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Lavvi (LAVV3) lança R$ 1,41 bilhão no 2º trimestre e vendas chegam a R$ 875 milhões

Jardim da Hípica concentrou mais de 64% das vendas trimestrais, enquanto incorporadora ampliou estoque e encerrou junho com banco de terrenos de R$ 9,5 bilhões

por João Souza
16/07/2026 às 23h37
em Empresas
Lavvi (Lavv3) - Gzt - Gazeta Mercantil

A Lavvi (LAVV3) encerrou o segundo trimestre de 2026 com R$ 1,41 bilhão em lançamentos imobiliários, medidos pelo Valor Geral de Vendas total, e R$ 875 milhões em vendas líquidas. Os números, divulgados nesta quinta-feira (16), representam altas anuais de 8% e 12%, respectivamente, impulsionadas principalmente pela estreia do Jardim da Hípica, maior empreendimento já lançado pela incorporadora na cidade de São Paulo.

O desempenho operacional marcou uma mudança de ritmo em relação aos três primeiros meses do ano, quando a companhia não realizou lançamentos e concentrou esforços na preparação de seu principal projeto de 2026. A velocidade de vendas sobre oferta, indicador conhecido como VSO, ficou em 22% no trimestre.

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O Jardim da Hípica respondeu por mais de 64% das vendas registradas pela Lavvi (LAVV3) entre abril e junho. Lançado em abril, o empreendimento alcançou R$ 565 milhões em comercialização até o encerramento do período, o equivalente a 44% do VGV colocado no mercado em sua primeira fase.

A demanda acima do planejamento inicial levou a incorporadora a antecipar a venda de 21 apartamentos que estavam reservados para uma etapa posterior. A inclusão das unidades acrescentou aproximadamente R$ 80 milhões tanto ao volume de lançamentos quanto às vendas do trimestre.

Jardim da Hípica redefine escala dos lançamentos da Lavvi

Com VGV potencial estimado em cerca de R$ 2,6 bilhões, o Jardim da Hípica representa o maior empreendimento da história da Lavvi (LAVV3). O projeto está localizado na região do Alto da Boa Vista, em Santo Amaro, zona sul de São Paulo, em uma área próxima ao Clube Hípico de Santo Amaro.

A dimensão do projeto elevou a concentração das operações da companhia em um único empreendimento. Dos R$ 875 milhões vendidos pela Lavvi no segundo trimestre, R$ 565 milhões vieram do Jardim da Hípica, demonstrando a relevância do lançamento para o desempenho consolidado.

A primeira fase colocou no mercado aproximadamente R$ 1,28 bilhão em VGV. A comercialização de 44% desse volume em menos de três meses indica uma absorção inicial elevada para um empreendimento desse porte, sobretudo em um ambiente de crédito imobiliário mais caro e juros ainda restritivos.

O resultado também ajuda a explicar a decisão da incorporadora de antecipar unidades de uma fase futura. A medida permitiu atender à procura por apartamentos maiores sem a necessidade de lançar imediatamente uma nova etapa completa do projeto.

Para a Lavvi (LAVV3), a resposta comercial reduz parte do risco associado a um empreendimento de escala inédita. Projetos com VGV elevado exigem desembolsos relevantes em terrenos, obras, marketing e estrutura de vendas, além de ampliarem a exposição da companhia às condições do mercado imobiliário durante vários anos.

A velocidade de vendas inicial, contudo, não elimina os riscos ligados à execução. O Jardim da Hípica deverá permanecer entre os principais vetores de receita e geração de resultados da companhia ao longo dos próximos ciclos, à medida que as obras avançarem e as vendas forem reconhecidas contabilmente.

Vendas crescem 12% e sustentam VSO de 22%

As vendas líquidas totais de R$ 875 milhões representaram crescimento de 12% sobre o segundo trimestre de 2025. O avanço ocorreu mesmo com a base de comparação já marcada por atividade relevante no mercado residencial paulistano.

A VSO consolidada de 22% mostra a proporção do estoque disponível que foi vendida durante o trimestre. O indicador é acompanhado de perto por investidores porque ajuda a medir a capacidade da incorporadora de converter lançamentos e unidades prontas em contratos.

Uma VSO mais alta tende a reduzir o tempo de exposição dos projetos, melhorar a previsibilidade de recebimentos e diminuir a necessidade de descontos para desovar unidades. O efeito financeiro, porém, depende do perfil dos empreendimentos, do cronograma das obras e da participação efetiva da companhia em cada projeto.

No caso da Lavvi (LAVV3), o desempenho foi fortemente influenciado pelo Jardim da Hípica. Isso significa que a evolução do indicador nos próximos trimestres dependerá da continuidade das vendas do empreendimento e do comportamento do restante do portfólio.

A concentração também exige atenção porque grandes lançamentos podem produzir oscilações expressivas entre os trimestres. Um período com projetos de grande porte tende a apresentar VGV e vendas elevados, enquanto trimestres com menor atividade podem registrar desaceleração, mesmo sem deterioração estrutural da operação.

A Lavvi iniciou 2026 sem lançamentos no primeiro trimestre, mas já preparava a entrada do Jardim da Hípica no mercado. Com o lançamento realizado no segundo trimestre, a companhia passou a carregar uma base maior de produtos disponíveis para venda durante o restante do ano.

Novvo Santa Marina amplia presença no segmento econômico

Além do empreendimento de alto padrão, a Lavvi (LAVV3) lançou a primeira fase do Novvo Santa Marina, na região da Água Branca, zona oeste da capital paulista. A etapa inicial possui VGV potencial de R$ 121 milhões.

O projeto encerrou junho com 51% do VGV vendido, resultado que reforçou a contribuição da marca Novvo para a diversificação do portfólio. Considerando os últimos 12 meses, a bandeira registrou velocidade de vendas de 79%.

A Novvo atua em uma faixa de mercado distinta dos projetos tradicionais da Lavvi. A estratégia permite à incorporadora alcançar compradores com diferentes níveis de renda e reduzir a dependência exclusiva do segmento de médio e alto padrão.

A operação em faixas mais econômicas, entretanto, possui dinâmica própria. Os projetos normalmente apresentam tíquetes menores, maior número de unidades e dependência mais intensa das condições de financiamento habitacional.

A disponibilidade de crédito, o custo das parcelas e a capacidade de comprometimento de renda das famílias influenciam diretamente a velocidade de comercialização. Em contrapartida, a demanda potencial é mais ampla do que a observada no segmento de luxo.

O desempenho do Novvo Santa Marina indica que a companhia conseguiu combinar, no mesmo trimestre, a comercialização de um projeto de grande escala no alto padrão com a venda de unidades voltadas a uma faixa mais acessível do mercado paulistano.

Estoque sobe para R$ 3,1 bilhões após novos projetos

A entrada dos novos empreendimentos elevou o estoque da Lavvi (LAVV3) para R$ 3,1 bilhões em valor de mercado ao fim de junho. O montante reúne unidades lançadas que ainda não haviam sido comercializadas.

O crescimento do estoque é esperado em trimestres com forte volume de lançamentos, mas exige acompanhamento porque representa capital a ser convertido em vendas. A qualidade desse estoque depende da localização dos projetos, do estágio das obras, do perfil das unidades e do tempo de permanência dos imóveis no portfólio.

No caso da Lavvi, parte relevante do estoque passou a ser formada por unidades recém-lançadas, principalmente no Jardim da Hípica. Esse perfil é diferente de um estoque composto por imóveis concluídos ou unidades que permanecem sem comprador por longos períodos.

Unidades novas oferecem maior prazo para comercialização e permitem que os recebimentos avancem em paralelo à execução das obras. Ainda assim, uma desaceleração da demanda pode pressionar a velocidade de vendas e ampliar os recursos necessários para financiar a construção.

Para investidores, o indicador deverá ser analisado em conjunto com a evolução da VSO, dos distratos e da geração de caixa. A venda rápida do estoque lançado tende a sustentar os resultados futuros, enquanto uma absorção mais lenta pode elevar despesas comerciais e comprometer o retorno dos projetos.

A companhia não divulgou, na prévia operacional, a composição detalhada do estoque por empreendimento, faixa de preço ou estágio de construção. Essas informações costumam ganhar maior visibilidade na apresentação completa de resultados.

Operação consome R$ 27 milhões no trimestre

A Lavvi (LAVV3) registrou queima de caixa de R$ 27 milhões no segundo trimestre. Quando excluídos os desembolsos relacionados à aquisição de terrenos, a companhia apresentou geração de caixa de R$ 72 milhões.

A diferença entre os dois indicadores demonstra o peso da renovação do banco de terrenos sobre o caixa do período. A compra de áreas é parte central da atividade de uma incorporadora, mas pode provocar oscilações financeiras relevantes de um trimestre para outro.

A geração de R$ 72 milhões antes dos terrenos sugere que as operações correntes, incluindo recebimentos de clientes e despesas com obras, produziram saldo positivo. O resultado consolidado ficou negativo após a incorporação dos investimentos em novas áreas.

A leitura é relevante porque a queima de caixa não decorreu apenas da atividade operacional. Parte dos recursos foi direcionada à preparação do portfólio futuro, o que pode sustentar novos lançamentos, mas também aumenta a necessidade de disciplina na seleção de projetos.

Durante o trimestre, a Lavvi escriturou três terrenos. A incorporadora informou ainda que encerrou junho negociando novas aquisições destinadas tanto à marca Lavvi quanto à Novvo.

O efeito dessas compras sobre a estrutura de capital dependerá do modelo de pagamento. Incorporadoras podem adquirir terrenos por meio de desembolso direto, permuta financeira ou permuta física, na qual o proprietário recebe unidades ou uma parcela das vendas futuras.

Banco de terrenos alcança VGV potencial de R$ 9,5 bilhões

O banco de terrenos da Lavvi (LAVV3) chegou a R$ 9,5 bilhões em VGV potencial ao fim do segundo trimestre. O volume representa a estimativa de vendas dos projetos que poderão ser desenvolvidos nas áreas controladas pela companhia.

O landbank oferece visibilidade sobre a capacidade de lançamentos dos próximos anos, mas não equivale a receita contratada. Os projetos ainda dependem de aprovações, licenças, condições de mercado, definição de produtos e cronogramas de execução.

Um banco de terrenos robusto reduz a necessidade de aquisições emergenciais e permite escolher o momento de colocar cada empreendimento no mercado. Ao mesmo tempo, áreas compradas com grande antecedência podem imobilizar capital e gerar custos antes do início das vendas.

A estratégia da Lavvi tem sido concentrar sua atuação principalmente na cidade de São Paulo, onde o preço dos terrenos, a disputa por áreas bem localizadas e a complexidade regulatória elevam as barreiras de entrada.

O Jardim da Hípica exemplifica essa dinâmica. O projeto foi estruturado em uma área de grandes dimensões em uma região consolidada da capital, característica cada vez mais rara no mercado residencial paulistano.

A negociação de novos terrenos para as duas marcas indica que a companhia pretende manter um pipeline diversificado. A decisão sobre novos lançamentos deverá considerar o ritmo de vendas do estoque atual, as condições de financiamento e o custo de capital.

Números operacionais antecedem balanço financeiro do 2T26

A prévia divulgada pela Lavvi (LAVV3) reúne indicadores de lançamentos, vendas, estoque, caixa e banco de terrenos, mas ainda não apresenta receita líquida, lucro, margens ou endividamento do segundo trimestre.

Esses dados serão conhecidos com a publicação do balanço financeiro completo. O reconhecimento contábil das vendas no setor imobiliário ocorre de acordo com o avanço das obras, e não integralmente no momento da assinatura dos contratos.

Por essa razão, o forte volume vendido no Jardim da Hípica não deverá ser convertido imediatamente em receita e lucro. O impacto tende a ser distribuído ao longo do ciclo de construção, conforme a incorporadora incorre nos custos e avança na execução do empreendimento.

Investidores também acompanharão a margem bruta dos novos projetos. A rentabilidade pode ser influenciada pelo preço dos terrenos, custos de materiais, mão de obra, despesas comerciais e eventuais revisões no orçamento das obras.

Outro ponto será a evolução da posição de caixa após os investimentos em terrenos. Embora a queima consolidada tenha sido limitada a R$ 27 milhões no trimestre, novas aquisições podem elevar os desembolsos nos períodos seguintes.

O segundo trimestre confirmou o Jardim da Hípica como principal ativo operacional da Lavvi em 2026. A continuidade das vendas, a preservação das margens e a execução financeira do projeto serão determinantes para que o avanço de lançamentos se traduza em crescimento sustentável dos resultados da incorporadora.

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