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Meio/Ideia: Lula abre 5,5 pontos sobre Flávio Bolsonaro em cenário de segundo turno

Levantamento nacional ouviu 1.500 eleitores por telefone e identifica divisões acentuadas por gênero, renda e região no confronto presidencial.

por Júlia Campos
05/08/2026 às 13h21
em Política
Eleições 2026 - Lula X Flavio Bolsonaro - Gazeta Mercantil

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva aparece com 48,5% das intenções de voto, ante 43% do senador Flávio Bolsonaro, em uma simulação de segundo turno para a Presidência da República divulgada nesta quarta-feira, 5 de agosto, pela pesquisa Meio/Ideia. A diferença nominal é de 5,5 pontos percentuais. Votos em branco ou nulos somam 4%, enquanto 4,5% dos entrevistados não souberam responder.

O instituto ouviu 1.500 pessoas com 16 anos ou mais, por telefone, entre 31 de julho e 3 de agosto. O levantamento tem abrangência nacional, nível de confiança de 95% e margem de erro máxima estimada de 2,5 pontos percentuais, para mais ou para menos. A pesquisa foi registrada na Justiça Eleitoral sob o protocolo BR-04579/2026-BRASIL.

Leia também: Pesquisa Quaest 2026: Lula, Flávio Bolsonaro e Caiado entram em nova fase decisiva da eleição.

Na rodada imediatamente anterior da série, realizada em julho, Lula tinha 45% e Flávio Bolsonaro, 40% no mesmo confronto. Os dois avançaram na medição de agosto, mas a distância entre eles variou pouco, de cinco para 5,5 pontos. A série do instituto mostra oscilações ao longo do ano, o que reforça que a pesquisa representa o quadro observado no período de coleta, e não uma previsão do resultado das urnas.

Primeiro turno concentra 78% em Lula e Flávio Bolsonaro

Na pergunta estimulada de primeiro turno, em que o entrevistador apresenta uma lista de nomes, Lula registra 43% e Flávio Bolsonaro, 35%. Juntos, os dois concentram 78% das intenções de voto. Ronaldo Caiado aparece com 5,7%, Renan Santos com 4,7% e Romeu Zema com 2,6%. Augusto Cury tem 1,7%; Cabo Daciolo, 0,6%; Samara Martins, 0,3%; Edmilson Costa, 0,2%; Hertz Dias e Rui Costa Pimenta, 0,1% cada.

Leia também: Soberania brasileira no centro: Congresso e Lula reagem ao tarifaço dos EUA enquanto Bolsonaro se isola.

Nesse cenário, 4% não souberam responder e 2% disseram que votariam em branco, anulariam o voto ou não escolheriam nenhum dos nomes apresentados. A distância nominal de oito pontos entre Lula e Flávio Bolsonaro é maior do que a observada na simulação de segundo turno, mas os percentuais precisam ser interpretados considerando a margem de erro geral informada pelo instituto.

A pesquisa espontânea, na qual os nomes não são apresentados ao entrevistado, produz um quadro diferente. Lula é citado por 34,4% e Flávio Bolsonaro por 23%. Caiado tem 2,8%, Renan Santos, 2,5%, Zema, 1,5%, e Jair Bolsonaro, 1%. O grupo que não soube indicar espontaneamente uma preferência alcança 27,7%, enquanto 4,5% responderam branco, nulo ou ninguém.

A diferença entre os dois métodos mede aspectos distintos do comportamento eleitoral. A pergunta espontânea tende a captar lembrança, identificação já consolidada e capacidade de o eleitor formular uma escolha sem auxílio. A estimulada mede a preferência diante de alternativas explicitamente oferecidas. Por isso, os percentuais das duas perguntas não devem ser comparados como se fossem a mesma variável.

Gênero, renda e região revelam bases eleitorais distintas

O recorte por gênero mostra uma das maiores divisões do levantamento. Entre os homens, Flávio Bolsonaro registra 52,2% e Lula, 41,5% no segundo turno. Entre as mulheres, a relação se inverte: Lula alcança 55%, contra 34,5% do senador. Branco e nulo representam 3,1% no grupo masculino e 4,9% no feminino; os que não sabem são 3,2% e 5,6%, respectivamente.

A renda também altera a distribuição das preferências. Entre os entrevistados que recebem até um salário mínimo, Lula tem 56,5%, e Flávio Bolsonaro, 31,9%. Na faixa de um a três salários mínimos, o resultado é mais estreito: 47,7% a 45% para o presidente. Flávio lidera entre quem recebe de três a cinco salários mínimos, por 53% a 40,1%, e entre os que ganham mais de cinco salários mínimos, por 50,3% a 45%.

O mapa regional reproduz uma polarização territorial. Lula registra 62% no Nordeste, ante 30,9% de Flávio Bolsonaro. No Sul, o senador marca 61,4%, e o presidente, 29,5%. No Sudeste, os percentuais são 47% para Lula e 44,5% para Flávio. No Norte, o placar é de 46,9% a 44,5%; no Centro-Oeste, de 47,5% a 40,8%.

Esses recortes ajudam a localizar os segmentos em que cada nome concentra maior apoio, mas exigem cautela adicional. Como as divisões por gênero, renda e região utilizam subconjuntos da amostra total, elas reúnem menos entrevistados do que o resultado nacional. O relatório informa margem máxima de 2,5 pontos para o conjunto da pesquisa, mas não apresenta margens específicas para cada subgrupo.

Rejeição dos dois líderes permanece próxima de 48%

A rejeição é elevada e praticamente equivalente entre os dois nomes que lideram a intenção de voto. Flávio Bolsonaro é mencionado por 48% dos entrevistados na pergunta sobre em quem não votariam de jeito nenhum, enquanto Lula aparece com 47,4%. Como a questão permitia mais de uma resposta, a soma dos percentuais supera 100% e não representa uma distribuição exclusiva entre alternativas.

Os índices dos demais nomes são inferiores: Zema tem rejeição de 14,6%; Caiado, de 13,9%; Cabo Daciolo, de 13,7%; Renan Santos, de 13,5%; Rui Costa Pimenta, de 12,9%; Samara Martins, de 10,7%; Hertz Dias, de 10,1%; Augusto Cury, de 9,9%; e Edmilson Costa, de 9,8%. Apenas 1,3% disseram não rejeitar nenhum dos nomes, e 2,9% não souberam responder.

O levantamento também perguntou sobre o grau de consolidação da escolha. Para 66% dos entrevistados, o voto já está decidido; 34% afirmaram que ainda podem mudar. A resposta mede a percepção declarada no momento da entrevista e não impede mudanças provocadas pela campanha, por debates, por alianças partidárias ou por acontecimentos econômicos e políticos posteriores à coleta.

A combinação de rejeição elevada e proximidade no segundo turno indica um ambiente competitivo, no qual a ampliação de apoio depende não apenas de conquistar eleitores ainda indecisos, mas também de reduzir resistências. Essa leitura decorre dos próprios indicadores da pesquisa: os dois principais nomes têm rejeição perto de metade da amostra e, simultaneamente, concentram a maior parte das intenções de voto no primeiro turno estimulado.

Lula lidera também contra Caiado, Zema e Renan Santos

Nas demais simulações de segundo turno, Lula aparece à frente dos adversários testados. Contra Caiado, o presidente registra 48,5%, e o adversário, 40%; brancos e nulos somam 7%, e 4,5% não sabem. Diante de Zema, Lula tem 48,5%, contra 37%; 8,5% indicam branco ou nulo, e 6% não respondem.

No confronto com Renan Santos, Lula marca 48%, e o adversário, 34,7%. Nesse cenário, 10,3% afirmam que votariam em branco ou anulariam, enquanto 6,9% não sabem. A proporção de eleitores sem escolha por um dos dois nomes cresce nesses confrontos: branco, nulo e indecisos somam 11,5% contra Caiado, 14,5% contra Zema e 17,2% contra Renan Santos, ante 8,5% na disputa entre Lula e Flávio Bolsonaro.

Os números não permitem concluir, isoladamente, como os votos dos nomes excluídos de cada cenário migrariam numa campanha real. As simulações apresentam perguntas separadas e registram a resposta dada a cada pareamento. Elas servem para medir a configuração potencial dos confrontos naquele momento, sem estabelecer transferência automática de votos entre primeiro e segundo turnos.

Pesquisa antecede prazo final para registro das candidaturas

A divulgação ocorre no último dia do período reservado às convenções partidárias, abertas em 20 de julho e encerradas em 5 de agosto. O calendário da Justiça Eleitoral fixa 15 de agosto, às 19h, como prazo final para que partidos, federações e coligações apresentem os pedidos de registro de candidatura. Assim, os nomes testados pela pesquisa devem ser tratados como alternativas eleitorais incluídas no questionário, sem que o levantamento substitua as decisões partidárias e os registros formais.

O primeiro turno das eleições gerais está marcado para 4 de outubro de 2026. Onde houver necessidade de uma segunda votação para os cargos do Executivo, o segundo turno ocorrerá em 25 de outubro. A Justiça Eleitoral exige, desde 1º de janeiro, que pesquisas sobre o pleito ou possíveis candidaturas sejam registradas no PesqEle até cinco dias antes da divulgação.

O registro no sistema PesqEle torna públicas informações metodológicas e administrativas, mas não equivale a uma validação prévia dos resultados pelo Tribunal Superior Eleitoral. O próprio TSE informa que não realiza controle antecipado sobre os números nem gerencia a divulgação dos levantamentos; sua atuação pode ocorrer quando provocada por representação.

Segundo a metodologia apresentada pelo Meio/Ideia, a seleção utiliza probabilidade proporcional ao tamanho e geração aleatória de números telefônicos, técnica conhecida como Random Digit Dialing. O plano considera variáveis como sexo, idade, escolaridade e nível econômico, admite ponderação para sexo e idade quando há discrepâncias superiores a 2,5 pontos percentuais e prevê checagem posterior de 30% dos questionários de cada pesquisador.

Essas características delimitam o alcance da leitura: os percentuais retratam as respostas obtidas por telefone no período de campo, submetidas ao plano amostral declarado e à margem de erro informada. A fotografia de agosto mostra Lula numericamente à frente de Flávio Bolsonaro, concentração dos votos nos dois nomes e clivagens relevantes entre homens e mulheres, faixas de renda e regiões, em uma disputa que ainda atravessa a formalização das candidaturas.


FONTES:

  1. Meio/Ideia — Pesquisa nacional sobre as Eleições 2026, rodada de agosto — campo de 31 de julho a 3 de agosto de 2026
  2. Tribunal Superior Eleitoral — Resolução nº 23.760, calendário das Eleições Gerais de 2026 — 2 de março de 2026
  3. Tribunal Superior Eleitoral — página institucional sobre registro e divulgação de pesquisas eleitorais — consulta em 5 de agosto de 2026
  4. Senado Federal — perfil institucional do senador Flávio Bolsonaro — consulta em 5 de agosto de 2026
  5. Presidência da República — identificação institucional de Luiz Inácio Lula da Silva como presidente da República — consulta em 5 de agosto de 2026

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