MELI, PGMN3 e LREN3 despontam como favoritas do varejo para 2026, aponta XP
Depois de um período prolongado de pressão sobre consumo, crédito e margens, o varejo brasileiro começa a apresentar sinais mais consistentes de inflexão. Em relatório setorial recente, analistas da XP apontam MELI, PGMN3 e LREN3 como as principais apostas do varejo para 2026, em um cenário que combina melhora gradual das condições macroeconômicas com estratégias corporativas mais maduras e disciplinadas.
A avaliação considera não apenas a expectativa de um ciclo de corte de juros ao longo de 2026, mas também um ambiente de inflação mais controlada, mercado de trabalho resiliente e empresas que passaram por processos relevantes de ajuste operacional nos últimos anos. Para a XP, essas condições criam uma base mais sólida para a retomada do consumo, ainda que o caminho ao longo do ano deva ser marcado por volatilidade.
Cenário macro mais favorável sustenta tese positiva para o varejo
Na leitura dos analistas, o pano de fundo macroeconômico começa a jogar a favor do setor. A expectativa de início de um ciclo de afrouxamento monetário, aliada à desaceleração inflacionária e ao ganho real de renda, tende a aliviar restrições ao consumo das famílias.
Segundo a XP, “as variáveis macroeconômicas caminham em direções mais construtivas, com inflação em níveis mais benignos, mercado de trabalho resiliente e perspectiva de queda gradual dos juros”. Esse conjunto de fatores, historicamente, costuma ter impacto direto sobre o desempenho das empresas de varejo, sobretudo aquelas mais expostas ao consumo discricionário.
Ainda assim, o relatório pondera que a melhora não deve ocorrer de forma linear. O ambiente político, com a aproximação das eleições presidenciais, adiciona um componente de incerteza que pode afetar tanto a confiança do consumidor quanto o comportamento dos investidores ao longo de 2026.
Consumo deve reagir, mas volatilidade seguirá no radar
Apesar do tom mais construtivo, a XP evita uma leitura excessivamente otimista. O relatório destaca que o ano tende a ser marcado por oscilações relevantes, influenciadas por fatores políticos, econômicos e até mesmo de calendário.
Eventos como maior concentração de feriados em dias úteis e a realização da Copa do Mundo podem alterar padrões de consumo, afetando fluxos de lojas físicas e o ritmo de vendas em determinados períodos. Para os analistas, esse tipo de distorção exige cautela na análise dos resultados trimestrais, especialmente no segundo semestre.
Nesse contexto, empresas com maior capacidade de adaptação, eficiência operacional e diversificação de canais tendem a se destacar. É justamente nesse ponto que MELI, PGMN3 e LREN3 ganham protagonismo na avaliação da XP.
Revisão de estimativas e nova abordagem analítica do setor
O relatório traz uma revisão abrangente das projeções para o varejo brasileiro, incorporando resultados recentes, mudanças macroeconômicas e ajustes nos modelos financeiros das empresas analisadas. A XP passou a adotar uma visão mais cautelosa para crescimento de receita, ao mesmo tempo em que elevou a importância de métricas como margem operacional e geração de fluxo de caixa livre.
Segundo os analistas, o setor entra em uma fase em que eficiência e disciplina financeira se tornam tão relevantes quanto expansão de vendas. Essa mudança de foco reflete o aprendizado acumulado após anos de juros elevados, crédito restrito e pressão de custos.
Além disso, a XP reorganizou sua análise setorial em uma abordagem mais temática e “top-down”, classificando as empresas em três grandes grupos: aquelas mais sensíveis ao cenário macroeconômico, companhias em processo de reestruturação interna e nomes com perfil de crescimento estrutural.
Três grupos, três teses e um denominador comum
Dentro dessa nova estrutura analítica, as escolhas da XP refletem diferentes formas de capturar a retomada do varejo. MELI, PGMN3 e LREN3 aparecem como representantes de teses complementares, mas com um denominador comum: maior previsibilidade de resultados e capacidade de geração de valor em um ambiente ainda desafiador.
Para os analistas, essas empresas combinam escala, marcas consolidadas, estratégias claras e execução consistente, fatores considerados essenciais em um cenário de transição macroeconômica.
MELI se consolida como ativo estrutural do varejo digital
No caso do Mercado Livre, a XP reforça a visão de que a companhia segue como o principal player de crescimento estrutural do varejo na América Latina. A plataforma combina marketplace, logística própria e serviços financeiros, criando um ecossistema difícil de ser replicado.
A leitura do relatório é que o MELI se beneficia não apenas da retomada do consumo, mas também de tendências de longo prazo, como digitalização, aumento da penetração do e-commerce e expansão do crédito via fintechs. Mesmo após um ciclo intenso de investimentos, a empresa começa a colher ganhos de escala e melhora de margens.
Para 2026, a expectativa é que o Mercado Livre consiga equilibrar crescimento e rentabilidade, consolidando sua posição como uma das principais histórias de valor do setor.
PGMN3 avança em eficiência e ganha tração operacional
A Pague Menos aparece como um exemplo de empresa em processo de “autoajuda”, segundo a classificação da XP. Após anos de ajustes, a companhia passou a apresentar evolução mais consistente em margens, integração de aquisições e racionalização de custos.
O relatório destaca que o segmento farmacêutico tende a se mostrar mais resiliente em cenários de volatilidade, ao mesmo tempo em que pode se beneficiar do aumento gradual da renda e do envelhecimento da população. Para a XP, a PGMN3 reúne características defensivas com potencial de valorização, especialmente se mantiver a disciplina operacional observada nos últimos trimestres.
A expectativa é que, em 2026, a empresa consiga converter ganhos operacionais em geração de caixa mais robusta, reduzindo riscos percebidos pelo mercado.
LREN3 combina marca forte e recuperação de margens
Já a Lojas Renner surge como a principal aposta da XP no varejo de vestuário. Após enfrentar um período de pressão sobre custos, estoques e margens, a companhia avançou em ajustes relevantes em sua cadeia de suprimentos e política comercial.
O relatório aponta que a Renner segue como uma das marcas mais fortes do setor, com elevada capacidade de adaptação ao comportamento do consumidor. A expectativa para 2026 é de uma recuperação gradual das margens, sustentada por melhor gestão de estoques, maior eficiência logística e retomada do consumo discricionário.
Para os analistas, a LREN3 oferece uma combinação atraente de previsibilidade, governança e potencial de valorização em um cenário de juros mais baixos.
Eleições e política adicionam ruído ao cenário
Um ponto de atenção recorrente no relatório é o impacto do ciclo eleitoral sobre o setor. A proximidade das eleições presidenciais tende a aumentar a volatilidade dos mercados, influenciando câmbio, juros e confiança dos agentes econômicos.
A XP destaca que esse ambiente exige seletividade e foco em empresas com balanços sólidos e estratégias bem definidas. Nesse sentido, MELI, PGMN3 e LREN3 são vistas como opções capazes de atravessar períodos de incerteza com menor risco relativo.
2026 pode marcar virada, mas exige cautela
A conclusão do relatório é que o varejo brasileiro entra em 2026 em uma posição mais equilibrada do que nos anos anteriores, mas ainda distante de um cenário plenamente favorável. O crescimento deve ocorrer de forma gradual, com avanços e recuos ao longo do ano.
Para os analistas da XP, a chave para capturar oportunidades está na escolha de empresas que combinem eficiência operacional, capacidade de adaptação e exposição a tendências estruturais. Nesse contexto, MELI, PGMN3 e LREN3 despontam como as apostas mais consistentes para investidores que buscam exposição ao setor de varejo em 2026.






