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Marco Rubio mantém tarifa de 25% contra produtos brasileiros após pedido de Flávio Bolsonaro

Secretário de Estado dos EUA reafirma posição do governo Trump, mantém proposta de tarifa sobre exportações brasileiras e reforça diferenças comerciais entre os dois países.

por Júlia Campos
27/06/2026 às 13h53
em Política
Flávio Bolsonaro Em Agenda Com Donald Trump

O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, reafirmou ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) que o governo do presidente Donald Trump pretende manter a proposta de aplicação de uma tarifa adicional de 25% sobre diversos produtos brasileiros exportados ao mercado norte-americano. A manifestação ocorreu por meio de uma carta oficial enviada ao parlamentar brasileiro em resposta ao pedido para que Washington reconsiderasse a medida, considerada pelo governo dos EUA uma resposta a supostas práticas comerciais consideradas prejudiciais aos interesses norte-americanos.

O documento reforça a posição já adotada pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), responsável pela investigação conduzida com base na Seção 301 da legislação comercial norte-americana. Segundo Rubio, permanecem diferenças consideradas substanciais entre os dois países em temas relacionados ao comércio digital, sistemas de pagamento eletrônico, propriedade intelectual, acesso ao mercado de etanol, aplicação da legislação anticorrupção, tarifas preferenciais e questões ambientais ligadas ao desmatamento ilegal.

Leia também: 61% dos brasileiros rejeitam anistia a Bolsonaro, aponta Datafolha.

A resposta do chefe da diplomacia americana ocorre em meio ao aumento das tensões comerciais entre Brasília e Washington e poucos dias depois de Flávio Bolsonaro participar de reuniões com integrantes da administração Trump durante visita oficial aos Estados Unidos. O senador havia solicitado formalmente que a Casa Branca desistisse da proposta tarifária, argumentando que a medida prejudicaria consumidores, empresas e produtores dos dois países.

Carta mantém investigação comercial como fundamento das tarifas

Na correspondência, Rubio destaca que a conclusão preliminar da investigação conduzida pelo USTR apontou que determinadas políticas brasileiras seriam consideradas “injustificadas ou discriminatórias” e restringiriam o comércio norte-americano.

Leia também: HGRU11 cresce 12,7% em março e mantém dividendos estáveis em R$ 0,95.

Entre os principais pontos mencionados estão o tratamento dado ao comércio digital, o funcionamento dos serviços de pagamentos eletrônicos — incluindo referências ao Pix —, a proteção da propriedade intelectual, regras relacionadas ao mercado de etanol e medidas de preservação ambiental.

O secretário afirma ainda que, apesar das conversas diplomáticas realizadas entre os governos dos dois países, os Estados Unidos entendem que ainda não houve avanços suficientes para eliminar as divergências identificadas durante a investigação.

A proposta de tarifa adicional permanece em fase de consulta pública. O governo norte-americano abriu prazo para manifestações de empresas, entidades e demais interessados antes da decisão definitiva, além de confirmar uma audiência pública marcada para o início de julho.

Flávio Bolsonaro tentou convencer Washington a recuar

A carta de Rubio responde diretamente ao documento encaminhado por Flávio Bolsonaro no começo de junho.

Na ocasião, o senador argumentou que novas barreiras comerciais provocariam impactos negativos para a economia brasileira e também para empresas e consumidores norte-americanos, defendendo a manutenção da parceria econômica construída ao longo de décadas.

Após o anúncio da proposta tarifária, Flávio também confirmou inscrição para participar da audiência pública promovida pelo USTR, na qual pretende apresentar argumentos contrários à adoção da medida.

Durante sua visita aos Estados Unidos, o parlamentar reuniu-se com Donald Trump, Marco Rubio e outras autoridades da administração americana. Segundo informações divulgadas por seu gabinete, os encontros abordaram temas ligados à segurança pública, liberdade de expressão, relações comerciais e cooperação bilateral.

Comércio digital, Pix e etanol permanecem no centro da disputa

A investigação conduzida pelo USTR identifica diversos pontos considerados problemáticos pela administração norte-americana.

Entre eles aparecem políticas voltadas ao comércio digital, regras envolvendo plataformas tecnológicas, o ambiente regulatório para meios eletrônicos de pagamento — incluindo o Pix —, além do tratamento tarifário concedido a determinados produtos.

Também permanecem na lista de questionamentos o acesso ao mercado brasileiro de etanol, normas de propriedade intelectual, mecanismos de combate à corrupção e temas ambientais relacionados ao combate ao desmatamento ilegal.

Segundo o governo americano, esses fatores justificariam a adoção de medidas compensatórias sobre parte das importações originárias do Brasil.

Carta também menciona cenário eleitoral brasileiro

Além das questões comerciais, Rubio dedicou parte da correspondência ao cenário político brasileiro.

O secretário afirmou ter registrado o otimismo demonstrado por Flávio Bolsonaro em relação às eleições presidenciais previstas para outubro e mencionou a disposição apresentada pelo senador de manter interlocução com autoridades americanas em eventual mudança de governo.

Na carta, Rubio ressalta que os Estados Unidos pretendem trabalhar com os líderes democraticamente escolhidos pelo povo brasileiro para fortalecer relações comerciais e ampliar investimentos entre os dois países.

O documento também reforça o interesse americano em preservar uma parceria estratégica baseada em comércio, segurança e cooperação econômica.

Audiência pública pode influenciar decisão final sobre o tarifaço

O processo conduzido pelo USTR ainda prevê etapas formais antes da definição definitiva das tarifas.

Empresas brasileiras, associações setoriais e demais interessados poderão apresentar manifestações durante o período de consulta pública, enquanto a audiência prevista para julho servirá para reunir argumentos favoráveis e contrários às medidas propostas.

Embora a posição manifestada por Marco Rubio demonstre que a administração Trump mantém sua estratégia de endurecimento comercial, o procedimento administrativo ainda não foi oficialmente encerrado.

Caso as tarifas sejam efetivamente implementadas, diversos segmentos exportadores brasileiros poderão enfrentar aumento de custos para acessar o mercado norte-americano, o que poderá afetar competitividade, fluxo comercial e investimentos em setores estratégicos. Ao mesmo tempo, o episódio amplia a pressão diplomática entre Brasília e Washington em um momento de forte sensibilidade política e econômica nas relações bilaterais.

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