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Mansão do dono da Marabraz vai a leilão por R$ 72,8 milhões no Alphaville

Imóvel de Nasser Fares tem mais de 5 mil m² de terreno e poderá receber lances a partir de R$ 50,98 milhões na segunda praça.

por Alice Nascimento
06/09/2026 às 12h01
em Empresas
Marabraz Pede Recuperação Judicial Para Renegociar Dívida De R$ 140 Milhões - Gazeta Mercantil

Uma mansão de Nasser Fares, empresário à frente da rede Marabraz, será levada a leilão judicial em outubro por determinação da 1ª Vara Cível do Foro Regional XI de Pinheiros, em São Paulo. Avaliado em R$ 72.833.777,96, o imóvel fica no Fazenda Tamboré Residencial 2, em Santana de Parnaíba, na região de Alphaville, e poderá ter o preço mínimo reduzido para R$ 50.983.644,57 caso não seja arrematado na primeira praça.

A venda decorre de um cumprimento de sentença movido por Silvio Torres Soares contra Fares. O edital judicial registra débito de R$ 2.409.365,85, atualizado para agosto de 2026. A dimensão do patrimônio levado à hasta pública é muito superior ao valor da cobrança: a avaliação da residência equivale a aproximadamente 30 vezes a dívida indicada numericamente no documento judicial.

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A Gazeta Mercantil identificou ainda uma inconsistência no próprio edital. O débito aparece em algarismos como R$ 2.409.365,85, mas o valor escrito por extenso começa com “três milhões”, embora o restante corresponda a R$ 3,409 milhões. Como a cifra numérica é de R$ 2,409 milhões e é essa a referência apresentada na planilha citada pelo documento, a divergência configura um ponto que deverá ser observado pelos interessados e pelas partes no processo.

O leilão ocorre poucas semanas depois de a Marabraz pedir recuperação judicial para renegociar aproximadamente R$ 140 milhões em obrigações. Os dois procedimentos, entretanto, são juridicamente distintos: a alienação da residência decorre de execução contra Nasser Fares como pessoa física, enquanto a recuperação judicial busca reorganizar dívidas de empresas vinculadas à operação da varejista.

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Segunda praça reduz preço mínimo em R$ 21,85 milhões

A primeira praça começa às 14h de 6 de outubro e termina às 14h de 9 de outubro de 2026. Durante esse período, não será admitida a venda por preço inferior aos R$ 72.833.777,96 da avaliação atualizada.

Caso nenhum lance atinja o valor exigido, a segunda praça começará às 14h01 de 9 de outubro, sem interrupção, e seguirá até as 14h de 29 de outubro. O piso cairá para 70% da avaliação, ou R$ 50.983.644,57.

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A redução nominal entre os dois valores chega a R$ 21.850.133,39.

Mesmo no piso da segunda praça, o preço mínimo continuará equivalente a mais de 21 vezes o débito indicado em algarismos no edital. A diferença não significa que o credor receberá todo o montante da eventual venda. O produto da arrematação será submetido às regras da execução judicial, incluindo pagamento do crédito, tratamento de eventuais obrigações incidentes e direitos de terceiros.

A comissão do leiloeiro é de 5% e não está incluída no lance. Se a propriedade fosse arrematada exatamente pelo valor da primeira praça, a comissão alcançaria aproximadamente R$ 3,64 milhões, elevando para cerca de R$ 76,48 milhões a soma entre lance e comissão.

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No preço mínimo da segunda praça, a comissão seria de aproximadamente R$ 2,55 milhões. Nesse cenário, o total formado apenas pelo preço do imóvel e pela remuneração do leiloeiro chegaria a aproximadamente R$ 53,53 milhões, sem considerar custos de transferência, regularização ou eventual imissão na posse.

Mansão ocupa terreno de mais de 5,1 mil m²

A propriedade está localizada na Alameda Páscoa, no Fazenda Tamboré Residencial 2. Segundo a matrícula reproduzida no edital, o terreno possui 5.130,85 metros quadrados e resultou da unificação de três lotes da quadra 9.

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A construção soma 2.640,04 metros quadrados. Desse total, 2.496,94 metros quadrados correspondem à residência e 143,10 metros quadrados à área da piscina.

Considerando a avaliação judicial atualizada, o valor corresponde a aproximadamente R$ 27,6 mil por metro quadrado de área construída. Se a referência for a superfície total do terreno, a avaliação equivale a cerca de R$ 14,2 mil por metro quadrado. Os cálculos servem apenas para dimensionar o valor judicial atribuído à propriedade e não substituem uma avaliação imobiliária de mercado.

O laudo utilizado no processo havia fixado o imóvel em R$ 72.046.196,66 para maio de 2026. A atualização para agosto elevou esse montante em aproximadamente R$ 787,6 mil, chegando aos R$ 72,83 milhões utilizados para a primeira praça.

A matrícula é a de número 16.385 do Cartório de Registro de Imóveis de Santana de Parnaíba.

Edital registra cinco indisponibilidades sobre o imóvel

Além da penhora que originou o atual leilão, o edital apresenta outras restrições registradas na matrícula da propriedade.

O documento relaciona cinco averbações de indisponibilidade de bens vinculadas a processos diferentes. Uma delas se refere a processo na 1ª Vara Federal de Taubaté e outras quatro estão relacionadas a procedimentos identificados como pertencentes ao âmbito do Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região.

Há também a averbação da penhora determinada no próprio cumprimento de sentença que resultou no leilão.

A existência dessas anotações não significa, por si só, que o arrematante assumirá todas as obrigações associadas aos registros. A forma de tratamento dos gravames depende da natureza jurídica de cada um deles e das regras previstas para a alienação judicial.

O edital estabelece, por exemplo, que débitos tributários e obrigações de natureza propter rem abrangidos pelas hipóteses legais serão sub-rogados no preço da arrematação. Também disciplina separadamente situações envolvendo hipoteca e alienação fiduciária.

Não constam débitos de IPTU em aberto, segundo certidão negativa emitida pela Prefeitura de Santana de Parnaíba mencionada no documento.

Processo tramita contra Nasser Fares como pessoa física

O procedimento que levou a residência ao leilão é o cumprimento de sentença nº 0006653-14.2025.8.26.0011. Silvio Torres Soares aparece como exequente e Nasser Fares como executado.

A consulta pública do Tribunal de Justiça de São Paulo mostra que o procedimento teve origem em processo relacionado a despejo por inadimplemento e foi recebido em outubro de 2025. Em março de 2026, os autos passaram por migração do sistema e-SAJ para o eproc.

O edital de alienação foi assinado em 25 de agosto pelo juiz Paulo Henrique Ribeiro Garcia e estabelece formalmente as condições das duas praças.

Esse processo não deve ser confundido com a recuperação judicial da Marabraz.

A varejista apresentou em agosto pedido de recuperação judicial na 3ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo. O passivo informado é de aproximadamente R$ 140 milhões e envolve empresas ligadas à operação da rede.

A companhia atribuiu suas dificuldades financeiras a uma combinação de juros elevados, retração do consumo, endividamento e disputas familiares e societárias que teriam afetado o acesso a ativos tradicionalmente utilizados como garantia na contratação de crédito.

A Marabraz informou que permanece em funcionamento e que a recuperação tem como objetivo reorganizar compromissos, preservar empregos e manter as relações com clientes, fornecedores e demais parceiros.

Disputa familiar envolve patrimônio imobiliário dos Fares

A crise da Marabraz ocorre paralelamente a uma disputa entre integrantes da família Fares envolvendo sociedades proprietárias de patrimônio imobiliário.

Em agosto, a Justiça paulista restabeleceu provisoriamente a indisponibilidade de quotas e imóveis da LP Administradora de Bens, empresa que concentra parte dos ativos familiares. O caso envolve Nasser Fares, seu irmão Jamel e integrantes de outra geração da família.

A discussão patrimonial é relevante para a situação financeira da varejista porque, segundo a argumentação apresentada no pedido de recuperação, imóveis ligados à família eram historicamente utilizados como garantias para obtenção de recursos destinados à operação da companhia.

A perda do controle sobre parte desses ativos teria reduzido a capacidade de oferecer garantias às instituições financeiras, dificultando a renovação de linhas existentes e a contratação de novos financiamentos.

Isso não transforma automaticamente a residência levada a leilão em ativo da recuperação judicial. O imóvel objeto da alienação está vinculado à execução contra Nasser Fares, e o próprio edital identifica o empresário como executado.

Comprador pode parcelar lance em até 30 meses

Os interessados no imóvel precisam realizar cadastro prévio na plataforma responsável pelo leilão com pelo menos 24 horas de antecedência. Pessoas físicas devem fornecer documento oficial com foto, CPF, comprovante de endereço e, quando aplicável, certidão de casamento.

O edital permite pagamento à vista ou apresentação de proposta parcelada. Para o parcelamento, o interessado precisa oferecer sinal mínimo de 25% do valor em até 24 horas após a finalização do leilão. O saldo poderá ser dividido em até 30 meses, com correção monetária.

Uma oferta à vista prevalece sobre propostas parceladas, conforme as regras da alienação judicial.

Os lances serão realizados eletronicamente e terão incremento mínimo de R$ 100 mil. Caso uma nova oferta seja feita nos três minutos anteriores ao horário previsto para o encerramento, a disputa será prorrogada automaticamente por outros três minutos.

A propriedade será vendida no estado de conservação em que se encontra e sem garantia. Caberão ao comprador as providências e despesas necessárias à transferência do imóvel, além de eventual desocupação e imissão na posse.

Com uma avaliação próxima de R$ 73 milhões e possibilidade de redução superior a R$ 21 milhões na segunda praça, o leilão coloca no mercado judicial um ativo residencial de escala incomum. A venda, porém, está vinculada a uma execução específica contra Nasser Fares e não representa a alienação de patrimônio da Marabraz dentro de sua recuperação judicial.

Fontes:

Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo – consulta pública do cumprimento de sentença nº 0006653-14.2025.8.26.0011 e histórico processual

1ª Vara Cível do Foro Regional XI de Pinheiros – edital judicial de 25 de agosto de 2026 com avaliação, débito, gravames, datas e condições do leilão

Portal Bayit – cadastro oficial do lote, características da propriedade, matrícula, dimensões, avaliação e condições da alienação

Marabraz – comunicado sobre o pedido de recuperação judicial e continuidade das operações, reproduzido em reportagem da Reuters

Tribunal de Justiça de São Paulo – decisão sobre indisponibilidade de patrimônio da LP Administradora de Bens no contexto da disputa da família Fares

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