quinta-feira, 17 de setembro de 2026
contato@gazetamercantil.com
GAZETA MERCANTIL
GAZETA MERCANTIL
GAZETA MERCANTIL
Home Empresas

Natura (NATU3) despenca após prejuízo crescer e mercado reagir mal ao balanço do 1T26

Companhia amplia prejuízo, vê margens pressionadas e mantém investidores cautelosos durante processo de reestruturação operacional.

por Ana Luiza Farias
12/05/2026 às 12h52
em Empresas
Natura (Natu3) Despenca Após Prejuízo Crescer E Mercado Reagir Mal Ao Balanço Do 1T26-Gazeta Mercantil

As ações da Natura (NATU3) operaram entre as maiores quedas do Ibovespa nesta terça-feira (12), após a companhia divulgar resultados abaixo das expectativas do mercado no primeiro trimestre de 2026. A fabricante de cosméticos reportou prejuízo líquido de R$ 445 milhões entre janeiro e março, resultado significativamente pior que a perda de R$ 152 milhões registrada no mesmo período do ano passado.

O desempenho operacional também decepcionou investidores e analistas. O Ebitda recorrente da Natura caiu 55,7% na comparação anual, para R$ 346 milhões, enquanto a receita líquida recuou 7,7%, somando R$ 4,75 bilhões no trimestre.

A reação negativa foi imediata no mercado. Nos primeiros minutos do pregão, os papéis da Natura chegaram a cair mais de 6% na B3. Ao longo da manhã, as perdas diminuíram, mas as ações permaneceram pressionadas, refletindo preocupações sobre margens, execução operacional e geração de caixa.

O resultado da Natura reforçou a cautela dos investidores com empresas de consumo e varejo expostas ao ambiente macroeconômico mais desafiador na América Latina, especialmente diante da desaceleração econômica, inflação persistente em alguns mercados e maior pressão sobre custos operacionais.

Resultado da Natura fica abaixo das expectativas do mercado

Os números divulgados pela Natura vieram abaixo das projeções médias compiladas pela LSEG. Analistas esperavam Ebitda de aproximadamente R$ 430 milhões e receita líquida próxima de R$ 4,3 bilhões.

Apesar da receita ter superado parcialmente as estimativas do consenso, o mercado demonstrou preocupação com a deterioração operacional e com a forte compressão das margens.

Segundo a administração da Natura, o primeiro trimestre foi marcado por um período de transição operacional, ainda impactado por condições macroeconômicas adversas e pela limitada capacidade de inovação da marca Avon.

A companhia vem conduzindo um amplo processo de reorganização após anos de desafios relacionados à integração de ativos internacionais, reestruturação operacional e venda de operações consideradas não estratégicas.

O desempenho da divisão Hispana, especialmente na Argentina, voltou a pressionar resultados. A inflação elevada e a volatilidade econômica no país afetaram margens e elevaram custos operacionais.

Além disso, a Natura também registrou impactos relacionados a despesas de reestruturação, perdas com hedge da dívida em dólar e desembolsos associados ao acordo judicial envolvendo o caso Chapman litigation.

O aumento da dívida líquida em cerca de R$ 565 milhões durante o trimestre ampliou a atenção do mercado sobre a capacidade da companhia de recuperar geração de caixa no curto prazo.

BTG, XP e Itaú BBA mantêm cautela sobre recuperação operacional

Relatórios divulgados por bancos e corretoras após a divulgação do balanço indicaram uma leitura predominantemente negativa sobre os números da Natura no primeiro trimestre.

O BTG Pactual destacou que a companhia apresentou dinâmica fraca tanto na operação brasileira quanto na divisão Hispana, com pressão relevante sobre receita e margens.

Analistas do banco observaram deterioração de 330 pontos-base na margem Ebitda anual, desconsiderando itens não recorrentes, refletindo principalmente pressão na margem bruta e menor alavancagem operacional.

O BTG também chamou atenção para o prejuízo líquido ajustado e para o aumento da dívida líquida em um trimestre marcado por consumo mais fraco e cenário macroeconômico adverso.

Ainda assim, o banco apontou alguns sinais positivos, incluindo crescimento do sell-out da marca Natura acima do mercado de cuidados pessoais e resultados considerados acima das expectativas no relançamento da Avon realizado em março.

A instituição manteve recomendação neutra para NATU3, com preço-alvo de R$ 12.

A XP Investimentos avaliou que o resultado fraco já era parcialmente esperado pelo mercado, principalmente devido à continuidade das dificuldades macroeconômicas no Brasil e na Argentina.

Segundo os analistas da corretora, a companhia precisou elevar investimentos comerciais para estimular atividade e vendas, o que pressionou ainda mais as margens operacionais.

A XP também destacou a queima de fluxo de caixa livre de aproximadamente R$ 430 milhões no trimestre, impactada pelos desembolsos ligados à reestruturação da companhia e ao acordo Chapman.

Mesmo reconhecendo perspectivas mais construtivas no médio prazo, a casa afirmou esperar uma postura mais defensiva dos investidores em relação à Natura nos próximos meses.

Processo de reestruturação mantém mercado em compasso de espera

A Natura atravessa um dos períodos mais sensíveis de sua trajetória recente. Após anos marcados por aquisições internacionais ambiciosas, dificuldades de integração e aumento da alavancagem financeira, a companhia tenta reconstruir rentabilidade e simplificar operações.

Nos últimos ciclos, a empresa promoveu mudanças relevantes em sua estrutura corporativa, incluindo a venda da Avon International e programas de redução de despesas administrativas.

Segundo a administração, cerca de 75% da redução do quadro administrativo já foi implementada, com expectativa de ganhos de eficiência começando a aparecer a partir do segundo trimestre.

A companhia também aposta na retomada gradual da Avon como uma das principais alavancas de crescimento operacional nos próximos trimestres.

O mercado, porém, segue cauteloso quanto à velocidade dessa recuperação.

Analistas destacam que a Natura ainda enfrenta desafios importantes relacionados à execução operacional, integração tecnológica e retomada consistente das margens.

Entre os pontos de atenção está a implementação do sistema SAP prevista para junho, considerada um risco operacional relevante no curto prazo.

O Itaú BBA afirmou que o resultado do trimestre veio abaixo do esperado em praticamente todas as linhas operacionais.

Segundo o banco, a própria administração classificou o segundo trimestre como um “período de transição”, o que desloca a expectativa de melhora operacional mais consistente para o segundo semestre de 2026.

Ainda assim, o BBA manteve recomendação outperform — equivalente à compra — para NATU3, com preço-alvo de R$ 14.

Advent ajuda a sustentar percepção de piso para as ações

Apesar da forte reação negativa após o balanço, parte do mercado vê um fator limitador para quedas mais acentuadas das ações da Natura.

Analistas mencionam a proposta não vinculante apresentada pela Advent International, considerada uma referência importante para valuation da companhia.

Segundo estimativas de bancos e corretoras, o valor de R$ 9,75 por ação associado à proposta acaba funcionando como um suporte psicológico para o mercado.

Esse fator ajuda a reduzir parte das pressões mais intensas sobre os papéis mesmo em um cenário operacional mais desafiador.

Ainda assim, investidores seguem monitorando a capacidade da Natura de transformar medidas de eficiência em melhora efetiva de resultados.

A percepção predominante entre analistas é de que a reprecificação mais consistente das ações dependerá da comprovação de crescimento sustentável, recuperação de margens e retomada da geração de caixa.

O desempenho da operação brasileira será acompanhado de perto nos próximos trimestres, especialmente diante da expectativa de aceleração gradual das vendas.

Pressão sobre NATU3 reforça seletividade do mercado com empresas de consumo

A reação negativa às ações da Natura ocorre em um momento de maior seletividade dos investidores em relação a empresas de consumo listadas na B3.

O ambiente de juros elevados, pressão inflacionária em mercados latino-americanos e desaceleração econômica aumentou a exigência do mercado por execução operacional e disciplina financeira.

Companhias expostas ao varejo e ao consumo discricionário vêm enfrentando maior volatilidade desde o início do ciclo de aperto monetário global.

No caso da Natura, o mercado acompanha não apenas os resultados trimestrais, mas também a capacidade da companhia de concluir sua reorganização corporativa após anos de transformação estratégica.

A expectativa de parte dos analistas é de que o segundo semestre seja decisivo para validar a tese de recuperação operacional da empresa.

Até lá, investidores devem seguir atentos à evolução das margens, ao desempenho da Avon, à geração de caixa e à execução das medidas de eficiência prometidas pela administração.

LEIA MAIS

Lvmh Perde Mais De €250 Bilhões Em Valor De Mercado Desde 2023-Gazeta Mercantil
Empresas

LVMH perde mais de €250 bilhões em valor de mercado desde 2023

A LVMH, maior grupo de luxo do mundo, encerrou a sessão de 15 de setembro de 2026 com valor de mercado em torno de €201 bilhões, depois de...

Leia MaisDetails
Brb Recebe R$ 376 Milhões Da Xp Por Créditos Ligados Ao Banco Master-Gazeta Mercantil
Empresas

BRB (BSLI3; BSLI4) recebe R$ 376 milhões da XP por ativos ligados ao Banco Master

O Banco de Brasília (BRB) (BSLI3; BSLI4) recebeu R$ 376 milhões com a venda à XP de ativos que haviam chegado ao banco por meio de operações relacionadas...

Leia MaisDetails
Jpmorgan Corta Preço-Alvo Do Banco Do Brasil Para R$ 22 E Mantém Recomendação Neutra-Gazeta Mercantil
Empresas

Banco do Brasil (BBAS3): JPMorgan corta preço-alvo para R$ 22 e reduz projeções de lucro

O JPMorgan reduziu de R$ 24 para R$ 22 o preço-alvo das ações do Banco do Brasil (BBAS3) para dezembro de 2027 e manteve recomendação neutra para os...

Leia MaisDetails
Há 4 Anos, Lula E Bolsonaro Iniciavam Campanhas Que Definiriam A Eleição De 2022 - Gazeta Mercantil
Ibovespa

Investimentos têm desempenhos diferentes nos governos Bolsonaro e Lula, aponta levantamento

A comparação entre os mercados financeiros nos governos de Jair Bolsonaro e Luiz Inácio Lula da Silva mostra resultados diferentes conforme o tipo de ativo e o período...

Leia MaisDetails
Xp Reduz Aposta Em Privatização E Rebaixa Sanepar, Com Incerteza Sobre Precatório-Gazeta Mercantil
Empresas

Sanepar (SAPR11): XP corta recomendação para neutra e vê privatização mais distante

A XP Investimentos reduziu de compra para neutra a recomendação para as units da Sanepar (SAPR11), mesmo depois de elevar para R$ 45,80 o preço-alvo projetado para o...

Leia MaisDetails

GAZETA MERCANTIL ENCERRADO

09:30:16
IBOV

IBOVESPA

B3
Consultando... buscando última cotação
$

DÓLAR

USD/BRL
Consultando... buscando última cotação
€

EURO

EUR/BRL
Consultando... buscando última cotação
₿

BITCOIN

BRL
Consultando... buscando última cotação
Gazeta Mercantil · dados de mercado
Sênior Sistemas Sênior Sistemas Sênior Sistemas
PUBLICIDADE

Veja Também

Governo Volta A Discutir Tributação De Lci E Lca E Reacende Alerta Sobre Custo Do Crédito Imobiliário-Gazeta Mercantil
Economia

Selic a 13,75%: veja quanto rendem CDI, IPCA+, CDB, LCI e LCA

Leia MaisDetails
Percepção De Envolvimento De Aliados De Bolsonaro No Caso Master Sobe 12,9 Pontos, Diz Atlas
Política

Percepção de envolvimento de aliados de Bolsonaro no caso Master sobe 12,9 pontos, diz Atlas

Leia MaisDetails
Flávio Bolsonaro Usou Recentemente Apartamento Que Pertenceu A Cunhado De Vorcaro
Política

Flávio Bolsonaro usou recentemente apartamento que pertenceu a cunhado de Vorcaro

Leia MaisDetails
Copom Corta Selic Para 13,75% No Quinto Recuo Seguido Dos Juros - Gazeta Mercantil - Economia
Economia

Copom corta Selic para 13,75% no quinto recuo seguido dos juros

Leia MaisDetails
Lvmh Perde Mais De €250 Bilhões Em Valor De Mercado Desde 2023-Gazeta Mercantil
Empresas

LVMH perde mais de €250 bilhões em valor de mercado desde 2023

Leia MaisDetails

EDITORIAS

  • Economia
  • Mercados
    • Dólar
    • Ibovespa
    • Fundos Imobiliários
    • Criptomoedas
  • Empresas
  • Negócios
  • Política
  • Brasil
  • Mundo
  • Tecnologia
  • Agronegócio
  • Trabalho
  • Saúde
  • Loterias
  • Esportes
    • Futebol
  • Cultura & Lazer
    • Filmes e Séries
  • Lifestyle
  • Anuncie Conosco
Gazeta Mercantil Logo White

contato@gazetamercantil.com

Gazeta Mercantil — marca jornalística fundada em 1920, com continuidade editorial contemporânea no ambiente digital por meio do domínio oficial gazetamercantil.com.

EDITORIAS

  • Economia
  • Mercados
    • Dólar
    • Ibovespa
    • Fundos Imobiliários
    • Criptomoedas
  • Empresas
  • Negócios
  • Política
  • Brasil
  • Mundo
  • Tecnologia
  • Agronegócio
  • Trabalho
  • Saúde
  • Loterias
  • Esportes
    • Futebol
  • Cultura & Lazer
    • Filmes e Séries
  • Lifestyle
  • Anuncie Conosco

Veja Também:

Selic a 13,75%: veja quanto rendem CDI, IPCA+, CDB, LCI e LCA

Percepção de envolvimento de aliados de Bolsonaro no caso Master sobe 12,9 pontos, diz Atlas

Flávio Bolsonaro usou recentemente apartamento que pertenceu a cunhado de Vorcaro

Copom corta Selic para 13,75% no quinto recuo seguido dos juros

LVMH perde mais de €250 bilhões em valor de mercado desde 2023

BRB (BSLI3; BSLI4) recebe R$ 376 milhões da XP por ativos ligados ao Banco Master

  • Anuncie Conosco
  • Política de Correções
  • Política Editorial
  • Política de Privacidade
  • Termos de Uso
  • Sobre a Gazeta Mercantil
  • Expediente
  • Política de Conflitos de Interesse

© 2026 GAZETA MERCANTIL - Marca jornalística fundada em 1920. Site oficial: gazetamercantil.com - Todos os direitos reservados. - ISSN 1519-0129 - contato@gazetamercantil.com - Grupo SMEdit - Av.Paulista 777 - Bela Vista - São Paulo - SP

  • Economia
  • Mercados
    • Dólar
    • Ibovespa
    • Fundos Imobiliários
    • Criptomoedas
  • Empresas
  • Negócios
  • Política
  • Brasil
  • Mundo
  • Tecnologia
  • Agronegócio
  • Trabalho
  • Saúde
  • Loterias
  • Esportes
    • Futebol
  • Cultura & Lazer
    • Filmes e Séries
  • Lifestyle
  • Anuncie Conosco

© 2026 GAZETA MERCANTIL - Marca jornalística fundada em 1920. Site oficial: gazetamercantil.com - Todos os direitos reservados. - ISSN 1519-0129 - contato@gazetamercantil.com - Grupo SMEdit - Av.Paulista 777 - Bela Vista - São Paulo - SP