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Radar da Semana: IPCA, ata do Copom e inflação dos EUA podem mexer com os mercados

Agenda de 10 a 14 de agosto reúne decisões, indicadores e dados de atividade capazes de influenciar juros, dólar, Bolsa e as expectativas para as economias brasileira e americana

por Álvaro Lima
10/08/2026 às 00h21
em Economia
Juros - Gazeta Mercantil

A semana de 10 a 14 de agosto começa com uma agenda carregada de indicadores capazes de alterar as expectativas dos investidores para juros, inflação e atividade econômica. No Brasil, o radar dos mercados estará concentrado principalmente na ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), no IPCA de julho e nos novos dados de serviços e varejo, enquanto nos Estados Unidos o foco estará sobre os índices de inflação ao consumidor e ao produtor.

O conjunto de divulgações ganha relevância porque ocorre poucos dias depois de decisões importantes de política monetária nas duas maiores economias das Américas. No Brasil, o Banco Central reduziu a Selic para 14% ao ano na reunião encerrada em 5 de agosto, enquanto o Federal Reserve manteve a taxa básica americana entre 3,50% e 3,75% ao ano em sua última decisão.

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Para os investidores, portanto, a semana servirá como um primeiro teste dos cenários traçados pelos dois bancos centrais. No mercado doméstico, a combinação entre a ata do Copom e o IPCA poderá influenciar as apostas sobre a velocidade dos próximos cortes da Selic, enquanto os dados americanos poderão alterar as expectativas para a trajetória dos juros nos Estados Unidos.

Além de Brasil e Estados Unidos, o radar internacional inclui números de atividade econômica do Reino Unido e da zona do euro, formando uma agenda que poderá provocar movimentos relevantes nas bolsas, no mercado de câmbio e nas curvas de juros.

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Segunda-feira: Focus abre o radar doméstico

A primeira referência importante da semana no Brasil será o Relatório Focus, divulgado nesta segunda-feira, 10 de agosto, pelo Banco Central. O documento reúne as projeções de economistas e instituições financeiras para indicadores como IPCA, Selic, Produto Interno Bruto e câmbio e funciona como um termômetro das expectativas do mercado.

O relatório ganha importância adicional depois da redução da Selic para 14% ao ano, porque qualquer mudança relevante nas projeções de inflação poderá interferir na leitura sobre os próximos passos do Copom. Uma melhora consistente das expectativas tende a favorecer o cenário de continuidade da flexibilização monetária, enquanto uma deterioração pode aumentar a cautela do Banco Central.

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O Focus não representa uma projeção oficial da autoridade monetária, mas a evolução das estimativas acompanhadas pelo mercado faz parte do conjunto de informações observado pelo Copom, principalmente quando os horizontes mais longos começam a se afastar ou se aproximar da meta de inflação.

Para os mercados, a abertura da semana deverá ser marcada justamente pela comparação entre as projeções atualizadas e o cenário utilizado pelo Banco Central na decisão de agosto.

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Terça-feira: ata do Copom e IPCA formam o dia mais importante no Brasil

A terça-feira, 11 de agosto, concentra os dois principais eventos da agenda econômica doméstica e tende a ser o dia de maior atenção para os mercados brasileiros.

O primeiro deles será a divulgação da ata da última reunião do Copom, documento que detalha os argumentos utilizados pelo Banco Central para justificar a redução da taxa básica de juros e apresenta uma avaliação mais ampla sobre inflação, atividade econômica, cenário fiscal e riscos externos.

Depois de cortar a Selic para 14%, o mercado buscará principalmente indicações sobre a disposição do Banco Central para continuar reduzindo os juros nas próximas reuniões. A linguagem utilizada pelo comitê será analisada em busca de sinais sobre o grau de confiança da autoridade monetária no processo de desinflação e sobre as condições necessárias para que novos cortes sejam realizados.

A ata também poderá ajudar a esclarecer como o Copom avalia a evolução das expectativas de inflação, a política fiscal e os efeitos acumulados de um período prolongado de juros elevados sobre consumo, crédito e investimentos.

Pouco depois, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística divulgará o IPCA de julho, indicador oficial utilizado como referência para o regime de metas de inflação.

Em junho, o IPCA havia avançado 0,16%, acumulando alta de 4,64% em 12 meses. A leitura de julho mostrará se a inflação continua apresentando comportamento compatível com um ciclo de redução dos juros ou se novas pressões podem exigir uma postura mais cautelosa do Banco Central.

Além do resultado geral, investidores e economistas deverão observar a composição do índice, especialmente inflação de serviços, preços subjacentes e disseminação das altas entre diferentes grupos de produtos e serviços.

Uma leitura melhor do que a esperada, combinada com uma ata menos conservadora, pode reforçar apostas em novos cortes da Selic. O movimento contrário — inflação acima das projeções acompanhada de uma comunicação cautelosa — pode provocar revisão das expectativas para os juros.

Quarta-feira: serviços no Brasil e CPI nos EUA entram no radar

Na quarta-feira, 12 de agosto, o foco doméstico passa da inflação para a atividade econômica, com a divulgação da Pesquisa Mensal de Serviços referente a junho.

O indicador será acompanhado para avaliar se a economia brasileira começa a apresentar uma desaceleração mais clara depois de um período prolongado de condições monetárias restritivas. Como o setor de serviços possui peso relevante na atividade e no mercado de trabalho, seu comportamento também ajuda a avaliar a persistência de pressões inflacionárias.

Uma atividade ainda muito resistente pode dificultar a desaceleração da inflação de serviços, enquanto sinais mais evidentes de perda de ritmo podem reforçar a percepção de que o aperto monetário acumulado começa a produzir efeitos mais amplos sobre a economia.

No exterior, entretanto, estará o principal evento da quarta-feira: a divulgação do índice de preços ao consumidor dos Estados Unidos, o CPI de julho.

O indicador será publicado depois de o Federal Reserve manter os juros entre 3,50% e 3,75% ao ano e deverá influenciar diretamente as expectativas sobre as próximas decisões da autoridade monetária americana.

Uma inflação superior às projeções do mercado tende a aumentar a possibilidade de juros elevados por mais tempo e pode pressionar os rendimentos dos títulos do Tesouro americano, fortalecendo o dólar e afetando ativos de países emergentes.

Uma leitura mais moderada, por outro lado, pode aliviar a pressão sobre os juros americanos e favorecer ativos de risco, especialmente se vier acompanhada de sinais de menor persistência da inflação nos componentes mais observados pelo Federal Reserve.

Para o mercado brasileiro, o CPI americano também importa porque alterações nas expectativas para os juros dos Estados Unidos afetam os fluxos internacionais de capital, o câmbio e o comportamento da curva de juros doméstica.

Quinta-feira: varejo brasileiro, PPI americano e PIB britânico

A quinta-feira, 13 de agosto, reúne novamente indicadores importantes em diferentes economias.

No Brasil, o IBGE divulgará as vendas do varejo referentes a junho, completando a rodada semanal de informações sobre atividade econômica. O resultado permitirá avaliar o comportamento do consumo das famílias diante de juros ainda elevados e condições de crédito mais restritivas.

O varejo possui relação direta com renda, emprego, confiança e disponibilidade de crédito, razão pela qual o indicador será interpretado em conjunto com os dados de serviços apresentados no dia anterior.

Uma combinação de atividade mais moderada e inflação em desaceleração poderia fortalecer a percepção de que o Banco Central possui espaço para continuar reduzindo a Selic, enquanto números de consumo mais fortes podem sustentar uma postura mais cautelosa.

Nos Estados Unidos, o destaque será o índice de preços ao produtor, o PPI de julho, que mede a evolução dos preços recebidos pelos produtores e ajuda a identificar pressões existentes nas etapas anteriores da cadeia produtiva.

Depois do CPI, divulgado na quarta-feira, o PPI permitirá ao mercado construir uma visão mais ampla sobre o comportamento da inflação americana. Caso os dois indicadores apontem pressões persistentes, as apostas em juros elevados por mais tempo podem ganhar força.

O Reino Unido também estará no radar com a divulgação da primeira estimativa do PIB do segundo trimestre, acompanhada por números de produção industrial, serviços e comércio exterior. O conjunto permitirá avaliar o ritmo da economia britânica e poderá influenciar as expectativas em relação às próximas decisões do Banco da Inglaterra.

Na zona do euro, o mercado acompanhará uma nova estimativa do PIB e os dados de emprego do segundo trimestre, informações importantes para avaliar a resistência da atividade econômica da região.

Sexta-feira: varejo americano fecha a semana

A agenda perde intensidade no Brasil na sexta-feira, 14 de agosto, mas os Estados Unidos ainda terão um indicador capaz de mexer com os mercados internacionais.

O U.S. Census Bureau divulgará as vendas no varejo de julho, oferecendo uma leitura atualizada sobre a força do consumo das famílias americanas.

O dado será especialmente relevante porque permitirá comparar a evolução da demanda com os indicadores de inflação divulgados ao longo da semana. Consumo muito resistente pode sustentar pressões sobre preços e reduzir o espaço para uma política monetária mais flexível, enquanto sinais de desaceleração podem reforçar a percepção de perda de força da economia.

Para o Federal Reserve, o desafio permanece em equilibrar o combate à inflação com a necessidade de evitar um enfraquecimento excessivo da atividade econômica. Por isso, a combinação entre CPI, PPI e varejo deverá formar uma das principais referências utilizadas pelo mercado para atualizar as apostas sobre os próximos movimentos dos juros americanos.

Europa também estará no radar dos investidores

Embora Brasil e Estados Unidos concentrem os indicadores de maior impacto para os mercados domésticos, a agenda europeia também trará números importantes.

Na quarta-feira, a zona do euro divulgará a produção industrial de junho, permitindo avaliar o desempenho de um setor que enfrenta desafios relacionados ao crescimento econômico, competitividade e demanda externa.

Na quinta-feira, a região apresentará nova estimativa do PIB e dados de emprego do segundo trimestre. Os números ajudarão a dimensionar a força da economia europeia e poderão influenciar as expectativas sobre os próximos passos da política monetária.

No Reino Unido, a divulgação do PIB do segundo trimestre terá peso semelhante, especialmente porque será acompanhada por informações sobre indústria, serviços e comércio exterior.

O desempenho europeu importa para os mercados globais porque uma desaceleração mais pronunciada pode modificar as expectativas para os juros da região, influenciar o euro e alterar o fluxo internacional de capitais.

Radar da Semana: confira os principais eventos

Segunda-feira, 10 de agosto

Brasil
Relatório Focus do Banco Central.

Terça-feira, 11 de agosto

Brasil
Ata da reunião do Copom.
IPCA de julho.

Quarta-feira, 12 de agosto

Brasil
Pesquisa Mensal de Serviços de junho.

Estados Unidos
CPI de julho — inflação ao consumidor.

Zona do euro
Produção industrial de junho.

Quinta-feira, 13 de agosto

Brasil
Vendas no varejo de junho.

Estados Unidos
PPI de julho — inflação ao produtor.

Reino Unido
PIB do segundo trimestre.
Produção industrial.
Serviços.
Balança comercial.

Zona do euro
PIB do segundo trimestre.
Dados de emprego.

Sexta-feira, 14 de agosto

Estados Unidos
Vendas no varejo de julho.

O que pode mexer mais com os mercados

Entre todos os eventos programados, a combinação entre ata do Copom e IPCA, na terça-feira, e CPI dos Estados Unidos, na quarta, concentra o maior potencial para alterar as expectativas dos investidores.

No Brasil, a principal pergunta será se a inflação permitirá ao Banco Central continuar reduzindo a Selic depois de levar a taxa para 14% ao ano. A resposta começará a ser construída pela combinação entre a comunicação do Copom, o comportamento efetivo dos preços e os sinais apresentados posteriormente pelos indicadores de atividade.

Nos Estados Unidos, o mercado tentará descobrir se a inflação está suficientemente controlada para impedir um novo aperto monetário ou se as pressões ainda justificam juros elevados por um período mais prolongado.

As respostas não influenciam apenas as taxas básicas de cada país. Mudanças nas expectativas de juros afetam diretamente o preço dos títulos públicos, o dólar, os mercados acionários e os fluxos de recursos entre economias desenvolvidas e emergentes.

Por isso, o Radar da Semana começa com o Focus e termina com o varejo americano, mas terá seu momento decisivo entre terça e quinta-feira, quando os principais indicadores de inflação e atividade poderão redefinir parte das apostas para os juros no Brasil e nos Estados Unidos.


FONTES:

Banco Central do Brasil — Relatório Focus, ata e documentos oficiais do Comitê de Política Monetária.

Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística — IPCA, Pesquisa Mensal de Serviços e Pesquisa Mensal de Comércio.

Federal Reserve — decisão e comunicado oficial do Federal Open Market Committee.

Bureau of Labor Statistics — CPI e PPI dos Estados Unidos.

U.S. Census Bureau — vendas no varejo dos Estados Unidos.

Office for National Statistics — PIB, produção industrial, serviços e comércio exterior do Reino Unido.

Eurostat — produção industrial, PIB e emprego da zona do euro.

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