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Petrobras (PETR4): lucro cai no 1T26, mas alta do petróleo sustenta expectativa para ações

por Ana Luiza Farias
14/05/2026 às 11h49
em Empresas
Petrobras (Petr4): Lucro Cai No 1T26, Mas Alta Do Petróleo Sustenta Expectativa Para Ações - Gazeta Mercantil

A Petrobras (PETR4) encerrou o primeiro trimestre de 2026 com lucro líquido de R$ 32,7 bilhões, queda de 7,2% em relação ao mesmo período do ano anterior, em um resultado considerado satisfatório por Harold Thau, sócio da Técnica, empresa de análise e consultoria de mercado de capitais. Para o especialista, a estatal manteve eficiência operacional, mas a recente valorização das ações e as incertezas sobre a permanência do petróleo acima de US$ 100 por barril impõem maior cautela aos investidores.

A avaliação ocorre após a divulgação do balanço do 1T26 da Petrobras (PETR4), que mostrou receita praticamente estável, Ebitda levemente maior e melhora no resultado financeiro negativo. Apesar da queda no lucro líquido, Thau afirma que os números seguem compatíveis com a capacidade de geração de caixa da companhia.

Leia também: Petróleo na Foz do Amazonas: Lula apoia exploração com foco na preservação ambiental.

Segundo o analista, a receita da Petrobras (PETR4) avançou 0,44% na comparação anual, enquanto o lucro bruto caiu 1,82%. O Ebitda teve alta de 1,40%, e o resultado financeiro negativo recuou 25,76%, passando de R$ 10,5 bilhões para R$ 7,8 bilhões. Já o lucro líquido caiu de R$ 35,2 bilhões para R$ 32,7 bilhões.

“Como a Petrobras apresentou um lucro líquido de R$ 110 bilhões em 2025, se nós fizermos uma conta simplista e multiplicarmos o lucro do 1T26 por quatro, nós temos um resultado próximo ao resultado do ano passado”, afirma Thau.

Resultado da Petrobras mostra resiliência operacional

Para Harold Thau, o balanço do 1T26 da Petrobras (PETR4) deve ser lido dentro de um contexto de transição no mercado internacional de petróleo. A companhia reportou números próximos aos do primeiro trimestre de 2025, mesmo antes de capturar integralmente os efeitos da disparada recente do barril.

No primeiro trimestre, o petróleo ainda era negociado em patamar inferior ao observado nas últimas semanas. Segundo Thau, o barril estava na faixa de US$ 72 no 1T26, mas passou a operar entre US$ 100 e US$ 110 em meio ao aumento das tensões no Oriente Médio.

Esse movimento tende a beneficiar empresas integradas de óleo e gás, como a Petrobras (PETR4), principalmente quando há repasse de preços ao mercado doméstico. O analista pondera, porém, que o efeito sobre o lucro operacional depende da política de preços da companhia.

“Se a Petrobras tivesse uma política mensal ou trimestral de realinhamento de preços com o mercado internacional, isso melhoraria o seu lucro operacional”, diz Thau. “Lógico, isso depende muito da evolução do conflito no Oriente Médio, pois caso haja uma resolução, o preço do barril do petróleo pode voltar a operar na faixa anterior de US$ 65 a US$ 75, mas isso não seria do dia para a noite.”

A defasagem entre a variação do petróleo no mercado externo e os preços praticados no Brasil é um dos pontos acompanhados por investidores. Em momentos de alta forte do barril, a Petrobras (PETR4) tende a ganhar margem nas exportações, mas pode enfrentar pressão política e econômica para evitar repasses bruscos aos combustíveis.

Queda do lucro não elimina leitura positiva do balanço

Apesar da retração no lucro líquido, Thau considera que a Petrobras (PETR4) apresentou desempenho satisfatório no primeiro trimestre. Para ele, a queda do resultado pode ter decepcionado parte dos investidores, mas não altera a leitura de que a companhia segue eficiente dentro do cenário atual.

“Dentro do atual contexto, a Petrobras mostrou eficiência no 1T26. A companhia teve um desempenho satisfatório, mas alguns investidores podem ter se decepcionado um pouco com a queda do lucro líquido, sendo que isso faz parte do risco”, afirma.

A avaliação reforça uma diferença importante entre resultado contábil e percepção de mercado. Embora o lucro líquido tenha recuado, a Petrobras (PETR4) manteve forte geração operacional, preservou rentabilidade elevada e continuou em posição de destaque entre as maiores petroleiras globais.

O desempenho também foi influenciado por fatores financeiros. A redução do resultado financeiro negativo ajudou a compensar parte da pressão sobre o lucro. Para investidores, esse dado é relevante porque indica menor impacto de despesas financeiras, variações cambiais e outros componentes não operacionais sobre o balanço.

Ainda assim, o comportamento das ações da Petrobras (PETR4) depende menos do resultado isolado do trimestre e mais da combinação entre preço do petróleo, política de dividendos, fluxo estrangeiro, governança e percepção sobre interferência estatal.

Ações da Petrobras superam o Ibovespa em 2026

As ações preferenciais da Petrobras (PETR4) acumulam forte valorização em 2026. Segundo Harold Thau, o papel sobe mais de 45% no ano, desempenho bastante superior ao do Ibovespa, que avança pouco acima de 10% no mesmo período.

A diferença também aparece na janela de 12 meses. Nesse intervalo, as ações da Petrobras (PETR4) acumulam alta de cerca de 38%, enquanto o Ibovespa registra valorização próxima de 27%.

O desempenho reflete a combinação de lucro elevado, expectativa de dividendos, alta do petróleo e melhora da percepção sobre empresas exportadoras de commodities. No entanto, Thau observa que as ações não acompanharam integralmente a disparada do barril.

Entre o fim de fevereiro e o fim de abril, o preço do petróleo passou de aproximadamente US$ 72 para US$ 104, avanço de 44%. No mesmo período, a ação da Petrobras (PETR4) subiu 19,4%.

Para o analista, essa diferença mostra que o mercado não está totalmente convencido de que o petróleo permanecerá acima de US$ 100 no médio e no longo prazo. A leitura dos investidores é de que parte da alta recente pode estar associada a choques geopolíticos temporários.

Fluxo estrangeiro ajuda a explicar queda recente

A queda recente das ações da Petrobras (PETR4), segundo Thau, não está necessariamente ligada a uma percepção de que o papel esteja excessivamente caro. O movimento teria relação maior com cautela dos investidores e mudança no fluxo de capital estrangeiro na Bolsa brasileira.

Do início do ano até a primeira quinzena de abril, a B3 registrou fluxo líquido positivo de investidores estrangeiros. A partir da segunda quinzena de abril, porém, houve inversão desse movimento, com saída de capital externo.

Segundo Thau, até 7 de maio, último dado citado pelo analista, o fluxo estrangeiro no mês já estava negativo em R$ 3,3 bilhões. Essa mudança pode ter pressionado ações líquidas e relevantes no Ibovespa, como Petrobras (PETR4).

A realização de lucros também ajuda a explicar o movimento. Depois de uma alta expressiva no ano, parte dos investidores pode ter reduzido exposição ao papel para buscar alternativas em outros setores ou ativos com maior assimetria de curto prazo.

“Além de existir a possibilidade do petróleo não ficar no preço atual por muito tempo, os investidores podem estar buscando outras alternativas já que a ação da Petrobras subiu muito nos últimos meses”, afirma Thau.

Indicadores de preço seguem em linha com empresas de commodities

Na avaliação de Harold Thau, a Petrobras (PETR4) não está excessivamente cara pelos principais múltiplos de mercado, mas também não pode ser considerada uma ação muito descontada quando comparada a outras empresas de commodities.

Segundo o analista, a Petrobras (PETR4) negocia com P/L de 5,5 vezes. O indicador mede a relação entre o preço da ação e o lucro da companhia. Quanto menor o múltiplo, mais barato o papel parece em relação à sua geração de lucro, embora o número precise ser analisado junto com risco, ciclo de commodities, governança e perspectivas de crescimento.

“Para uma companhia de commodity, isso não é baixo, mas também não é nada absurdo”, diz Thau.

Outro indicador citado é o EV/Ebitda, que estaria em 3,3 vezes. O múltiplo compara o valor da firma com sua geração operacional de caixa. Para o analista, esse patamar está em linha com o perfil de uma companhia de commodities.

O retorno patrimonial, por outro lado, aparece como ponto positivo. No 1T26, o ROE da Petrobras (PETR4) foi de 29,3%, acima dos 26,4% registrados em 2025. A melhora indica maior capacidade de geração de lucro sobre o patrimônio líquido da companhia.

Petróleo acima de US$ 100 pode melhorar lucro operacional

As perspectivas para a Petrobras (PETR4) dependem, em grande medida, da trajetória do petróleo nos próximos meses. Caso o barril permaneça em patamar elevado e a companhia consiga realinhar preços, o lucro operacional pode ser beneficiado.

Thau avalia que o petróleo dificilmente cairia de US$ 100 para US$ 70 em poucos dias. Na visão dele, uma eventual normalização dos preços ocorreria de forma gradual, ao longo de meses, especialmente se as tensões no Oriente Médio permanecerem como fator de risco.

Esse intervalo pode favorecer a Petrobras (PETR4), desde que a estatal consiga capturar parte da alta por meio de exportações, preços domésticos e melhora de margem. O analista pondera, no entanto, que custos de produção também podem subir.

Mesmo assim, a combinação de petróleo alto, eficiência operacional e múltiplos ainda compatíveis com o setor mantém a Petrobras (PETR4) no radar de investidores. O principal ponto de atenção é a sustentabilidade desse cenário.

Para o mercado, a dúvida central é se a alta do petróleo representa uma mudança estrutural de preço ou apenas um choque temporário provocado por fatores geopolíticos. Essa leitura tende a influenciar diretamente o comportamento das ações da Petrobras (PETR4).

Refino volta ao centro da estratégia da Petrobras

Além do resultado financeiro, Harold Thau chama atenção para a estratégia de refino da Petrobras (PETR4). Para o analista, a companhia poderia ampliar sua capacidade nessa área, já que ainda possui gargalos relevantes.

Segundo ele, a Petrobras (PETR4) refina cerca de 70% da própria produção e deveria buscar elevar essa capacidade para perto de 100%. Embora o foco histórico da empresa seja exploração e produção de petróleo bruto, o refino pode aumentar a captura de valor ao longo da cadeia.

“A Petrobras poderia estar refinando mais, já que ela possui um gargalo nessa área”, afirma Thau.

O analista também critica decisões estratégicas tomadas no passado, como a venda de refinarias e a parceria com a Venezuela para construção de uma unidade em que, segundo ele, os recursos foram majoritariamente aportados pela Petrobras.

Na avaliação de Thau, a expansão da capacidade de refino permitiria à Petrobras (PETR4) reduzir dependência de derivados importados, melhorar margens em determinados ciclos e fortalecer sua posição integrada no setor de óleo e gás.

Petrobras segue sensível a petróleo, dividendos e política de preços

O desempenho da Petrobras (PETR4) nos próximos meses continuará condicionado a três fatores principais: preço internacional do petróleo, política de preços no mercado doméstico e expectativa de remuneração aos acionistas.

A companhia segue como uma das empresas mais relevantes do Ibovespa e tem peso significativo na Bolsa brasileira. Por isso, qualquer mudança na percepção sobre Petrobras (PETR4) tende a influenciar o índice, o fluxo estrangeiro e o comportamento de investidores locais.

O resultado do 1T26 mostrou que a estatal mantém forte capacidade de geração de lucro, mesmo em um trimestre sem captura integral da recente alta do petróleo. Ao mesmo tempo, a queda anual do lucro líquido e a valorização expressiva das ações reforçam a necessidade de cautela.

Para Harold Thau, a Petrobras (PETR4) continua eficiente, mas o mercado já incorporou parte relevante das boas notícias. A partir de agora, a sustentação das ações dependerá da permanência do petróleo em patamar elevado, da disciplina financeira da companhia e da forma como a estatal administrará preços, investimentos, refino e dividendos.

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