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Acordo Mercosul-União Europeia abre 543 oportunidades para exportações brasileiras em mercado de US$ 43,9 bilhões

Estudo da ApexBrasil aponta eliminação tarifária imediata em centenas de produtos e amplia espaço para a indústria brasileira, minerais críticos e setores ligados à transição energética no mercado europeu.

por Álvaro Lima
26/06/2026 às 11h03
em Economia
Acordo Mercosul-União Europeia Abre 543 Oportunidades Para Exportações Brasileiras Em Mercado De Us$ 43,9 Bilhões-Gazeta Mercantil

O acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia inaugura uma nova etapa para o comércio exterior brasileiro ao ampliar o acesso de produtos nacionais a um dos maiores mercados consumidores do mundo. Um levantamento divulgado pela Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) identificou 543 oportunidades comerciais que passam a contar com eliminação tarifária imediata no bloco europeu, abrangendo um mercado estimado em US$ 43,9 bilhões em importações anuais. A expectativa do governo e da agência é que a implementação do acordo fortaleça a competitividade da indústria brasileira, estimule exportações de maior valor agregado e amplie a inserção do País nas cadeias globais de valor.

Considerado um dos mais abrangentes tratados comerciais negociados pelo Brasil, o acordo entre Mercosul e União Europeia reúne aproximadamente 720 milhões de consumidores e um Produto Interno Bruto (PIB) agregado de cerca de US$ 22 trilhões. Além da redução gradual de tarifas, o entendimento prevê maior previsibilidade regulatória, fator apontado por especialistas como decisivo para incentivar investimentos e facilitar relações comerciais de longo prazo.

Leia também: Mercado de seguros no Brasil em 2026 desacelera, mas movimenta R$ 808 bilhões e revela novo ciclo econômico.

Os dados apresentados pela ApexBrasil indicam que os ganhos potenciais vão além da tradicional pauta exportadora brasileira, historicamente concentrada em commodities agrícolas e minerais. O estudo mostra espaço para expansão das vendas externas de bens industriais, equipamentos tecnológicos e produtos ligados à economia de baixo carbono, segmentos considerados estratégicos para elevar a sofisticação da indústria nacional.

Indústria concentra maior potencial de expansão

Entre os setores mais beneficiados pelo acordo, máquinas e equipamentos de transporte aparecem como o principal vetor de crescimento. Segundo o levantamento, esse segmento reúne 305 oportunidades comerciais e representa sozinho um mercado de aproximadamente US$ 27,4 bilhões em importações realizadas pela União Europeia.

Na lista de produtos com maior potencial de expansão figuram motores industriais, compressores, bombas hidráulicas, válvulas, transformadores elétricos, componentes mecânicos e equipamentos utilizados em processos produtivos. São itens que tradicionalmente enfrentam maior concorrência internacional, mas que podem ganhar competitividade com a eliminação gradual das barreiras tarifárias.

Além do setor de máquinas, a ApexBrasil identifica oportunidades relevantes para fabricantes de produtos químicos, instrumentos profissionais, artigos manufaturados, materiais destinados à construção civil, bens de capital e insumos intermediários utilizados pela indústria europeia.

A avaliação da agência é que parte desses segmentos já possui presença consolidada no mercado europeu, mas ainda enfrenta limitações decorrentes do custo de acesso ao bloco. Com a redução das tarifas de importação, empresas brasileiras poderão disputar novos contratos em condições mais competitivas frente a fornecedores de outros países.

Na prática, essa mudança tende a favorecer uma transformação gradual da pauta exportadora brasileira, ampliando a participação de produtos industrializados e reduzindo a dependência das exportações concentradas em matérias-primas.

Eventos buscam aproximar empresas das novas oportunidades

Para acelerar o aproveitamento do acordo comercial, a ApexBrasil e o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) iniciaram uma série de encontros voltados ao setor produtivo denominada Conexões Produtivas – Oportunidades para a Indústria no Acordo Mercosul-União Europeia.

A iniciativa percorre diferentes regiões do País com o objetivo de apresentar, de forma prática, as possibilidades abertas pelo novo ambiente comercial. Os encontros reúnem empresários, representantes do governo e instituições de apoio ao desenvolvimento industrial para discutir mercados prioritários, exigências regulatórias e estratégias de internacionalização.

A edição desta sexta-feira ocorre em São Paulo e integra uma agenda organizada em parceria com a Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), além do apoio do Sebrae, Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI), Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro) e Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

Segundo a ApexBrasil, a proposta é aproximar empresas brasileiras das oportunidades concretas abertas pelo acordo, reduzindo assimetrias de informação e oferecendo instrumentos que permitam ampliar a presença nacional no comércio internacional.

Transição energética amplia demanda por produtos brasileiros

Outro eixo considerado estratégico pelo estudo envolve a crescente demanda europeia por matérias-primas essenciais à transição energética.

A política industrial da União Europeia vem priorizando investimentos em eletrificação, energias renováveis, armazenamento de energia e redução das emissões de carbono, aumentando a necessidade de minerais críticos empregados na fabricação de baterias, semicondutores, veículos elétricos, turbinas eólicas, equipamentos industriais e sistemas de geração de energia limpa.

Nesse cenário, o Brasil reúne vantagens competitivas importantes. Aproximadamente metade da matriz energética brasileira é composta por fontes renováveis, enquanto cerca de 90% da matriz elétrica nacional possui origem limpa, indicadores superiores aos observados em diversas economias industrializadas.

Além da disponibilidade de recursos naturais, o País apresenta significativa oferta de minerais considerados estratégicos para a nova economia global, combinando potencial produtivo com menor intensidade de carbono em comparação a outros grandes fornecedores internacionais.

O levantamento da ApexBrasil mostra que as exportações brasileiras de minerais críticos destinadas à União Europeia alcançaram US$ 4,3 bilhões em 2025. Entre os principais produtos embarcados estão cobre, níquel e grafite, insumos considerados essenciais para a fabricação de baterias recarregáveis, sistemas eletrônicos e tecnologias voltadas à descarbonização da economia.

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