O Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M), conhecido como a inflação do aluguel, registrou queda de 0,50% em junho, interrompendo uma sequência de três meses consecutivos de alta. Apesar da deflação no mês, o indicador calculado pela Fundação Getulio Vargas (FGV) acumula avanço de 3,16% nos últimos 12 meses, percentual que será utilizado para reajustar contratos de locação residencial e comercial com aniversário em julho.
Na prática, isso significa que inquilinos com contratos corrigidos pelo IGP-M terão aumento no valor do aluguel, mesmo diante do resultado negativo do índice em junho. Isso ocorre porque a maioria dos contratos utiliza a variação acumulada dos últimos 12 meses como referência para o reajuste anual.
O indicador é um dos principais indexadores da economia brasileira e também serve de base para contratos de energia elétrica, telefonia, concessões públicas e diversos acordos privados de longo prazo.
Reajuste de julho será de 3,16%
Embora o resultado mensal tenha sido negativo, o acumulado de 12 meses permaneceu em terreno positivo, refletindo a inflação registrada ao longo do último ano.
Assim, um contrato de aluguel de R$ 2.000, por exemplo, passará para R$ 2.063,20 após a aplicação do reajuste de 3,16%, representando um aumento de R$ 63,20 por mês.
O percentual será aplicado automaticamente aos contratos que preveem o IGP-M como índice de correção anual e que tenham aniversário no mês de julho, salvo quando houver negociação diferente entre locador e locatário.
Especialistas lembram que o reajuste previsto em contrato não impede que as partes negociem novos valores, principalmente quando as condições de mercado apontam dificuldades para reposição integral da inflação.
Queda foi puxada pelos preços no atacado
Segundo a Fundação Getulio Vargas, o principal fator responsável pela deflação de junho foi o recuo de 0,97% no Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA), componente que responde por 60% da composição do IGP-M.
O economista Matheus Dias, do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre/FGV), atribuiu o movimento à redução dos preços internacionais de commodities energéticas e minerais, que voltaram para níveis próximos aos registrados antes dos conflitos geopolíticos que pressionaram os mercados globais.
No setor agropecuário, a continuidade de boas perspectivas para importantes safras brasileiras também contribuiu para reduzir preços de algumas commodities agrícolas.
Produtos como cana-de-açúcar e café apresentaram queda nos preços ao produtor, ajudando a aliviar a inflação medida pelo indicador.
Entenda como o IGP-M é calculado
Criado ainda na década de 1940, o IGP-M busca medir a evolução dos preços em diferentes etapas da economia brasileira.
Ao contrário de índices focados exclusivamente no consumidor, como o IPCA, o IGP-M acompanha desde a produção até o consumo final, oferecendo uma visão mais ampla das pressões inflacionárias.
Sua metodologia combina três indicadores:
- IPA (Índice de Preços ao Produtor Amplo): representa 60% da composição e acompanha a variação dos preços no atacado.
- IPC (Índice de Preços ao Consumidor): corresponde a 30% do índice e mede a inflação percebida pelas famílias.
- INCC (Índice Nacional de Custo da Construção): responde pelos 10% restantes e acompanha os custos do setor da construção civil.
Essa composição faz com que o IGP-M apresente comportamento diferente do IPCA em diversos momentos do ciclo econômico, especialmente quando commodities ou o câmbio sofrem oscilações relevantes.
Por que o aluguel sobe mesmo com deflação?
Uma das principais dúvidas dos consumidores ocorre justamente quando o IGP-M registra queda mensal, mas os contratos continuam sendo reajustados para cima.
A explicação está na metodologia utilizada pelos contratos.
O reajuste anual considera o índice acumulado dos últimos 12 meses, e não apenas a variação registrada no mês do aniversário do contrato.
Como o indicador acumulou alta de 3,16% entre julho de 2025 e junho de 2026, esse será o percentual aplicado aos contratos que vencem em julho.
Caso o acumulado fosse negativo, os contratos poderiam, em tese, sofrer redução, desde que essa possibilidade estivesse prevista nas cláusulas contratuais.
Mercado imobiliário vive cenário mais equilibrado
Nos últimos anos, o mercado imobiliário passou por mudanças importantes em relação aos índices utilizados para reajustar contratos.
Durante o período de forte aceleração do IGP-M, quando o indicador chegou a acumular altas superiores a 30% em 12 meses, muitos proprietários e inquilinos optaram por renegociar contratos utilizando o IPCA ou índices híbridos.
O objetivo era evitar reajustes considerados excessivos em um momento de forte pressão inflacionária sobre matérias-primas, commodities e câmbio.
Com a desaceleração observada nos últimos meses, o IGP-M voltou a apresentar comportamento mais próximo dos demais indicadores de inflação, reduzindo a necessidade de renegociações extraordinárias.
Ainda assim, especialistas afirmam que a negociação direta entre locador e locatário continua sendo recomendada quando o reajuste comprometer a capacidade de pagamento ou elevar significativamente o risco de vacância do imóvel.
Índice também influencia diversos contratos da economia
Embora seja conhecido popularmente como “inflação do aluguel”, o IGP-M possui aplicação muito mais ampla.
O indicador é utilizado para atualizar contratos de concessões públicas, prestação de serviços, energia elétrica, telefonia, contratos empresariais e operações financeiras de longo prazo.
Empresas que possuem contratos indexados ao IGP-M também sentirão os efeitos da variação acumulada de 3,16%, dependendo das cláusulas previstas em cada acordo.
Por acompanhar preços em diferentes estágios da economia, o índice é observado por empresários, investidores, gestores públicos e analistas econômicos como um importante termômetro das pressões inflacionárias.
Commodities continuam influenciando comportamento do indicador
Como o IPA possui peso de 60% na composição do IGP-M, oscilações nos preços internacionais das commodities continuam exercendo forte influência sobre o comportamento do índice.
Movimentos no petróleo, minério de ferro, aço, fertilizantes, energia e produtos agrícolas costumam provocar impactos relevantes na inflação medida pelo indicador.
Além disso, a taxa de câmbio também influencia parte significativa da formação dos preços ao produtor, especialmente em setores exportadores ou dependentes de insumos importados.
Essa característica explica por que, em diversos momentos, o IGP-M apresenta comportamento diferente do IPCA, que mede exclusivamente a inflação ao consumidor.
Reajuste de julho afetará milhões de contratos em todo o país
Com o acumulado de 3,16% em 12 meses, milhares de contratos residenciais e comerciais terão seus valores corrigidos ao longo de julho.
O percentual é bem inferior aos reajustes observados durante o pico inflacionário registrado nos anos anteriores, mas ainda representa aumento de custo para famílias e empresas que possuem contratos vinculados ao indicador.
A evolução do IGP-M continuará sendo acompanhada pelo mercado imobiliário, já que novos movimentos de queda ou alta poderão influenciar os reajustes previstos para os próximos meses e o ritmo das negociações entre proprietários e inquilinos.










