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Ovos e café puxam lista de produtos em falta nos supermercados no mês de maio

Índice de Ruptura da Neogrid subiu para 12,4% no mês, interrompendo a melhora registrada em abril e acendendo alerta para reposição no varejo alimentar.

por Daniel Wicker
06/07/2026 às 19h33 - Atualizado em 16/07/2026 às 19h40
em Agronegócio,Destaque,Notícias
Ovos E Café Puxam Alta Da Falta De Produtos Nos Supermercados Em Maio - Gazeta Mercantil

A falta de produtos nas gôndolas dos supermercados brasileiros voltou a crescer em maio de 2026, puxada principalmente por ovos e café. O Índice de Ruptura da Neogrid, que mede a indisponibilidade de itens no varejo, subiu para 12,4% no mês, alta de 0,9 ponto percentual em relação a abril, quando havia ficado em 11,5%.

O resultado interrompeu o movimento de melhora observado no mês anterior e reforçou a pressão sobre a cadeia de abastecimento de alimentos e bebidas. Na prática, a ruptura indica que determinado produto não estava disponível para o consumidor no ponto de venda no momento da compra.

Entre as categorias monitoradas, os ovos de aves tiveram o maior índice de falta nas prateleiras. A ruptura do item avançou de 25,5% em abril para 28,4% em maio, alta de 2,9 pontos percentuais. O café também teve piora relevante, com o índice passando de 6,8% para 8,6%, avanço de 1,8 ponto percentual.

O movimento mostra que a queda ou estabilidade de preços nem sempre significa maior disponibilidade nas lojas. Em alguns casos, o aumento da procura, a sazonalidade, os ajustes de estoque e a dinâmica logística podem elevar a falta de produtos mesmo em períodos de recuo nos preços ao consumidor.

O que é ruptura no varejo

No varejo alimentar, ruptura é o termo usado para indicar a ausência de um produto na gôndola. Isso pode ocorrer por falhas de reposição, atraso logístico, erro de previsão de demanda, falta no fornecedor, mudança no comportamento do consumidor ou decisão do varejista de reduzir estoque.

O indicador é importante porque afeta diretamente o faturamento dos supermercados e a experiência de compra do consumidor. Quando o item não está disponível, o cliente pode trocar de marca, comprar outro produto, adiar a compra ou procurar o concorrente.

Para o varejo, o desafio é equilibrar disponibilidade e capital empatado em estoque. Estoque baixo demais aumenta o risco de ruptura. Estoque alto demais eleva custos, perdas e pressão sobre margens, especialmente em categorias perecíveis ou de alto giro.

Em maio, a combinação de sazonalidade, oscilações de preço e mudanças no ritmo de consumo contribuiu para a piora do indicador em categorias relevantes da cesta alimentar.

Ovos lideram falta nas prateleiras

Os ovos de aves continuaram como a categoria com maior nível de ruptura entre os produtos analisados. O índice passou de 25,5% em abril para 28,4% em maio, avanço de 2,9 pontos percentuais.

A alta da indisponibilidade ocorreu mesmo com sinais de acomodação nos preços. A embalagem com seis unidades caiu de R$ 7,51 para R$ 7,15, o menor valor desde janeiro. A caixa com 12 unidades recuou de R$ 11,98 para R$ 11,61, enquanto a de 24 unidades passou de R$ 11,67 para R$ 11,52. Já a embalagem de 30 unidades subiu levemente, de R$ 21,43 para R$ 21,56.

O comportamento sugere que o problema não está apenas no preço, mas também na capacidade de reposição e na distribuição do produto no varejo. Mesmo com produção ainda elevada no país, a cadeia mostrou sinais de ajuste.

Segundo dados do IBGE, a produção brasileira de ovos de galinha somou 1,21 bilhão de dúzias no primeiro trimestre de 2026. O volume foi 0,4% maior que o registrado no mesmo período de 2025, mas ficou 3,5% abaixo do quarto trimestre de 2025.

Essa leitura ajuda a explicar a pressão nas gôndolas. A produção segue em patamar alto, mas perdeu força na comparação trimestral, o que pode ter reduzido a folga de abastecimento em determinados mercados.

Café também fica mais difícil de encontrar

O café foi outro destaque da piora no abastecimento. A ruptura da categoria subiu de 6,8% em abril para 8,6% em maio, avanço de 1,8 ponto percentual.

A alta ocorreu apesar da queda nos preços médios acompanhados no período. O café em pó recuou de R$ 73,45 para R$ 71,22 por quilo. O café em grãos caiu de R$ 133,96 para R$ 127,28 por quilo.

Esse descompasso entre preço e disponibilidade é relevante para o consumidor. Mesmo com algum alívio no valor final, o produto pode não estar presente em todas as lojas, marcas ou apresentações procuradas.

No caso do café, a ruptura pode ser influenciada por fatores como recomposição de estoques, substituição de marcas, variação de demanda e ajustes no repasse de preços ao longo da cadeia. Para supermercados, a categoria exige atenção porque tem alto giro, forte presença na cesta básica e sensibilidade elevada a preço.

Açúcar avança mesmo com preços menores

O açúcar também registrou aumento de ruptura em maio. O índice subiu de 8,6% para 10,4%, alta de 1,8 ponto percentual.

Nos preços, o movimento foi de queda. O açúcar refinado passou de R$ 4,39 para R$ 4,23 por quilo. O açúcar cristal caiu de R$ 3,73 para R$ 3,71 por quilo.

A leitura econômica é que preços mais baixos podem estimular a procura e acelerar o giro nas lojas. Quando o consumo cresce em velocidade superior à reposição, a ruptura aumenta, mesmo em um ambiente de maior oferta na cadeia produtiva.

O mercado de açúcar vinha sendo influenciado pelo avanço da safra e por maior disponibilidade do produto, fatores que pressionaram os preços no mercado interno. Para o varejo, porém, o aumento da competitividade do item pode ter ampliado a demanda nas gôndolas.

Azeite volta a pressionar o abastecimento

Depois de melhora em abril, o azeite voltou a registrar aumento de ruptura em maio. O índice passou de 10,8% para 12,6%, também com alta de 1,8 ponto percentual.

A categoria teve comportamento misto nos preços. O azeite virgem subiu de R$ 62,66 para R$ 63,71 por litro, enquanto o extravirgem caiu de R$ 75,20 para R$ 74,42 por litro.

O azeite segue como uma das categorias mais sensíveis do varejo alimentar, tanto pelo preço elevado quanto pela dependência de importações e pela volatilidade da oferta internacional. Oscilações de abastecimento, câmbio e custo logístico podem impactar a presença do produto nas prateleiras.

Para o consumidor, a ruptura pode aparecer não apenas como ausência total do item, mas também como redução de variedade, menor oferta de marcas ou indisponibilidade de versões mais procuradas.

Vinho e cerveja também têm alta de ruptura

Além dos alimentos básicos, bebidas também tiveram aumento de indisponibilidade nas gôndolas.

No caso do vinho, a ruptura passou de 10,6% para 12,2%, alta de 1,6 ponto percentual. O movimento acompanha a sazonalidade típica da categoria, já que o consumo tende a ganhar força nos meses mais frios do ano.

Os preços tiveram comportamento majoritariamente negativo. O vinho importado caiu de R$ 61,00 para R$ 59,01. O vinho fino nacional passou de R$ 46,71 para R$ 46,14. O vinho de mesa ficou praticamente estável, de R$ 24,86 para R$ 24,87. Já a sangria subiu de R$ 11,28 para R$ 12,28.

A cerveja teve a menor alta de ruptura entre os itens destacados, mas também piorou. O índice passou de 10,4% em abril para 11,5% em maio, avanço de 1,1 ponto percentual.

Apesar de o período ser tradicionalmente mais fraco para a categoria, na comparação com o verão, a cerveja mantém alto giro e grande variedade de marcas, embalagens e versões. Isso exige reposição constante e planejamento mais preciso dos supermercados.

O que o aumento da ruptura mostra sobre o consumo

A alta do Índice de Ruptura em maio mostra que o varejo alimentar ainda opera sob pressão, mesmo em categorias nas quais houve queda de preços.

O dado é importante porque a disponibilidade do produto é parte central da inflação percebida pelo consumidor. Quando um item some da prateleira, o cliente pode migrar para marcas mais caras, embalagens diferentes ou produtos substitutos, o que muda a composição da compra.

Para supermercados, a ruptura representa perda potencial de venda. Para fornecedores, pode indicar falha na distribuição ou dificuldade de acompanhar mudanças rápidas de demanda. Para consumidores, significa menor previsibilidade na compra de itens de rotina.

O avanço em ovos e café é especialmente relevante porque os dois produtos têm forte presença no consumo doméstico brasileiro. A falta desses itens nas gôndolas tende a ser mais percebida pelo consumidor do que a indisponibilidade de categorias menos frequentes.

Pressão deve manter varejo em alerta

O resultado de maio indica que supermercados terão de reforçar a gestão de estoque e reposição nos próximos meses, especialmente em categorias de alto giro e grande sensibilidade de preço.

O cenário exige atenção a três pontos: comportamento da demanda, custos logísticos e velocidade de recomposição da oferta. Quando esses fatores se movem ao mesmo tempo, o risco de ruptura aumenta.

A alta do indicador não significa desabastecimento generalizado, mas aponta piora na disponibilidade de produtos específicos. Para o consumidor, isso pode aparecer como prateleiras incompletas, menor variedade ou dificuldade para encontrar marcas habituais.

Com ovos e café no centro da pressão, o varejo alimentar entra no meio do ano com um desafio adicional: manter preços competitivos sem ampliar a falta de produtos nas gôndolas.

Tags: AbastecimentoAçúcaragronegócioalimentosazeitecaféconsumoGôndolasÍndice de RupturainflaçãoNeogridovossupermercadosvarejo alimentar

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