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Natura (NATU3) despenca após prejuízo crescer e mercado reagir mal ao balanço do 1T26

Companhia amplia prejuízo, vê margens pressionadas e mantém investidores cautelosos durante processo de reestruturação operacional.

por Ana Luiza Farias
12/05/2026 às 12h52
em Empresas
Natura (Natu3) Despenca Após Prejuízo Crescer E Mercado Reagir Mal Ao Balanço Do 1T26-Gazeta Mercantil

As ações da Natura (NATU3) operaram entre as maiores quedas do Ibovespa nesta terça-feira (12), após a companhia divulgar resultados abaixo das expectativas do mercado no primeiro trimestre de 2026. A fabricante de cosméticos reportou prejuízo líquido de R$ 445 milhões entre janeiro e março, resultado significativamente pior que a perda de R$ 152 milhões registrada no mesmo período do ano passado.

O desempenho operacional também decepcionou investidores e analistas. O Ebitda recorrente da Natura caiu 55,7% na comparação anual, para R$ 346 milhões, enquanto a receita líquida recuou 7,7%, somando R$ 4,75 bilhões no trimestre.

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A reação negativa foi imediata no mercado. Nos primeiros minutos do pregão, os papéis da Natura chegaram a cair mais de 6% na B3. Ao longo da manhã, as perdas diminuíram, mas as ações permaneceram pressionadas, refletindo preocupações sobre margens, execução operacional e geração de caixa.

O resultado da Natura reforçou a cautela dos investidores com empresas de consumo e varejo expostas ao ambiente macroeconômico mais desafiador na América Latina, especialmente diante da desaceleração econômica, inflação persistente em alguns mercados e maior pressão sobre custos operacionais.

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Resultado da Natura fica abaixo das expectativas do mercado

Os números divulgados pela Natura vieram abaixo das projeções médias compiladas pela LSEG. Analistas esperavam Ebitda de aproximadamente R$ 430 milhões e receita líquida próxima de R$ 4,3 bilhões.

Apesar da receita ter superado parcialmente as estimativas do consenso, o mercado demonstrou preocupação com a deterioração operacional e com a forte compressão das margens.

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Segundo a administração da Natura, o primeiro trimestre foi marcado por um período de transição operacional, ainda impactado por condições macroeconômicas adversas e pela limitada capacidade de inovação da marca Avon.

A companhia vem conduzindo um amplo processo de reorganização após anos de desafios relacionados à integração de ativos internacionais, reestruturação operacional e venda de operações consideradas não estratégicas.

O desempenho da divisão Hispana, especialmente na Argentina, voltou a pressionar resultados. A inflação elevada e a volatilidade econômica no país afetaram margens e elevaram custos operacionais.

Além disso, a Natura também registrou impactos relacionados a despesas de reestruturação, perdas com hedge da dívida em dólar e desembolsos associados ao acordo judicial envolvendo o caso Chapman litigation.

O aumento da dívida líquida em cerca de R$ 565 milhões durante o trimestre ampliou a atenção do mercado sobre a capacidade da companhia de recuperar geração de caixa no curto prazo.

BTG, XP e Itaú BBA mantêm cautela sobre recuperação operacional

Relatórios divulgados por bancos e corretoras após a divulgação do balanço indicaram uma leitura predominantemente negativa sobre os números da Natura no primeiro trimestre.

O BTG Pactual destacou que a companhia apresentou dinâmica fraca tanto na operação brasileira quanto na divisão Hispana, com pressão relevante sobre receita e margens.

Analistas do banco observaram deterioração de 330 pontos-base na margem Ebitda anual, desconsiderando itens não recorrentes, refletindo principalmente pressão na margem bruta e menor alavancagem operacional.

O BTG também chamou atenção para o prejuízo líquido ajustado e para o aumento da dívida líquida em um trimestre marcado por consumo mais fraco e cenário macroeconômico adverso.

Ainda assim, o banco apontou alguns sinais positivos, incluindo crescimento do sell-out da marca Natura acima do mercado de cuidados pessoais e resultados considerados acima das expectativas no relançamento da Avon realizado em março.

A instituição manteve recomendação neutra para NATU3, com preço-alvo de R$ 12.

A XP Investimentos avaliou que o resultado fraco já era parcialmente esperado pelo mercado, principalmente devido à continuidade das dificuldades macroeconômicas no Brasil e na Argentina.

Segundo os analistas da corretora, a companhia precisou elevar investimentos comerciais para estimular atividade e vendas, o que pressionou ainda mais as margens operacionais.

A XP também destacou a queima de fluxo de caixa livre de aproximadamente R$ 430 milhões no trimestre, impactada pelos desembolsos ligados à reestruturação da companhia e ao acordo Chapman.

Mesmo reconhecendo perspectivas mais construtivas no médio prazo, a casa afirmou esperar uma postura mais defensiva dos investidores em relação à Natura nos próximos meses.

Processo de reestruturação mantém mercado em compasso de espera

A Natura atravessa um dos períodos mais sensíveis de sua trajetória recente. Após anos marcados por aquisições internacionais ambiciosas, dificuldades de integração e aumento da alavancagem financeira, a companhia tenta reconstruir rentabilidade e simplificar operações.

Nos últimos ciclos, a empresa promoveu mudanças relevantes em sua estrutura corporativa, incluindo a venda da Avon International e programas de redução de despesas administrativas.

Segundo a administração, cerca de 75% da redução do quadro administrativo já foi implementada, com expectativa de ganhos de eficiência começando a aparecer a partir do segundo trimestre.

A companhia também aposta na retomada gradual da Avon como uma das principais alavancas de crescimento operacional nos próximos trimestres.

O mercado, porém, segue cauteloso quanto à velocidade dessa recuperação.

Analistas destacam que a Natura ainda enfrenta desafios importantes relacionados à execução operacional, integração tecnológica e retomada consistente das margens.

Entre os pontos de atenção está a implementação do sistema SAP prevista para junho, considerada um risco operacional relevante no curto prazo.

O Itaú BBA afirmou que o resultado do trimestre veio abaixo do esperado em praticamente todas as linhas operacionais.

Segundo o banco, a própria administração classificou o segundo trimestre como um “período de transição”, o que desloca a expectativa de melhora operacional mais consistente para o segundo semestre de 2026.

Ainda assim, o BBA manteve recomendação outperform — equivalente à compra — para NATU3, com preço-alvo de R$ 14.

Advent ajuda a sustentar percepção de piso para as ações

Apesar da forte reação negativa após o balanço, parte do mercado vê um fator limitador para quedas mais acentuadas das ações da Natura.

Analistas mencionam a proposta não vinculante apresentada pela Advent International, considerada uma referência importante para valuation da companhia.

Segundo estimativas de bancos e corretoras, o valor de R$ 9,75 por ação associado à proposta acaba funcionando como um suporte psicológico para o mercado.

Esse fator ajuda a reduzir parte das pressões mais intensas sobre os papéis mesmo em um cenário operacional mais desafiador.

Ainda assim, investidores seguem monitorando a capacidade da Natura de transformar medidas de eficiência em melhora efetiva de resultados.

A percepção predominante entre analistas é de que a reprecificação mais consistente das ações dependerá da comprovação de crescimento sustentável, recuperação de margens e retomada da geração de caixa.

O desempenho da operação brasileira será acompanhado de perto nos próximos trimestres, especialmente diante da expectativa de aceleração gradual das vendas.

Pressão sobre NATU3 reforça seletividade do mercado com empresas de consumo

A reação negativa às ações da Natura ocorre em um momento de maior seletividade dos investidores em relação a empresas de consumo listadas na B3.

O ambiente de juros elevados, pressão inflacionária em mercados latino-americanos e desaceleração econômica aumentou a exigência do mercado por execução operacional e disciplina financeira.

Companhias expostas ao varejo e ao consumo discricionário vêm enfrentando maior volatilidade desde o início do ciclo de aperto monetário global.

No caso da Natura, o mercado acompanha não apenas os resultados trimestrais, mas também a capacidade da companhia de concluir sua reorganização corporativa após anos de transformação estratégica.

A expectativa de parte dos analistas é de que o segundo semestre seja decisivo para validar a tese de recuperação operacional da empresa.

Até lá, investidores devem seguir atentos à evolução das margens, ao desempenho da Avon, à geração de caixa e à execução das medidas de eficiência prometidas pela administração.

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