de queda de 0,09% na primeira prévia de agosto para alta de 0,09% em setembro. Já o Índice Nacional de Custo da Construção (INCC-M) desacelerou de 0,75% para 0,35% no mesmo intervalo.
Atacado concentra a mudança de direção
A aceleração do IPA é o elemento de maior destaque na leitura de setembro. Entre a primeira prévia de agosto e a de setembro, a taxa do indicador avançou 0,98 ponto percentual, saindo de 0,28% para 1,26%.
O comportamento é relevante porque o IPA representa 60% da estrutura do IGP, enquanto o IPC tem peso de 30% e o INCC corresponde aos 10% restantes. A metodologia da FGV foi desenhada para captar diferentes etapas da formação de preços, abrangendo produtor, consumidor e construção civil.
A composição significa que uma aceleração concentrada no atacado pode alterar rapidamente a trajetória do índice geral, mesmo quando os demais componentes apresentam movimentos mais moderados. Foi o que ocorreu na primeira leitura de setembro: o IPC passou a registrar variação positiva, mas o INCC caminhou no sentido contrário, limitando parte da pressão exercida pelos preços ao produtor.
Na prática, a leitura inicial mostra uma mudança importante em relação ao comportamento observado no fechamento de agosto. Naquele mês, o IGP-M recuou 0,22%, depois de queda de 1,16% em julho, e acumulava alta de 1,85% no ano e de 2,16% em 12 meses.
A comparação, porém, precisa ser feita entre períodos de coleta diferentes. A primeira prévia não corresponde ao resultado fechado do mês. O IGP-M mensal é calculado pela FGV em uma janela que vai do dia 21 do mês anterior ao dia 20 do mês de referência, enquanto as divulgações parciais permitem acompanhar antecipadamente a trajetória dos preços.
Pressão sobre o consumidor ainda é moderada
O comportamento do IPC-M foi bem menos intenso que o observado no atacado. A taxa saiu de -0,09% para 0,09%, uma variação de 0,18 ponto percentual.
A passagem para território positivo indica interrupção da deflação registrada na primeira leitura de agosto, mas não representa, isoladamente, uma aceleração expressiva da inflação ao consumidor. O movimento precisa ser acompanhado nas próximas prévias para determinar se a pressão inicial se consolida no restante do mês.
O resultado também ocorre em um contexto no qual outros indicadores de preços da FGV já mostravam comportamentos distintos. O IPC-S da primeira quadrissemana de setembro, por exemplo, subiu 0,51% e acumulava alta de 3,78% em 12 meses.
A diferença entre os indicadores decorre, entre outros fatores, das metodologias e das janelas de coleta. Por isso, o resultado do IPC-M da primeira prévia do IGP-M não deve ser interpretado como uma medida equivalente à inflação oficial medida pelo IPCA.
Construção civil reduz contribuição para o índice
O INCC-M apresentou comportamento oposto ao IPA. A taxa caiu de 0,75% na primeira prévia de agosto para 0,35% na leitura de setembro, redução de 0,40 ponto percentual.
O movimento ocorre depois de o índice ter fechado agosto em alta de 0,85%, acima dos 0,62% registrados em julho. Naquele resultado, a maior pressão veio do componente de mão de obra, cuja variação passou de 0,93% para 1,56%, enquanto materiais e equipamentos desaceleraram de 0,42% para 0,33% e serviços avançaram de 0,25% para 0,33%.
A desaceleração observada na primeira prévia de setembro, portanto, representa uma mudança em relação ao comportamento do INCC no fechamento do mês anterior. Ainda assim, uma única leitura parcial não permite concluir que os custos da construção tenham iniciado uma trajetória persistente de perda de força.
O componente tem peso menor na formação do IGP-M, mas acompanha uma parte relevante dos custos enfrentados pelo setor imobiliário e pela construção. Variações mais fortes em mão de obra, materiais ou serviços podem repercutir sobre os custos de empreendimentos e contratos vinculados ao índice.
Resultado fechado de setembro só sai no fim do mês
A leitura de 0,93% ainda não representa o resultado definitivo do IGP-M de setembro. A divulgação mensal está prevista para 29 de setembro, conforme o calendário oficial da FGV. Até lá, novas informações de preços poderão alterar a contribuição dos três componentes do índice.
Essa diferença entre a primeira prévia e o resultado mensal é especialmente importante em um índice com forte participação dos preços no atacado. Alterações relevantes em commodities, produtos agropecuários, bens industriais e outros itens acompanhados pelo IPA podem modificar a taxa durante a janela de coleta.
O resultado fechado de agosto ajuda a dimensionar essa volatilidade. Depois de registrar -1,16% em julho, o IGP-M caiu 0,22% em agosto. A taxa acumulada em 12 meses ficou em 2,16%, abaixo dos 2,76% registrados em julho e dos 3,16% de junho.
A primeira prévia de setembro, portanto, interrompe parcialmente a sequência de taxas mensais negativas observada nos dois meses anteriores, mas ainda não permite antecipar o comportamento do indicador no fechamento do mês.
O IGP-M é utilizado como referência em contratos de aluguel e em diferentes contratos de prestação de serviços, além de integrar fórmulas paramétricas de reajuste de tarifas públicas. Por isso, sua trajetória tem efeitos além da leitura macroeconômica sobre os preços.
A combinação observada na primeira prévia — aceleração expressiva do atacado, retorno do IPC ao campo positivo e desaceleração do custo da construção — coloca o comportamento do IPA como principal ponto de acompanhamento nas próximas divulgações. O dado definitivo de setembro deverá mostrar se a pressão captada no início do período foi pontual ou se ganhou continuidade ao longo da janela de coleta.
Fontes:
Fundação Getulio Vargas – metodologia do IGP-M, composição do índice e pesos dos componentes
Fundação Getulio Vargas – calendário oficial de divulgação dos indicadores de setembro de 2026
Fundação Getulio Vargas – resultado do IGP-M de agosto de 2026 e evolução dos componentes
Fundação Getulio Vargas – resultados recentes do IPC-S e indicadores de preços de setembro de 2026









