O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ampliou a vantagem sobre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em uma simulação de segundo turno para a eleição presidencial de 2026, segundo pesquisa Nexus/BTG Pactual divulgada nesta segunda-feira, 15 de junho. O levantamento mostra Lula com 49% das intenções de voto, contra 43% de Flávio Bolsonaro, em um cenário que reforça a polarização entre o atual presidente e o principal nome testado do campo bolsonarista.
Na comparação com a rodada anterior, divulgada em maio, Lula avançou dois pontos percentuais, de 47% para 49%, enquanto Flávio Bolsonaro permaneceu em 43%. Com isso, a distância entre os dois passou de quatro para seis pontos percentuais.
A pesquisa ouviu 2.017 pessoas entre os dias 12 e 14 de junho, em todas as unidades da Federação. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos.
Lula lidera cenário de segundo turno
No principal cenário de segundo turno testado pela Nexus/BTG Pactual, Lula aparece numericamente à frente de Flávio Bolsonaro. O presidente registra 49% das intenções de voto, enquanto o senador marca 43%.
O resultado indica ampliação da vantagem do petista em relação à pesquisa anterior. Em maio, Lula tinha 47% e Flávio, 43%. Na nova rodada, o presidente cresceu dentro da margem, enquanto o senador manteve o mesmo percentual.
A distância de seis pontos entre os dois candidatos coloca a disputa fora do empate técnico no limite da margem de erro, considerando os números divulgados. Ainda assim, pesquisas eleitorais representam retratos do momento e não antecipam o resultado da eleição, especialmente em um cenário político sujeito a mudanças até 2026.
O levantamento reforça a força dos dois polos predominantes da disputa presidencial. Lula concentra o voto governista e de continuidade, enquanto Flávio Bolsonaro aparece como o principal nome associado ao eleitorado ligado ao ex-presidente Jair Bolsonaro.
Primeiro turno também mostra vantagem de Lula
No cenário estimulado de primeiro turno, Lula lidera com 42% das intenções de voto. Flávio Bolsonaro aparece em segundo lugar, com 33%.
Os demais nomes testados registram percentuais menores. Ronaldo Caiado (PSD), Romeu Zema (Novo) e Renan Santos (Missão) aparecem em uma faixa entre 2% e 4%, de acordo com os dados divulgados pelo levantamento.
O quadro mostra uma disputa concentrada entre Lula e Flávio Bolsonaro. Somados, os demais postulantes testados têm desempenho reduzido, o que indica dificuldade de construção de uma terceira via competitiva neste momento da pré-campanha.
A leitura política do primeiro turno é relevante porque demonstra que a polarização continua estruturando a eleição. Mesmo com nomes de diferentes campos políticos, nenhum dos outros candidatos testados conseguiu se aproximar dos dois líderes.
Lula venceria outros adversários em simulações
A pesquisa Nexus/BTG Pactual também testou outros cenários de segundo turno. Lula aparece numericamente à frente de todos os adversários apresentados.
Contra Romeu Zema, o presidente marca 49%, ante 39% do governador de Minas Gerais. Em uma disputa com Ronaldo Caiado, Lula teria 48%, contra 39% do governador de Goiás. Contra Renan Santos, o presidente aparece com 49%, enquanto o candidato do Missão registra 36%.
Esses cenários indicam que, no levantamento, Lula mantém vantagem não apenas contra Flávio Bolsonaro, mas também contra nomes da direita e do centro-direita testados separadamente.
A pesquisa, porém, também mostra que a oposição ainda não está consolidada em torno de um único nome. A definição do candidato competitivo fora do campo governista será uma das variáveis centrais da eleição presidencial.
Rejeição de Flávio Bolsonaro chega a 52%
Outro dado relevante da pesquisa é a rejeição dos nomes testados. Flávio Bolsonaro aparece com 52% de rejeição, o maior percentual de sua série no levantamento.
Em abril, o senador registrava 48% de rejeição. Em maio, o índice havia subido para 50%. Agora, chega a 52%, segundo a pesquisa Nexus/BTG Pactual.
Lula aparece com 47% de rejeição. Aécio Neves registra o maior índice entre os nomes citados, com 62%.
A rejeição é um indicador importante porque mede o percentual de eleitores que dizem não votar de jeito nenhum em determinado candidato. Em disputas de segundo turno, esse dado pode influenciar a capacidade de crescimento dos candidatos, especialmente quando o eleitorado está polarizado.
Eleitorado mostra alto grau de decisão
O levantamento também aponta alto grau de convicção entre os eleitores dos dois principais nomes. Entre os que dizem votar em Lula, 81% afirmam que o voto está definido. Entre os eleitores de Flávio Bolsonaro, o índice é de 77%.
Na média geral, 73% dos entrevistados declaram que já decidiram seu voto. O dado sugere um eleitorado relativamente cristalizado, embora ainda falte tempo para o início formal da campanha de 2026.
Esse grau de decisão reforça a dificuldade de deslocamento de votos em um ambiente de polarização. Quando eleitores já se mostram convictos, campanhas tendem a disputar segmentos menores: indecisos, eleitores de candidatos minoritários, brancos, nulos e eleitores que podem mudar de posição ao longo da campanha.
Ainda assim, a dinâmica eleitoral pode ser alterada por economia, alianças, desempenho do governo, eventos políticos, investigações, debates, propaganda eleitoral e definição de candidaturas.
Continuidade do governo divide eleitorado
A pesquisa também perguntou aos entrevistados sobre preferência em relação à continuidade do governo. Segundo o levantamento, 40% afirmam preferir que Lula continue por mais quatro anos.
Outros 31% dizem apoiar Flávio Bolsonaro ou outro candidato respaldado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro. Já 24% defendem uma alternativa diferente das duas principais forças políticas.
Esse dado mostra que, embora a disputa esteja concentrada entre Lula e o bolsonarismo, há espaço relevante de eleitores que declaram preferência por outro caminho. O desafio para candidatos alternativos será transformar essa disposição em intenção de voto competitiva.
A dificuldade aparece nos cenários estimulados. Apesar de 24% dizerem preferir outra alternativa, os nomes fora dos dois polos ainda não conseguem converter esse espaço em desempenho eleitoral expressivo.
Pesquisa reforça disputa polarizada para 2026
A nova rodada Nexus/BTG Pactual reforça a tendência de uma eleição presidencial polarizada em 2026. Lula aparece à frente em primeiro turno e nas simulações de segundo turno, enquanto Flávio Bolsonaro se mantém como principal adversário testado.
O levantamento também indica mudanças graduais no ambiente eleitoral. Lula ampliou vantagem sobre Flávio no segundo turno, enquanto a rejeição do senador cresceu na série. Ao mesmo tempo, o presidente mantém rejeição elevada, o que evidencia a persistência de uma disputa marcada por forte divisão política.
A fotografia atual favorece Lula nos cenários testados, mas a eleição ainda depende de variáveis abertas. A definição final das candidaturas, a formação de alianças, o desempenho da economia, o cenário fiscal, a inflação, a segurança pública e o debate sobre sucessão no campo bolsonarista devem influenciar a trajetória da disputa.
Por ora, a pesquisa mostra que Lula chega à metade de junho com vantagem numérica sobre os principais adversários testados, enquanto Flávio Bolsonaro mantém posição competitiva, mas enfrenta aumento de rejeição.








