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Ouro e prata disparam com tensão sobre o Fed e riscos geopolíticos

por Álvaro Lima
12/01/2026 às 19h32
em Economia
Ouro E Prata Disparam Com Tensão Sobre O Fed E Riscos Geopolíticos - Gazeta Mercantil

Ouro e prata retomam rali impulsionados por tensões do Fed e riscos geopolíticos

O mercado de metais preciosos voltou a registrar fortes ganhos nesta semana, com ouro e prata destacando-se em uma sequência de alta sustentada na Comex, divisão de metais da Bolsa de Nova York (Nymex). O ouro para fevereiro encerrou em alta de 2,53%, cotado a US$ 4.614,70 por onça-troy, enquanto a prata para março avançou 7,24%, alcançando US$ 85,09 por onça-troy, refletindo a volatilidade que domina os mercados diante de fatores econômicos e geopolíticos.

Pressão sobre o Fed aumenta volatilidade

O Federal Reserve (Fed), banco central dos Estados Unidos, voltou a estar sob os holofotes depois que o Departamento de Justiça (DoJ, na sigla em inglês) emitiu uma intimação ameaçando uma acusação criminal contra o presidente Jerome Powell. O episódio reacende debates sobre a independência do Fed e suas decisões de política monetária, um fator que tem impacto direto sobre o comportamento do ouro e da prata.

Analistas do mercado financeiro destacam que a incerteza sobre a continuidade da política monetária americana, especialmente em um cenário de inflação ainda pressionada, tem levado investidores a buscar proteção em ativos tradicionais de refúgio, como os metais preciosos. O ouro, tradicionalmente considerado um porto seguro, tem reagido de forma mais pronunciada a qualquer sinal de instabilidade política ou econômica nos Estados Unidos.

Geopolítica como combustível para os metais

Além do cenário monetário, tensões geopolíticas têm reforçado o rali do ouro e da prata. Recentemente, o ex-presidente Donald Trump afirmou, em publicação na Truth Social, que “não haverá mais petróleo ou dinheiro indo para Cuba”, sugerindo que o governo cubano “faça um acordo antes que seja tarde demais”. A declaração ocorre em um momento de endurecimento da política americana em relação à ilha e segue operações militares recentes nos arredores da Venezuela, além do interesse de Washington em adquirir a Groenlândia.

Especialistas apontam que declarações e ações geopolíticas, como a limitação de comércio de petróleo ou sanções financeiras, tendem a gerar maior procura por ativos de segurança. O comportamento de ouro e prata costuma antecipar movimentos de risco global, refletindo incertezas que ainda não estão totalmente precificadas em outros mercados”, observa Fawad Razaqzada, analista da Forex.com.

Expectativas para 2026: rali contínuo ou movimento efêmero?

O mercado se questiona se 2026 repetirá o desempenho histórico do ano anterior, quando o ouro atingiu uma série de máximas recordes. Para Razaqzada, embora as tensões políticas possam gerar volatilidade de curto prazo, a política monetária seguirá predominantemente orientada pelos dados econômicos, não por pressões externas: “Minha hipótese é que Powell cumpra o restante de seu mandato e que decisões sobre juros e liquidez continuem a refletir a situação real da economia, e não influências políticas pontuais.

Os investidores também observam com atenção o CPI (Consumer Price Index) de dezembro nos Estados Unidos, indicador que mede a inflação ao consumidor. A expectativa é que o resultado influencie diretamente os preços do ouro e da prata, reforçando ou moderando o atual rali.

Outros metais preciosos em destaque

O rali não se restringe apenas ao ouro e à prata. Entre os demais metais preciosos, a platina para abril registrou alta de 3,65%, cotada a US$ 2.380,60 por onça-troy, enquanto o paládio subiu 3,65%, alcançando US$ 1.939,30 por onça-troy às 16h, horário de Brasília. Esses ganhos refletem não apenas fatores de oferta e demanda industrial, mas também o clima de incerteza econômica global, que reforça a busca por proteção em ativos tangíveis.

Investidores buscam portos seguros

O aumento nos preços do ouro e da prata evidencia uma tendência consolidada: investidores institucionais e pessoas físicas estão cada vez mais inclinados a diversificar suas carteiras com ativos que ofereçam proteção em tempos de instabilidade. Fundos de hedge, bancos centrais e traders de commodities têm reforçado suas posições em metais preciosos, reduzindo exposição a mercados voláteis de ações e moedas.

Além disso, o apelo do ouro e da prata vai além da proteção financeira. Eles funcionam como reserva de valor em períodos de inflação elevada, flutuações cambiais e crises geopolíticas, sendo tradicionalmente vistos como instrumentos de preservação de riqueza.

Perspectivas para o curto e médio prazo

Analistas de mercado apontam que o rali de ouro e prata pode continuar enquanto persistirem fatores de risco, incluindo tensões políticas nos EUA, medidas protecionistas e instabilidades internacionais. Ainda assim, alertam para a volatilidade inerente desses ativos: “Apesar do cenário favorável, os preços podem sofrer correções abruptas diante de decisões inesperadas do Fed ou de desdobramentos geopolíticos”, afirma Razaqzada.

Especialistas em commodities ressaltam que acompanhar os indicadores macroeconômicos, como o CPI, e as decisões do Fed, é essencial para investidores que desejam entrar ou expandir posições em ouro e prata. A capacidade de antecipar movimentos de mercado será decisiva para capturar ganhos sem se expor a riscos desnecessários.

O rali de ouro e prata nesta semana reflete uma combinação de fatores: a incerteza sobre a independência do Fed, tensões geopolíticas em Cuba e Venezuela, e a busca dos investidores por ativos de refúgio em um cenário global volátil. Enquanto os preços se mantêm em alta, a atenção do mercado permanece voltada para indicadores econômicos e declarações de autoridades, que podem influenciar o comportamento das commodities preciosas.

O mercado de metais preciosos, portanto, segue em alerta, com ouro e prata como protagonistas de uma corrida que combina proteção financeira, oportunidades de investimento e resposta a riscos globais.

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