Iguatemi (IGTI11) fecha 2025 com lucro de R$ 610 milhões, mas FFO sofre impacto de juros altos
A Iguatemi (IGTI11) encerrou 2025 com lucro líquido ajustado de R$ 610 milhões, alta de 22,7% em relação a 2024, segundo balanço divulgado na noite de terça-feira (24). No quarto trimestre (4T25), o lucro ajustado somou R$ 159 milhões, representando recuo de 3,2% na comparação anual, reflexo de margens pressionadas e custos financeiros mais elevados.
Após a divulgação, a XP reiterou recomendação de compra para os papéis, destacando a consistência operacional da companhia, mas também alertou para o impacto de despesas financeiras e a pressão do cenário macroeconômico sobre o setor de shoppings premium.
Nesta quarta-feira (25), as ações IGTI11 operavam em leve alta. Por volta das 12h30, os papéis avançavam 0,65%, cotados a R$ 29,62, em reação moderada aos resultados divulgados.
Vendas crescem, mas ritmo desacelera no último trimestre
No 4T25, as vendas totais nos empreendimentos da Iguatemi alcançaram R$ 7,9 bilhões, crescimento de 12,8% frente ao mesmo período de 2024. No acumulado do ano, as vendas somaram R$ 25,2 bilhões, avanço de 19,3% em relação a 2024.
Embora os números indiquem crescimento, especialistas ressaltam que o avanço dos indicadores operacionais apresenta sinais de desaceleração. As vendas por metro quadrado subiram 7% no trimestre, enquanto o SSS (Same Store Sales) avançou 5,9% e o SAS (Same Area Sales) 8,4%. O crescimento, embora positivo, sugere ganhos limitados de produtividade diante de custos operacionais ainda pressionados.
Analistas apontam que a companhia continua dependendo do desempenho de ativos premium localizados em regiões de maior renda, o que mantém tíquete médio mais elevado, mas limita a diversificação do portfólio frente a consumidores mais sensíveis a preço.
Receita supera estimativas, mas FFO é pressionado
A receita líquida da Iguatemi no 4T25 atingiu R$ 416 milhões, alta de 11% na comparação anual e 4% acima das projeções da XP. Apesar do crescimento, o FFO por ação — indicador central para empresas do setor de propriedades de renda — caiu 8%, para R$ 0,67, refletindo aumento de despesas financeiras devido à manutenção de juros elevados ao longo de 2025.
O impacto no FFO evidencia que, embora a companhia apresente vendas robustas, a geração de caixa operacional está condicionada a fatores externos, como custo da dívida e variação de aluguéis atrelados a performance dos lojistas. Especialistas alertam que a rentabilidade por metro quadrado pode sofrer pressão caso o ambiente de crédito e consumo se mantenha desafiador.
XP mantém recomendação de compra, mas riscos são destacados
Em relatório, os analistas Ygor Altero e Joao Rodrigues da XP reiteraram recomendação de compra para IGTI11, considerando a companhia como principal opção no segmento de propriedades de renda. No entanto, eles reforçam que a performance futura depende de fatores macroeconômicos, incluindo a trajetória da taxa de juros e o comportamento do consumo em regiões de maior renda.
O relatório destaca que a Iguatemi enfrenta desafios comuns ao setor: custos financeiros elevados, competição do comércio eletrônico e sensibilidade do consumidor a preços. A companhia mantém crescimento orgânico, mas indicadores sugerem que margens e FFO podem permanecer pressionados em 2026.
Setor de shoppings premium encara pressões externas
O desempenho de 2025 confirma que ativos premium ainda geram receita consistente, mas o ritmo de crescimento tem sido moderado. A concorrência com o e-commerce, aumento de custos operacionais e pressões sobre aluguéis variáveis representam desafios que limitam expansão de margem.
Especialistas apontam que a estratégia de diferenciação por experiência e localização continua sendo relevante, mas não garante resultados expressivos em todos os cenários econômicos. O crescimento sustentável dependerá de ajustes na gestão de custos e disciplina financeira frente à elevação de juros.
Indicadores operacionais mostram crescimento moderado
O avanço de 5,9% no SSS e 8,4% no SAS indica ganho de produtividade, mas a evolução sugere que os shoppings da Iguatemi enfrentam limites de expansão nas lojas existentes. O crescimento de 7% nas vendas por metro quadrado mostra rentabilidade moderada frente ao aumento de despesas financeiras e custos operacionais.
O desempenho evidencia que, apesar da resiliência relativa dos ativos premium, a empresa não está imune a pressões macroeconômicas e desafios do varejo físico, especialmente em segmentos dependentes de consumo de maior renda.
Perspectivas para 2026
Para 2026, a Iguatemi seguirá monitorando de perto o impacto das taxas de juros sobre custos financeiros e FFO. A companhia aposta em crescimento orgânico, experiência de consumo e portfólio premium, mas qualquer aumento inesperado nos custos de dívida ou desaceleração do consumo pode afetar resultados.
Especialistas alertam que, embora a Iguatemi mantenha posição de destaque no setor, a rentabilidade pode ser volátil, refletindo fatores externos como políticas de crédito e mudanças no comportamento do consumidor.
Lucro e vendas em alta não eliminam riscos
O lucro de R$ 610 milhões e as vendas robustas demonstram capacidade de geração de receita, mas indicadores financeiros sugerem que a companhia ainda enfrenta desafios relevantes, principalmente relacionados a custos financeiros e concorrência digital. A Iguatemi permanece sob atenção de investidores institucionais, com foco em disciplina financeira e eficiência operacional para 2026.






