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Movida (MOVI3) dobra lucro, supera guidance e tem melhor trimestre em quatro anos

Resultado líquido alcança R$ 135,6 milhões no 2T26, enquanto receita de locação bate recorde de R$ 2,6 bilhões e sustenta avanço operacional

por Gabriel Monteiro
16/07/2026 às 16h57
em Empresas
Movida (Movi3) - Gazeta Mercantil

A Movida (MOVI3) encerrou o segundo trimestre de 2026 com lucro líquido de R$ 135,6 milhões, praticamente o dobro dos R$ 68 milhões registrados no mesmo período do ano anterior. O resultado, divulgado nesta quinta-feira (16) em uma prévia operacional, foi o maior alcançado pela locadora em um trimestre nos últimos quatro anos e ficou acima do intervalo projetado pela própria companhia.

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A empresa esperava obter lucro líquido entre R$ 110 milhões e R$ 130 milhões entre abril e junho. O valor efetivamente apurado superou em R$ 5,6 milhões o teto da projeção, uma diferença de aproximadamente 4,3%.

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O avanço foi sustentado principalmente pela expansão do negócio de aluguel de veículos, conhecido no setor pela sigla RAC. A receita bruta de locação chegou ao recorde de R$ 2,6 bilhões no trimestre, crescimento de 21% sobre o mesmo intervalo de 2025.

A receita bruta total da Movida (MOVI3), que inclui locação, gestão de frotas e venda de seminovos, alcançou R$ 4 bilhões. O aumento foi mais moderado, de 3,2% na comparação anual, reflexo da estratégia de priorizar o rendimento da frota e manter disciplina na retirada de veículos para revenda.

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Lucro da Movida avança 99% em um ano

O lucro líquido de R$ 135,6 milhões representa uma expansão de 99,4% frente aos R$ 68 milhões registrados no segundo trimestre de 2025.

Além de praticamente dobrar em um ano, o resultado superou o guidance estabelecido pela administração. A diferença entre o número entregue e a projeção é relevante para os investidores porque reforça a capacidade da companhia de transformar o crescimento das receitas de locação em ganhos na última linha do balanço.

O lucro líquido incorpora despesas financeiras, impostos, depreciação dos veículos e os resultados das operações de seminovos. Por isso, o avanço em ritmo superior ao da receita total sugere uma combinação de melhora operacional, maior aproveitamento da frota e controle de custos.

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A Movida (MOVI3), no entanto, ainda não apresentou todas as demonstrações financeiras do período. A prévia divulgada ao mercado concentra os principais indicadores e poderá ser complementada por informações sobre endividamento, custo médio da dívida, fluxo de caixa, despesas financeiras e alavancagem.

Esses dados serão determinantes para medir a qualidade do lucro. Empresas de locação trabalham com uma base elevada de ativos e precisam renovar continuamente a frota, o que torna o custo de capital uma variável central para a rentabilidade.

Receita de locação atinge recorde de R$ 2,6 bilhões

O principal destaque operacional foi a receita bruta de locação, que cresceu 21% e atingiu R$ 2,6 bilhões. O desempenho reforça o peso crescente das receitas recorrentes no modelo de negócios da Movida (MOVI3).

O aluguel de veículos tende a produzir margens superiores às obtidas na venda de carros usados. Quanto mais tempo um automóvel permanece alugado, maior é a capacidade de gerar receita antes de ser retirado da frota e encaminhado ao segmento de seminovos.

A expansão também indica demanda firme no RAC, modalidade que reúne locações de curta duração realizadas por pessoas físicas e empresas. Esse mercado é influenciado por viagens, turismo, mobilidade corporativa, contratos com seguradoras e substituição temporária de veículos.

“A estratégia da companhia segue orientada à forte demanda do RAC”, informou a Movida na divulgação dos resultados preliminares.

O crescimento de 21% na locação ficou muito acima da alta de 3,2% observada na receita bruta total. A diferença mostra que a composição das receitas mudou no trimestre, com maior participação do aluguel e menor peso relativo das vendas de veículos usados.

Para o investidor, essa mudança pode ser positiva quando vem acompanhada de utilização elevada da frota e preços adequados nas diárias. O efeito sobre o caixa, entretanto, depende também dos investimentos necessários para comprar veículos e manter a idade média da frota dentro da estratégia da companhia.

Ebitda sobe 22% e chega a R$ 1,7 bilhão

O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização, conhecido como Ebitda, atingiu R$ 1,7 bilhão no segundo trimestre. O indicador cresceu 22% na comparação com o mesmo período de 2025.

O avanço praticamente acompanhou a expansão da receita de locação. Isso sinaliza que a companhia conseguiu ampliar o resultado operacional sem perder integralmente os ganhos de escala para despesas adicionais.

O Ebitda é acompanhado de perto no setor de locação porque permite observar o desempenho das operações antes das despesas financeiras e dos efeitos contábeis relacionados à depreciação da frota. Ainda assim, não representa o caixa livre disponível para os acionistas.

No caso da Movida (MOVI3), a depreciação dos veículos tem peso relevante. A empresa adquire automóveis, utiliza esses ativos nas operações de locação e posteriormente os vende. Entre a compra e a revenda, precisa reconhecer contabilmente a perda de valor da frota.

A prévia também indicou que o lucro operacional antes do resultado financeiro e dos impostos, o Ebit, superou pela primeira vez a marca de R$ 1 bilhão. O crescimento foi de 29% em relação ao segundo trimestre de 2025.

A expansão do Ebit em ritmo superior ao Ebitda é um sinal favorável porque o indicador já considera depreciação e amortização. Isso pode refletir maior eficiência na utilização dos ativos ou uma dinâmica mais favorável na perda de valor dos veículos.

Venda de seminovos chega a 19,4 mil veículos

A Movida vendeu 19,4 mil carros no segundo trimestre, mantendo a margem Ebitda do segmento de seminovos em 1%.

A venda dos veículos é parte essencial do ciclo econômico de uma locadora. Depois de gerar receita no aluguel, o automóvel precisa ser desmobilizado por um preço suficiente para compensar o valor contábil remanescente, os custos comerciais e as despesas de preparação.

Uma margem de 1% mostra que a Movida (MOVI3) preservou rentabilidade positiva nas vendas, embora estreita. O objetivo estratégico do segmento não é apenas produzir lucro na revenda, mas permitir a renovação da frota e liberar capital para novas aquisições.

O volume de 19,4 mil unidades também deve ser analisado em conjunto com as compras realizadas no trimestre. Caso as aquisições tenham superado as vendas, a frota terá crescido e exigido mais capital. Se a desmobilização tiver sido maior, a empresa poderá ter reduzido ativos e reforçado o caixa.

Esses detalhes deverão aparecer no balanço completo. A prévia, por si só, não permite determinar o efeito líquido da renovação da frota sobre a dívida ou sobre a geração de caixa livre.

A estabilidade da margem de seminovos reduz, porém, o risco de que a companhia tenha acelerado as vendas mediante descontos excessivos. Em períodos de mercado fraco para veículos usados, locadoras podem enfrentar pressão para reduzir preços e absorver perdas na desmobilização.

Crescimento ocorre em ambiente de juros elevados

O resultado da Movida (MOVI3) ganha relevância por ter sido obtido em um ambiente ainda marcado por juros elevados no Brasil. A taxa Selic afeta o custo do crédito bancário, das emissões de dívida e das demais formas de financiamento utilizadas pelas empresas.

Locadoras são particularmente sensíveis ao custo financeiro porque a compra de veículos exige grandes volumes de capital. Mesmo quando o desempenho operacional melhora, despesas com juros podem consumir uma parcela significativa do resultado.

O avanço do lucro líquido indica que a Movida conseguiu ampliar o ganho final apesar desse cenário. A confirmação da tendência, entretanto, dependerá da evolução da dívida líquida e da alavancagem.

A relação entre dívida líquida e Ebitda é um dos indicadores mais observados pelos investidores do setor. Quando o Ebitda cresce, a alavancagem pode cair mesmo que o endividamento nominal permaneça estável. Por outro lado, compras agressivas de veículos podem aumentar a dívida e neutralizar parte do benefício operacional.

A geração de caixa também será um ponto de atenção. O lucro contábil pode crescer sem produzir aumento proporcional de caixa quando a empresa direciona recursos para ampliar ou renovar a frota.

Resultado reforça recuperação operacional da Movida

O melhor lucro trimestral em quatro anos indica que a Movida (MOVI3) avançou em sua estratégia de recuperação de rentabilidade.

O setor enfrentou nos últimos anos oscilações no preço dos veículos novos e usados, elevação do custo de financiamento e mudanças na dinâmica de oferta das montadoras. Essas variáveis alteraram tanto o custo de renovação da frota quanto os valores obtidos na venda dos automóveis.

A Movida passou a enfatizar maior disciplina na alocação de capital, rentabilidade dos contratos, utilização da frota e equilíbrio entre compra e venda de veículos.

Os números do segundo trimestre mostram que a receita de locação cresceu em ritmo forte e que o Ebitda acompanhou esse movimento. O lucro líquido avançou ainda mais, aproximando-se de duas vezes o resultado obtido um ano antes.

A superação do guidance também poderá influenciar as expectativas para os próximos trimestres. O mercado deverá observar se a administração revisará suas projeções ou se adotará uma postura conservadora diante dos juros e das incertezas econômicas.

O que muda para os investidores de MOVI3

Para os acionistas, a prévia traz três sinais positivos. O primeiro é a expansão de 21% da receita de locação, que reforça a demanda pelos serviços e aumenta a participação de uma atividade recorrente no faturamento.

O segundo é o crescimento do Ebitda para R$ 1,7 bilhão, indicando avanço operacional. O terceiro é o lucro de R$ 135,6 milhões, acima do teto projetado pela própria companhia.

O resultado também ajuda a reduzir a preocupação com a capacidade da Movida (MOVI3) de converter expansão operacional em lucro líquido. Em empresas endividadas, um Ebitda maior nem sempre chega ao acionista, porque parte relevante pode ser absorvida por juros.

A divulgação preliminar não elimina os riscos. O mercado deverá verificar se o crescimento foi acompanhado de melhora na geração de caixa e redução da alavancagem, ou se exigiu maior volume de capital investido na frota.

Outro ponto será a evolução das tarifas médias de locação. O crescimento da receita pode vir da ampliação da frota, do aumento dos preços, da maior taxa de utilização ou de uma combinação desses fatores. Cada hipótese produz efeitos diferentes sobre margens e retorno sobre o capital.

A qualidade da carteira de contratos de gestão de frotas também será observada. Contratos de longo prazo oferecem previsibilidade, mas precisam incorporar custos de financiamento, manutenção e depreciação para preservar rentabilidade ao longo de vários anos.

Balanço completo colocará dívida e caixa no centro da análise

A prévia da Movida (MOVI3) oferece uma leitura favorável da operação no segundo trimestre, mas ainda deixa perguntas que serão respondidas apenas com a divulgação completa das demonstrações financeiras.

O mercado buscará detalhes sobre dívida líquida, prazo médio dos financiamentos, custo das novas emissões, investimentos na frota e caixa gerado pelas atividades operacionais.

Também será necessário avaliar a evolução da depreciação. Mudanças na expectativa de preço dos veículos usados podem alterar esse custo contábil e afetar o Ebit, mesmo sem mudança imediata no caixa.

O desempenho da divisão de seminovos será analisado além da margem de 1%. O preço médio das vendas, o prazo de permanência dos carros nas lojas e o volume de estoques ajudam a medir a velocidade de desmobilização da frota.

A capacidade de manter o crescimento da locação sem elevar excessivamente a dívida será o principal teste para os próximos trimestres. Em um setor intensivo em capital, expansão e disciplina financeira precisam avançar juntas.

Com lucro praticamente duplicado, Ebitda de R$ 1,7 bilhão e receita recorde de locação, a Movida (MOVI3) chega ao balanço completo com uma prévia mais forte do que a projetada. A confirmação de queda da alavancagem e melhora do caixa poderá transformar o avanço operacional em uma recuperação financeira mais consistente.

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