A Marcopolo (POMO4) aprovou duas medidas de retorno aos acionistas nesta quarta-feira, 19 de agosto: o pagamento de R$ 0,13 por ação em dividendos e a abertura de um novo programa para recompra de até 49 milhões de ações preferenciais de emissão própria.
Os dividendos serão imputados ao dividendo obrigatório declarado antecipadamente por conta do exercício de 2026 e começarão a ser pagos em 9 de setembro, conforme o aviso aos acionistas divulgado pela companhia.
Terão direito aos recursos os investidores que estiverem posicionados nas ações da Marcopolo em 25 de agosto de 2026. A partir do pregão seguinte, em 26 de agosto, os papéis passarão a ser negociados na condição “ex-dividendos”, ou seja, sem direito ao pagamento anunciado.
A decisão combina uma distribuição direta de caixa aos acionistas com uma segunda forma de alocação de capital. Paralelamente ao dividendo, o conselho de administração autorizou a companhia a comprar ações preferenciais no mercado ao longo dos próximos 18 meses.
Recompra pode alcançar 49 milhões de ações preferenciais
O novo programa permite à Marcopolo adquirir até 49 milhões de ações preferenciais de sua própria emissão. As compras serão realizadas a preços de mercado e poderão ocorrer entre 20 de agosto de 2026 e 18 de fevereiro de 2028.
O limite representa a quantidade máxima autorizada, e não uma obrigação de compra integral dos 49 milhões de papéis. A companhia poderá executar as aquisições ao longo do período previsto conforme as condições de mercado e suas decisões de alocação de capital.
As ações adquiridas poderão ter diferentes destinos. Segundo as informações divulgadas pela empresa, os papéis poderão permanecer em tesouraria, ser posteriormente cancelados ou alienados ou ainda ser utilizados para atender aos planos vigentes de remuneração baseados em ações.
O desenho dá flexibilidade à companhia para decidir posteriormente como empregar os papéis efetivamente recomprados. A manutenção em tesouraria preserva as ações sob controle da própria Marcopolo, enquanto um eventual cancelamento reduz a quantidade de ações emitidas.
Caso haja cancelamento, os acionistas que permanecerem na companhia passam, proporcionalmente, a representar uma parcela maior do capital econômico distribuído entre as ações em circulação. O programa anunciado, contudo, não determina antecipadamente quantos papéis serão cancelados nem obriga a empresa a utilizar toda a autorização disponível.
Dividendos têm data de corte em 25 de agosto
Para os investidores interessados no dividendo de R$ 0,13 por ação, o calendário definido pela companhia estabelece três datas centrais.
A posição acionária considerada para determinar o direito ao pagamento será a de 25 de agosto. No pregão de 26 de agosto, POMO4 já será negociada ex-dividendos. O pagamento dos recursos será iniciado em 9 de setembro.
Isso significa que o benefício está associado à posição do investidor na data de corte estabelecida pela companhia. Compras efetuadas a partir da negociação ex-dividendos não dão direito a esse pagamento específico.
O valor anunciado é calculado por ação. Assim, o montante individual recebido por cada acionista dependerá da quantidade de papéis elegíveis mantidos na data de corte.
A Marcopolo informou ainda que a distribuição será considerada antecipação do dividendo obrigatório relacionado ao exercício de 2026. A operação, portanto, integra a política de remuneração referente ao resultado do próprio exercício em andamento.
Recompra adiciona outra frente de retorno ao acionista
A combinação entre dividendos e recompra representa duas formas distintas de utilização dos recursos da companhia.
No primeiro caso, o dinheiro é transferido diretamente aos investidores por meio do dividendo por ação. Na recompra, a empresa utiliza recursos para adquirir seus próprios papéis no mercado, podendo posteriormente mantê-los em tesouraria, cancelá-los, revendê-los ou utilizá-los em programas corporativos previstos.
Programas de recompra também podem ser utilizados pelas empresas como instrumento de administração da estrutura de capital. Em determinadas situações, as companhias optam pela aquisição dos próprios papéis quando consideram essa alternativa compatível com sua estratégia financeira e com a utilização dos recursos disponíveis.
No caso da Marcopolo, as compras terão preço de mercado. Isso significa que o desembolso efetivo dependerá tanto da quantidade de papéis que a companhia decidir adquirir quanto da cotação de POMO4 no momento de cada operação.
Por esse motivo, a autorização de até 49 milhões de ações não permite calcular antecipadamente quanto dinheiro será empregado no programa. O custo total somente poderá ser conhecido conforme as operações forem executadas.
O prazo de 18 meses também permite que a companhia distribua as aquisições ao longo do tempo, em vez de concentrá-las imediatamente após a aprovação.
POMO4 acumula queda de 28% em 2026
A decisão ocorre em um momento de desvalorização das ações da Marcopolo na Bolsa. POMO4 acumula queda de aproximadamente 28% em 2026, ampliando a relevância do novo programa para os investidores que acompanham a companhia.
A queda da cotação, isoladamente, não permite concluir quais critérios levaram o conselho a estabelecer o tamanho ou o momento da recompra. A autorização, entretanto, oferece à administração a possibilidade de adquirir ações no mercado durante um período de um ano e meio.
A recompra pode produzir efeitos diferentes conforme o destino dado aos papéis. Se mantidas em tesouraria, as ações permanecem sob controle da companhia. Caso sejam canceladas, deixam de compor definitivamente o estoque de ações emitidas. Também existe a possibilidade de posterior alienação ou utilização nos planos de remuneração baseados em ações.
O anúncio não estabelece que todos esses mecanismos serão utilizados. A empresa apenas definiu as alternativas permitidas dentro do programa.
A medida também não altera o calendário de dividendos. As duas decisões foram aprovadas simultaneamente, mas possuem funcionamento independente: o pagamento de R$ 0,13 por ação tem datas já estabelecidas, enquanto a recompra poderá ocorrer gradualmente até fevereiro de 2028.
Programa começa nesta quinta-feira
O início do programa está previsto para 20 de agosto, um dia depois da aprovação. A partir dessa data, a Marcopolo estará autorizada a realizar aquisições de suas ações preferenciais dentro das condições previstas.
O período estabelecido termina em 18 de fevereiro de 2028, totalizando até 18 meses de execução. Não foi estabelecido um cronograma público de compras nem uma quantidade mínima a ser adquirida em cada etapa.
Para os investidores, os próximos marcos imediatos estarão concentrados no dividendo. A data de corte será em 25 de agosto, seguida pela negociação ex-dividendos em 26 de agosto e pelo início do pagamento em 9 de setembro.
O programa de recompra terá horizonte muito mais longo. A quantidade efetivamente adquirida dependerá das decisões da Marcopolo durante sua vigência e poderá ficar abaixo do teto autorizado de 49 milhões de ações.
Com as duas medidas, a companhia combina uma remuneração definida de R$ 0,13 por ação com a possibilidade de reduzir ou administrar a quantidade de ações preferenciais em circulação ao longo dos próximos 18 meses, enquanto POMO4 tenta recuperar parte da desvalorização acumulada em 2026.








